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UTAD tem 3% de alunos estrangeiros e quer chegar os 20%. IPB tem 11% de internacionais. Aposta na China e África
O futuro da UTAD e do IPB está lá fora. Têm cada vez mais alunos estrangeiros e a ambição é continuar a aumentar essa percentagem.

Há brasileiros, chineses, são-tomenses, cabo-verdianos, angolanos, gregos, polacos, italianos, turcos, moçambicanos, espanhóis… na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, e no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), as nações estão verdadeiramente unidas.
Aos programas tradicionais como o Erasmus, juntam-se os convénios com instituições de ensino Superior de outros países. A aposta na internacionalização é decisiva.
No IPB, os estrangeiros são já 11% do total de alunos. Na UTAD, chega-se aos 13%. E a tendência é para subir. Na Universidade do Porto, a maior academia do país, a taxa de estrangeiros é de 12% (3708 alunos).
“É fundamental para a marca UTAD e apara a própria sustentabilidade financeira. Os cortes que têm ocorrido deixam as instituições em dificuldades”, sublinha Amónio Silva, pró-reitor para a Internacionalização e para o Desenvolvimento. Atualmente, em Vila Real há cerca de 800 alunos internacionais. A maioria, oriunda de convénios luso-brasileiros, uma das principais apostas. A ambição é cativar agora o “mercado” anglo-saxónico e chinês, com cursos de 2.º e 3.º ciclos em língua inglesa.
Em Bragança, os maiores contingentes são da China e dos países africanos de língua portuguesa, fruto também de parcerias. No IPB, são mais de 700 os estudantes estrangeiros em cada ano letivo.
Tal como em Vila Real, a promoção direta e o passa-palavra entre alunos são armas na promoção no exterior. Ai, Vasiliki Koumandraki, grega de 20 anos, seta porta-voz de eleição: “Gosto muiiiito de Bragança. Não podia ter escolhido melhor destino”. Os preços mais acessíveis das propinas também cativam, como disse o são-tomense Nélson Pinheiro, 27 anos, que chegou de Lisboa e estuda no Politécnico.

MARTVNA TRAWINSKA Para uma futura arquiteta paisagista, o cenário natural de Vila Real não poderia ser melhor, observa a polaca de 21 anos. Já fala “um bocadito” de português, mas, entre sorrisos, confessa-se “preguiçosa” para aperfeiçoar o idioma. “A UTAD é uma boa universidade, com uma excelente localização”, diz a jovem, que até gostava de ficar por cá a trabalhar.

YURI PETER Chegou de S. Tomé para estudar em Lisboa, mas está há cinco anos no IPB. “A vida em Lisboa é muito cara”, explica o aluno, 29 anos, que soube do Politécnico através de colegas. “Vim um fim de semana a convite de uma amiga que estudava cá. Perguntei se havia cursos ligados ao Turismo e matriculei-me logo”, conta Yuri, que gosta da vida mais calma do interior.

YEKE ZHANG Apaixonado pela língua portuguesa, o estudante chinês, 21 anos, aproveitou o acordo entre a sua universidade e o IPB para rumar a Bragança. Tal como os outros chineses, adotou um nome português: Henrique, por admirar o infante. Gaba a riqueza histórica brigantina e admite que saber português abre-lhe horizontes de trabalho, por exemplo, no Brasil.

RUBEN VERA Estudante de Engenharia do Ambiente, o espanhol de 25 anos escolheu a UTAD para Erasmus porque queria aprender português como terceira língua: “Assim, posso ir para qualquer pais da América Latina”. Sete meses depois de ter chegado, está rendido: “O espírito universitário é melhor do que em Espanha”. A riqueza natural da região é outra mais-valia.

SEVERINO NETTO Um amigo doutorou-se na UTAD e recomendou-lhe a instituição. Severino, 23 anos, a estudar Medicina Veterinária, em boa hora seguiu o conselho. “A UTAD garante uma hospitalidade muito boa. E a qualidade do ensino, teórico e prático, é elevada”. Filho da Paraíba, quer regressar ao Brasil, pais com um “grande desenvolvimento no setor agropecuário”.

EWA ZAMIELSKA Escolheu Portugal pelo sol mas quando chegou a Bragança levou logo com dias seguidos de chuva. “Apanhei um susto!”, confessa, bem disposta, a polaca de 23 anos, estudante de Economia. Entretanto, o bom tempo chegou. Apesar de nunca ter ouvido falar do IPB, não se arrepende da escolha: “Gosto do campus”. Só lamenta que Bragança não tenha cinema…

DOMINIKA KUSAKOVA Bragança é uma “cidade pequena”, mas o IPB até é maior do que a universidade onde a checa, de 21 anos, estuda. E Dominika gosta do sistema português. “Na República Checa os alunos de Erasmus têm aulas separadas. Aqui é melhor”, afirma a estudante, que chegou em fevereiro e “fugiu” logo durante uns dias para ir ao encontro do sol em Itália.

DUDU KIVILCIM Para a primeira aventura fora da Turquia natal, escolheu Trás-os-Montes. Oriunda de Ancara, metrópole com mais de quatro milhões de pessoas, a jovem de 20 anos estranhou a pacatez de Vila Real. “Nem sei se lhe hei de chamar cidade…” A estudante de Línguas gaba, no entanto, o ensino na UTAD, que incentiva a autonomia dos alunos.

Publicado em ‘JN’ de 02-05-2013.

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