As pragas que devastam os castanheiros

Os castanheiros do dis­trito de Bragança têm sido alvo, ao longo dos tempos, de pragas como o bichado, o gorgulho, a vespa das ga­lhas do castanheiro e a tinta.
O nome científico do bi­chado é cydia splenda­na, que tem um aspecto de borboleta e que pode colo­car 300 ovos. O fruto quan­do é atacado fica com um aspecto mole. Estas bor­boletas têm uma activida­de nocturna, o que dificul­ta a sua localização duran­te o dia, contudo são facil­mente capturadas em ar­madilhas luminosas ou com feromonas. Rosalina Mar­rão, investigadora do CIMO – Centro de Investigação de Montanha recomenda o uso de armadilhas delta pa­ra a redução da praga do bi­chado. O uso destas arma­dilhas destina-se à realiza­ção da monotorização dos adultos e serve para a cap­tura em massa. Estas ar­madilhas podem ser adqui­ridas através de associa­ções de agricultores e em lojas especializadas.
Outra das pragas é o gorgulho, nome científi­co curculio elephas gylle­nhal. Quando os castanhei­ros estão infectados por es­ta praga o fruto apresenta uma cicatriz ou um orifício circular da saída das larvas, uma vez que este insecto se alimenta das castanhas. Este insecto ataca também outras árvores, como o so­breiro, a azinheira e as es­pécies de carvalhos. Como forma de prevenção, os es­pecialistas aconselham a limpeza da vegetação ras­teira para facilitar a apanha dos frutos caídos e a remo­ção dos frutos no solo e la­vouras superficiais.
A vespa das galhas do castanheiro é outra pra­ga. É um insecto conhecido que tem como nome dryo­cosmus kuriphilus yasumat­su e faz com que haja redu­ção do crescimento dos ra­mos e a frutificação, prejudi­cando a produção e a qua­lidade da castanha e pode conduzir até ao declínio dos castanheiros. No que diz respeito ao combate, ac­tualmente, “está a ser reali­zada uma monitorização no terreno para actuar no mo­mento certo” informou Car­los Silva. Esta monitoriza­ção está a ser concretiza­da pelo Centro Nacional de Competências de Fru­tos Secos, pelo IPB, em co­laboração com os municí­pios de Bragança e Vinhais.
Para o combate biológi­co da praga da tinta (phyto­phthora) que é uma doen­ça das raízes da árvo­re, causada por este fun­go, Eugénia Gouveia, tam­bém investigadora do CI­MO, recomendou a planta­ção de cereais à volta das árvores porque não são hospedeiros.“ A phytophtho­ra está sempre no solo, o que significa que não da­rá condições para esta pra­ga crescer, ou seja, quando ela cresce e se instala aca­ba por morrer, porque não consegue sobreviver nas raízes dos cereais” aconse­lhou Eugénia Gouveia.

Publicado por: “Jornal Nordeste”

 

Doenças dos castanheiros continuam a assolar os produtores

Um dos produtores de castanhas de São Martinho da Angueira, Miranda do Douro queixou-se que a sua exploração agrícola está a morrer por causa do cancro do castanheiro.
O cancro e outras doenças do castanheiro continuam a preocupar os produtores. Um deles é Porfírio Martins, de São Martinho de Anguei­ra, no concelho de Miranda do Douro, com cerca de 1000 exemplares. Confessou “que está a perder a esperança por­que está tudo a morrer e não adianta. O que mais nos atin­ge, neste momento, é o can­cro, não é a tinta”. Porfírio Martins além de produtor de castanha também é presiden­te da Florest’ Água – Asso­ciação de Produtores Flores­tais e Regantes de São Marti­nho e foi um dos presentes da IV Edição das Jornadas Téc­nicas do Castanheiro do pro­jecto Transfer Castanha.
Na freguesia de São Mar­tinho de Angueira está “si­tuada a maior dimensão de produção de excelência de castanhas do concelho de Miranda do Douro”, contou Carlos Silva, com soutos de pequena dimensão.
Na sessão de esclareci­mentos do Transfer Casta­nha, com um público bastan­te participativo, foram rea­lizadas recomendações es­pecializadas sobre as pragas que afectam esta produção. Uma das palestrantes foi Ro­salina Marrão, investigadora do CIMO – Centro de Inves­tigação de Montanha do Ins­tituto Politécnico de Bragan­ça, que recomendou o uso de armadilhas delta para a redu­ção da praga do bichado. O uso destas armadilhas desti­na-se à realização da mono­torização dos adultos dessa praga e serve para a captura em massa. Estas armadilhas podem ser adquiridas atra­vés de associações de agricul­tores e em lojas especializa­das de venda de produtos fi­tofármacos. Outra das pragas que assola os soutos é a tinta. Para o combate biológico da praga da tinta Eugénia Gou­veia recomendou a planta­ção de cereais à volta das ár­vores porque não são hospe­deiros de phytophthora. “A phytophthora está sempre no solo, o que significa que não dará condições para esta pra­ga crescer, ou seja, quando ela cresce e se instala acaba por morrer, porque não consegue sobreviver nas raízes dos ce­reais” aconselhou Eugénia Gouveia.
No caso da praga da ves­pa-das-galhas-do-castanhei­ro, “está a ser realizada uma monitorização no terreno pa­ra actuar no momento certo” informou Carlos Silva. Esta monitorização está a ser con­cretizada pelo Centro Nacio­nal de Competências de Fru­tos Secos, pelo Instituto Poli­técnico de Bragança em cola­boração com os municípios de Bragança e Vinhais que são os locais que representam 80% da produção nacional de castanha.

Publicado por: “Jornal Nordeste”

IPB doa cem oliveiras para ajudar a reflorestar concelho afectado pelos incêndios de Outubro

A Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança ofereceu 100 árvores para a iniciativa “1000 Oliveiras para Oliveira de Frades”, cuja plantação começou no passado sábado. A vila do distrito de Viseu foi assolada pelos incêndios de Outubro passado.
O objectivo da iniciativa é ajudar a replantar as áreas ardidas daquela região da Beira Alta. O director da Escola Superior Agrária, Miguel Vilas Boas, destacou que por existir um conjunto de formações e de investigação em olivicultura na Agrária, a Escola foi convidada a participar na iniciativa doando 100 oliveiras.
“A ESA tem um conjunto de acções de formações e de investigação em olivicultura, no que diz respeito às doenças das oliveiras e na produção desta árvore, por isso, foi convidada a participar e decidiu oferecer 100 oliveiras criadas nas nossas estufas”, frisou.
A ESA associou-se a esta causa solidária, com uma doação que tem um “valor simbólico e uma forma de reabilitar o país e ajudar na reflorestação, de uma forma ordenada e resiliente, como se pretende” referiu o director da Escola Superior Agrária, Miguel Vilas Boas.
Os padrinhos do evento foram os músicos Olavo Bilac e David Antunes.
Da iniciativa estavam previstas acontecerem três espaços de plantação, mas devido ao mau tempo, foi realizada apenas a 1ª acção e as restantes foram adiadas para breve.

Publicado por: “Rádio Brigantia”

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Já foi apresentado o plano de combate à praga da vespa da galha dos castanheiros em Vinhais

Em Vinhais, já foi apresentado o plano de combate à vespa da galha do castanheiro. Depois do grande número de casos de castanheiros infectados com esta praga no último ano naquele concelho, esta primavera vai ser necessário proceder ao combate biológico.

O plano de Combate à Vespa da Galha dos Castanheiros para Vinhais define 37 largadas.
Dos 180 focos identificados, estes estão georreferenciados para receberem o ‘Torymus sinensis’, o parasita que pode eliminar a praga.
“Dos 180 locais que foram identificados no verão e no final da primavera e que foram georreferenciados, foram novamente vistoriados agora para saber o grau de intensidade do problema que havia nesses locais. Com base nesse grau de intensidade foram definidos os locais onde vão ser efectuadas as largadas a partir do momento que decorre o abrolhamento do castanheiro”, como esclareceu Abel Pereira, da Arborea, a Associação Florestal da Terra Fria Transmontana.
As largadas deste insecto predador da vespa da galha deverão acontecer a partir do final do mês de Março, por altura do abrolhamento dos castanheiros, com particular incidência nas aldeias de Edral, Vilar Seco de Lomba, Quirás e Pinheiro Novo.
“Teria que ser agora para a partir do mês de Março, mais 6 sessões descentralizadas no concelho. Durante o final do mês de março e mês de abril fazermos visitas semanais constantes aos soutos e aos pontos de largada identificados, para podermos largar o predador das galhas no momento certo e no sítio certo” refere Carlos Silva, da Proruris, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Rural de Vinhais explica que esta é a altura ideal para apresentar este plano.
Este será o primeiro ano de largada do ‘Torymus sinensis’, mas Carlos Silva admite que se trata de “um trabalho contínuo e de paciência” e estima-se que seja necessário repetir o método por quatro ou cinco anos, para erradicar a vespa da galha do castanheiro.
Este plano vai ser implementado pelo conselho municipal, que integra a Arborea, o Instituto Politécnico de Bragança, a Proruris e a Câmara Municipal de Vinhais.

Publicado por: “Rádio Brigantia”

Politécnico de Bragança leva a produtores de castanha avanços científicos

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai instalar 21 campos experimentais em todo o Norte de Portugal para transferir para o terreno os avanços científicos no combate às pragas do setor da castanha, foi ontem anunciados.
Trata-se de uma das ações do projeto “TRANFER+.TEC.CASTANHA”, que foi ontem apresentado ao setor, em Bragança, e que foi contemplado com meio milhão de euros do programa Norte 2020 para a “transferência de conhecimento científico e tecnológico da fileira da castanha para o setor empresarial”, a partir da região onde se concentra a maior parte da produção nacional deste fruto seco, concretamente nos concelhos de Bragança e Vinhais.
Uma das ações previstas de maior envergadura, como explicou hoje o responsável, Albino Bento, é a instalação, em propriedades agrícolas particulares, de 21 campos experimentais, desde o Minho a Trás-os-Montes, que vão fazer demonstrações das técnicas e tecnologia que existem ao dispor dos agricultores e simultaneamente controlar as pragas do castanheiro, como a vespa, tinta ou cancro.
“Esses campos experimentais vão ser instalados em propriedades de agricultores e preveem a aquisição de meios como o parasitóide contra a vespa, produtos contra o cancro, aplicação de medidas de luta contra a doença da tinta, contra o bichado e gorgulho da castanha”, explicou.
Estes campos, que vão já começar a ser instalados, “servirão para atividades de demonstrações para nas ações de formação também se poderem mostrar (as técnicas) e ao mesmo tempo ajudar a controlar as pragas”, segundo ainda o responsável.
“São campos de demonstração das práticas: como se devem fazer o tratamento contra o cancro do castanheiro, contra a tinta, vão servir como campos de demonstração para depois os agricultores poderem copiar e fazer igual”, concretizou.
O politécnico de Bragança promoveu hoje o seminário de lançamento do projeto que visa a “transferência de conhecimento e tecnologia para as empresas” e que “abrange toda a fileira da castanha, com foco nas doenças e pragas, mas também na conservação e transformação da castanha”.
O projeto contempla também outras atividades como o levantamento das necessidades das empresas agroindustriais e do setor agrícola e “63 ações de disseminação do conhecimento dirigidas para os agricultores”.
“Vamos andar nos próximos dois anos pelas aldeias, pelos municípios, fazendo ações de sensibilização e formação para os agricultores”, indicou Albino Bento, apontando o início das mesmas para março.
De acordo com o investigar, que é também presidente do Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos, sediado em Bragança, “os agricultores normalmente participam” nestas ações e o projeto vai “contar com um conjunto de parceiros que vão mobilizar os agricultores”, nomeadamente as juntas de freguesia.
O presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, lembrou que “muitas vezes a queixa que há entre o mundo do conhecimento e da investigação e o mundo real é que não há ligação” e “este projeto vai exatamente fazer isso”.
“Vai procurar fazer com que aquilo que foi investigado possa agora ser implementado, em conjugação com as associações de agricultores e com os próprios investigadores”, sustentou.
Da parte dos produtores, o presidente da Cooperativa Agrícola de Vinhais, Carlos Silva, notou que nos últimos anos “o ensino superior tem estado mais virado para a comunidade, o politécnico tem desenvolvido vários projetos com as associações, com os agricultores”.
Observou ainda que os problemas que o setor enfrenta, desde as pragas às alterações climáticas, levam também a que por parte dos produtores haja uma maior predisposição para acolher o que a comunidade científica oferece.
Ainda assim, reconhece que “é sempre muito difícil mudar os fatores culturais, principalmente no meio rural onde a população está envelhecida”.
A cooperativa tem mais de 300 sócios e recentemente criou uma secção dos frutos secos com 17 produtos, cuja média de idades ronda os 40 anos.

Publicado por: “Diário de Trás-os-Montes”

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Torre de Moncorvo debate hoje a “Desertificação, o Despovoamento e o Futuro da Agricultura em contexto de alterações climáticas”

O Cineteatro de Torre de Moncorvo, recebe no próximo dia 22 de Novembro, o seminário sobre a “Desertificação, o Despovoamento e o Futuro da Agricultura em contexto de alterações climáticas”.

O seminário incluiu conferências e debates que permitem aos participantes adquirirem saberes relativos à desertificação, à adaptação das alterações climáticas, ao despovoamento do território, ao futuro da agricultura, à produção e sustentabilidade da Amendoeira e da Oliveira e a gestão da rega num contexto de escassez de água.
De acordo com o programa esta iniciativa é dividida em várias sessões, a sessão de abertura caberá ao Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Nuno Gonçalves, seguindo-se Armando Loureiro do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, o Reitor da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro,  António Fernandes, o Presidente do Instituto Politécnico de Bragança, P João Teixeira, o Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Norte, Manuel Cardoso e o Vice-Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Ricardo Magalhães.
Durante a manhã, decorrerá ainda uma sessão com Tomás Figueiredo do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e Núcleo de Combate à Desertificação do Norte, Helena Freitas, da Universidade de Coimbra, Filipe Santos, Presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, José Paulino, Chefe da Divisão de Adaptação e Monitorização/Departamento de Alterações Climáticas da Agência Portuguesa do Ambiente e  Paulo Noronha da CIMDOURO.
À Tarde a sessão é moderada por Manuel Cardoso, Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Norte, seguido por Aureliano Malheiro da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD), de Albino Bento do Centro Nacional de Competências – Instituto Politécnico de Bragança (IPB), José Pereira do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e de António Ribeiro do CIMO – IPB.
O encerramento fica a cargo da Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos. Este evento é organizado pela Câmara Municipal de Torre de Moncorvo com o apoio da UNCCD, do Instituto da Conservação da Natureza, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, da Agência Portuguesa do Ambiente, da Comunidade Intermunicipal do Douro, da Zasnet, da UNESCO, da UTAD, do Instituto Politécnico de Bragança – Escola Superior Agrária, da Universidade de Coimbra, da Universidade de Lisboa, da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte e do Crédito Agrícola.

Publicado por: “Notícias do Nordeste”

Confraria da Castanha quer afirmação ibérica para o sector

A Confraria Ibérica da Castanha quer afirmar o sector no contexto da Península Ibérica para ajudar os produtores na aproximação à investigação sobre esta produção, aglutinando o ensino superior português e espanhol. “Queremos dar um vínculo mais ibérico à confraria”, revelou o grão-mestre, Paulo Hermenegildo, no final do Grande Capítulo da Confraria Ibérica da Castanha, que decorreu no passado sábado, em Bragança. Foi um momento para entronizar 14 novos confrades. Cerca de 20% de mais de uma centena e meia do total de confrades são espanhóis, nomeadamente o vice-grão mestre e um dos secretários da Assembleia geral.
A confraria vai começar a trabalhar com a Universidade de Salamanca para fazer investigação no âmbito florestal,
da defesa do castanheiro e da fileira da castanha “no sentido do saber e do conhecimento, bem como de troca de saberes internacionais com a envolvência do Instituto Politécnico de Bragança”, acrescentou o grão-mestre.
Facultar apoio é uma das missões da confraria que foi para o terreno para ajuda a identificar focos de vespa da
galha do castanheiro para ajudar os agricultores e alertando a Direção Regional de Agricultura. “No próximo ano já serão feitos lançamentos de parasitóides na nossa zona e nós temos um papel importante nesse aspecto”, sublinhou. Na forja está a criação da Rota do Castanheiro em Flor, que passará por vários municípios.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

Investigador de Bragança diz que queimadas são contingentes à agricultura

As queimadas são uma prática contingente à existência da agricultura que exige uma relação mais próxima com agricultores para prevenção no uso daquele que é o único recurso de limpeza, em alguns casos, preconiza um investigador de Bragança.
Manuel Ângelo Rodrigues é professor/investigador da Escola Superior Agrária de Bragança e conhecedor da realidade das queimadas usadas no outono e na primavera para limpar os campos de matos e restos de colheitas.
Para este investigador, “tem de haver uma preocupação especial das autoridades que gerem o problema dos incêndios com aquilo que é o meio rural, ter veículos de informação que façam chegar a informação aos agricultores”.
“As autoridades que gerem o território e, nesta caso concreto os incêndios, admitindo que a negligência por parte de agricultores pode ser uma causa de incêndios, é óbvio que eles [autoridades e agricutores] têm de estar intimamente ligados”, defendeu em entrevista à Lusa.
O fogo estará sempre presente nas práticas agrícolas, como explicou, concretamente para eliminar o resultado da limpeza do mato que se acumula junto a pequenas hortas típicas da agricultura de subsistência mais praticada a norte do rio Tejo.
“As pessoas têm sempre pequenas hortas para obter produtos familiares e essas hortas normalmente têm zonas cultivadas, mas confinam com locais onde se desenvolvem matos, silvas, vegetação mais alta. E o que acontece é que elas não podem permitir que os campos sejam invadidos por esse material”, explicou.
Essas bermas dos prédios agrícolas, das hortas, “têm de ser cortadas, têm de ser higienizadas, têm de ser limpas e esse material não tem destino coerente” porque não pode ser aproveitado para lenha para a lareira ou qualquer outro fim.
“A tendência mais lógica é fazer uma pequena pilha e chegar-lhe fogo e isto aparentemente não seria uma coisa muito má até porque não há outros sistemas para esse recurso. O problema é que eles deviam estar é conscientes que deviam ter algum cuidado para não haver incêndios”, afirmou.
Na opinião de Manuel Ângelo Rodrigues, a questão que se coloca é “como fazer chegar a informação a uma população que habita os meios rurais, provavelmente vê pouca televisão e menos ainda outros órgãos de comunicação social”.
“Este tipo de pessoas não estará recetiva a ouvir falar um investigador, não seria uma comunicação mais técnica, mais elaborada que teria efeito, teria que ser uma informação mais local, de uma entidade local, um presidente de junta, uma associação que de alguma forma tenha um contacto mais próximo e com uma linguagem mais simples, mais imediata”, apontou.
Segundo o investigador há ainda outro tipo de queimada agrícola que serve de preparação dos terrenos para as sementeiras, nomeadamente de searas, campos de trigo, arroz, milho, e que são feitas nesta altura do ano, no outono.
Os agricultores queimam os restolhos para facilitar a mobilização do solo (lavra) e a germinação das sementes.
Uma teoria contestada pela comunidade científica que contra-argumenta que, a queimada “tem um aspeto muito nocivo e muito negativo, de uma maneira geral, na fertilidade do solo”.
Faltam os estrumes naturais dos animais nos campos e a ciência defende que “os resíduos das culturas, os restolhos das plantas (são) matéria orgânica fundamental para o solo, ou seja, a palha do trigo, do arroz ou do milho, se for incorporada no solo é uma fonte de matéria orgânica muito importante e é fundamental para melhorar a fertilidade do solo”.
Além disso, explicou o investigador, o próprio restolho cria “um coberto vegetal que de alguma forma também é benéfico, sobretudo porque controla a erosão do solo”, considerada “o maior problema ambiental da bacia mediterrânica”.
As ajudas da União Europeia tentam travar esta prática, na medida em que para receberem os subsídios das medidas agroambientais, inclusive com uma majoração, os agricultores estão proibidos de queimar os restolhos.
Há contudo algumas exceções, já que, segundo ainda o investigador, “nalguns contextos destruir pela queima os restolhos é a única forma, ou pele menos tem sido vista nalguns casos assim, mais lógica, mais simples de eliminar problemas sanitários como as pragas”.

Publicado por: “Diário de Trás-os-Montes”

Primeiro Encontro de Produtores da Terra Fria

Discutir os problemas que afetam o setor da castanha e vislumbrar algumas soluções são os principais objetivos do I Encontro de Produtores de Castanhas de Trás-os-Montes, que este fim de semana decorre na aldeia do Parâmio, em Bragança.
O Encontro é organizado pelo Agrupamento de Produtores do Transbaceiro e realiza-se no coração da mancha de soutos do Parque Natural de Montesinho.
“Entendemos que esta iniciativa seria muito útil para os produtores de castanha, não só por ser ano de eleições autárquicas, altura em que os políticos estão mais vocacionados para ouvir os problemas das populações, mas, também, porque é altura de os técnicos e investigadores do Instituto Politécnico de Bragança e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro mostrarem o que estão a fazer, quais os resultados que já obtiveram e qual a forma de todos em conjunto, podermos encarar o futuro com menos pessimismo do que neste momento”, explicou ao Mensageiro o mentor desta iniciativa, Carlos Fernandes, líder do Agrupamento de Produtores. Alguns dos assuntos a ser discutido passam pela doença do “cancro do castanheiro, com investigadores do IPB”, bem como “a questão da vespa do castanheiro, com técnicos da UTAD”. Outro dos pontos a merecer grande atenção neste evento é a comercialização do produto, um dos aspetos mais subdesenvolvidos de toda a fileira da castanha. “Vamos tentar discutir a questão da comercialização, numa vertente menos confusa. Há questões que nós, produtores, não entendemos, e esperamos que um dos intervenientes nos possa ajudar a esclarecer essa situação e a ensinar-nos, a nós, produtores, qual o comportamento que devemos ter nessa questão”, diz Carlos Fernandes.
“O problema da comercialização também está nos produtores. Ou melhor, se calhar está essencialmente nos produtores e na forma como se comportam na altura de vender a castanha”, acrescenta.
Quem deverá marcar presença neste evento é o próprio Ministro da Agricultura, Capoulas Santos.
“Tentámos trazer ao encontro membros do Governo e a hipótese que tivemos foi de, na sessão de abertura, podermos contar com a presença do Ministro da Agricultura”, explicou Carlos Fernandes, que deixa antever um cenário pessimista para os próximos anos se nada for feito para reverter a atual situação do setor.
“Para nós é uma presença muito importante porque nos permite discutir questões que têm de ser discutidas.
Nada melhor do que podermos contar com a presença de quem governa para contarmos qual vai ser o rumo que vamos seguir no futuro. Se as coisas não mudarem, dentro de dez anos, quer Bragança quer Vinhais estarão reduzidas a 50 por cento da sua produção”, concluiu aquele responsável. Ao todo, estão previstos diversos painéis, com a presença de governantes, técnicos, empresários e investigadores. A entrada é gratuita.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

Municípios da CIM Terras de Trás-os-Montes não querem fazer parte do projecto Biovespa

Tudo teve início em 2014, quando a praga da vespa das galhas do castanheiro começou a preocupar os produtores de castanha em Portugal, visto que a sua propagação rápida poderia significar quebras acentuadas de produção e uma crise num dos principais sectores económicos do nordeste transmontano.
“O projeto Biovespa foi a estratégia encontrada, pela comissão técnica nacional de luta contra a vespa da galha do castanheiro, para o financiamento da luta biológica”, explica José Laranjo, presidente da RefCast- Associação Portuguesa da Castanha e Investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), sobre o projecto que inicialmente “era financiado pelo Ministério da Agricultura e pelo Instituto Politécnico de Bragança (IPB).” Contudo, a partir de 2015 e sem o financiamento inicial a comissão técnica decidiu propor uma associação aos municípios que participassem não só na comunicação entre os produtores de castanha e os dinamizadores do projecto, mas também no investimento para avançar com a luta biológica.
José Laranjo assegurou ao Jornal Nordeste que “ todos os municípios foram contactados e convidados”, fizeram-se várias reuniões “no sentido de ajustar o Biovespa à vontade dos municípios e neste momento o projecto é aquilo que também eles ajudaram a compor.” O investigador da UTAD, garante que apesar de ter 60 municípios neste projecto, nem todos eles foram afectados com algum foco da praga. “Esta é uma rede de troca de informação importantíssima sobre a praga, sobre a luta biológica e vários municípios acharam importante estar associados, para se manterem a par”, explicou ainda.
José Laranjo assegura que os municípios da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes (CIM TTM) “foram convidados, participaram em reuniões, foram informados, foi-lhes comunicado o programa, cada município deu o contributo que entendeu dar mas até ao momento não foi possível sensibilizar nenhum da CIM TTM a aderir ao projecto.”
Américo Pereira, presidente da CIM TTM, diz que desconhece o projecto e explica que apesar dos 60 municípios associados “pode representar apenas 20 % da castanha”, uma vez que é nos municípios da CIM que se produz “70 % da castanha a nível nacional.”
José Laranjo refere que quantos mais municípios aderirem mais força pode ter o projecto e assegura que “ o INIAV, as direcções regionais, a ANAM, ANAFRE, o IPB, a UTAD” e outras entidades fazem parte deste projecto. Entidades que segundo o presidente da RefCast “atestam a importância e valia do projecto.”
Por outro lado, Américo Pereira, assegura que o IPB não faz parte do Biovespa e que está a desenvolver um projecto juntamente com os municípios de Vinhais e Bragança, os maiores produtores de castanha, para implementar a luta biológica nos soutos afectados em ambos os concelhos.  O presidente da CIM diz que “ninguém está de costas voltadas, simplesmente estes municípios preferem trabalhar com o IPB e os outros com a UTAD, é uma questão de proximidade, uma situação perfeitamente normal.”

Publicado em: “Rádio Brigantia”