Luta biológica é a única esperança dos agricultores para travar progressão da vespa da galha do castanheiro

A vespa da galha do castanheiro está a progredir na região. Em Vinhais foram sinalizados 180 focos e no concelho de Bragança surgem novos vestígios de dia para dia.
Os produtores de castanha de Vinhais depositam grande esperança na luta biológica para travar a progressão da vespa da galha do castanheiro pois neste concelho já estão identificados 181 focos da praga em árvores adultas, podendo progredir rapidamente por ser uma área com umas vasta extensão de soutos. Em Bragança a situação é muito menos gravosa, com dois focos identificados, um em Espinhosela, onde existem quatro a cinco árvores infectadas, segundo Albino Bento, docente e investigador do Instituto Politécnico de Bragança. Entretanto, um segundo foco foi localizado em Parâmio, no passado fim-de-semana, sendo sinalizado pela junta de freguesia, cujo autarca, Nuno Diz, revelou que há vestígios em 6 a 7 castanheiros centenários. Vinhais iniciou luta biológica As primeiras largadas de parasitóides, em Vinhais, foram realizadas na passada quarta-feira em Edral, por ser a zona mais afetada do distrito. “Foi libertado um parasitóide específico que irá à procura da vespa da galha do castanheiro. O fulcral é fazer a largada com oportunidade, ou seja muito cedo quando as galhas ainda estão muito tenras porque depois ficam muito nidificadas e o parasitóide não tem capacidade para depositar os ovos no interior das larvas da vespa para as matar”, explicou Albino Bento.
Carlos Fernandes, produtor de Prada, aldeia da freguesia de Edral, tem algumas dezenas de castanheiros infetados
com a vespa. Está preocupado. “Dizem que sim, que o parasita resulta. Vamos lá ver. A praga apareceu no ano passado e tem aumentado”, referiu ao Mensageiro. Os castanheiros estão atualmente em estado fenológico para fazer a largada,
pois é nesta altura, de nascimento da folhagem, que aparecem as galhas infetadas. As árvores destinadas a madeira têm a praga em situação mais avançada. “A luta biológica já foi testada noutros países, como o Japão, nos anos 50 ou 60 e em Itália, desde 2005. Com resultados. Não há alternativa, mas esta técnica é demorada e dificilmente se conseguem resultados eficazes em menos de 5 ou 7 anos. No primeiro ano, a seguir a uma largada, teremos taxas de parasitismo a rondar 1% e depois vai crescendo, para 3%, 7% ou 8% “, acrescentou o docente. O IPB está a acompanhar a evolução da praga no Norte do país desde 2014, quando apareceu no Minho. Em 2015 instalaram ensaios em Sernancelhe e em 2017 os ensaios foram realizados em Vinhais. Em 2018 já se alargaram a Seia, onde já foram feitas 12 largadas. A vespa da galha do castanheiro tem vestígios em praticamente todo o país. “Em Bragança e Macedo de Cavaleiros há menos focos em árvores adultas. Em concelhos com pouca representatividade ao nível da castanha também não há vestígios, agora a região do Minho está toda atacada, a zona de Chaves e Padrela também, como Sernancelhe, Lamego, Trancoso, Guarda e Seia”, descreveu Albino Bento. Nos próximos dias vão ser realizadas 36 largadas em várias localidades. A vespa tem impacto ao nível da produção de castanha, no Minho já são visíveis as consequências, em algumas variedades, como a
amarela, com perdas entre 40 a 50%. “No primeiro ano a perda de produção é insignificante mas ao segundo ano pode chegar aos 5%, depois aumenta”, acrescentou. O autarca de Vinhais, Luís Fernandes, considera que as consequências da vespa poderão ser muito problemáticas ao nível da produção porque no concelho existe uma grande mancha de soutos, sendo a castanha um dos mais importantes rendimentos dos agricultores. Na quarta-feira foi realizada uma largada de parasitóides em Parâmio, a primeira. Nuno Diz, presidente da junta, espera que dê resultado e sirva para travar a progressão da vespa, cujo impacto pode ser muito penalizador para a produção de castanha na região. “A maior fonte de rendimento agrícola na zona do Parâmio é a castanha. Não sabemos se poderão aparecer mais focos de vespa esta primavera pois as folhas das árvores ainda estão a rebentar”, referiu Nuno Diz.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

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