Composto orgânico resultante de resíduos aprovado pela comunidade científica e agricultores

O tratamento biológico de resíduos urbanos, provenientes da recolha indiferenciada no distrito de Bragança e no concelho de Vila Nova de Foz Coa – área de abrangência da empresa intermunicipal “Resíduos do Nordeste” (RN) deu origem à criação de mais um subproduto.
Para além da produção de energia elétrica, através da valorização do biogás, gerado no sistema, a Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico (UTMB) por Digestão Anaeróbia do Nordeste Transmontano permite ainda a criação de um composto orgânico para ser aplicado nos solos, sem esquecer que, aquela infraestrutura reduz, em cerca de 50%, a quantidade de resíduos depositados em aterro.
Na passada sexta-feira, realizou-se um workshop, no auditório da UTMB, onde foram apresentados dados científicos sobre as características e as possíveis aplicações do composto “Ferti Trás-os-Montes”, um corretivo orgânico, da classe de qualidade II A, que agradou a associações de agricultores da região, que até já estabeleceram protocolos com a RN para divulgar o produto junto dos seus associados.
“Esta é a estratégia certa para a rentabilização do investimento efetuado na rede das infraestruturas e para maximizar a valorização material e de subprodutos, que, aliás, são desafios apontados pelo próprio PERSU 2020 e nesse caso em concreto, damos também um contributo importante para a economia local, nomeadamente para a agricultura”, frisa o diretor-geral da RN, Paulo Praça.
Neste workshop foram avançados dados científicos resultantes de 14 amostras realizadas nos últimos anos pelo IPB, que dão conta que o Ferti Trás-os-Montes tem características semelhantes às de outros compostos orgânicos do mercado.
No entanto, Manuel Ângelo Rodrigues, do centro de investigação de Montanha do IPB, revela que a utilização do Ferti Trás-os-Montes em culturas alimentares deverá restringir-se a solos destinados a espécies arbóreas e arbustivas. “Não deve ser utilizado nas hortas, por exemplo, mas em olivais, vinhas, amendoais, soutos e na fruticultura, no fundo é mais predominante na nossa região”, explica.
Este técnico deixa outras sugestões da aplicação do Ferti. “Deve ser utilizado em solos com menos declive, onde o solo seja um bocadinho mais profundo, para não haver tantos riscos de erosão e melhorar a fertilidade desses solos,” acrescenta.
Ficou evidente que este composto orgânico tem todas as condições para poder melhorar a sua qualidade, mas para tal é fundamental uma maior educação ambiental dos habitantes do distrito de Bragança. “Desde logo, as pessoas em casa quando evitam colocar contaminantes perigosos nos ecopontos é o primeiro ponto a partir do qual à melhoria da qualidade final do produto”, refere Margarida Arrobas, do IPB.
Nesse sentido, Paulo Praça garante que a RN vai continuar a aposta na sensibilização junto das famílias, mas também vai investir na rede de recolha seletiva. “Para melhorar, porque isto é sempre um processo evolutivo, por exemplo na questão da presença do vidro, vamos fazer um pequeno investimento de 75 mil euros e adquirir mais 200 ecopontos para poder chegar a áreas rurais do nosso sistema que até hoje ainda não foi possível alargar”.

Publicado em: Mensageiro

Um comentário em “Composto orgânico resultante de resíduos aprovado pela comunidade científica e agricultores”

  1. Uma questão para o Sr. gestor da RN:
    Alguma razão para na de cidade de Bragança, a recolha nos ecopontos ser realizada por viatura com uma única divisão? Ou seja, papel, plástico e metais não são misturados (nos camiões), depois de ‘gastarem’ tantos recursos a apelar à separação?

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