Flor do castanheiro usada para substituir conservantes artificiais no vinho

A flor do castanheiro foi aproveitada para criar um substituto dos sulfitos, usados para evitar o desenvolvimento de microrganismos e ajudar a manter a cor original dos alimentos. O subproduto made in Instituto Politécnico de Bragança (IPB) já está a ser usado numa marca de vinho, produzido em Felgueiras (Porto). O novo produto, considerado inovador, foi patenteado pelo IPB. “Este projeto tem tido uma projeção muito grande. A ideia também foi extraordinariamente inovadora. A patente internacional já está aprovada e esperamos que tenha um potencial económico muito interessante”, explicou Isabel Ferreira, diretora do Centro de Investigação de Montanha (CIMO). O produto à base de flor de castanheiro está no mercado através de uma parceria com a Quinta da Palmirinha, em Felgueiras, um produtor que tem uma rede de clientes mundial.
“É um projeto que vem de há muitos anos. Está nesta fase em que a patente foi registada e o produto está no mercado”, revelou a responsável do CIMO. Têm sido mantidos contactos com outros produtores que manifestaram interesse na utilização do conservante natural.
“Os sulfitos têm muitos efeitos secundários associados e o produto criado a partir da flor de castanheiro é uma alternativa natural e sem toxicidade”, afirmou Isabel Ferreira. Ainda não está definido como será feita no futuro a produção do produto para comercialização regular. Até agora tem sido o CIMO a produzir os ingredientes incorporados no vinho.
“Não fizemos a transferência do ingrediente para o mercado até termos acautelado as questões de propriedade industrial, agora estamos a ponderar as possibilidades mais interessantes”, explicou a investigadora, que admitiu que é de interesse do CIMO que a utilização do produto fosse feita de forma mais disseminada. A produção pode passar pela
criação de uma strat-up ou de uma spin off. “Era bom que fossemos pioneiros a nível mundial na exploração da flor de castanheiro para estes efeitos. É inovador em todo o mundo. Tudo vai depender da aceitação no mercado”, acrescentou a investigadora.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

500 soutos em Vinhais infectados com a vespa das galhas dos castanheiros

A praga da vespa das galhas foi detectada em 500 soutos do concelho de Vinhais, este ano. O insecto surgiu em maior número o ano passado e esta primavera foram feitas as primeiras largadas do parasita no distrito.
Sabe-se agora que houve um aumento do número em relação a 2017, quando tinham sido detectadas cerca de 180 focos da vespa, como adiantou Albino Bento do Instituto Politécnico de Bragança e director do Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos: “Em Vinhais fizemos 52 largadas e 6 em Bragança. Para o ano, vamos fazer mais largadas mas o local onde vamos fazer esse trabalho ainda não está definido. Em Vinhais, temos identificados mais de 500 pontos.”
Segundo Albino Bento, em Itália demorou sete anos a controlar a praga. Os resultados não são imediatos, mas os investigadores verificaram que nos locais em que houve largadas o parasitóide se estabeleceu: “vamos ter que continuar a acompanhar a praga, consoante vai invadindo os soutos através da monitorização e dependendo da evolução da vespa das galhas, fazendo largadas consecutivas do parasitóide, o torymus sinensis. Este ano fizemos 52 largadas, provavelmente para o próximo ano vamos fazer cerca de 200, que vamos continuar a fazer nos próximos anos largos. A partir do momento, que o torymus sinensis se estabelece no local nunca mais saiu do local e assim que atingir determinadas taxas, cresce exponencialmente. Mas os agricultores têm de ser avisados que não podem realizar práticas culturais erradas.”
Dados revelados no III Simpósio Nacional da Castanha, que começou ontem no IPB, em que se ficou também a saber-se que nos últimos 10 anos, foram plantados em todo o país cerca de 10 mil hectares de novos soutos, o que significa um aumento de um terço em relação à área que existia há uma década. Números avançados por José Laranjo, presidente da Refcast, a Associação Portuguesa da Castanha: “indubitavelmente a área da castanha aumentou e está numa fase de aceleração do aumento da plantação. Nós temos actualmente cerca de 33 mil hectares e estima-se que estão a ser plantados mais de 200 mil castanheiros, o que significa que possam ser 20 mil hectares por ano, representando um terço daquilo que era a área”.
Trás-os-Montes é a principal região produtora de castanha, concentrado cerca de 85% da produção nacional. O crescimento tem encontrado, no entanto, um entrave: a falta de castanheiros pelo menos de boa qualidade: há uma dificuldade que é alimentar a fileira com castanheiros de qualidade para plantação, sendo este um dos grandes problemas e dificuldades. E por vezes as pessoas com ânsia de plantar não fazem as opções mais correctas e vão comprar as árvores fora do país, e temos já um exemplo que foi através desses castanheiros importados que foi realizada a introdução da vespa.”
O III Simpósio Nacional da Castanha decorre ao longo de três dias, durante os quais são apresentadas 33 comunicações, sobre vários temas: a vespa das galhas do castanheiro, outras pragas e doenças, a propagação do castanheiro, o sequestro de carbono e o sector agro-industrial.

Publicado por: “Rádio Brigantia”

Luta biológica é a única esperança dos agricultores para travar progressão da vespa da galha do castanheiro

A vespa da galha do castanheiro está a progredir na região. Em Vinhais foram sinalizados 180 focos e no concelho de Bragança surgem novos vestígios de dia para dia.
Os produtores de castanha de Vinhais depositam grande esperança na luta biológica para travar a progressão da vespa da galha do castanheiro pois neste concelho já estão identificados 181 focos da praga em árvores adultas, podendo progredir rapidamente por ser uma área com umas vasta extensão de soutos. Em Bragança a situação é muito menos gravosa, com dois focos identificados, um em Espinhosela, onde existem quatro a cinco árvores infectadas, segundo Albino Bento, docente e investigador do Instituto Politécnico de Bragança. Entretanto, um segundo foco foi localizado em Parâmio, no passado fim-de-semana, sendo sinalizado pela junta de freguesia, cujo autarca, Nuno Diz, revelou que há vestígios em 6 a 7 castanheiros centenários. Vinhais iniciou luta biológica As primeiras largadas de parasitóides, em Vinhais, foram realizadas na passada quarta-feira em Edral, por ser a zona mais afetada do distrito. “Foi libertado um parasitóide específico que irá à procura da vespa da galha do castanheiro. O fulcral é fazer a largada com oportunidade, ou seja muito cedo quando as galhas ainda estão muito tenras porque depois ficam muito nidificadas e o parasitóide não tem capacidade para depositar os ovos no interior das larvas da vespa para as matar”, explicou Albino Bento.
Carlos Fernandes, produtor de Prada, aldeia da freguesia de Edral, tem algumas dezenas de castanheiros infetados
com a vespa. Está preocupado. “Dizem que sim, que o parasita resulta. Vamos lá ver. A praga apareceu no ano passado e tem aumentado”, referiu ao Mensageiro. Os castanheiros estão atualmente em estado fenológico para fazer a largada,
pois é nesta altura, de nascimento da folhagem, que aparecem as galhas infetadas. As árvores destinadas a madeira têm a praga em situação mais avançada. “A luta biológica já foi testada noutros países, como o Japão, nos anos 50 ou 60 e em Itália, desde 2005. Com resultados. Não há alternativa, mas esta técnica é demorada e dificilmente se conseguem resultados eficazes em menos de 5 ou 7 anos. No primeiro ano, a seguir a uma largada, teremos taxas de parasitismo a rondar 1% e depois vai crescendo, para 3%, 7% ou 8% “, acrescentou o docente. O IPB está a acompanhar a evolução da praga no Norte do país desde 2014, quando apareceu no Minho. Em 2015 instalaram ensaios em Sernancelhe e em 2017 os ensaios foram realizados em Vinhais. Em 2018 já se alargaram a Seia, onde já foram feitas 12 largadas. A vespa da galha do castanheiro tem vestígios em praticamente todo o país. “Em Bragança e Macedo de Cavaleiros há menos focos em árvores adultas. Em concelhos com pouca representatividade ao nível da castanha também não há vestígios, agora a região do Minho está toda atacada, a zona de Chaves e Padrela também, como Sernancelhe, Lamego, Trancoso, Guarda e Seia”, descreveu Albino Bento. Nos próximos dias vão ser realizadas 36 largadas em várias localidades. A vespa tem impacto ao nível da produção de castanha, no Minho já são visíveis as consequências, em algumas variedades, como a
amarela, com perdas entre 40 a 50%. “No primeiro ano a perda de produção é insignificante mas ao segundo ano pode chegar aos 5%, depois aumenta”, acrescentou. O autarca de Vinhais, Luís Fernandes, considera que as consequências da vespa poderão ser muito problemáticas ao nível da produção porque no concelho existe uma grande mancha de soutos, sendo a castanha um dos mais importantes rendimentos dos agricultores. Na quarta-feira foi realizada uma largada de parasitóides em Parâmio, a primeira. Nuno Diz, presidente da junta, espera que dê resultado e sirva para travar a progressão da vespa, cujo impacto pode ser muito penalizador para a produção de castanha na região. “A maior fonte de rendimento agrícola na zona do Parâmio é a castanha. Não sabemos se poderão aparecer mais focos de vespa esta primavera pois as folhas das árvores ainda estão a rebentar”, referiu Nuno Diz.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

Doenças dos castanheiros continuam a assolar os produtores

Um dos produtores de castanhas de São Martinho da Angueira, Miranda do Douro queixou-se que a sua exploração agrícola está a morrer por causa do cancro do castanheiro.
O cancro e outras doenças do castanheiro continuam a preocupar os produtores. Um deles é Porfírio Martins, de São Martinho de Anguei­ra, no concelho de Miranda do Douro, com cerca de 1000 exemplares. Confessou “que está a perder a esperança por­que está tudo a morrer e não adianta. O que mais nos atin­ge, neste momento, é o can­cro, não é a tinta”. Porfírio Martins além de produtor de castanha também é presiden­te da Florest’ Água – Asso­ciação de Produtores Flores­tais e Regantes de São Marti­nho e foi um dos presentes da IV Edição das Jornadas Téc­nicas do Castanheiro do pro­jecto Transfer Castanha.
Na freguesia de São Mar­tinho de Angueira está “si­tuada a maior dimensão de produção de excelência de castanhas do concelho de Miranda do Douro”, contou Carlos Silva, com soutos de pequena dimensão.
Na sessão de esclareci­mentos do Transfer Casta­nha, com um público bastan­te participativo, foram rea­lizadas recomendações es­pecializadas sobre as pragas que afectam esta produção. Uma das palestrantes foi Ro­salina Marrão, investigadora do CIMO – Centro de Inves­tigação de Montanha do Ins­tituto Politécnico de Bragan­ça, que recomendou o uso de armadilhas delta para a redu­ção da praga do bichado. O uso destas armadilhas desti­na-se à realização da mono­torização dos adultos dessa praga e serve para a captura em massa. Estas armadilhas podem ser adquiridas atra­vés de associações de agricul­tores e em lojas especializa­das de venda de produtos fi­tofármacos. Outra das pragas que assola os soutos é a tinta. Para o combate biológico da praga da tinta Eugénia Gou­veia recomendou a planta­ção de cereais à volta das ár­vores porque não são hospe­deiros de phytophthora. “A phytophthora está sempre no solo, o que significa que não dará condições para esta pra­ga crescer, ou seja, quando ela cresce e se instala acaba por morrer, porque não consegue sobreviver nas raízes dos ce­reais” aconselhou Eugénia Gouveia.
No caso da praga da ves­pa-das-galhas-do-castanhei­ro, “está a ser realizada uma monitorização no terreno pa­ra actuar no momento certo” informou Carlos Silva. Esta monitorização está a ser con­cretizada pelo Centro Nacio­nal de Competências de Fru­tos Secos, pelo Instituto Poli­técnico de Bragança em cola­boração com os municípios de Bragança e Vinhais que são os locais que representam 80% da produção nacional de castanha.

Publicado por: “Jornal Nordeste”