Serão precisos seis anos para minimizar a vespa da galha do castanheiro

Estão identificados mais de 600 pontos infectados com a vespa da galha do castanheiro em soutos do concelho de Vinhais. Os focos desta praga, que já deverá ter impacto na produção do próximo outono, triplicaram, pois no ano passado tinham sido identificados cerca de 130. A esperança dos produtores de castanha reside agora na luta biológica, através das largadas do parasitóide (Torymus sinensis). “No ano passado aqui em Vinhais fizemos 52 largadas do parasitóide, ainda que inicialmente só tivesses definidos 36, fizemos mais porque alguns pontos são de um projeto do IPB e de um projeto transfronteiriço. Este ano vamos fazer 158. Fizemos a monitorização dos pontos onde foram feitas e concluímos que em 86 % os parasitóides se instalaram”, referiu Albino Bento, o professor do Instituto Politécnico de Bragança que está a coordenar o trabalho sobre
a praga no âmbito da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes, durante a apresentação dos resultados do Plano de Ação para o controlo do inseto realizado no concelho de Vinhais.
O investigador considera os resultados alcançados “muito interessantes”, porque as conclusões da monitorização
realizada em 15 dos 36 pontos de largada revelam que “o parasitóide apareceu em 13 desses locais, o que significa que em mais de 80% o paraitóide instalou-se”, explicou. Foram colhidas 150 galhas. “Eu ficaria satisfeito se aparecesse em duas ou três
galhas, mas temos casos em que aparece em mais de uma dúzia”, acrescentou Albino Bento. O presidente da câmara de Vinhais, Luís Fernandes, e o presidente da associação ARBOREA, Abel Pereira (que representa a maioria dos produtores de castanha do concelho de Vinhais), estão confiantes de que em cinco ou seis anos o problema estará resolvido face aos bons resultados da luta biológica. Os concelhos de Bragança e Vinhais são os maiores produtores de castanha do país, representando 55 % da área de castanheiro nacional. Daí que o município de Vinhais tenha investido cerca de 30 mil euros na luta biológica nos dois últimos anos. Em Bragança e Macedo de Cavaleiros os focos de infeção são em menor número. No primeiro concelho estão previstos 19 pontos de largada e no segundo apenas quatro. No entanto, Albino Bento estima que possa haver surpresas, “sobretudo, em Bragança, porque podem aparecer mais casos”. Em Vinhais há menos hipótese de imprevistos, uma vez que a ARBOREA fez um levantamento exaustivo dos soutos pelas várias aldeias. O estudo revela que após o primeiro ano de luta biológica a taxa de incidência do parasita que combate a praga é de meio por cento. No segundo ano passa para 3 a 4%, ao quarto deve estar em mais de 20%, e só no quinto ano pode atingir 70% ou mais. “A continuar como até agora ao fim de cinco ou seis anos podermos ter o problema resolvido, mas teremos três quatro anos com prejuízos na produção”, afirmou Albino Bento. Abel Pereira revelou que está mais confiante com os bons resultados da luta biológica já alcançados. “Sabemos que ao terceiro ano teremos 10% de quebra na produção e ao quarto ano já será de 20%. Se conseguirmos inverter nestes cinco ou seis anos podemos não passar dos 30 % de prejuízo. Se o mercado cobrir com o preço mais alto, os prejuízos podem não ser tão reais “, enumerou.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança

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