Sucesso e qualidade, do interior!

Muitas vezes no nosso país, confunde-se o interior com periferia e atraso no desenvolvimento. Não há nada mais errado do que este pensamento.
Venha conhecer o que de melhor se faz no (tão rico) interior de Portugal e deixe-se deslumbrar.

 Sobrinho Teixeira é o rosto que apresenta o Instituto Politécnico de Bragança, revelando ao mundo aquilo que de melhor se faz no interior do país. Foi também com o presidente do IPB que o País Positivo entrou à conversa, descobrindo uma instituição de cariz ímpar e de qualidade internacional.
De acordo com o nosso entrevistado, o IPB é uma instituição de referência nacional a diversos níveis. “Todo o trabalho que tem sido desenvolvido no IPB em diversas áreas, nomeadamente na área da investigação – uma das nossas bandeiras e que permitiu um programa de afirmação e de doutoramentos que nos permitiu ter o corpo docente mais qualificado de todo o sistema politécnico – fez com que existissem repercussões ao nível do relacionamento da região com o instituto. Hoje, não representamos uma instituição que recebe alunos, que os retém durante algum tempo e que depois os deixa sair da região. O IPB, com toda a sua capacidade implementada, é uma instituição com capacidade de intervenção, um agente essencial ao desenvolvimento da região e, de facto, tem uma envolvência a todos os níveis com o tecido regional, seja económico, social ou cultural”. Assim, o IPB é um parceiro ativo da própria CIM de Terras de Trás os Montes e procura ser proactivo, nomeadamente no que diz respeito ao próximo quadro comunitário de apoio que, na opinião do entrevistado apresenta algum risco para a região. Como é sabido, “os anteriores quadros comunitários eram muito voltados para a infraestruturação e, como tal, o fluxo financeiro era assegurado pela intervenção ativa dos nossos autarcas” Hoje, a situação não é a mesma e a inovação, a criação e desenvolvimento de empresas são o toco deste novo quadro. Assim sendo, e tendo em conta a debilidade do tecido económico da região, incorre-se no risco de aumentar a distorção existente entre interior e litoral norte. Desta forma, “o IPB tem que ser um elemento ativo, com capacidade de intervenção política, fazendo sentir que é necessário assegurar um volume financeiro para a região de Trás os Montes que contribua para coesão nacional e inter-regional. Não podemos chegar ao final deste novo quadro de apoio com a sensação que contribuímos para um desenvolvimento da região norte mas sem ter, efetivamente, ganho alguma coisa com isso. Estou em crer que tal não vai acontecer, mas é necessário que todos os agentes tenham a capacidade de fazer fluir esses fundos para situações que gerem riqueza e emprego”. Para tal, o IPB tem vindo a trabalhar no sentido de dotar o tecido empresarial das ferramentas necessárias para fazer face ao futuro. Por exemplo, a região de Trás os Montes tem um setor primário bastante desenvolvido, mas a profissionalização do setor leva a que se precise cada vez menos de agricultores e, isso, “traduz-se numa mais baixa densidade demográfica da região que só poderá ser invertida com a criação de outras empresas, apostando, por exemplo, no turismo, mas sobretudo na indústria”, advoga.

A INTERNACIONALIZAÇÃO
O IPB é também um instituto conhecido pela sua capacidade de internacionalização, vertida na população de estrangeiros superior a mil alunos, com cerca de 50 países representados. Além da qualidade de vida que aqui se sente, o tacto de o IPB ter uma oferta deformação em língua inglesa – existem já três cursos de licenciatura em inglês que irão ser duplicados no próximo ano (no próximo ano funcionarão 7 cursos de licenciatura e 3 cursos de mestrado em inglês) – permite que este seja um aporte económico, cultural e social para a região. Mas estes números não são fictícios e espelham-se nos rankings nacionais e internacionais: “Existem rankings específicos em investigação, sobretudo na avaliação da qualidade da investigação produzida em função da dimensão da instituição, e, aqui, o IPB está em primeiro lugar a nível nacional em quatro desses itens e no ranking da União Europeia o IPB é o primeiro politécnico a nível nacional, estando no top dez das instituições universitárias e politécnicas portuguesas, ocupando o 7° lugar. Tudo isto, de facto, faz com que hoje o instituto seja um agente de desenvolvimento mas também um agente de motivação, dinamizando o orgulho da região, mostrando aquilo que a região pode fazer, mostrando que, os transmontanos, quando têm as mesmas condições, são capazes de fazer tão bem ou melhor do que os outros”, afirma Sobrinho Teixeira.

FUTURO
A investigação, no seio do IPB, é uma área consolidada, assim como a qualidade do corpo docente. Assim, o futuro promete o aumento da internacionalização, quer através do aumento da oferta formativa em língua inglesa e da oferta do português para estrangeiros, já que existe uma grande procura de oferta formativa de português. Além disso, “iremos trabalhar ativamente nas empresas para responder ao momento económico da região. Estamos também apostados em introduzir inovação curricular no sentido de pôr os alunos dos cursos de licenciatura a resolver problemas para as empresas, dando uma matriz aos nossos alunos de maior ligação empresarial e, portanto, um tipo de ensino que vai aumentar a empregabilidade dos seus formandos”. No fundo, o IPB irá continuar, no futuro, a lutar por se manter nos lugares cimeiros, elevando a instituição e o orgulho da região.

UM RUMO BEM TRAÇADO

 Luís Pires é o rosto que apresenta a EsACT – Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo do Instituto Politécnico de Bragança, uma instituição que começa agora um novo caminho rumo ao sucesso.
Em entrevista ao País Positivo, Luís Pires, diretor da EsACT, faz-nos uma breve apresentação da instituição e mostra qual o caminho desta escola que aposta na inovação e tecnologia para fazer face aos desafios futuros.
Criada em 1995 como polo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Bragança, a EsACT oferecia em Mirandela os cursos de Informática de Gestão e Contabilidade e Administração. No entanto, em 1999 como consequência da evolução legislativa, a Escola ganhou autonomia, tendo continuado com os dois cursos anteriores e introduzido o curso de Planeamento e Gestão em Turismo, distanciando-se, nesse processo evolutivo, daquilo que era oferecido em Bragança e traçando um caminho muito próprio e bem definido. Assim, em consequência de uma estratégia pensada, o Turismo passou a ser um dos principais focos da Escola de Mirandela, enquanto uma das etapas fundamentais de um caminho ainda não totalmente trilhado e, “foram-se consolidando as valências que identificassem e distinguissem a EsACT, no seio do IPB, associadas a uma imagem corporativa sólida, reconhecível conotada com a cultura de excelência da Instituição, em muito baseada em práticas de gestão sustentada dos recursos. Desde logo pensamos que a escola deveria dedicar-se a três áreas, distintas mas complementares, a Comunicação, a Administração e o Turismo”. E, aos poucos, a escola foi-se afirmando nestes três domínios. Assim, e na área da comunicação, para além das Licenciaturas em Tecnologias da Comunicação, Marketing e Multimédia a EsACT passou a oferecer, de forma arrojada e inovadora um curso de licenciatura em Design de Jogos Digitais que, ao contrário do que se possa pensar e face à realidade regional, foi desde logo um sucesso. E enganem-se aqueles que pensam que esta é uma área orientada apenas para o entretenimento ou brincadeira. “O design de jogos digitais é uma área bastante complexa e, ao contrário de outras formações existentes, mais ligadas às engenharias, esta é uma formação muito mais ligada às artes, exigente, propícia à exploração dos jogos digitais enquanto comentário social, arte, ferramenta educacional, ou forma de entretenimento da sociedade global em que vivemos. Mas para nós isso não chega e, nesse sentido, temos lançado alguns desafios aos docentes e alunos com o intuito de aplicar os conhecimentos adquiridos no curso em resposta a outro tipo de necessidades, por exemplo na área da saúde, criando aplicações que permitam testar e analisar comportamentos e desempenhos ou no limite como ferramentas didáticas ou educativas. Imaginem, como exemplo, um jogo digital que ajude um paciente em período de reabilitação física a melhorar ou medir a evolução do seu desempenho… um jogo que incuta por exemplo em públicos infantis uma consciência ambiental, etc “
Par além de tudo isto, na área da multimédia e das tecnologias da comunicação, a EsACT tem trilhado um percurso de sucesso, realizando reportagens de temas sociais putativamente fraturantes para a região que, para além do tema em si e da perspectiva técnica com que são abordados, evidenciam a capacidade técnica existente e mostram a importância do multimédia como ferramenta de desenvolvimento da região. Esta capacidade de produção técnica e comunicacional, potenciada via marketing, forma uma poção que a região e o pais não podem desperdiçar.
A área da administração é ex-libris da instituição, com muitos alunos e muita procura. Ao nível da licenciatura, a EsACT oferece dois cursos: Gestão e Administração Pública e Solicitadoria. Apesar do sucesso consolidado das duas áreas, o primeiro teve uma ligeira quebra na procura devido aos problemas de contexto do país, nomeadamente os que ocorreram na função pública, relacionados com a redução de efetivos e de salários, frustrando expectativas. No entanto, e apesar disso, “sentimos necessidade de criar o Mestrado em Administração Autárquica. Os nossos alunos e ex-alunos de Gestão e Administração Pública e de Solicitadoria começaram a procurar-nos no sentido de aprofundar os seus conhecimentos, de se especializar, de prosseguir estudos, e a verdade é que estas pessoas acabavam por ir tirar o Mestrado a outros locais e não era isso que queríamos. Neste sentido, juntámos as vontades dos alunos e da própria escola e acabámos por criar este mestrado que dá resposta às necessidades, uma vez que temos também um corpo docente consolidado e de grande qualidade. Além disso, a sociedade atual orienta-se cada vez mais para paradigmas de funcionamento agregado, em rede e, portanto, o nosso mestrado também pretende atribuir uma importância significativa a este novo paradigma, fornecendo novas capacidades, uma evolução funcional aos atores da própria legião, que mostraram, também eles, interesse na formação. Foi pois com muito agrado que vimos o mestrado aprovado por 6 anos, também uma prova de que a estrutura curricular faz sentido e se apresenta como uma mais-valia para a região e para o país”.

EMPREENDEDORISMO
Luís Pires considera que o empreendedorismo é essencial para esta região, nomeadamente para a fixação dos alunos e contributo para a inflexão de fluxos migratórios. Hoje, existem já empresas de relevo nacional que surgiram precisamente de oficinas de empreendedorismo. “A verdade é que muitas vezes as ideias existem, mas nem sempre sabemos como começar. Que passos dar? Como fazer? O que é um plano de negócios? Portanto, as oficinas de empreendedorismo são muito importantes na medida em que apoiam todos estes passos e, muitas vezes, mostra que o caminho que se tinha idealizado não é o melhor e, ai, consegue-se, em ambiente controlado, corrigir a trajetória, ou por vezes reconhecer que é melhor começar de novo. Felizmente, percebemos que as coisas começam a mudar e que a vontade de investimento e de criação do próprio emprego é muita, e não podemos apenas pensar no nosso país, deixar de olhar para o vizinho do lado, desleixando um mercado de 40 milhões de putativos consumidores, devemos ser capazes de criar estruturas e empresas que dêem resposta a esse mercado global”.

AS NOVAS INSTALAÇÕES
A prioridade da EsACT foi, há uns anos, a capacitação em termos de docência. Hoje, a consolidação do corpo docente é já uma realidade e, portanto, seguiu-se o segundo desafio: As instalações. Até hoje, a EsACT funciona em instalações provisórias cedidas pela autarquia de Mirandela e que, apesar de serem o necessário para formar os alunos com qualidade, não dão seguimento às necessidades e vontades de crescimento estabelecidas para a instituição. Neste sentido, “muito lutamos para conseguir umas instalações condignas e aproveito para deixar uma palavra de apreço à Câmara Municipal de Mirandela que como parceira do IPB esteve sempre presente para a concretização de um edifício de grande qualidade e que irá dar resposta às nossas necessidades já no próximo ano letivo”.
Este edifício, feito de raiz, possui salas de reunião, espaço dedicado à produção audiovisual, onde se incluem estúdios, laboratórios de pós produção, multimédia, salas de visionamento, um auditório de média capacidade, uma biblioteca de topo e um espaço que servirá de fomento a novos projetos. Ou seja. “temos o hardware e o software, agora necessitamos criar projetos e a ideia é dar corpo ao Centro de Recursos para a Promoção do Turismo e Marketing Territorial, implementando, numa base comunicacional, estratégias que possibilitem o desenvolvimento e a valorização regional. É certo que aqui existem produtos únicos, de qualidade, indissociáveis e burilados por uma cultura ancestral, mas que permanecerão economicamente diminuídos se não forem revelados ao mundo”.
A aposta e potenciação do centro de competências possibilita a criação de uma rede essencial ao desenvolvimento da região na medida em que conseguimos “quebrar barreiras. Quem tiver dificuldades saberá, à partida, que nos poderá procurar para, em parceria, resolver os seus problemas. Portanto, o primeiro passo é criar alguns produtos que dissipem qualquer tipo de dúvida que possa existir face às competências e qualidade da capacidade instalada. O Centro permitirá consolidar, dentro da região e não só, a certeza de um conceito de credibilidade e capacidade para se fazer coisas, para responder a desafios, e a partir dai, crescer e alavancar a região e o tecido empresarial”.
Assim, e tendo em conta as novas instalações e os projetos pensados, a EsACT poderá ser um elemento essencial para a dinamização e desenvolvimento da região e do próprio IPB. “Feitas as contas, penso que o saldo será claramente positivo e o futuro apresentar-se-á bastante promissor”, finaliza o nosso interlocutor, Luís Pires.

Bragança: Um exemplo de Sucesso

 Bragança não é apenas a capital do distrito. É, também, um concelho voltado para o futuro, apostado em tirar o máximo partido de todas as potencialidades existentes. Um concelho que vide para a qualidade de vida dos cidadãos e que aposta em atrair cada vez mais pessoas.

Bragança é uma cidade com uma qualidade de vida acima da média, mas o seu edil, Hernâni Dias, afirma que falta ainda população suficiente para usufruir desta qualidade. “Somos um concelho com excelente qualidade de vida, reconhecido por estudos externos. Somos detentores de equipamentos culturais, com programações culturais atrativas, uma gastronomia de excelência, na qual pontuam pratos de caça e o famoso butelo com casulas, boas condições de mobilidade interna e acessibilidades externas, bons níveis de segurança, um clima agradável e uma paisagem única, com especial destaque para o parque Natural de Montesinho, um património histórico muito rico, com um Castelo bem preservados e a Domus Municipalis, exemplar único na Península Ibérica, um sistema de ensino de elevada qualidade, desde o ensino básico ao superior, com o Instituto Politécnico de Bragança a ocupar o top 10 europeu”. Assim, é de todo essencial que se consiga atrair para este concelho a população necessária para continuar a fazer de Bragança um player de relego a nível nacional e, mesmo, europeu.

ENSINO SUPERIOR EM BRAGANÇA
Questionado sobre a importância do Ensino Superior em Bragança, Hernâni Dias afirma que a presença do Instituto Politécnico de Bragança no concelho é de extrema importância. “Sendo uma instituição com cerca de sete mil alunos, o impacto é enorme, tanto a nível económico, como a outros níveis, nomeadamente turísticos, dada a diversidade da origem dos alunos que frequentam o Instituto, que funcionam como verdadeiros embaixadores da Cidade”. Posicionado nos lugares cimeiros dos rankings de classificação nacional e europeus é, também, uma mais-valia para a cidade, para a região e para a própria autarquia, traduzindo-se essa importância nas parcerias estabelecidas entre o IPB, a comunidade local e a autarquia”. Existem, efetivamente, alguns projetos comuns entre a autarquia e o IPB, como é o caso do Brigantia Ecopark, um Parque de Ciência e Tecnologia que está neste momento em fase final de construção e que está vocacionado para recebei empresas de base tecnológica com baixo impacto ambiental. O investimento de cerca de nove milhões de euros foi abraçado pelas duas entidades e servirá como motor de desenvolvimento de toda a região.
No fundo, e como facilmente podemos perceber, o IPB é um dinamizador da economia local, quer pelos alunos que atrai, quer pelas parcerias que cria com o tecido empresarial e pelo apoio que dá aos pequenos produtores, através da transferência de conhecimento.
Mas nem só o tecido empresarial é alimentado pelo ensino superior. Por forma a “dinamizarmos o centro histórico de Bragança, construímos residências universitárias, que, através de protocolo cedemos ao IPB, para acolher alunos dos PALOP. Assim, temos já dois edifícios transformados em residências e estamos, neste momento, a construir uma terceira. Reconhecemos, nesta e em outras parcerias, a importância do Politécnico de Bragança e iremos continuar a trabalhar para preservar esta cooperação entre ambas as entidades porque a consideramos benéfica e essencial para o desenvolvimento do concelho e da região”.
Ainda assim, existem desafios e o grande passo agora é conseguir captar e, sobretudo, fixai jovens em Bragança. As perspetivas são boas: “Estamos com alguns projetos em mãos que poderão resultar na concretização deste grande objetivo, criando variados postos de trabalho e, muitos deles, com necessidade de mão-de-obra qualificada, o que acaba por ser uma mais-valia para o concelho e para o IPB, que poderá organizar a sua formação em função daquilo que a região realmente necessita”.
A grande oportunidade para a região surge agora, com o novo quadro comunitário que, na sua maioria, é voltado para a inovação, o empreendedorismo e a capacitação de empresas, estando o edil solenemente convencido que esta será a grande oportunidade para Bragança. “Este quadro comunitário, juntamente com as medidas de incentivo ao investimento levadas a cabo pela autarquia – disponibilizando espaços em Zona Industrial a 4 euros o metro quadrado, podendo este valor baixar para apenas 1 euro, se criados 20 postos de trabalho, que serão essenciais para trazer investimento para Bragança. Estamos localizados num ponto geoestratégico fulcral e as empresas começam já a encarar isso como fator diferenciador e de competitividade. O caminho é, sem dúvida, o do crescimento e de desenvolvimento”, afirma Hernâni Dias. Uma oportunidade única para que Bragança se volte cada vez mais para o futuro e se assuma no panorama nacional.

Mirandela: Futuro sustentável

 Mirandela é a princesa do Tua, caraterizada por uma paisagem e produtos ímpares que tem vindo, nos últimos anos, a apostar no desenvolvimento e no futuro. Em entrevista ao País Positivo, António Branco, falou-nos das estratégias planeadas e das principais apostas da autarquia.
Mirandela é concelho da região interior norte caracterizada pela sua paisagem e produtos endógenos. Uma cidade singular que se liga, em muita medida, com o no Tua e se marca pela centralidade.
Sendo um concelho bastante atrativo, consegue captar um largo número de visitantes de uma forma continua e, neste sentido, tem vindo a implementar um conjunto de iniciativas que permitem dar resposta a estas necessidades.
Em discurso direto, António Branco fala sobre o futuro deste concelho com uma identidade única.

Mirandela é um concelho que, ao longo dos anos, se tem desenvolvido e crescido, sustentadamente…
Nesta regigão já não falamos em crescer. Na região do interior não diminuir já é crescer e é verdade qeu temos perdido alguma população nas zonas rurais, mas a cidade tem conseguido manter o seu crescimento. Temos sentido uma grande renovação do ponto de vista do tecido empresarial, social e cultural e, principalmente no campo desportivo. Neste sentido, Mirandela é uma cidade que pauta por um conjunto de ofertas que, na região, são também exemplares. E que proporcionam aos habitantes uma qualidade de vida invejável.

Mirandela é também um concelho que aposta forte na educação. Qual é o impacto do ensino superior em Mirandela?
O ensino superior é uma estratégia que tem vindo a ser desenvolvida ao longo dos anos, que assentou, numa primeira fase, não só numa instituição de ensino público, mas também numa instituição de ensino particular. E estas instituições fixaram-se em Mirandela porque tentamos captar para o concelho um conjunto de valências que dotassem o concelho de massa crítica e desenvolvimento, inovação e um conjunto de suportes ao tecido empresarial local. Sentimos que isso acontecia em Bragança, através da presença do IPB, e portanto era essencial que Mirandela possuísse um polo que, de alguma forma, pudesse dinamizar o tecido empresarial, mas que tivesse também um identidade própria. Felizmente, hoje, isso já acontece e conseguimos ter, aqui, cerca de mil alunos o que representa um salto qualitativo muito grande.

E sendo que Mirandela se assume como ponto turístico de referência, ter no concelho um centro de investigação de comunicação e turismo é algo notável.
Diria mesmo fundamental. Acredito que tornar o polo do IPB em Mirandela voltado para as áreas da comunicação, administração e turismo foi essencial para o sucesso do mesmo. Se mão tem existido esta orientação no passado, incorríamos no risco de duplicarmos custo e ofertas, não apostando na especialização que é essencial. Com a construção das novas instalações da EsACT poderemos esperar ainda mais já que novas valências vão ser desenvolvidas. Se hoje, com as instalações débeis que a escola possui consegue-se já fazer tanto, oferecendo formação em áreas como o marketing, a multimédia e a administração pública – de salientar que inclusive a escola conseguiu já a aprovação do Mestrado em Administração Pública – imagine-se o que poderá fazer com instalações condignas e equipamentos de topo. Esta qualidade que caracteriza a escola significa que está, neste momento, capaz e dar mais um salto, lidando de perto com a sociedade civil, com o tecido empresarial e social, e ser uma escola que não se fecha, tendo uma influência local bastante importante. Mas não nos podemos esquecer que o ensino superior é um projeto consertado. Uma cidade como Mirandela, para se conseguir desenvolver do ponto de vista urbanístico e do seu tecido empresarial, necessita de ensino superior e, portanto, esta foi uma aposta que fizemos no dia em que optamos construir as instalações em Mirandela. Não nos arrependemos desta decisão e continuamos a considerar que este é o melhor investimento que podíamos ter feito para o desenvolvimento sustentado do concelho.

E esta é também uma forma de criar uma rede de conhecimento e desenvolvimento?
Existiu sempre uma ligação muito forte entre o concelho, e a própria região, e o IPB. Hoje, não olhamos para o ensino superior como apenas uma instituição de formação de jovens, mas sim como um parceiro essencial para os projetos de desenvolvimento local e regional. Aliás, dentro da própria comunidade intermunicipal, o IPB é encarado como o principal parceiro para as áreas de marketing, industrialização e inovação. Ao mesmo tempo que capacitamos esta instituição, estamos também a criar postos de trabalho, a fixar população e a garantir que o tecido empresarial fica mais qualificado e competitivo. E é precisamente este ponto que é fulcral para nós. Hoje, temos uma qualidade ao nível da administração pública invejável e isso deve-se à atuação da EsACT, mas também verificamos que empresas que outrora pouca noção tinham de marketing começam também a apostar na imagem e na promoção. Também podemos dizer que grande parte dos técnicos de turismo da Câmara Municipal de Mirandela foram formados na EsACT e, portanto, esta escola é, sem dúvida, o ceículo de qualificação, técnica e humana, da própria região. Ainda assim, estamos também a desenvolver a ligação da escola com o ensino profissional. Temos três escolas de ensino profissional que estão também orientadas para alimentar o ensino superior em Mirandela. Ou seja, a ideia passa por ter uma estratégia integrada de formação e qualificação de jovens que permita, por um lado, terem saídas profissionais na região e, por outro, captar jovens.

E é importante perceber que, aqui, existem verdadeiras oportunidades…

Por vezes somo confundidos com uma região do interior, isolada, mas hoje em dia a realidade é bem diferente. As pessoas que contrariam a tendência e abdicam do litoral pelo interior percebem que aqui existe a mesma oferta, as mesma oportunidades, mas uma qualidade superior. Neste momento, o nosso grande desafio é garantir maior empregabilidade. Neste sentido, a autarquia criou um gabinete de apoio às empresas e ao empreendedor, sendo o IPB um dos grandes parceiros, que garante que os jovens que acabem a sua formação e pretendam investir no concelho tenham apoio na componente mais técnica e em temos de acolhimento.

O futuro está assente em estratégias bem definidas?
Sim, agora é necessário aproveitar as oportunidades que surgem e não estarmos à espera que alguém faça as coisas por nós. Reforço, mais uma vez, a ligação entre a autarquia , a EsACT e o IPB e é esta ligação e este trabalho conjunto que permite ultrapassar problemas e superar desafios. Assim, é de extrema importância que se limem arestas e se afinem estratégias conjuntas para que possamos alavancar Mirandela e toda a região de Trás-os-Montes.

Publicado em ‘País Positivo‘ nº 80.

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