APPITAD prepara plano de mitigação das alterações climáticas

A Associação dos Produtores em Proteção Integrada de Trás-Os-Montes e Alto Douro pretende ter pronto, em 2021, um plano estratégico de mitigação das alterações climáticas no olival.
Nesse sentido, foi criado, o ano passado, um grupo operacional
constituído pela APPITAD, a UTAD, o IPB e outros parceiros, que está a trabalhar no sentido de elaborar uma manual de boas práticas em olivais de sequeiro, predominante nesta região transmontana. Na passada terça-feira, foram avançados alguns dos resultados do primeiro ano de investigações, durante um seminário que decorreu, em
Mirandela. Hoje em dia parece não haver qualquer dúvida que os tempos estão a mudar e as alterações climáticas estão visíveis até na olivicultura. “Estamos no fim de janeiro e as primeiras geadas só começaram no início do mês. Tivemos um mês de novembro bastante quente e logo aí notamos que o frio vem muito mais tarde e que há pouca água. Os agricultores cada vez mais antecipam a colheita, temos maturações mais precoces e isto tem claramente a ver com as alterações climáticas”, diz Francisco Pavão, o presidente da APPITAD. Perante esta realidade, a APPITAD decidiu reunir um conjunto de parceiros com o intuito de criar um grupo operacional para “conseguir encontrar formas de ultrapassar os problemas causados pelas alterações climáticas, para que seja salvaguardada a produção e a qualidade do azeite”, acrescenta o dirigente. O problema da falta de chuva é o que causa maior dor de cabeça. Há pouca no Verão, o que significa que temos de ser cada vez mais eficientes naquilo que fazemos no olival de sequeiro, já que se não conseguimos ganhar, pelo menos não podemos perder produtividade e competitividade”, refere Manuel Ângelo Rodrigues, do Centro de Investigação de Montanha do IPB. Depois de um ano de trabalho, o grupo operacional está focado na gestão do solo.
“Quer utilizando novos produtos chamados condicionadores, quer usando as técnicas corretas de fertilização tradicionais. Também recomendamos podas ajustadas à realidade atual, ou seja, estamos a olhar para o olival de sequeiro e conseguir um pacote de recomendações que estejam já cientificamente comprovados de que resultam para que os agricultores as possam aplicar e possam tirar as mais-valias”, adianta o investigador do IPB. E este é um trabalho que merece rasgados elogios da diretora regional de agricultura e pescas do Norte. “Estou certa que esta iniciativa, que envolve vários parceiros, vai trazer para a produção melhores resultados, porque vão beber conhecimento que precisam para a sua actividade”, afirma Carla Alves. Este pacote de recomendações para as boas práticas em olival de sequeiro, por forma a mitigar o impacto das alterações climáticas, deve estar pronto em 2021. Este seminário foi integrado no âmbito da programação do Festival de Sabores do Azeite Novo que tem uma série de ações a realizar ao longo de todo o ano.

Publicado por: Mensageiro de Bragança

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