Clima: Centro lusófono de investigação com seis países

Seis países assinaram hoje o acordo de princípios de adesão ao centro de investigação sobre clima e recursos naturais de língua portuguesa, que formaliza o projeto de investigação aberto à toda a lusofonia e África.

O passo decisivo para o avanço do projeto em estudo há dois anos foi dado hoje no encerramento do II Workshop Internacional sobre Clima e Recursos Naturais nos países de língua portuguesa, que juntou durante uma semana, em Bragança, participantes de vários países lusófonos.

Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Moçambique são os primeiros a aderirem ao centro, que vai permitir a mobilidade de investigadores, docentes e estudantes para troca de conhecimento e aplicação de projetos na área do clima.
Publicado em ‘Diário Digital‘.

IPB ajuda Cabo Verde a implementar Centro de Investigação

Bases deste serviço estiveram em estudo ao longo desta semana, num workshop internacional com os vários Países de Língua Portuguesa

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai ajudar Cabo Verde a implementar um Centro de Investigação sobre o Clima e Recursos Naturais no Universo Lusófono.

As bases foram lançadas durante esta semana, num workshop internacional dedicado à temática, que contou com a presença dos Países de Língua Portuguesa.

O Centro de Investigação vai ter a sua sede em Cabo Verde, mas terá pólos em Portugal e no Brasil. No entender de Sobrinho Teixeira, presidente do IPB, Bragança “seria um bom local para a instalação desse pólo”.

“Temos massa crítica, nomeadamente através do Centro de Investigação de Montanha, que é reconhecido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, e que engloba mais de 50 doutorandos que estudam a agricultura de montanha, parte essencial da agricultura praticada em inúmeros países da CPLP”, apontou.

O presidente do Politécnico considera que o conhecimento disponível que já existe em Bragança faz desta cidade “um local apropriado para fazer parte da rede de investigação climática”.

A criação de um Centro de Investigação nesta área é considerada “vital” por Ester Brito, presidente do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica de Cabo Verde. A responsável explicou que, actualmente, a África Ocidental baseia a informação meteorológica noutros centros de investigação, estando muito “dependente” dos países desenvolvidos.

“Com este Centro vamos procurar preparar programas para a previsão sazonal, de modo a que poder responder não só a Cabo Verde, mas a toda a região da África Ocidental”, considerou.

As mudanças climáticas e a problemática do bom uso da água e dos solos são um tema muito “pertinente” da actualidade internacional e, em particular, de Cabo Verde, um país que, pelas suas características geográficas, pode estar algo “vulnerável”, como apontou Ester Brito.

“Cabo Verde é um país insular e que, devido à sua situação geográfica, pode sofrer consequências com o aumento do nível do mar, e com outros fenómenos climáticos, como seja, a formação de tempestades tropicais ou de tempestades de poeiras do deserto. Temos, ainda, a problemática das secas e das chuvas torrenciais”.

O projecto para a criação de um Centro de Investigação na área climática foi apresentado já em 2008, na Ilha do Sal. Neste II Workshop Internacional que se realiza em Bragança, Portugal, espera-se poder dar os passos definitivos para avançar com a sua materialização no terreno.

Para além da sede em Cabo Verde que, numa primeira fase, poderá ser apenas virtual, o Centro de Investigação terá pólos em Portugal e no Brasil.

Os vários países presentes no encontro, bem como directores, presidentes ou representantes de todos os institutos de meteorologia dos países envolvidos, embaixadores e representantes da CPLP, devem concertar as estratégias para a implementação desse e de outros serviços ao longo desta semana. O ministro de Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos de Cabo Verde estará presente na sessão de encerramento, agendada para amanhã, 19 de Novembro.

Publicado em ‘Mensageiro Bragança‘.

Projecto europeu visa comparar qualificações em Agricultura

Presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, aponta a exportação do ensino das Ciências Agrárias para optimizar recursos nacionais

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) acolheu a única reunião, realizada em Portugal, no âmbito do Projecto ImpAQ – Melhorar a Comparabilidade das Qualificações em Agricultura. Os sete países parceiros neste programa juntaram-se para discutir e comparar as qualificações existentes em cada nação para, depois, se elaborar uma “matriz” que englobe todas as semelhanças e diferenças na área da Agricultura. A par desta reunião, o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, voltou a sublinhar o “excesso” de cursos em Ciências Agrárias e adiantou que a exportação do know-how português na matéria será uma mais-valia para o ensino e para o desenvolvimento do País.

Com um durabilidade de dois anos, o Projecto ImpAQ pretende, acima de tudo, “criar um conjunto de critérios que permitam a comparabilidade de formações e qualificações na área agrícola”, frisou o docente da Escola Superior Agrária do IPB, Tomás Figueiredo. As qualificações abrangidas vão desde os “níveis mais básicos, até aos mais superiores, incluindo doutoramentos”, bem como todas as áreas agrícolas, como as de pendor ambiental, biotecnológico, agro-alimentar, florestal e produção animal.

Para alcançar este propósito, o professor salientou que é fundamental criar, numa primeira fase, um “inventário das condições de formação em todos os países envolvidos”, registando todas as “qualificações existentes e os conceitos a elas associadas nos países integrantes”, referiu Tomás Figueiredo.

Em pontos gerais, este projecto visa a organização de “critérios básicos” que permita “dizer que uma certa formação num certo país é comparável a uma outra formação numa outra nação, até com diferente designação, mas cujo conteúdo e qualificações atribuídas sejam comparáveis”.

Liderado pela Universidade Marconi, de Itália, o projecto conta também com a parceria de Portugal, França, Áustria, Suécia, Hungria e Holanda. “Ainda que tenhamos uma diversidade de formações na Europa, vale a pena o esforço, porque estamos num contexto europeu de trabalho.” Neste âmbito, Tomás Figueiredo destacou que os empregadores e as instituições de ensino têm de se “consciencializar” que estão a “formar e qualificar pessoas para o espaço europeu e não somente para o seu próprio país”.

IPB vai exportar ensino das Ciências Agrárias

Para a realidade nacional, o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, salientou que existe um “excessivo” número de “escolas de Ciências Agrárias”, mas isso não significa, de acordo com o responsável, que se deva partir para o encerramento ou para a redução da oferta.

É que, na opinião de Sobrinho Teixeira, Portugal deve aproveitar, no seu todo, as mais-valias do conhecimento que detém nesta área para o exportar para, por exemplo, os países de língua portuguesa, onde existe uma carência de profissionais. “Já temos uma infra-estrutura montada e, por isso, devemos olhar para o ensino agrário no sentido da exportação. Por exemplo, Angola tem 11 engenheiros florestais para uma superfície que é 14 vezes superior à de Portugal. É nisto que devemos apostar.”

O presidente do IPB avançou também que professores agrários irão para São Tomé e Príncipe para dar aulas, por módulos, no Mestrado em Segurança Alimentar. “Temos que ver nas dificuldades uma oportunidade. Com a capacidade de recursos humanos e técnicos que as instituições de ensino têm, seria um desperdício desaproveitá-las.”

Publicado em ‘Mensageiro Bragança‘.

Academia ajuda alunos em dificuldades

Associação Académica vai oferecer entradas para a Semana do Caloiro aos estudantes mais carenciados

Há cada vez mais alunos a pedir ajuda à Associação Académica do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), fruto da conjectura actual de crise que vive o país, mas não só. Rui Sousa, presidente da academia, diz que a nova política de atribuição de bolsas veio deixar muitos alunos sem apoio, aumentando as dificuldades de quem estuda e, em alguns casos, colocando até em risco a frequência do ensino superior.

O presidente destacou o caso de um aluno proveniente dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP’s), inscrito na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, que, por falta de verbas, está em risco de não se matricular no segundo ano.

“É um aluno que tem uma média boa, que fez todas as disciplinas e que por não ter como pagar as propinas, corria o risco de ter de deixar de estudar”, apontou. A Associação Académica disponibilizou-se, desde logo, para fazer todos os esforços no sentido de permitir a continuidade dos estudos daquele aluno, tendo admitido, desde já, que em último caso a própria Associação pagará as propinas.

“Como tem um bom aproveitamento e é um excelente aluno, temos feito os possíveis para o ajudar e vamos fazer tudo para que ele continue a estudar. Em ultima hipótese, pagamos-lhe as propinas”, disse Rui Sousa.

Mas há mais casos semelhantes. Segundo Rui Sousa, há muitos alunos provenientes de regiões mais industrializadas que, durante este ano, viram os pais perder o emprego e tem passado por mais dificuldades. A situação levou a Associação Académica a reunir, já, com alguns desses alunos para lhes oferecer a entrada na Semana do Caloiro. Um pequeno gesto cheio de simbolismo e que tem como objectivo ajudar a que estes alunos “não se sintam desintegrados”.

“Não queremos que deixem de participar nos eventos da academia e que se sintam desintegrados, nem queremos que sintam vergonha por mostrar as dificuldades que sentem”, apontou Rui Sousa.

A Associação Académica vai continuar, ao longo do ano, a promover actos de solidariedade, como forma de mostrar à cidade que os estudantes “fazem parte de Bragança”.

Publicado em ‘Mensageiro Bragança‘.

“África Minha”

Homenagem póstuma ao fundador da Associação dos Estudantes Africanos em Bragança

De 25 a 30 de Maio, realizou-se a Semana de África 2010, promovida pela Associação dos Estudantes Africanos em Bragança (AEAB).
No sábado, o dia maior, aconteceu a final do torneio de futebol, vencido, desta feita, pela Associação de Estudantes Africanos de Coimbra, enquanto que, no futsal feminino, vencei a AEAB. À semelhança do ano passado, jantou-se na cantina do IPB, onde alunos, público em geral e convidados puderam apreciar as iguarias de origem africana.
Depois do jantar, decorreu uma performance teatral, “Viagem”, a reflectir sobre o “espírito evasivo do povo africano”, um Sarau Cultural com música e dança e a entrega dos troféus. A finalizar a cerimónia, um momento solene de homenagem póstuma a António Matos, onde estavam presentes dois dos seus familiares, o filho Pedro, e a sua mãe, Alda Matos.
“Foi uma grande perda para a comunidade africana. Ele era a muleta para muitos estudantes, a quem apoiava incondicionalmente. Agora, terão de ser os alunos a seguirem em frente com a vida, a associação e os eventos”, declara a viúva de António Matos, que ainda, conseguiu concluir o curso de Animação e Produção Artística, antes de falecer, em Janeiro último.
O presidente recém-eleito da AEAB, Natalino Andrade, faz um balanço positivo da Semana Africana e transmite um dos objectivos mais importantes do seu mandato, alterar a data das eleições para o inicio do ano lectivo.
“Foi graças a pessoas como o Tony, que certas barreiras foram quebradas”, evidencia o responsável, oriundo da Cidade da Praia, na ilha de S. Tiago (Cabo Verde). “Para mim, esta é a cidade ideal para qualquer estudante! É barata, tem bom ambiente e óptimas condições de estudo”, termina Natalino Andrade.
Publicado no Jornal ‘Nordeste’.