Dois projetos de charneira desenvolvidos pelo IPB e pelo Centro de Ciência Viva ganharam financiamento

Janeiro de 2019 pode ser a data que marca a viragem no paradigma do combate aos incêndios florestais em Portugal com o arranque do Projeto SAFE: Sistemas de Monitorização e Alerta Florestal, que visa a prevenção dos fogos baseado num sistema de inteligência artificial, que se tiver sucesso será instalado
noutras florestas do país. O projeto é da responsabilidade do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) que vai implementar sistemas que minimizem o risco de incêndios florestais e monitorizem a fauna, através da recolha e disseminação de informações através de sensores distribuídos pelo território da Serra da Nogueira, mancha de carvalho negral que servirá de campo de ensaio.
São os tais sensores que enviam informação em tempo real para a central localizada no IPB. “O SAFE conjuga a tecnologia adaptada aos valores naturais de uma região específica, que neste caso é a Serra da Nogueira”, explicou
Ana Isabel Pereira, investigadora do Centro de Investigação e Digitalização em Robótica (CeDRI). A informação recolhida pelos sensores é, posteriormente,
analisada por um sistema baseado em inteligência artificial que alerta sobre
anomalias, de acordo com parâmetros definidos pelos diferentes agentes que atuam no território (Proteção Civil, Bombeiros, Polícia). “Vamos desenvolver um sistema inteligente, cujos sensores serão colocados em locais previamente estudados, com o objetivo de monitorizar a fauna e a flora da região, na Serra da Nogueira, e fazer alerta de ignições, pois se forem identificadas logo no início os bombeiros e a Proteção Civil podem atuar de uma forma eficaz”, observou a investigadora. Os dados poderão vir a ser cruzados com os do território espanhol junto à fronteira. O SAFE resulta da colaboração entre o CeDRI e o Centro de Investigação da Montanha (CIMO), ambos a funcionar no IPB, que apresentaram uma candidatura ao Programa Promove-Dinamização de zonas fronteiriças da Fundação La Caixa, que lhe garante um financiamento superior a 130 mil euros. Aquela fundação financia ainda outro projeto de Bragança,
o Natureza Virtual, desenvolvido pelo Centro de Ciência Viva, que visa a implementação de quatro módulos interativos de interpretação dos valores naturais, que analisem os recursos da região do Douro e do Parque Natural de Montesinho para os transformar em pontos de interesse museológico. O Projeto Natureza Virtual terá um módulo de realidade virtual, com recurso a óculos, que vai mostrar o percurso da Estação Biológica Douro/Duero, em Miranda do Douro. Outra vertente é um Time-Lapse de Montesinho, com ecrã e com recurso
a áudios e a odores alusivos a cada imagem visualizada. Em marcha está ainda o SilkHouse, em desenvolvimento na Casa da Seda, que consiste em instalar uma microrrede inteligente, baseada em fontes renováveis de energia (hídrica
e solar). O projecto foi financiado pela FCT e terminará em 2019. Há ainda o Módulo Interativo da Microrrede SilkHouse – Visualização de animações explicando o funcionamento dos equipamentos (pico-hídrica e moinho) e visualizar os dados relativos à produção e consumo de energia do edifício (instantânea, diária, mensal e anual). O Natureza Virtual também inclui um sistema de monitorização do Rio Fervença, utilizando sensores, armazenamento
de dados e métodos ‘Big Data’ para processar e visualizar diferentes parâmetros.
Ambos os projetos iniciam em janeiro de 2019 e têm uma duração de três anos.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

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