500 soutos em Vinhais infectados com a vespa das galhas dos castanheiros

A praga da vespa das galhas foi detectada em 500 soutos do concelho de Vinhais, este ano. O insecto surgiu em maior número o ano passado e esta primavera foram feitas as primeiras largadas do parasita no distrito.
Sabe-se agora que houve um aumento do número em relação a 2017, quando tinham sido detectadas cerca de 180 focos da vespa, como adiantou Albino Bento do Instituto Politécnico de Bragança e director do Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos: “Em Vinhais fizemos 52 largadas e 6 em Bragança. Para o ano, vamos fazer mais largadas mas o local onde vamos fazer esse trabalho ainda não está definido. Em Vinhais, temos identificados mais de 500 pontos.”
Segundo Albino Bento, em Itália demorou sete anos a controlar a praga. Os resultados não são imediatos, mas os investigadores verificaram que nos locais em que houve largadas o parasitóide se estabeleceu: “vamos ter que continuar a acompanhar a praga, consoante vai invadindo os soutos através da monitorização e dependendo da evolução da vespa das galhas, fazendo largadas consecutivas do parasitóide, o torymus sinensis. Este ano fizemos 52 largadas, provavelmente para o próximo ano vamos fazer cerca de 200, que vamos continuar a fazer nos próximos anos largos. A partir do momento, que o torymus sinensis se estabelece no local nunca mais saiu do local e assim que atingir determinadas taxas, cresce exponencialmente. Mas os agricultores têm de ser avisados que não podem realizar práticas culturais erradas.”
Dados revelados no III Simpósio Nacional da Castanha, que começou ontem no IPB, em que se ficou também a saber-se que nos últimos 10 anos, foram plantados em todo o país cerca de 10 mil hectares de novos soutos, o que significa um aumento de um terço em relação à área que existia há uma década. Números avançados por José Laranjo, presidente da Refcast, a Associação Portuguesa da Castanha: “indubitavelmente a área da castanha aumentou e está numa fase de aceleração do aumento da plantação. Nós temos actualmente cerca de 33 mil hectares e estima-se que estão a ser plantados mais de 200 mil castanheiros, o que significa que possam ser 20 mil hectares por ano, representando um terço daquilo que era a área”.
Trás-os-Montes é a principal região produtora de castanha, concentrado cerca de 85% da produção nacional. O crescimento tem encontrado, no entanto, um entrave: a falta de castanheiros pelo menos de boa qualidade: há uma dificuldade que é alimentar a fileira com castanheiros de qualidade para plantação, sendo este um dos grandes problemas e dificuldades. E por vezes as pessoas com ânsia de plantar não fazem as opções mais correctas e vão comprar as árvores fora do país, e temos já um exemplo que foi através desses castanheiros importados que foi realizada a introdução da vespa.”
O III Simpósio Nacional da Castanha decorre ao longo de três dias, durante os quais são apresentadas 33 comunicações, sobre vários temas: a vespa das galhas do castanheiro, outras pragas e doenças, a propagação do castanheiro, o sequestro de carbono e o sector agro-industrial.

Publicado por: “Rádio Brigantia”

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