Conhecer a história da aldeia durante o almoço com uma avó transmontana

Maria da Graça Afonso, 76 anos, de Agrochão, no conce­lho de Vinhais, é uma antiga professora primária que tra­balhou em quase todo o dis­trito de Bragança, tendo ter­minado a carreira em Agro­chão. É uma das duas avós que integram o projecto-pi­loto “Viva@avó” que o Insti­tuto Politécnico de Bragança tem em curso através da Es­cola Superior de Comunica­ção, Administração e Turis­mo de Mirandela (EsACT). A outra é Lucinda Veloso, de 60 anos, que vive em Vila Ver­de da Raia, Chaves. O pro­jecto-piloto arrancou com as duas, mas o objectivo é que o número aumente para seis avós e que abranja toda a re­gião transmontana.
Quando explicaram a Maria da Graça o projecto em que a pretendiam inte­grar ainda pensou que “era para dar receitas de culiná­ria”. Depois foi percebendo que era muito mais abran­gente, que é importante para fazer o levantamento do pa­trimónio, sobretudo imate­rial, e chamar turistas à terra.
Com o ‘Viva@vó’ preten­de-se aproveitar o que há de melhor em Trás-os-Montes: “as pessoas, os seus hábitos, usos e costumes”, salienta Luís Pires, director da EsACT, enquanto a coordenadora do projecto naquela escola, Ai­da Carvalho, nota que “esta é uma excelente oportunida­de para fazer o levantamen­to do património imaterial e partilhá-lo com os turistas”.
A função da antiga do­cente será apresentar a quem a procurar “o que há de me­lhor nesta aldeia”. Garante que “os turistas serão sem­pre bem acolhidos, porque as pessoas aqui são muito hos­pitaleiras”. E passando eles a ficar umas horas na compa­nhia dos locais, “também se foge um bocadinho ao isola­mento em que vivem”.
Maria da Graça tem an­dado a elencar o património que vai recomendar a quem a procurar, mas pensa que a melhor forma de começar é explicar a designação da sua terra, Agrochão: “provém da palavra Agrochano, que sig­nifica terra boa. Ou seja, agro (terra) e chão (bom)”.
Depois, a antiga professo­ra dirá que é obrigatório co­nhecer os museus, o etnográ­fico e o do azeite, o santuá­rio do Senhor da Piedade e o da Senhora do Areal, a Igre­ja Matriz com o padroeiro São Mamede e as várias len­das que ela passou para um livro, como a do caúnho e a da fonte milagrosa que “cor­re gota-a-gota e nunca seca”. Para confortar o estômago dos turistas poderá sempre confecionar “couve guisada ou alheira na brasa com bata­ta e grelos cozidos, tudo bem regado com o bom azeite e o bom vinho da terra”. Mas o turista não vai só comer. Vai participar na construção do espaço onde vai ocorrer a refeição, viver na aldeia durante umas ho­ras, conhecer pessoas, parti­cipar também noutras expe­riências e ouvir histórias.
Toni Gomes, o presiden­te da Junta de Agrochão, es­tá convencido que este pro­jeto vai ser muito importan­te para dar a conhecer a ter­ra que dirige. “Temos de di­vulgar o nosso rico patrimó­nio”, sublinha.
Mas também é uma forma de unir a povoação em torno dele. Maria da Graça já esta­va habituada a que os jovens se “afastem das iniciativas dos mais velhos” e deu por si a vê-los “mais integrados nes­te projecto”. “É bom que eles se aproximem das gerações mais antigas, porque assim aprendem connosco e nós com eles”, sorri.
O projecto “Viva@vó” re­sulta de uma parceria entre o Instituto Politécnico de Bra­gança, o Instituto Politécnico de Viana do Castelo e a em­presa A. Montesinho. Tem o apoio do Portugal 2020 e da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Publicado por: “Jornal Nordeste”

“Temos de traduzir a cultura local em experiências e produtos vendáveis”

Mensageiro de Bragança: os últimos números conhecidos relativos ao turismo, apontam para um grande crescimento na região. A que se deve?
Luís Pires: esta é uma situação que ocorre devido ao alinhamento de vários fatores, não pode ser atribuída de forma independente ou individual a um catalítico milagroso.
O destino Portugal está na moda e, consequentemente, todas as regiões, todos os putativos destinos internos beneficiarão desta tendência, independentemente do nível de organização ou maturidade de cada um. No entanto, estar na moda é um corolário complexo de vicissitudes. Resulta, como dizia, do alinhamento de vários elementos, sendo que muitos deles não são por nós diretamente controláveis, como sejam a insegurança que se vive em algumas latitudes, ligados a extremismos religiosos ou a surtos relacionados com a saúde, ou a evolução global da economia. Por outro lado, existe o esforço de todos aqueles que evoluem a sua atividade na esfera do turismo, desde uma perspetiva mais nacional com enfase na estratégia do governo, onde as entidades regionais e locais, como as comunidades intermunicipais e as autarquias, desempenham papeis fundamentais de atuação, regulação e facilitação. Mas estar na moda dá muito trabalho, e como esta é uma atividade fundamentalmente de privados, onde existem grandes operadores, mas é essencialmente de micro, pequenos e médios privados, é resultante do esforço, desempenho e dinâmica de todos estes atores que advém o sucesso. Um detalhe no acolhimento, uma aventura ou desafio empolgantes, uma experiencia bem vivida, é um cartão de visita e de fidelidade. O turista quer sentir sensações, experiencias, quer viver e regressar revigorado, sentir que participou, seja numa perspetiva cultural, religiosa, gastronómica, de aventura, ou outra. Felizmente para todos nós, enquanto país, parece que fomos descobertos pelo mundo como destino turístico, verificando-se um crescimento generalizado da procura e, ainda de forma mais significativa no consumo, em todas as vertentes, indo do sol e praia, ao turismo de natureza, passando pelo turismo de negócios, de gastronomia, religioso, saúde e bem-estar, cultural e paisagístico, urbano, entre outros, mas com alguma enfase nas cidades e aquilo que se designa por escapadinhas. Lisboa e Porto evidenciam-se como exemplos mais visíveis desta tendência, mas seria de esperar que se estendesse a outras latitudes, entre as quais a nossa região se inclui, o que de facto se regista, pelo que devemos estar preparados. Tenho referido que contrariamente a outros setores que, de alguma forma, se mantem numa postura conservadora, numa inércia que demora a ser vencida, o turismo evoluiu, adaptou-se, incorporou uma dinâmica de alinhamento com a volatilidade do mundo, expressa tanto em tecnologias como na vontade e exigência
dos consumidores. Hoje, um destino está a distância de um clique, e essa facilidade de descoberta e programação, aliada a revolução que as low cost provocaram neste domínio, também contribuiu para o aumento de fluxos na nossa região. Concluindo a resposta a sua questão, num registo menos académico, diria também que não há turista, nacional ou estrangeiro, que seja capaz de resistir ao encanto das nossas manifestações culturais, a imiscuir-se e participar de forma arrebatada nas manifestações genuínas do povo, ao deslumbre que as nossas paisagens provocam, a percorre-las, a respirar o seu ar retemperador. É impossível ignorar o apelo da rica gastronomia que caracteriza cada recanto destas terras, fugir a partilha dos paladares de cada povoação, em ambiente mais rústico ou sofisticado, a desfrutar dos eventos e equipamentos que as nossas vilas e cidades possuem organizados com orientação ao turismo, mas, essencialmente, a maior diferenciação passa pela genuinidade, disponibilidade, até candura, com que as nossas
gentes recebem, que resulta desarmante, apaixonante e fideliza.
MB.: É possível aumentar ainda mais a tendência? De que forma?
LP.: Objetivamente, ainda que, como referi, existam fatores cujo controlo nos escapa, dentro de uma realidade conjuntural comparável a que atualmente vivemos, eu diria que sim, certamente sim. Ao longo desta conversa temos falado em região e, desde logo, existe aqui alguma ambiguidade empírica. Formalmente, em termos de turismo, falar em região significa falar em todo o norte de Portugal e em consequência em Porto e Norte de Portugal. No entanto, julgo que o foco deste diálogo se centrará no território que (creio poder colocá-lo nestes termos), se designa por Nordeste Transmontano. Não veja aqui qualquer tipo de crítica, apenas a constatação de uma realidade, um ponto de partida. Vejamos. O Porto é, atualmente, um dos pontos de entrada de turistas na região e no país. É um chamariz. Seja por se posicionar e assumir como destino turístico de relevo e grande procura, seja pelo facto de agregar em si infraestruturas de mobilidade de grande relevo. O novo terminal de cruzeiros de Leixões, a confluência de vias ferroviárias, a rede viária e, com muito maior importância, o aeroporto do Porto. É decisivo continuar com a estratégia de reforço de conexões áreas do aeroporto do Porto, mas, agora, com integração dessa plataforma com outras dentro e fora da região numa perspetiva de roteiro multimodal. Este conjunto será, certamente, um dos hubs a considerar na construção da estratégia turística regional, em perspetiva agregada no território nacional, por via das entidades regionais ou locais. É com base nesta realidade, num posicionamento organizacional mais macro, no vetor de mobilidade, de rede de destinos e produtos turísticos, que se deve alavancar a estratégia regional de entidades públicas e operadores privados de toda a região, num posicionamento de evidencia de proximidade, complementaridade e distribuição de fluxos. Quer-me parecer que, de alguma forma, o papel do Porto e Norte tem sido concretizado nesta matéria, em diálogo com as autarquias, com as academias, com aqueles que estão no terreno, numa lógica de complementaridade regional. No entanto, como em tudo que tem a ver com a dinâmica da vida, é necessário melhorar, afinar, otimizar, encontrar novos focos. Num posicionamento organizacional de nível mais baixo, de nível tático local, não se deve desprezar a proximidade com Espanha, com todo o potencial que emana na direção do nosso país, aproveitando os importantes hubs de distribuição de fluxos situados mais ou menos próximos a este território. Por exemplo a ferrovia em Zamora, a estação de AVE na Sanabria, a concretizar-se, a autoestrada que liga Zamora a Quintanilha e, evidentemente, pensar na utilização do aeroporto de Barajas. Uma vez que o designado transporte do futuro, o comboio, parece uma realidade de um passado distante, e, incompreensível e teimosamente, sem qualquer futuro, importa, a curtíssimo prazo, encontrar um papel de relevo para a estrutura aeroportuária existente. Esta parte da questão visa apenas uma putativa gestão de fluxos para a região. No entanto, o problema não se esgota em canalizar turistas para cá. Em termos organizacionais, esta região caminha para ser um destino turístico. A afirmação do destino deverá considerar a criação e reforço de sinergias e cooperação ao nível da promoção e criação de eventos. Qualquer destino turístico deverá ser entendido como um sistema de relações na criação de uma oferta adequada para os turistas. Neste sentido, torna-se crucial a organização de uma oferta integrada criando redes de cooperação entre as empresas locais/regionais. A organização da oferta turística com repercussões óbvias na promoção e respetivo modelo passará, certamente, pela promoção de proximidade de estruturas associativas e reforço de estratégias de aproximação entre as entidades públicas e privadas. Existem vários atores envolvidos na gestão do destino sendo que compete ao setor público a preservação do ambiente, da qualidade de vida dos residentes e dos turistas, da qualidade da experiencia e, de alguma forma, da identidade do destino. Adicionalmente, deve ser agente de desenvolvimento e criar condições para que se ultrapassem os obstáculos culturais, legais e económicos, a cooperação e ao trabalho em rede. Ao setor privado compete contribuir para a preservação do destino e seu desenvolvimento e ainda tornar-se um agente de mercado, ligando a oferta a procura e fazendo com que o turismo esteja disponível no mercado. As ações devem ser desenvolvidas considerando os interesses divergentes, que podem e devem ser agregados, devendo criar-se uma rede para o destino implicando acordos de cooperação entre os diferentes intervenientes. Isto significa transformar-se num destino turístico integrado, e isto passa pela tal lógica de complementaridade de funcionamento, de definição de redes colaborativas capazes de transformar a atual incapacidade da região, que apresenta lacunas na perspetiva da integração de serviços e na construção de serviços e produtos complexos integrados de forma horizontal, possibilitando a transformação da região, mediante diversificação de oferta, valências e capacidade, numa zona com mais visitas, mais dormidas e mais prolongadas, mediante uma nova organização funcional, nomeadamente que seja capaz de contribuir para uma resposta organizacional ajustada as necessidades de customização da industria do turismo. Se este nível de cooperação e integração for conseguido, atua-se diretamente num dos indicadores que mais nos penalizam que é o tempo de permanência do turista. Aumentar a permanência do turista e até fidelizá-lo, depende, em grande medida, da qualidade, da aprazibilidade da experiencia que lhe proporcionamos. E isso encontra-se nas mãos do interveniente mais importante em toda esta cadeia, o operador, e os seus recursos físicos e humanos. Tem de haver esta consciência, é necessário acarinhá-los, ninguém se substitui aos operadores. Finalizando esta questão, e após uma reflexão com um posicionamento mais local, importa ainda realçar o papel fundamental da estratégia governativa e, nesta matéria, também no turismo, este é um país desigual. Fico por isso expectante face as declarações do atual ministro da economia, quando refere que o esforço não é fazer o turismo crescer em número e nos lugares onde há muita intensidade turística, mas exatamente o contrário.
MB.: O IPB pode contribuir para reforçar ainda mais essa tendência?
LP.: Desde logo sim. Ainda bem que me coloca essa questão, que possibilita abordar um projeto que temos em mãos, numa fase ainda inicial, e que surge com base na dinâmica de internacionalização da instituição. A crescente e diversa presença de alunos estrangeiros na nossa instituição, a participação em projetos internacionais e a interação que daí resulta, possibilitou gizar um plano de promoção turístico para a região, baseado em embaixadores, esta designação poderá ainda evoluir, e que pretende que cada aluno seja embaixador da região na sua zona de residência, no seu país de origem. Concretizando, por exemplo, com uma evidencia relativa a alunos oriundos do Brasil. A possibilidade de realizarem a sua vida académica e mais pessoal, de percorrer as nossas cidades e vilas sem nunca serem importunados, é um elemento valorizado e preponderante para uma presença satisfatória. Esta satisfação e esta característica pode ser potenciada pelo embaixador junto do seu país, assumindo-se como agente ativo de influencia, munido de um kit multimédia com informação de índole diversa, que possibilite informação regional generalizada complementada pelas dicas pessoais de quem já aqui viveu. Voltando agora ao posicionamento institucional, é sabido que a potenciação socioeconómica da existência de uma instituição de ensino superior numa determinada região depende, em grande medida, da estratégia definida pela própria instituição, mas também da estratégia de relacionamento que a região patenteia. No âmbito do turismo, o IPB, via EsACT, disponibiliza um leque de formações desde o CTeSP em Promoção Turística e Cultural, passando pela licenciatura em Turismo e terminando no mestrado em Marketing Turístico. Este é um contributo que visa a formação de ativos, de profissionais, que poderão desenvolver a sua atividade em entidades públicas e privadas, elevando desta forma as competências do setor. No relacionamento com o entorno e da própria dinâmica científica, surgem questões científicas a que é necessário dar resposta. Monitorizar o quotidiano e diagnosticar janelas de eventos ou realidades objetivas exigem uma estrutura confiável, precisa e de qualidade como base ao diagnóstico e definição de políticas futuras. A nossa ação passa também por aí, a monitorização e diagnóstico é o pilar transversal do conhecimento numa perspetiva passado-presente e charneira a produção de novo conhecimento. Os resultados experimentais, articulados com a inspiração conceptual possibilitam a germinação de ideias para que a região, no atual contexto de globalização e crescente competitividade, pugne pela sua sustentabilidade. No caso concreto da atividade turística, enquanto elemento preconizador da promoção territorial, tida como uma atividade de comunicação intensiva, traduz-se numa iniciativa cuja essência se estabelece na base da confiança. No momento da tomada de decisão está apenas disponível um modelo abstrato, com base em informação reunida através de múltiplos canais. Estes produtos exigem a recolha de informação quer no lado da procura quer no lado da oferta para uma decisão adequada. A articulação orienta-se por uma elevada capacidade de análise ao que ocorre na região, entorno e concorrência territorial, processo realizado mediante a concretização de estudos de investigação enquadráveis em projetos finais, estágios, mas essencialmente em teses de mestrado ou doutoramento. É nestas vicissitudes inerentes a atividade turística que se estabelece uma longa cadeia de informação e de valor atualmente imprescindível ao sucesso, a promoção da excelência territorial, e com ambições de concretizar uma promoção eficaz. A produção de conhecimento pode ser uma mais-valia para o desenvolvimento de uma região, mas tudo depende do grau de assimilação e retenção da região e da forma como se interligam as estratégias de produção de conhecimento com a de afirmação das próprias urbes. A transferência de conhecimento, a participação multidisciplinar, em parceria, na resolução de problemas, é uma via desejada e em aberto na interação com o entorno. Podemos fornecer know-how, aplicabilidade, público sofisticado e potenciais empreendedores através da formação. Cabe ao entorno potenciar este capital e criar um ambiente favorável a atividade. O tecido empresarial existente pode aproveitar as competências e conhecimento que lhe é disponibilizado.
MB.: Recentemente, foi lançado um projeto pioneiro pelo IPB, que pretende levar turistas a casa das avós transmontanas. Qual o objetivo?
LP.: Apesar de se verificar uma dinâmica de recuperação de património local e de valorização de usos e costumes, urge ainda criar uma cultura local empreendedora que permita conciliar essas características diferenciadas com a capacidade de gerar negócio. Os residentes nas freguesias mais rurais não conseguem tirar suficiente proveito da sua riqueza cultural pois não conhecem ainda a parte de negócio que a sua autenticidade e hospitalidade pode gerar. Em geral, recebem apenas pelo prazer de receber. É necessário traduzir a cultura local em experiencias e produtos vendáveis para que os habitantes locais, uma vez conscientes do real valor dos seus produtos e património cultural, saibam concretamente o que oferecer aos turistas. O projeto Viv@vó pretende contribuir para o combate a desertificação e isolamento das comunidades rurais através do aproveitamento do conhecimento ancestral destas comunidades para a criação de experiencias autenticas e enraizadas no destino, crescentemente procuradas pelos visitantes. Assim, pretende-se desenvolver um sistema de levantamento, seleção, formatação, divulgação e reserva que permita aos visitantes usufruírem de uma experiencia contextualizada em casas particulares. Após um trabalho de levantamento serão identificadas casas com interesse e aptidão para receber, mediante marcação e venda prévia, visitantes, para usufruírem de uma experiencia única: ouvir histórias, relatos, lendas, enquanto partilham uma refeição numa casa particular juntamente com o proprietário da mesma o que permitirá reforçar o contacto entre o visitante e a realidade visitada. Desta forma o projeto permitirá:
1) valorizar elementos intangíveis do património (os visitantes usufruem da refeição partilhando a mesa com os proprietários o que permite uma interação direta e a partilha de conhecimento sobre costumes, tradições, pontos de interesse da aldeia e da região;
2) contribuir para o combate ao isolamento dos locais que desta forma passam a interagir e socializar periodicamente com visitantes;
3) gerar experiencias únicas enraizadas no destino e com um grande carácter de autenticidade;
4) contribuir para a preservação da herança cultural das regioes;
5) gerar uma fonte de rendimento suplementar através da experiencia proporcionada e da eventual compra de produtos provenientes de produção própria disponibilizados pelos locais.
MB.: Tem sido feita investigação nesta área?
LP.: Este é um projeto que de alguma forma agrega áreas que tem realizado investigação de forma independente. Tem existido investigação em turismo, em engenharia alimentar, em tecnologias, na resolução de problemas societais, em diagnósticos de índole diversa, enfim, em vários domínios. Neste caso a abordagem é multidisciplinar, pretende-se colocar várias valências na tentativa de resolver um problema é uma perspetiva de abordagem orientada ao problema.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

Politécnico de Bragança quer levar turistas a casa das avós transmontanas

O politécnico de Bragança quer levar os turistas a visitarem a casa das avós transmontanas, através de um novo projeto que vai ser testado no Dia de Reis, numa aldeia de Vinhais, divulgou hoje a instituição.
“Viva@vó” ou “Viver na Casa da Avó” é o nome do projeto da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (EsACT) de Mirandela, que pretende criar no meio académico um novo produto turístico para as aldeias do distrito de Bragança, que permita aos visitantes entrar nas casas dos seus habitantes e usufruir de uma experiência diferente.
Um primeiro “evento piloto” arranca no sábado na aldeia de Agrochão, em Vinhais, e inclui cantar dos Reis, jantar na escola primária e animação cultural, como divulgou hoje a escola promotora.
A ideia surgiu da experiência de “viver na Casa da Avó, que muitos recordam com saudades”, de acordo com a explicação do diretor da escola, Luís Pires.
“No fundo, as ‘avós’ desses lugares irão abrir as portas do seu lar para receber todos aqueles que queiram ouvir estórias, relatos, lendas e oferecer uma refeição com os sabores e de acordo com as receitas mais genuínas da região”, concretiza.
O que se propõe “é um momento de partilha em torno do misticismo, fascínio e ternura que os mais velhos proporcionam”.
O projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e, “além da dinamização do turismo, pretende, de forma mais científica, a recolha de elementos culturais, nomeadamente memória de usos e costumes, gastronomia, etc., de forma a perdurarem no tempo”.
Simultaneamente, a escola superior pretende estudar “o impacto desta nova dinâmica junto das populações de reduzida densidade, valorizando elementos do património, contribuindo para o combate à desertificação das aldeias e atenuando, de alguma forma, a solidão dos idosos”.
Numa vertente mais comercial, o projeto quer também contribuir para “fomentar a preservação, produção e o escoamento de produtos locais”.

Publicado por: “TSF Rádio Notícias”

Mais informações em: “Mensageiro de Bragança”

Estudo revela que idosos de Bragança e Vinhais vivem satisfeitos

A maioria dos idosos dos concelhos de Bragança e Vinhais vivem satisfeitos, segundo um estudo académico divulgado hoje no Encontro de Jovens Investigadores do Instituto Politécnico Bragança e que contraria a ideia generalizada de pobreza e abandono.

O estudo foi desenvolvido no âmbito de teses de mestrado por alunos e professores da Escola Superior de Saúde e compara a satisfação expressa por idosos dos concelhos transmontanos e de concelhos de Coimbra, onde surgiu a ideia.
Em Trás-os-Montes o trabalho foi realizado pela Escola Superior de Saúde e concluiu, segundo disse à Lusa o coordenador e investigador Fernando Pereira, que a maioria dos idosos de Bragança e Vinhais vivem satisfeitos e mais satisfeitos que os de Coimbra. O trabalho focou-se nos recursos económicos e sociais, saúde mental e física e o nível de autonomia. Em Bragança, “55%” dos idosos declara não ter nenhum tipo de debilidade e em Vinhais, a percentagem sobre para “75%”.
“A situação dos nossos idosos em comparação direta com os idosos de Coimbra, tinham níveis de satisfação mais elevados, ou seja a situação dos idosos era mais satisfatória do que no estudo de Coimbra”, indicou o responsável.
O investigador Fernando Pereira entende que estes resultados devem-se “a uma razão de natureza cultural: apesar de tudo, uma boa parte dos idosos (de Bragança e Vinhais) ainda continua a ter um enquadramento familiar, suporte social aceitável, que funciona”, baseado em alguma família, e rede de amigos e vizinhança.
Outra razão apontada é a “boa taxa de cobertura” das instituições sociais” que “na sua maioria estão bastante bem equipadas e têm profissionais bem treinados e que trabalham bastante bem”.
E neste aspeto defende “o papel da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Bragança, nomeadamente através do mestrado e do curso de gerontologia, que foi convidado para partilhar a experiência e conhecimento com uma universidade da Escócia.
Fernando Pereira encontra ainda outro fator para a satisfação dos idosos transmontanos e que se prende com o nível de resiliência.
“Os nosso idosos tiveram vidas duras na sua grande maioria, habituados a pouco conforto, e portanto não são muito exigentes em termos das comodidades e dos serviços que lhe estão disponíveis. Esta será também a explicação para, apesar das parcas pensões de velhice que recebem, “80%” dos idosos ouvidos em Bragança dizem que os recursos económicos são satisfatórios e em Vinhais a mesma resposta surge da quase totalidade, ou seja “98%”.
“Em geral, a maioria, mais de metade dos idosos não tem fragilidades, as dificuldades surgem na outra faixa de 30 ou 40% dos idosos”, observou.
E neste universo a maior dificuldade apresentada foi “ao nível da saúde mental, com uma percentagem muito elevada de idosos com alterações da saúde mental”, um problema classificado como “bastante grave e também menosprezado” ao nível das políticas públicas.
A solidão, a depressão ou as demências surgem entre os problemas desta área. O estudo foi realizado em 2015 e 2017 e ambiciona fazer o retrato dos idosos nos doze concelhos da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste.
Quase a terminar, mas ainda sem conclusões trabalhadas estão os concelhos de Alfândega da Fé e Carrazeda de Ansiães.
O problema, segundo o coordenador, é a falta de recursos e concretamente financiamento para realizar este trabalho. Já foi feita uma candidatura a fundos para a investigação, mas as maiores universidades portuguesas, queixa-se Fernando Pereira, absorvem todas as verbas.
O trabalho está a ser feito através da escola, professores e alunos e fez parte do painel de 156 de mais de 300 autores apresentados hoje no quinto Encontro de Jovens Investigadores do Instituto Politécnico de Bragança (IPB).
O propósito deste encontro é, como disse à Lusa Anabela Martins do IPB, divulgar o que se faz em termos de ciência, treinar os alunos para apresentações públicas dos seus trabalhos e captar alunos para os trabalhos de investigação e mestrados.

Publicado por: “Notícias ao Minuto”