IPB vai produzir energias renováveis

RBA

O Instituto Politécnico de Bragança vai avançar com um projecto inédito em termos de produção de energias renováveis. Um parque de demonstração de energias renováveis. No imediato, até ao fim de Janeiro, deve ficar pronto um espaço com placas fotovoltaicas. Um investimento de cerca de 25 mil euros, suportado pelo IPB.

Este equipamento, a instalar no campus, vai produzir cerca de 3KW de energia, que vão ser vendidos à EDP, prevendo-se que daí possa advir um rendimento de 25 mil euros para o politécnico, nos próximos seis anos. Dinheiro que deverá amortizar o investimento e que cumpre um dos objectivos para o qual o parque vai ser criado. O equipamento também vai servir para a investigação e apoio à comunidade escolar exterior. Paulo Leitão, vice-presidente da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Bragança adianta que para além da energia fotovoltaica, no parque, também vão ser implantadas torres eólicas e também vão apostar na criação de biomassa e bio-combustíveis. A energia éolica só deverá começar a ser explorada lá para Setembro de 2008. Deverão ser produzidos por esse meio 2 KW de electricidade. Também está em estudo a instalação de uma mini-hídrica no Fervença, na parte em que o rio atravessa o campus universitário.

Publicado em ‘RBA‘ Qua, 19 de Dezembro de 2007 – 11:45:36

Projecto inovador reutiliza desperdícios para produzir combustível

Poda de oliveira transforma-se em etanol

A região transmontana tem potencial para dinamizar um projecto na área dos biocombustíveis, que passa pelo aproveitamento da poda da oliveira para a obtenção de etanol.
O projecto propõe a reutilização da biomassa, que se obtém das oliveiras quando se cortam as ramas menos produtivas, para a produção de etanol, um combustível também chamado álcool etílico, que se obtém da fermentação de açucares, encontrado em bebidas como a cerveja, vinho e aguardente. Em alguns países e muito usado como combustível de motores de explosão, constituindo um mercado em ascensão por se tratar de um combustível obtido de maneira renovável sustentada na utilização de biomassa de origem agrícola renovável. A ideia está ainda na fase de comprovação cientifica, apesar de já haver empresas interessadas em aplicá-lo do outro lado da fronteira.
Trata-se de um projecto que está a ser desenvolvido por Eulogio Castro, professor da Universidade de Jaen, localizada na Andaluzia (Espanha), que explicou ao INFORMATIVO o conceito chave: “em vez de queimar directamente no campo a rama da oliveira, que é a prática comum em Espanha e em Portugal, queremos transformá-la num produto de interesse, neste caso, em etanol”. Este e outros projectos relacionados com a produção de biocombustíveis estiveram em debate num workshop sobre o tema que teve lugar na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTiG), nos dias 28 e 29, no âmbito da rede ibero-americana de instituições a que pertence o Instituto Politécnico de Bragança. O projecto está ainda em fase de Iaboratório, mas dentro de pouco tempo poder ter uma planta de demonstração. “Agora estamos a determinar as condições óptimas nas quais se deve levar a cabo esse processo”, adiantou Eulogio Castro.
Actualmente são necessários nove quilos de biomassa de olival para obter um litro de etanol, “isto utilizando só a parte sólida”, explicou. No entanto, há fortes possibilidades de se poder aumentar o rendimento e baixar as necessidades de matéria-prima para cada litro de etanol, fazendo, também, o aproveitamento do açúcar e dos conteúdos dos líquidos.
A nível económico, na área industrial, está por decidir se o projecto tem viabilidade, “pois há bastantes aspectos a melhorar e a precisar”. Todavia este projecto tem uma vantagem muito grande relativamente a outros tipos de biomassa, pois a biomassa existe, trata-se de uma biomassa residual disponível em grandes quantidades, que se gera cada ano e que não tem para já outra aplicação e que e necessário eliminar.
O investigador está convicto que este novo processo de obtenção de etanol pode ser uma boa oportunidade, tanto mais que só na província de Jaen há 500 mil hectares de olival. “Se tivermos em conta que em termos médios cada hectare gera duas ou três toneladas de biomassa, a quantidade disponível é enorme”, explicou.
Na região de Bragança, nomeadamente na Terra Quente e Douro Superior, a oliveira é uma das principais culturas.
A área dos biocombustíveis tem de ser vista de forma “global”, referiu Teresa Barreiro, responsável pela organização do workshop. “Muitas vezes para valorizar um processo de produção de biocombustíveis, também, precisamos de ter em atenção os produtos secundários que saem desse processo”, acrescentou.
A investigadora considera que o caso da região de Jaen é “particular”, por se tratar de uma das maiores áreas de cultivo de oliveira da Europa, “têm uma grande quantidade de resíduos que não é comparável ao que existe no distrito de Bragança”, disse. No entanto, defende que o conceito de biocombustível não pode ser visto somente num conceito de produção a grande escala, “faz sentido, por exemplo, haver uma comunidade agrícola que gera uma determinada quantidade de resíduos e eles próprios utilizam esses resíduos para produzirem biodiesel”, explicou.
Teresa Barreiro deu ainda conta de que há muito interesse em recuperar óleos alimentares para biodiesel, que pode ser utilizado nas pequenas comunidades que o produzem. “Num sentido mais alargado, produzir para vendermos, será mais difícil, mesmo no contexto português”, frisou.
Neste momento já há empresas interessadas em colocar em marcha a produção de etanol a partir de resíduos de oliveira, com convénios de utilização já estabelecidos com a Universidade de Jaen, nomeadamente uma que se dedicada à obtenção de açúcar a partir da beterraba (remolacha) e que agora se está a voltar para o biocombustível. O workshop foi proposto pelo IPB, na medida em que a instituição está integrada numa rede ibero-americana e juntou vários especialistas de países como Espanha, Cuba, Argentina e Chile. “A divulgação ocorreu em Portugal e Espanha, temos participantes de todo o país, muitos alunos de mestrado”, explicou a docente responsável pela organização do evento. No instituto brigantino também se faz investigação na área dos biocombustíveis. Teresa Barreiro está a trabalhar num projecto de valorização dos produtos secundários, nomeadamente na produção de materiais poliméricos (plásticos e borrachas) a partir de resíduos gerados.

G. L.
Publicado no semanário ‘INFORMATIVO‘ Segunda, 3 de Dezembro de 2007

Ministro aprovou primeiros mestrados nos politécnicos

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, assinou ontem o despacho de criação do primeiro conjunto de mestrados para o ensino politécnico. Nesta primeira leva (haverá ainda mais duas fases), foram aprovados 21 mestrados, distribuídos pelos 15 politécnicos do país, tendo o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) conseguido um quarto dessas formações.
O anúncio foi feito ontem, em Bragança, pelo director-geral do Ensino Superior, António Mourão Dias. “Posso avançar que, neste conjunto de 21 mestrados aprovados, o Instituto Politécnico de Bragança ficou com cinco”, disse.
O IPB apresentou 32 candidaturas para a criação de mestrados. Muitas dessas candidaturas, na área de formação de professores, e devido à criação de nova legislação, foram retiradas; outras acabaram por resultar em fusões, apresentando no final o IPB um conjunto de 13 candidaturas. “Temos nesta altura oito pendentes. Esperamos que sejam ainda aprovadas”, disse Sobrinho Teixeira, presidente da instituição.
A.F.

Publicado no jornal ‘Público‘ de hoje.

Bragança ganha alunos e perde docentes

De 2005 para 2006, o número de estudantes matriculado no Instituto Politécnico de Bragança praticamente dobrou: “Fomos talvez o politécnico que mais cresceu a nível nacional, passámos de 1050 alunos pra 2000”, contou ao DN José Sobrinho Teixeira, presidente da instituição. Mesmo assim, admitiu, “irá haver uma quebra” ao nível do pessoal docente.
A explicação, diz, assemta no facto de o acréscimo de alunos não se traduzir de imediato em mais verbas: “Quando o plafond foi atribuído, as instituições ainda não sabiam quantos alunos teriam”, explica. “Só para o ano é que o aumento terá reflexos”. Por outro lado, os efeitos da “redução do Orçamento de Estado” são imediatos e houve “um esforço” da instituição par racionalizar meios: “O esforço que o país está a fazer tem que ser transversal às instituições de Ensino Superior.
O Politécnico de Bragança é citado pela Fenprof como uma instituição que não deverá renovar os contratos a termo de 50 docentes. No entanto, Sobrinho Teixeira rejeita definir estes casos como despedimentos, explicando que se tratam de contratos, muitos deles envolvendo docentes formados na instituição, que “já eram feitos com o pressuposto de terem uma determinada duração”
O Presidente do Politécnico de Bragança admitiu no entanto que, entre estes casos e outros, relacionados com a “procura reduzida de alguns cursos pelos alunos”, existe o objectivo de fazer uma redução de pessoal. No entanto, assumiu como compromisso “não autorizar nenhum contrato novo sem que se esgotem os recursos existentes“|

Publicado no jornal ‘Diário de Notícias‘ de hoje.

Desemprego ameaca dois mil docentes do ensino superior


A redução das verbas do Orçamento de estado e o aumento de 1.5% nos salários terão deixado as instituições com um buraco de 7.5% nos valores para salários. A Fenprof diz que isto pode levar à saída de 1875 professores, na maioria contratados, além e à dispensa de funcionários. Reitores acusam os cortes e procuram soluções para reduzir despesas de funcionamento

Pedro Sousa Tavares e Paula Ferreira


Cerca de dois mil docentes do superior, sobretudo contratados a prazo, correm o risco de cair no desemprego devido às carências orçamentais das universidades e politécnicos. A estimativa é feita pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), com base nos cortes de pessoal que as instituições teriam de fazer para conseguirem pagar salários sem recorrer a receitas própria. Um elevado número de funcionários, não contabilizado pelo sindicato, enfrenta também tempos incertos.

O cálculo, diz ao DN João Cunha e Serra, responsável da Fenprof para o ensino superior, considera a quebra de verbas do Orçamento de Estado e o aumento de 1,5% nos ordenados da Administração Pública, que, somados, deixam as instituições com um buraco “da ordem dos 7,5%” para preencher nos vencimentos.

“Como não têm este reforço, embora exista ainda a previsão de em alguns casos poderem ser recebidas verbas para os cursos de especialização tecnológica, as instituições, se não quiserem lançar mão das receitas próprias, terão que reduzir na mesma proporção os gastos em salários, isto é, em 7,5%”, explica.

Num universo de 25500 docentes no ensino superior público, esta redução afectaria “1875 professores, 1125 no sector universitário e 750 no politécnico”. Os principais visados seriam os que têm vínculos precários, a terminar em 2007: “Como há no universitário cerca de quatro mil docentes convidados [a prazo] e no politécnico cerca de sete mil em idênticas condições, não é impossível conseguir atingir aquelas metas”.

A Fenprof “não aceita que estas negras previsões matemáticas possam alguma vez concretizar-se”, mas avisa que há instituições a “fazer mecanicamente estas contas e a prever o despedimento de professores ao nível da centena, por exemplo as universidades do Minho e do Algarve”.

Lopes da Silva, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), admite como “provável” a dispensa de docentes e não docentes. Mas recusa adiantar números: “É um assunto que está agora a ser equacionado por cada instituição e é cedo para fazer previsões.”, diz. “Não pode haver medidas precipitadas e elas têm de ser humanamente correctas”, avisa.

“Défice de funcionários”

Lopes da Silva salienta mesmo que esta situação pode colocar em perigo a qualidade do ensino. É que a dispensa de docentes não surge numa altura em que há excesso de profissionais. Pelo contrário: de acordo com os indicadores que permitem calcular o rácio de professores necessários face ao número de alunos, as universidades têm um défice de funcionários que ronda os 13 a 15%.

“Não quer dizer que, numa determinada área ou escola, não haja indicadores superiores, mas no global não há docentes a mais”.

Uma das abordagens sem discussão passa pela mobilidade na docência, entre escolas ou faculdades e mesmo entre instituições. Lopes da Silva propõe ainda “uma redistribuição orçamental que não prejudique o défice público”. Uma solução que passa por “quantificar o trabalho científico que é feito pelos docentes” com um financiamento suplementar vindo do orçamento disponível para a Ciência.

Reforços nos Politécnicos

Luciano Almeida, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, não partilha estas preocupações. E considera mesmo que a tendência é de crescimento: “O que tivemos neste ano lectivo e no anterior foi um aumento dos docentes no superior”.

Este responsável admite que poderá “verificar-se a necessidade de não renovar alguns contratos, essencialmente devido a cursos que tenham sido extintos [por terem menos de 20 alunos]”. Porém, considera que “o reforço de 14%” nos estudantes inscritos nos politécnicos, associado a novas ofertas como os cursos de especialização tecnológica – “que serão financiados para além do orçamento de Estado” – , deverá mesmo “implicar reforços” para o sector. Um optimismo a confirmar no terreno. Com Elsa Costa e Silva
Publicado no jornal ‘Diário de Notícias‘ de hoje.

CHNE e Escola Agrária valorizam Quinta da Trajinha em parceria

O CHNE – Centro Hospitalar do Nordeste e a ESAB – Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança celebraram um Protocolo de Cooperação, com vista à valorização da Quinta da Trajinha, onde o CHNE dispõe de uma Unidade de Internamento de Doentes Crónicos na área da Psiquiatria, inserida numa área de 25 ha de terreno, única na Região.

Assim, e no sentido quer de tirar partido da mais-valia terapêutica do espaço da Quinta da Trajinha, quer para melhor valorizar os recursos materiais (animais, produções vegetais, terrenos agrícolas…) aí existentes, o Centro Hospitalar do Nordeste e a Escola Superior Agrária de Bragança estão a promover e a levar a cabo trabalhos de campo, como intervenções nos terrenos agrícolas, sementeiras, podas, maneio de animais, entre outras, acções estas que são coordenadas e executadas por técnicos da ESAB, mas que contam também com a participação dos doentes, devidamente integrados pelas equipas de saúde que os acompanham.

De salientar que esta parceria entre o CHNE e a ESAB veio reforçar o Projecto UDEP, que o Centro Hospitalar do Nordeste está a desenvolver no âmbito da Iniciativa Comunitária de Cooperação Transfronteiriça INTERREG III-A, e cujo objectivo central é o tratamento e a reabilitação de doentes crónicos de Psiquiatria, nomeadamente através da prática de actividades laborais, em particular na área agrícola.

Publicado em ‘CHNE Comunicar 0‘.