Bragança: Plantação de antigas hortas abandonadas

Uma instituição de solidariedade de Bragança vai reduzir em cerca de um terço a despesa com alimentação, plantando hortas abandonadas na cidade com o apoio científico do instituto politécnico, numa parceria que vai abrir portas aos estudantes para estágios.

O protocolo entre a Obra Social Padre Miguel (OSPM) e o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) foi ontem oficializado e contempla também a organização e disponibilização para investigação de uma biblioteca composta por milhares de livros doados à instituição.

A parte agrícola desta parceria é a que terá de imediato mais visibilidade com a OSPM a recuperar antigas hortas que se encontram sem cultivo no raio de um quilómetro em torno das instalações, na zona de São Lázaro.

São oito hectares cedidos pelos proprietários, segundo explicou o presidente, Nuno Álvaro Vaz, de onde espera colher uma variedade de alimentos agrícolas para as 500 refeições diárias fornecidas nas diferentes valências, dos idosos à creche, num total de perto de 300 pessoas, incluindo 90 funcionários.

O IPB colabora, fornecendo conhecimento e dispondo de espaço para a prática dos alunos da Escola Superior Agrária.

O presidente da OSPM espera poupar «entre 30 a 40 por cento» do que está a gastar anualmente em alimentação, uma poupança que ajudará a «acabar mais rapidamente com o encargo de 1,7 milhões de euros» que a instituição está a pagar de um empréstimo bancário contraído para a construção do complexo social.

Também os utentes do lar poderão participar nestes cultivos, nomeadamente aqueles que lidaram toda a vida com a agricultura e continuam a gostar do trabalho na terra.

O presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, sublinhou o «contributo recíproco desta parceria, porque a Obra vai também contribuir para o que o instituto necessita em termos de conhecimento, como campo de experimentação e de estudos dos alunos» na área agrícola, mas também para a prática dos estudantes em estágios profissionais noutra área.

De imediato seis alunos vão estagiar na OSPM na área da gerontologia, um curso pioneiro que só existe em Bragança e em Aveiro, em Portugal. A OSPM irá também fazer parte de um consórcio de entidades e empresas que o IPB vai constituir para se candidatar a um centro de estágios europeu, que permitirá enviar alunos portugueses para outros países e vice-versa.

O IPB vai ainda ajudar a organizar e aproveitar como centro de estudos a biblioteca da OSPM, que recebeu entre quatro a cinco mil livros de literatura doados por um estudioso da terra, Hirondino da Paixão Fernandes.

O autor está também a elaborar a bibliografia do distrito de Bragança, um repositório de todas as obras que se publicaram de todos os autores que escreveram sobre a região.

Segundo explicou, serão dez volumes com perto de sete mil páginas, que invocam à volta de seis mil autores e que espera concluir em Agosto/Setembro para depois ser publicado pela Câmara de Bragança.
Publicado em ‘CONFAGRI‘.

IPB: 3,3 milhões de euros para novos equipamentos

Capacidade pedagógica e investigação em produtos regionais saem reforçadas

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai investir 3,3 milhões de euros em novos equipamentos que permitirão melhorar a capacidade pedagógica e de investigação direccionada para os produtos regionais.

O principal beneficiário deste investimento, comparticipado pelo Programa Operacional do Norte, é o Centro de Investigação de Montanha (CIMO), com dois milhões de euros para a criação de laboratórios. Os restantes 1,3 milhões destinam-se à construção do Bloco Pedagógico, um centro de apoio às diferentes áreas leccionadas no IPB, explicou o presidente do instituto, Sobrinho Teixeira.

Os contratos de financiamento foram assinados na cerimónia das comemorações do Dia do IPB, que completou 28 anos na sexta-feira, assinalados com a presença do secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.
O CIMO insere-se na estratégica de desenvolvimento do politécnico vocacionada para a realidade social e económica local e tem sido, segundo o presidente,o alicerce e a base dos produtos da região, como a castanha e o azeite. “Na área do azeite, o politécnico de Bragança tem o melhor conhecimento a nível nacional, porque está numa das regiões mais produtivas e com melhor azeite do país”, afirmou.

O novo Bloco Pedagógico irá ajudar a resolver o problema da Escola Superior de Saúde, a única que não se encontra no campus académico do IPB e que está instalada num edifício com capacidade para 300 alunos e alberga mil. Sobrinho Teixeira considera que existem condições para a transferência, quer físicas, quer ao nível de equipamentos e laboratórios que podem ser partilhados pelas diferentes áreas leccionados no politécnico.

Outras das apostas do IPB para o futuro é a internacionalização, “das pouca situações em que o politécnico de Bragança não está numa situação desfavorável relativamente ao resto do país”, referiu, acrescentando que numa relação internacional ninguém pergunta se se está a 20 ou 200 quilómetros do mar, mas pela capacidade e motivação.

Sobrinho Teixeira aproveitou as comemorações para realçar a “boa saúde” do instituto em termos de formação e qualificação e até do ponto de vista financeiro. “Encontra-se numa situação sólida, relativamente confortável, no plano do ensino superior em Portugal”, assegurou.

Além disso, este centro de investigação, que conta com quase 60 doutorados, tem uma capacidade que o seu presidente não quer que “seja só de investigação, mas sobretudo de interacção com a comunidade”.

Publicado em ‘CiênciaHoje‘.

Guerra Junqueiro apresentado aos estudantes

Edição de “A Lágrima” e exposição sobre a vida e obra do escritor são acções para divulgar o trabalho do poeta freixenista

O departamento de Português da Escola Superior de Educação (ESE)
associou-se à Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, para organizar uma Exposição Biobibliográfica intitulada ‘’Guerra Junqueiro, de
Freixo para o Mundo’, com a chancela científica de Henrique Manuel S.
Pereira (UCP-Porto).

A mostra esteve patente naquela instituição de ensino, entre os dias 13 e 23 de Janeiro. A ideia é não deixar cair no esquecimento o escritor, para o efeito foram realizadas várias acções, uma vez que o seu trabalho não está devidamente divulgado.
“Tem sido um escritor preterido em prol de outros. Já não faz parte dos currículos do ensino nem consta dos manuais escolares ”, lamentou Carla
Guerreiro, docente do Departamento de Português da ESE.
No dia 21 de Janeiro decorreu ainda apresentação da edição de A Lágrima, de Guerra Junqueiro, pela Lello Editores, na ESE. Trata-se de
um poema “marcante”, referiu Pedro Mora, vice-presidente da Câmara de
Freixo de Espada à Cinta. A obra foi editada em cinco idiomas, nomeadamente Português, Espanhol, Francês, Inglês e o Italiano. “Algumas das traduções são de época outras foram feitas agora”, acrescentou o responsável. A publicação original foi importante
na altura do seu lançamento, porque os valores apurados na sua venda reverteram a favor das vítimas de um incêndio que ocorreu no Porto naquela altura.

Câmara de Freixo está a divulgar a obra de Guerra Junqueiro

Nas escolas daquele concelho os alunos estudam a obra de Guerra Junqueiro, apesar de esta não fazer parte dos currículos escolares do ensino oficial. “Os professores, por sua iniciativa, têm falado no pensamento, na obra e na vida do poeta, sobretudo por causa do seu aniversário”, referiu.
A exposição tem andado em périplo pelo país, por várias terras onde Guerra Junqueiro viveu. Já esteve em Lisboa, Porto, e vai continuar para outras cidades como Ermesinde, Viana do Castelo e Vila do Conde.
“Sendo um poeta de Trás-os-Montes porque não trazê-lo ao local onde se preparam os alunos para seguirem ramos de Educação. Eram um local
onde teríamos de estar de certeza”, justificou o autarca.
Mostra circula por várias cidades O poeta não foi um homem consensual e o facto de ser anti-clerical granjeou-lhe vários inimigos. “Guerra
Junqueiro teve uma dimensão humana em vida muito maior do que
na morte, foi considerado de cariz mundial, viajou por vários países, como Brasil, Europa, América Latina. Grandes pensadores da sua época tinham-no como referência”, recordou Pedro Mora.
Na biblioteca da ESE-IPB, encontram- se obras de Guerra Junqueiro que podem ser adquiridas pelo público. Carla Guerreiro destacou que a exposição é “uma homenagem” aos grandes pensadores da República.
“Fazemos uma reflexão sobre a ambiência política e cultural do século
XIX, e homenageamos Guerra Junqueiro como uma grande figura intelectual que foi, que marcou uma época e a nossa história literária”, frisou a professora.
Publicado em ‘Jornal Nordeste‘.