Três instituições de ensino portuguesas entre as 50 melhores do mundo nas suas áreas científicas

Universidades de Lisboa e Porto e o Politécnico de Bragança no topo do ranking de Xangai por disciplinas. Engenharia Naval do Instituto Superior Técnico é a terceira melhor do mundo.
A Engenharia Naval do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa é a terceira melhor do mundo e há outras cinco áreas científicas em que as instituições de ensino superior nacional estão no Top 50. O ranking de Xangai, o mais antigo e prestigiado do mundo, divulgou na madrugada desta quarta-feira a sua lista especializada por disciplinas que conta com uma forte representação nacional. São 138 cursos de 14 instituições de ensino superior entre os melhores classificados de cada especialidade.
Portugal tem representantes em 37 das 52 disciplinas avaliadas pelo ranking de Xangai nestas listas especializadas. A Universidade de Lisboa é a que tem melhor prestação acumulando 21 lideranças a nível nacional. Seguem-se a Universidade do Porto, que é a melhor portuguesa em cinco áreas, e a de Aveiro, em destaque em quatro áreas científicas.
A fusão entre a Clássica e a Técnica, que deu origem à Universidade de Lisboa, há três anos tornou a instituição “mais abrangente”, defende o reitor António Cruz Serra, o que ajuda a ter uma representação transversal nas várias disciplinas que são aliadas pelo ranking de Xangai, já que havia áreas nas quais as instituições de origem eram já as melhores nacionais nesta lista.
Há outras áreas em que a união resultou num resultado mais positivo, como é o caso da disciplina de recursos hidrográficos, em que a Universidade de Lisboa é a 18.ª do mundo, para isso contribuindo especialidade de Hidrologia do Instituto Superior Técnico e Biologia Marinha da Faculdade de Ciências.
É também da Universidade de Lisboa a disciplina em que Portugal consegue o melhor resultado neste ranking, é na área de Engenharia Marítima, na qual fica em 3.º lugar a nível mundial fruto do trabalho feito na Engenharia Naval do Instituto Superior Técnico. Esta universidade é também a melhor nacional nas áreas de detecção remota (8.º) e na engenharia civil (43.º), uma lista em que Portugal consegue ter seis representantes.

PÚBLICO -
Ao todo, há 14 instituições de ensino superior nacionais nas listas especializadas do ranking de Xangai. Destas, 12 são universidades públicas. De resto, entre as universidades, apenas a da Madeira não consegue entrar em pelo menos uma destas listas dos 500 melhores do mundo em cada área.
O Instituto Politécnico de Bragança é a única instituição politécnica listada. No sector privado, só a Universidade Católica cumpre os critérios do ranking chinês. Ambas as instituições aparecem na lista de Ciência e Tecnologia Alimentar. “É uma das áreas mais fortes do instituto e não me surpreende que esteja entre as melhores do mundo”, comenta o presidente do Politécnico de Bragança, João Sobrinho Teixeira.
“Temos feito um grande investimento no Centro de Investigação de Montanha, em ligação com o território da região e isso está a dar frutos”, valoriza o mesmo responsável. A instituição já tinha estado em destaque no ranking de Leiden, publicado no mês passado, e agora junta-se às universidades de Lisboa e Porto como uma das três instituições
A área de Ciência e Tecnologia Alimentar é a área em que Portugal mais se destaca ao conseguir colocar nove instituições entre as 500 melhores do mundo. O Porto é o melhor classificado nacional nesta disciplina, com a 11.ª posição a nível global. Também o Politécnico de Bragança (50.º) está entre os 50 melhores. Seguem-se a Universidade de Lisboa, no intervalo entre os lugares 51 e 75, a Universidade do Minho (76-100) e as universidades Católica, Nova de Lisboa e de Aveiro (101-150). Entram também na lista desta área a Universidade de Coimbra e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que estão entre o 201.º e o 300.º lugar.
A segunda área com mais representantes portugueses no ranking de Xangai está também relacionada com comida. É nas Ciências Agrárias, na qual Portugal tem sete representantes. Lidera, a nível nacional, a Universidade de Lisboa (no intervalo 51-75), seguindo-se a Universidade do Porto (151-200). As universidades Nova de Lisboa, do Algarve, de Aveiro e de Coimbra estão todas entre o 301º e o 400º lugar. No último intervalo (401-500) surge a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Publicado em: “Público”

Mais informação em: “Jornal Nordeste”

Já não é coincidência, o nosso é mesmo o melhor Politécnico do país


Não há engano possível, o IPB é mesmo o melhor Instituto Politécnico do país, de acordo com um ranking anual publicado pela própria União Europeia, o U-Multirank.
O Instituto Politécnico de Bragança foi considerada, pelo terceiro ano consecutivo, a sétima melhor instituição de Ensino Superior em Portugal (este ano entre 27 avaliadas), sendo o Politécnico mais bem classificado. “Este resultado traduz, por um lado, a consistência da instituição. Pode ter causado alguma surpresa, não das pessoas da instituição, mas há sempre aquele ranking de perceções que é que tudo o que está relacionado com o Interior não pode ser bom”, destacou Sobrinho Teixeira, presidente do IPB, ao Mensageiro. Este é um ranking promovido e financiado pela União Europeia, tendo a edição de 2016 avaliado e seriado mais de 1300 Instituições de Ensino Superior em todo Mundo.
As instituições são avaliadas através de 31 indicadores, agrupados em cinco áreas de intervenção: ensino, investigação, transferência de conhecimento, internacionalização e envolvimento regional.
O ranking das instituições é estabelecido de acordo com o número de classificações com a pontuação máxima (categoria A) nos 31 indicadores avaliados. “É uma satisfação grande. Somos a única instituição do Interior presente no top10. Estamos numa posição logo a seguir às universidades clássicas e à frente de muitas outras universidades. É um motivo de satisfação para toda a academia. Mas é um prémio também para a região. Se não tivéssemos esta envolvência com a região, se não tivessemos uma perceção de uma capacidade de acolhimento e diversidade cultural grande como os alunos estrangeiros, também motivo de orgulho pela diversidade cultural, não estaríamos nesta posição”, sublinhou o presidente do IPB, considerando que é “uma vitória coletiva”, pelo que faz questão de “manifestar um agradecimento à casa e à região”.

Esta avaliação positiva já se tem traduzido num aumento de procura, sobretudo por parte de alunos estrangeiros.
“A nível interno, o estigma de estar longe de Lisboa e no Interior é terrível. Vencer este estigma está a ser um trabalho grande. Esta realidade, por três anos consecutivos, começa a dar a ideia de que esta é uma realidade consolidada. A nível internacional, é um fator de sucesso na captação de alunos”, explica o responsável da instituição. “Os alunos de fora da lusofonia escolhem o nosso país pela mais valia de terem um diploma que pode ser apresentado em todos os países que falam português. Depois analisam a instituição. Aí, avaliam, por um lado, a qualidade da instituição, que se mede pelos rankings internacionais, que dão uma ideia da qualidade do IPB. Essas pessoas não questionam o facto de estarmos a 500 quilómetros de Lisboa. Não ponderam ir para uma instituição pior só por estar mais perto da capital. Não há essa visão centralista”, nota. “Por outro lado, é o facto de termos uma relação custo/qualidade de vida favorável, para além da segurança que existe nas nossas cidades”, destaca Sobrinho Teixeira.
Esta presença nos lugares cimeiros dos rankings, quer este quer o que avalia a investigação e onde o IPB tem, também, uma posição de destaque, têm provocado um aumento de alunos estrangeiros. “São cerca de 20 por cento e a crescer”, revelou. E o futuro começa a ficar acautelado: “Iremos abrir mais cursos em língua inglesa, nomeadamente na área da saúde, que começam a ter cada vez mais procura”.
Para além disso, a parceria com a Faurecia é cada vez mais estreita. Para além de intercâmbio de alunos e professores, existe a ideia de “uma escola de linha que estude os processos de produção clean, limpa, sem desperdícios ao longo do processo de fabrico, para que não tenha desperdícios de tempo, rejeições de material”. “O objetivo é tornar as empresas competitivas e trabalhar praticamente sem stocks, avançou Sobrinho Teixeira, que aposta, por outro lado, “na valorização dos produtos locais”.

Publicado em ‘Mensageiro‘.

Sucesso e qualidade, do interior!

Muitas vezes no nosso país, confunde-se o interior com periferia e atraso no desenvolvimento. Não há nada mais errado do que este pensamento.
Venha conhecer o que de melhor se faz no (tão rico) interior de Portugal e deixe-se deslumbrar.

 Sobrinho Teixeira é o rosto que apresenta o Instituto Politécnico de Bragança, revelando ao mundo aquilo que de melhor se faz no interior do país. Foi também com o presidente do IPB que o País Positivo entrou à conversa, descobrindo uma instituição de cariz ímpar e de qualidade internacional.
De acordo com o nosso entrevistado, o IPB é uma instituição de referência nacional a diversos níveis. “Todo o trabalho que tem sido desenvolvido no IPB em diversas áreas, nomeadamente na área da investigação – uma das nossas bandeiras e que permitiu um programa de afirmação e de doutoramentos que nos permitiu ter o corpo docente mais qualificado de todo o sistema politécnico – fez com que existissem repercussões ao nível do relacionamento da região com o instituto. Hoje, não representamos uma instituição que recebe alunos, que os retém durante algum tempo e que depois os deixa sair da região. O IPB, com toda a sua capacidade implementada, é uma instituição com capacidade de intervenção, um agente essencial ao desenvolvimento da região e, de facto, tem uma envolvência a todos os níveis com o tecido regional, seja económico, social ou cultural”. Assim, o IPB é um parceiro ativo da própria CIM de Terras de Trás os Montes e procura ser proactivo, nomeadamente no que diz respeito ao próximo quadro comunitário de apoio que, na opinião do entrevistado apresenta algum risco para a região. Como é sabido, “os anteriores quadros comunitários eram muito voltados para a infraestruturação e, como tal, o fluxo financeiro era assegurado pela intervenção ativa dos nossos autarcas” Hoje, a situação não é a mesma e a inovação, a criação e desenvolvimento de empresas são o toco deste novo quadro. Assim sendo, e tendo em conta a debilidade do tecido económico da região, incorre-se no risco de aumentar a distorção existente entre interior e litoral norte. Desta forma, “o IPB tem que ser um elemento ativo, com capacidade de intervenção política, fazendo sentir que é necessário assegurar um volume financeiro para a região de Trás os Montes que contribua para coesão nacional e inter-regional. Não podemos chegar ao final deste novo quadro de apoio com a sensação que contribuímos para um desenvolvimento da região norte mas sem ter, efetivamente, ganho alguma coisa com isso. Estou em crer que tal não vai acontecer, mas é necessário que todos os agentes tenham a capacidade de fazer fluir esses fundos para situações que gerem riqueza e emprego”. Para tal, o IPB tem vindo a trabalhar no sentido de dotar o tecido empresarial das ferramentas necessárias para fazer face ao futuro. Por exemplo, a região de Trás os Montes tem um setor primário bastante desenvolvido, mas a profissionalização do setor leva a que se precise cada vez menos de agricultores e, isso, “traduz-se numa mais baixa densidade demográfica da região que só poderá ser invertida com a criação de outras empresas, apostando, por exemplo, no turismo, mas sobretudo na indústria”, advoga.

A INTERNACIONALIZAÇÃO
O IPB é também um instituto conhecido pela sua capacidade de internacionalização, vertida na população de estrangeiros superior a mil alunos, com cerca de 50 países representados. Além da qualidade de vida que aqui se sente, o tacto de o IPB ter uma oferta deformação em língua inglesa – existem já três cursos de licenciatura em inglês que irão ser duplicados no próximo ano (no próximo ano funcionarão 7 cursos de licenciatura e 3 cursos de mestrado em inglês) – permite que este seja um aporte económico, cultural e social para a região. Mas estes números não são fictícios e espelham-se nos rankings nacionais e internacionais: “Existem rankings específicos em investigação, sobretudo na avaliação da qualidade da investigação produzida em função da dimensão da instituição, e, aqui, o IPB está em primeiro lugar a nível nacional em quatro desses itens e no ranking da União Europeia o IPB é o primeiro politécnico a nível nacional, estando no top dez das instituições universitárias e politécnicas portuguesas, ocupando o 7° lugar. Tudo isto, de facto, faz com que hoje o instituto seja um agente de desenvolvimento mas também um agente de motivação, dinamizando o orgulho da região, mostrando aquilo que a região pode fazer, mostrando que, os transmontanos, quando têm as mesmas condições, são capazes de fazer tão bem ou melhor do que os outros”, afirma Sobrinho Teixeira.

FUTURO
A investigação, no seio do IPB, é uma área consolidada, assim como a qualidade do corpo docente. Assim, o futuro promete o aumento da internacionalização, quer através do aumento da oferta formativa em língua inglesa e da oferta do português para estrangeiros, já que existe uma grande procura de oferta formativa de português. Além disso, “iremos trabalhar ativamente nas empresas para responder ao momento económico da região. Estamos também apostados em introduzir inovação curricular no sentido de pôr os alunos dos cursos de licenciatura a resolver problemas para as empresas, dando uma matriz aos nossos alunos de maior ligação empresarial e, portanto, um tipo de ensino que vai aumentar a empregabilidade dos seus formandos”. No fundo, o IPB irá continuar, no futuro, a lutar por se manter nos lugares cimeiros, elevando a instituição e o orgulho da região.

UM RUMO BEM TRAÇADO

 Luís Pires é o rosto que apresenta a EsACT – Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo do Instituto Politécnico de Bragança, uma instituição que começa agora um novo caminho rumo ao sucesso.
Em entrevista ao País Positivo, Luís Pires, diretor da EsACT, faz-nos uma breve apresentação da instituição e mostra qual o caminho desta escola que aposta na inovação e tecnologia para fazer face aos desafios futuros.
Criada em 1995 como polo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Bragança, a EsACT oferecia em Mirandela os cursos de Informática de Gestão e Contabilidade e Administração. No entanto, em 1999 como consequência da evolução legislativa, a Escola ganhou autonomia, tendo continuado com os dois cursos anteriores e introduzido o curso de Planeamento e Gestão em Turismo, distanciando-se, nesse processo evolutivo, daquilo que era oferecido em Bragança e traçando um caminho muito próprio e bem definido. Assim, em consequência de uma estratégia pensada, o Turismo passou a ser um dos principais focos da Escola de Mirandela, enquanto uma das etapas fundamentais de um caminho ainda não totalmente trilhado e, “foram-se consolidando as valências que identificassem e distinguissem a EsACT, no seio do IPB, associadas a uma imagem corporativa sólida, reconhecível conotada com a cultura de excelência da Instituição, em muito baseada em práticas de gestão sustentada dos recursos. Desde logo pensamos que a escola deveria dedicar-se a três áreas, distintas mas complementares, a Comunicação, a Administração e o Turismo”. E, aos poucos, a escola foi-se afirmando nestes três domínios. Assim, e na área da comunicação, para além das Licenciaturas em Tecnologias da Comunicação, Marketing e Multimédia a EsACT passou a oferecer, de forma arrojada e inovadora um curso de licenciatura em Design de Jogos Digitais que, ao contrário do que se possa pensar e face à realidade regional, foi desde logo um sucesso. E enganem-se aqueles que pensam que esta é uma área orientada apenas para o entretenimento ou brincadeira. “O design de jogos digitais é uma área bastante complexa e, ao contrário de outras formações existentes, mais ligadas às engenharias, esta é uma formação muito mais ligada às artes, exigente, propícia à exploração dos jogos digitais enquanto comentário social, arte, ferramenta educacional, ou forma de entretenimento da sociedade global em que vivemos. Mas para nós isso não chega e, nesse sentido, temos lançado alguns desafios aos docentes e alunos com o intuito de aplicar os conhecimentos adquiridos no curso em resposta a outro tipo de necessidades, por exemplo na área da saúde, criando aplicações que permitam testar e analisar comportamentos e desempenhos ou no limite como ferramentas didáticas ou educativas. Imaginem, como exemplo, um jogo digital que ajude um paciente em período de reabilitação física a melhorar ou medir a evolução do seu desempenho… um jogo que incuta por exemplo em públicos infantis uma consciência ambiental, etc “
Par além de tudo isto, na área da multimédia e das tecnologias da comunicação, a EsACT tem trilhado um percurso de sucesso, realizando reportagens de temas sociais putativamente fraturantes para a região que, para além do tema em si e da perspectiva técnica com que são abordados, evidenciam a capacidade técnica existente e mostram a importância do multimédia como ferramenta de desenvolvimento da região. Esta capacidade de produção técnica e comunicacional, potenciada via marketing, forma uma poção que a região e o pais não podem desperdiçar.
A área da administração é ex-libris da instituição, com muitos alunos e muita procura. Ao nível da licenciatura, a EsACT oferece dois cursos: Gestão e Administração Pública e Solicitadoria. Apesar do sucesso consolidado das duas áreas, o primeiro teve uma ligeira quebra na procura devido aos problemas de contexto do país, nomeadamente os que ocorreram na função pública, relacionados com a redução de efetivos e de salários, frustrando expectativas. No entanto, e apesar disso, “sentimos necessidade de criar o Mestrado em Administração Autárquica. Os nossos alunos e ex-alunos de Gestão e Administração Pública e de Solicitadoria começaram a procurar-nos no sentido de aprofundar os seus conhecimentos, de se especializar, de prosseguir estudos, e a verdade é que estas pessoas acabavam por ir tirar o Mestrado a outros locais e não era isso que queríamos. Neste sentido, juntámos as vontades dos alunos e da própria escola e acabámos por criar este mestrado que dá resposta às necessidades, uma vez que temos também um corpo docente consolidado e de grande qualidade. Além disso, a sociedade atual orienta-se cada vez mais para paradigmas de funcionamento agregado, em rede e, portanto, o nosso mestrado também pretende atribuir uma importância significativa a este novo paradigma, fornecendo novas capacidades, uma evolução funcional aos atores da própria legião, que mostraram, também eles, interesse na formação. Foi pois com muito agrado que vimos o mestrado aprovado por 6 anos, também uma prova de que a estrutura curricular faz sentido e se apresenta como uma mais-valia para a região e para o país”.

EMPREENDEDORISMO
Luís Pires considera que o empreendedorismo é essencial para esta região, nomeadamente para a fixação dos alunos e contributo para a inflexão de fluxos migratórios. Hoje, existem já empresas de relevo nacional que surgiram precisamente de oficinas de empreendedorismo. “A verdade é que muitas vezes as ideias existem, mas nem sempre sabemos como começar. Que passos dar? Como fazer? O que é um plano de negócios? Portanto, as oficinas de empreendedorismo são muito importantes na medida em que apoiam todos estes passos e, muitas vezes, mostra que o caminho que se tinha idealizado não é o melhor e, ai, consegue-se, em ambiente controlado, corrigir a trajetória, ou por vezes reconhecer que é melhor começar de novo. Felizmente, percebemos que as coisas começam a mudar e que a vontade de investimento e de criação do próprio emprego é muita, e não podemos apenas pensar no nosso país, deixar de olhar para o vizinho do lado, desleixando um mercado de 40 milhões de putativos consumidores, devemos ser capazes de criar estruturas e empresas que dêem resposta a esse mercado global”.

AS NOVAS INSTALAÇÕES
A prioridade da EsACT foi, há uns anos, a capacitação em termos de docência. Hoje, a consolidação do corpo docente é já uma realidade e, portanto, seguiu-se o segundo desafio: As instalações. Até hoje, a EsACT funciona em instalações provisórias cedidas pela autarquia de Mirandela e que, apesar de serem o necessário para formar os alunos com qualidade, não dão seguimento às necessidades e vontades de crescimento estabelecidas para a instituição. Neste sentido, “muito lutamos para conseguir umas instalações condignas e aproveito para deixar uma palavra de apreço à Câmara Municipal de Mirandela que como parceira do IPB esteve sempre presente para a concretização de um edifício de grande qualidade e que irá dar resposta às nossas necessidades já no próximo ano letivo”.
Este edifício, feito de raiz, possui salas de reunião, espaço dedicado à produção audiovisual, onde se incluem estúdios, laboratórios de pós produção, multimédia, salas de visionamento, um auditório de média capacidade, uma biblioteca de topo e um espaço que servirá de fomento a novos projetos. Ou seja. “temos o hardware e o software, agora necessitamos criar projetos e a ideia é dar corpo ao Centro de Recursos para a Promoção do Turismo e Marketing Territorial, implementando, numa base comunicacional, estratégias que possibilitem o desenvolvimento e a valorização regional. É certo que aqui existem produtos únicos, de qualidade, indissociáveis e burilados por uma cultura ancestral, mas que permanecerão economicamente diminuídos se não forem revelados ao mundo”.
A aposta e potenciação do centro de competências possibilita a criação de uma rede essencial ao desenvolvimento da região na medida em que conseguimos “quebrar barreiras. Quem tiver dificuldades saberá, à partida, que nos poderá procurar para, em parceria, resolver os seus problemas. Portanto, o primeiro passo é criar alguns produtos que dissipem qualquer tipo de dúvida que possa existir face às competências e qualidade da capacidade instalada. O Centro permitirá consolidar, dentro da região e não só, a certeza de um conceito de credibilidade e capacidade para se fazer coisas, para responder a desafios, e a partir dai, crescer e alavancar a região e o tecido empresarial”.
Assim, e tendo em conta as novas instalações e os projetos pensados, a EsACT poderá ser um elemento essencial para a dinamização e desenvolvimento da região e do próprio IPB. “Feitas as contas, penso que o saldo será claramente positivo e o futuro apresentar-se-á bastante promissor”, finaliza o nosso interlocutor, Luís Pires.

Bragança: Um exemplo de Sucesso

 Bragança não é apenas a capital do distrito. É, também, um concelho voltado para o futuro, apostado em tirar o máximo partido de todas as potencialidades existentes. Um concelho que vide para a qualidade de vida dos cidadãos e que aposta em atrair cada vez mais pessoas.

Bragança é uma cidade com uma qualidade de vida acima da média, mas o seu edil, Hernâni Dias, afirma que falta ainda população suficiente para usufruir desta qualidade. “Somos um concelho com excelente qualidade de vida, reconhecido por estudos externos. Somos detentores de equipamentos culturais, com programações culturais atrativas, uma gastronomia de excelência, na qual pontuam pratos de caça e o famoso butelo com casulas, boas condições de mobilidade interna e acessibilidades externas, bons níveis de segurança, um clima agradável e uma paisagem única, com especial destaque para o parque Natural de Montesinho, um património histórico muito rico, com um Castelo bem preservados e a Domus Municipalis, exemplar único na Península Ibérica, um sistema de ensino de elevada qualidade, desde o ensino básico ao superior, com o Instituto Politécnico de Bragança a ocupar o top 10 europeu”. Assim, é de todo essencial que se consiga atrair para este concelho a população necessária para continuar a fazer de Bragança um player de relego a nível nacional e, mesmo, europeu.

ENSINO SUPERIOR EM BRAGANÇA
Questionado sobre a importância do Ensino Superior em Bragança, Hernâni Dias afirma que a presença do Instituto Politécnico de Bragança no concelho é de extrema importância. “Sendo uma instituição com cerca de sete mil alunos, o impacto é enorme, tanto a nível económico, como a outros níveis, nomeadamente turísticos, dada a diversidade da origem dos alunos que frequentam o Instituto, que funcionam como verdadeiros embaixadores da Cidade”. Posicionado nos lugares cimeiros dos rankings de classificação nacional e europeus é, também, uma mais-valia para a cidade, para a região e para a própria autarquia, traduzindo-se essa importância nas parcerias estabelecidas entre o IPB, a comunidade local e a autarquia”. Existem, efetivamente, alguns projetos comuns entre a autarquia e o IPB, como é o caso do Brigantia Ecopark, um Parque de Ciência e Tecnologia que está neste momento em fase final de construção e que está vocacionado para recebei empresas de base tecnológica com baixo impacto ambiental. O investimento de cerca de nove milhões de euros foi abraçado pelas duas entidades e servirá como motor de desenvolvimento de toda a região.
No fundo, e como facilmente podemos perceber, o IPB é um dinamizador da economia local, quer pelos alunos que atrai, quer pelas parcerias que cria com o tecido empresarial e pelo apoio que dá aos pequenos produtores, através da transferência de conhecimento.
Mas nem só o tecido empresarial é alimentado pelo ensino superior. Por forma a “dinamizarmos o centro histórico de Bragança, construímos residências universitárias, que, através de protocolo cedemos ao IPB, para acolher alunos dos PALOP. Assim, temos já dois edifícios transformados em residências e estamos, neste momento, a construir uma terceira. Reconhecemos, nesta e em outras parcerias, a importância do Politécnico de Bragança e iremos continuar a trabalhar para preservar esta cooperação entre ambas as entidades porque a consideramos benéfica e essencial para o desenvolvimento do concelho e da região”.
Ainda assim, existem desafios e o grande passo agora é conseguir captar e, sobretudo, fixai jovens em Bragança. As perspetivas são boas: “Estamos com alguns projetos em mãos que poderão resultar na concretização deste grande objetivo, criando variados postos de trabalho e, muitos deles, com necessidade de mão-de-obra qualificada, o que acaba por ser uma mais-valia para o concelho e para o IPB, que poderá organizar a sua formação em função daquilo que a região realmente necessita”.
A grande oportunidade para a região surge agora, com o novo quadro comunitário que, na sua maioria, é voltado para a inovação, o empreendedorismo e a capacitação de empresas, estando o edil solenemente convencido que esta será a grande oportunidade para Bragança. “Este quadro comunitário, juntamente com as medidas de incentivo ao investimento levadas a cabo pela autarquia – disponibilizando espaços em Zona Industrial a 4 euros o metro quadrado, podendo este valor baixar para apenas 1 euro, se criados 20 postos de trabalho, que serão essenciais para trazer investimento para Bragança. Estamos localizados num ponto geoestratégico fulcral e as empresas começam já a encarar isso como fator diferenciador e de competitividade. O caminho é, sem dúvida, o do crescimento e de desenvolvimento”, afirma Hernâni Dias. Uma oportunidade única para que Bragança se volte cada vez mais para o futuro e se assuma no panorama nacional.

Mirandela: Futuro sustentável

 Mirandela é a princesa do Tua, caraterizada por uma paisagem e produtos ímpares que tem vindo, nos últimos anos, a apostar no desenvolvimento e no futuro. Em entrevista ao País Positivo, António Branco, falou-nos das estratégias planeadas e das principais apostas da autarquia.
Mirandela é concelho da região interior norte caracterizada pela sua paisagem e produtos endógenos. Uma cidade singular que se liga, em muita medida, com o no Tua e se marca pela centralidade.
Sendo um concelho bastante atrativo, consegue captar um largo número de visitantes de uma forma continua e, neste sentido, tem vindo a implementar um conjunto de iniciativas que permitem dar resposta a estas necessidades.
Em discurso direto, António Branco fala sobre o futuro deste concelho com uma identidade única.

Mirandela é um concelho que, ao longo dos anos, se tem desenvolvido e crescido, sustentadamente…
Nesta regigão já não falamos em crescer. Na região do interior não diminuir já é crescer e é verdade qeu temos perdido alguma população nas zonas rurais, mas a cidade tem conseguido manter o seu crescimento. Temos sentido uma grande renovação do ponto de vista do tecido empresarial, social e cultural e, principalmente no campo desportivo. Neste sentido, Mirandela é uma cidade que pauta por um conjunto de ofertas que, na região, são também exemplares. E que proporcionam aos habitantes uma qualidade de vida invejável.

Mirandela é também um concelho que aposta forte na educação. Qual é o impacto do ensino superior em Mirandela?
O ensino superior é uma estratégia que tem vindo a ser desenvolvida ao longo dos anos, que assentou, numa primeira fase, não só numa instituição de ensino público, mas também numa instituição de ensino particular. E estas instituições fixaram-se em Mirandela porque tentamos captar para o concelho um conjunto de valências que dotassem o concelho de massa crítica e desenvolvimento, inovação e um conjunto de suportes ao tecido empresarial local. Sentimos que isso acontecia em Bragança, através da presença do IPB, e portanto era essencial que Mirandela possuísse um polo que, de alguma forma, pudesse dinamizar o tecido empresarial, mas que tivesse também um identidade própria. Felizmente, hoje, isso já acontece e conseguimos ter, aqui, cerca de mil alunos o que representa um salto qualitativo muito grande.

E sendo que Mirandela se assume como ponto turístico de referência, ter no concelho um centro de investigação de comunicação e turismo é algo notável.
Diria mesmo fundamental. Acredito que tornar o polo do IPB em Mirandela voltado para as áreas da comunicação, administração e turismo foi essencial para o sucesso do mesmo. Se mão tem existido esta orientação no passado, incorríamos no risco de duplicarmos custo e ofertas, não apostando na especialização que é essencial. Com a construção das novas instalações da EsACT poderemos esperar ainda mais já que novas valências vão ser desenvolvidas. Se hoje, com as instalações débeis que a escola possui consegue-se já fazer tanto, oferecendo formação em áreas como o marketing, a multimédia e a administração pública – de salientar que inclusive a escola conseguiu já a aprovação do Mestrado em Administração Pública – imagine-se o que poderá fazer com instalações condignas e equipamentos de topo. Esta qualidade que caracteriza a escola significa que está, neste momento, capaz e dar mais um salto, lidando de perto com a sociedade civil, com o tecido empresarial e social, e ser uma escola que não se fecha, tendo uma influência local bastante importante. Mas não nos podemos esquecer que o ensino superior é um projeto consertado. Uma cidade como Mirandela, para se conseguir desenvolver do ponto de vista urbanístico e do seu tecido empresarial, necessita de ensino superior e, portanto, esta foi uma aposta que fizemos no dia em que optamos construir as instalações em Mirandela. Não nos arrependemos desta decisão e continuamos a considerar que este é o melhor investimento que podíamos ter feito para o desenvolvimento sustentado do concelho.

E esta é também uma forma de criar uma rede de conhecimento e desenvolvimento?
Existiu sempre uma ligação muito forte entre o concelho, e a própria região, e o IPB. Hoje, não olhamos para o ensino superior como apenas uma instituição de formação de jovens, mas sim como um parceiro essencial para os projetos de desenvolvimento local e regional. Aliás, dentro da própria comunidade intermunicipal, o IPB é encarado como o principal parceiro para as áreas de marketing, industrialização e inovação. Ao mesmo tempo que capacitamos esta instituição, estamos também a criar postos de trabalho, a fixar população e a garantir que o tecido empresarial fica mais qualificado e competitivo. E é precisamente este ponto que é fulcral para nós. Hoje, temos uma qualidade ao nível da administração pública invejável e isso deve-se à atuação da EsACT, mas também verificamos que empresas que outrora pouca noção tinham de marketing começam também a apostar na imagem e na promoção. Também podemos dizer que grande parte dos técnicos de turismo da Câmara Municipal de Mirandela foram formados na EsACT e, portanto, esta escola é, sem dúvida, o ceículo de qualificação, técnica e humana, da própria região. Ainda assim, estamos também a desenvolver a ligação da escola com o ensino profissional. Temos três escolas de ensino profissional que estão também orientadas para alimentar o ensino superior em Mirandela. Ou seja, a ideia passa por ter uma estratégia integrada de formação e qualificação de jovens que permita, por um lado, terem saídas profissionais na região e, por outro, captar jovens.

E é importante perceber que, aqui, existem verdadeiras oportunidades…

Por vezes somo confundidos com uma região do interior, isolada, mas hoje em dia a realidade é bem diferente. As pessoas que contrariam a tendência e abdicam do litoral pelo interior percebem que aqui existe a mesma oferta, as mesma oportunidades, mas uma qualidade superior. Neste momento, o nosso grande desafio é garantir maior empregabilidade. Neste sentido, a autarquia criou um gabinete de apoio às empresas e ao empreendedor, sendo o IPB um dos grandes parceiros, que garante que os jovens que acabem a sua formação e pretendam investir no concelho tenham apoio na componente mais técnica e em temos de acolhimento.

O futuro está assente em estratégias bem definidas?
Sim, agora é necessário aproveitar as oportunidades que surgem e não estarmos à espera que alguém faça as coisas por nós. Reforço, mais uma vez, a ligação entre a autarquia , a EsACT e o IPB e é esta ligação e este trabalho conjunto que permite ultrapassar problemas e superar desafios. Assim, é de extrema importância que se limem arestas e se afinem estratégias conjuntas para que possamos alavancar Mirandela e toda a região de Trás-os-Montes.

Publicado em ‘País Positivo‘ nº 80.

Vantagens de fazer o curso no politécnico

Politécnicos querem atribuir doutoramentos profissionais e mudar a designação para universidades de ciências aplicadas.
Os politécnicos portugueses pedem duas coisas fundamentais ao Governo: querem atribuir doutoramentos e alterar o seu nome para universidades de ciências aplicada, como se designam na maioria dos outros países europeus. As duas reivindicações foram apresentadas ao Diário Económico por Joaquim Mourato, o presidente do CCISP–Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos – após uma reunião europeia que trouxe a Lisboa cerca de 200 representantes das instituições equivalentes de outros países da Europa.
Joaquim Mourato explica, primeiro que tudo, porque faz sentido incluir o doutoramento nos politécnicos. “Devem existir no ensino de cariz profissionalizante todos os níveis de Bolonha, desde o ciclo mais curto até ao doutoramento de natureza profissional. Temos bons exemplos na Europa e no mundo. Para fazermos investigação aplicada, temos de ter formação avançada a nível de mestrado e doutoramento”, defende.
O presidente do CCISP, que é presidente do Politécnico de Portalegre, foi o anfitrião do encontro europeu, onde foram apresentadas as recomendações e linhas de orientação da European Association of Institutions in Higher Education (EURASHE) – que reúne as instituições de ensino superior de cariz profissionalizante da Europa, ou seja, equivalentes aos politécnicos portugueses – para levar ao encontro de ministros europeus da Educação que vai decorrer já em Maio, na capital de Yerevan, na Arménia.
Será ainda levada aos ministros a necessidade de aumentar as parcerias entre estas instituições de ensino e as empresas. E aqui não são só as empresas que têm de responder ao apelo, mas também “tem de ser um propósito do próprio Governo”, sublinha este responsável. “É importante que as empresas participem, desde logo, na organização dos currículos dos próprios cursos”, defende Joaquim Mourato, para quem é essencial uma ligação profunda, com as aulas muito orientadas para as profissões e comum envolvimento muito grande das empresas. Até porque assim, defende, poderá também resultar com maior sucesso a investigação aplicada.

Apoiar empresas que integrem os estudantes
Esta ligação estreita com as empresas é a maior aliada da empregabilidade, em seu entender. “É a maior garantia que damos aos estudantes de poderem adquirir as competências adequadas para o mercado de trabalho. E, por outro lado, a garantia de que terão o primeiro contacto directo com o mercado de trabalho”, sublinha o presidente do CCISP. Joaquim Mourato avança mesmo com uma sugestão para o Governo português: “Temos um novo QCA, que pode ser muito útil na integração dos jovens no mercado de trabalho. As empresas seriam apoiadas para empregar os estudantes nos primeiros seis ou 12 meses de inserção no mercado de trabalho. Era uma forma muito interessante de ajudar esta articulação”, acrescenta o responsável.
A recomendação é clara e é levada pela EURASHE ao encontro dos ministros do próximo mês: só com maior ligação às empresas se aproximará o ensino das necessidades do mercado de trabalho, ao mesmo tempo que se promove a empregabilidade dos recém-graduados, assim como a formação ao longo da vida, de forma a garantir profissionais competentes e adaptados às necessidades do mercado.
Joaquim Mourato apela ainda ao apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) a centros de investigação aplicada, com outros critérios de atribuição que não os que avaliam a produção científica. Critérios que avaliem a transferência de tecnologia para as empresas, os resultados do trabalho dessa investigação para as mesmas, o impacto regional, etc. Ou seja, avaliar a actividade das instituições com outros indicadores. Andreas Orphanides, presidente da EURASHE, referiu, na conferência de Lisboa, que “é importante definir o futuro, com investigação e criatividade, de forma a identificar soluções”, defendendo o potencial de uma “participação interdisciplinar” entre todos.

“Defendemos a junção dos politécnicos”

Joaquim Mourato, o presidente do conselho coordenador dos politécnicos portugueses, vê com bons olhos a fusão de instituições e reorganização da rede de politécnicos, sempre em colaboração com as empresas e com um projecto educativo virado para as suas necessidades, com uma forte aposta regional. Só que o Governo não mostrou abertura para tal proposta do CCISP. Entretanto, os politécnicos reclamam 200 milhões de euros de reposição do Orçamento de Estado. E dizem que o ‘deadline’ está a chegar, porque não têm dinheiro para pagar os subsídios de férias.
Qual é o país que os politécnicos portugueses consideram como modelo bem sucedido na forma como engloba o ensino profissionalizante no superior? 
O modelo irlandês. Os institutos tecnológicos na Irlanda estão a conferir o grau de doutoramento e têm uma relação muito boa, muito próxima com as empresas. É um modelo que está muito bem desenvolvido, com óptimos resultados. Os 13 institutos tecnológicos na Irlanda, equivalentes aos nossos politécnicos, são hoje universidades tecnológicas, juntaram-se dois a dois ou três a três e desenharam projectos educativos conjuntos. Nós também já lançámos essa proposta em Portugal. A junção de dois ou três politécnicos para se transformarem numa universidade tecnológica com um projecto muito próximo de trabalho de colaboração com empresas identificadas nas respectivas regiões,com oferta formativa muito direccionada para as necessidades dessas empresas e com oferta até ao grau de doutoramento profissional.
Quer dizer que vê com bons olhos a fusão de politécnicos em Portugal? 
O CCISP apresentou essa proposta e já a referi por várias vezes. Estou na disponibilidade de olhar para um projecto desse tipo, para a reorganização de algumas instituições, dentro da sua autonomia, comum projecto educativo comum, que teria outras ambições e posicionamento. É razoável e desejável que isso aconteça, mas nunca houve abertura do Governo para avançar. Várias instituições já se concertaram nesse sentido, mas esse tipo de projecto não foi aceite.
Como estão a viver os politécnicos os constrangimentos orçamentais deste ano? 
Estimamos em 20 milhões de euros a verba de que necessitamos, como resultado do impacto da decisão do Tribunal Constitucional e das alterações introduzidas na Lei do OE. Mais mês, menos mês, vamos ter problemas e o ‘deadline’ está a chegar. Não teremos capacidade para pagar os subsídios de férias.

 Publicado em ‘Diário Económico Nº 6155 | 20 Abril 2015’.

IPB volta a ser considerado o melhor Politécnico do país

Ranking patrocinado pela União Europeia coloca o Politécnico de Bragança como a sétima melhor instituição de ensino superior do país

 Pelo segundo ano consecutivo, o Instituto Politécnico de Bragança foi considerado o melhor Politécnico do país, sendo, ainda, a sétima melhor instituição de ensino superior do país.
Esta foi a segunda edição do ranking global U-Multirank, compilado e financiado pela Comissão Europeia. Este estudo avaliou o desempenho de mais de 1200 instituições de ensino superior de 85 países diferentes, através de 31 indicadores agrupados em cinco grandes áreas: ensino e aprendizagem, investigação, transferência de conhecimento, orientação para internacionalização e envolvimento regional. Trata-se do maior estudo sobre instituições do ensino superior do mundo, que volta a deixar a instituição do Nordeste Transmontano numa posição de destaque.
Para o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, trata-se do “corolário de um trabalho feito nos últimos anos”. “É um orgulho para a instituição e para toda a região”, frisou Sobrinho Teixeira. O facto de, pelo segundo ano consecutivo, o IPB ter ficado colocado na sétima posição global, melhor Politécnico, mostra “a consolidação do estudo”. “Tivemos oito notas máximas em 31 possíveis”, explicou o presidente da instituição. De facto, o estudo da U-Multirank destacou, sobretudo, a investigação (quatro notas positivas), a Internacionalização e o envolvimento com a região, “precisamente algumas das maiores apostas do IPB nos últimos anos”.
“Este resultado é o que se esperava pelo trabalho que tem sido desenvolvido pelo Instituto”, diz Sobrinho Teixeira. De facto, nos últimos anos tem sido seguida uma aposta grande na internacionalização. Para além disso, o novo Quadro Comunitário de Apoio Portugal 2020 oferece um novo leque de opções e traz uma responsabilidade acrescida.
“Estamos a apostar forte. Esperamos vir, ainda, a reforçar o nosso envolvimento com a região com os novos projetos que se avizinham”, sublinha o presidente do Instituto. O Politécnico de Viana do Castelo é o segundo na lista (décimo global), tendo perdido ainda uma posição face ao ano anterior. A Universidade Nova de Lisboa continua a liderar, enquanto a Universidade do Minho ganhou uma posição e a Universidade do Porto duas, subindo ao pódio.

Publicado em ‘Mensageiro‘.

Bragança recebe 1200 alunos estrangeiros

Sociedade das nações
Chegam da China, do Peru, da Síria ou do Senegal. O Instituto Politécnico de Bragança apostou forte na captação de alunos estrangeiros – este ano receberá l 200, de 25 países diferentes

 Descontraído, de andar gingão, Hebert Camilo responde com um sorriso à admiração de Olga Padrão, secretária da direção do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), por andar de chinelos de enfiar o dedo num dia chuvoso e frio. Além do acentuado sotaque de Minas Gerais, o jovem de 21 anos, chegado em setembro ao nordeste transmontano, veio equipado com roupa leve, pouco apropriada para o rigoroso inverno que se aproxima. «Tem problema, não», garante.
Apesar das dificuldades com o termóstato, o jovem estudante do 3.° ano de Engenharia Agronómica está a adorar a experiência portuguesa. De tal forma que, dois meses após a chegada a Bragança, já começou a tratar das burocracias para prolongar a estadia inicialmente prevista para um semestre, mas que ele agora quer estender a dois. «A cidade é pequena mas recebe bem a ‘gente’ e estou gostando muito da experiência. O Instituto está bem equipado e as aulas são muito interessantes», adianta, em jeito de justificação. Hebert chegou a Bragança ao abrigo de um protocolo com o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais. No seu caso, o programa de intercâmbio prevê que o IPB se responsabilize pelo alojamento e refeições, enquanto a sua universidade de origem lhe assegurou as passagens aéreas e uma bolsa de três mil euros por semestre.
O jovem mineiro é apenas um dos 650 alunos estrangeiros – num universo de cerca de seis mil estudantes – que atualmente frequentam o IPB. Números que pecam ainda por defeito uma vez que há muitos inscritos ainda à espera de visto para fixar residência em Trás-os-Montes – os casos mais complicados têm sido os de alunos provenientes de países africanos que foram afetados pela epidemia de ébola, como a Libéria e a Serra Leoa, o que fez complicar as burocracias. Além disso, tal como sucedeu em anos anteriores, e a avaliar pelas inscrições já efetuadas e os processos em fase de aceitação, é de esperar que no segundo semestre o número de alunos chegue aos 1200 (mais 300 que no ano passado). Números impressionantes, numa cidade com pouco mais de 23 mil habitantes e onde, segundo um estudo recente encomendado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, o peso desta instituição na economia local é superior a 11 por cento do Produto Interno Bruto – o valor mais elevado do País.

Bragança lidera o ‘ranking’ dos politécnicos e cobra as propinas mais baixas do País
O IPB está atualmente no ranking das dez melhores instituições de ensino superior a nível nacional – o primeiro entre os politécnicos – e, em boa medida, isso também contribui para facilitar a captação de alunos através de convénios com instituições espalhadas pelo mundo fora. Além dos que chegam ao abrigo do programa Erasmus, provenientes da União Europeia, o maior contingente vem de paragens tão diversas como o Turquemenistão, China, Timor-Leste, Paquistão, Síria, México ou Peru, só para referir alguns dos mais distantes dos 25 países ali representados. Para o sucesso dessas «formas pró-ativas ou menos ortodoxas», na expressão do vice-presidente Luís Pais, contribuem ainda as propinas mais baixas (755 euros, para estudantes de licenciatura nacionais, e 1100, para os internacionais) e o facto de haver já vários cursos lecionados exclusivamente em inglês.

Hospitalidade transmontana

Exemplo sólido de uma integração feliz é o de Auro dos Santos. O cabo-verdiano, de 24 anos, chegou a Bragança em 2009 e diz que se sente em casa, «tal como todos os alunos africanos», os maiores contribuintes da larga comunidade estrangeira do IPB. A Associação de Estudantes Africanos representa peno de 400 alunos, a maioria deles de Cabo Verde, mas também muitos são-tomenses e angolanos. Sentindo-se em casa, já criaram uma equipa de futebol que alinha nos distritais de Bragança, uma equipa de futsal feminina, um grupo de dança, um conjunto musical (AfroBanda) e, para breve, prometem um grupo de teatro. Além disso, explica Auro, que preside à associação, «ajudamos muitos alunos a tratar de toda a burocracia para aqui chegar». A terminar o mestrado em Tecnologia Biomédica, depois de ter completado a licenciatura, vê aproximar-se a passos largos a hora de regressar a Cabo Verde e já começa a sentir saudades. «A minha adaptação foi cinco estrelas, nunca tive problemas e, se é verdade que quero ajudar ao desenvolvimento do meu país, também é certo que Bragança vai ficar sempre no meu coração.»
Tal como Auro dos Santos, também os habitantes da cidade se afeiçoaram e habituaram já à presença dos alunos estrangeiros. A chegada de sangue-novo estava a fazer falta, para dinamizar o comércio da cidade. Aos 75 anos, Vitalino Miranda e a mulher, Maria de Lurdes, mantêm a pequena mercearia, com quase meio século, de portas abertas, apenas porque funciona no rés-do-chão da sua casa e não pagam renda. «O centro histórico hoje está quase deserto. Levaram daqui os serviços e as pessoas começaram também a sair porque as casas estão velhas… e as que foram arranjadas têm rendas muito caras», considera Vitalino. Hoje, são os jovens da renovada residência universitária os poucos clientes que têm. «Nós queremos é vê-los cá, e que levem umas comprinhas. Mas a gente sabe que eles também não trazem dinheiro à larga e são muito regrados. Perguntam sempre pelo preço antes de levar alguma coisa… não é verdade?», atira. para Alexandre Ximenes, um jovem timorense de 19 anos, mais fluente em inglês do que em português, que consente com um sorriso envergonhado. Acabou de chegar a Bragança, para iniciar a licenciatura em Engenharia Informática, com uma bolsa de estudo concedida pelo Institut of Business de Díli, com quem o IPB tem uma parceria, e também ele está fascinado com a cidade. «As pessoas são muito simpáticas», arrisca, num português razoável, ao lado de Peltier Aguiar, um angolano de 26 anos, estudante de Agroecologia e que vive com ele na residencial Domus. É o africano que hoje faz de cicerone, acompanhando o timorense às compras. «Quando precisamos de alguma coisa vimos aqui à mercearia ou então vamos à loja do senhor Valdemar. Mesmo que tenha a porta fechada, basta tocar à campainha que ele atende-nos a qualquer hora», explica.
Gil Gonçalves, um dos atarefados elementos do Gabinete de Relações Internacionais, encarregue dos processos burocráticos dos alunos estrangeiros, não se mostra surpreendido com a boa reação dos habitantes. «Somos transmontanos, é a nossa forma de ser. Aqui, primeiro mandamos entrar; só depois perguntamos quem é.»

Publicado em ‘Visão’ nº1133, 20 a 26 novembro 2014.

IPB lidera no ranking da investigação

Politécnico conseguiu ficar em primeiro lugar em três indicadores a nível nacional dos sete analisados

 
O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) liderou este ano mais um indicador a nível nacional no ranking da investigação ibero-americano, que é divulgado pela Scimago.
O Politécnico ficou em primeiro lugar em três indicadores do total de sete analisados no total. Um deles é o factor impacto, que mede o número de vezes que os artigos são citados por outros investigadores, em que os artigos do IPB são citados 40 por cento mais vezes do que a média das instituições de todo o mundo, outro é a excelência, que analisa o número de vezes que os artigos são citados em revistas conceituadas de cada área, em que 20 por cento das publicações do IPB se incluem nas 10 revistas mais citadas em cada área, e o terceiro é a excelência com liderança, que avalia quem lidera o trabalho desenvolvido nas publicações que estão nessas mesmas revistas.
“Deixa-nos muito satisfeitos, porque apesar de o IPB ser uma instituição de média dimensão a nível nacional consegue ficar na qualidade de investigação e na produtividade por investigador em primeiro lugar e logo em três dos sete indicadores”, salienta o presidente do IPB.
Sobrinho Teixeira acrescenta que a investigação que é feita no IPB é transversal e aplicada à região onde se insere ou direccionada para o desenvolvimento regional. “No sector agrário toda a evolução que o IPB tem feito na região, seja no combate à mosca da azeitona, na luta contra o cancro do castanheiro que conseguimos de facto encontrar a cura, estamos agora num novo combate para a vespa das galhas do castanheiro que também iremos tentar encontrar uma solução”, enumera o presidente do IPB.
Actualmente, o IPB tem cerca de 300 investigadores.

Publicado em ‘Jornal Nordeste‘.

Cristãos, muçulmanos e budistas no mesmo espaço em Bragança

Abertura aos estudantes estrangeiros trouxe ao Nordeste Transmontano diferentes credos. Direcção da instituição criou agora um espaço de oração para todos sem excepção

 Já foi a casa senhorial de uma das quintas mais ricas da zona de Bragança, antes de ser transformada em pólo de investigação do Instituto Politécnico de Bragança (IPB). Agora, o espaço que albergou o Centro de Investigação de Montanha tornou-se um espaço intercultural e inter-religioso, onde alunos de todos os credos e religiões podem coabitar. E o pontapé de saída desta experiência inédita foi dado por três estudantes alemãs, que ao longo do último mês estiveram em Bragança a recolher experiência de vida e a aprender os desafios de viver em comunidade.
“Tem sido muito bom”, garantiram ao PÚBLICO Margarete, de 21 anos, estudante de Psicologia e oriunda de Triest, Anna, de 18, que veio de Munique e quer ser professora, e Lisa, também de 18, proveniente de Colónia e que quer estudar Teologia. As três jovens participaram numa acção promovida pela Taizé, uma comunidade ecuménica localizada em França, que acolhe jovens e adultos das várias confissões cristãs no mesmo espaço, de partilha. “É uma forma diferente de viver a fé, com respeito pelos outros”, dizem. Apesar da dificuldade com a língua, comunicar não tem sido um problema. “Entre inglês, francês ou por gestos”, explicam, com um sorriso tímido. Aproveitaram para conhecer a região e participar em alguns momentos importantes na vida da diocese de Bragança-Miranda, como a comemoração do Dia Nacional dos Bens Culturais, que decorreu em Torre de Moncorvo, no dia 18 de Outubro.
A presença das três jovens surgiu como forma de um “desafio” lançado ao padre Calado Rodrigues, capelão do Instituto. “[A comunidade de Taizé] está num ritmo de preparação do centenário do nascimento do fundador, do aparecimento do fundador da comunidade, e está a colocar em diversos pontos do globo pequenas comunidades temporárias. A ideia é terem uma experiência de vida comunitária, depois uma experiência de oração (três vezes ao dia). E depois uma experiência de solidariedade”, explica o sacerdote, que supervisionou a estadia das jovens em Bragança.
O trabalho foi um pouco dificultado pela questão da língua, mas conseguiram ultrapassar isso e comunicar com os idosos e com as crianças das IPSS. “Encontrámos muita gente que fala inglês e francês”, recordam as jovens.
Para além disso, tiveram contactos com os estudantes do IPB, das escolas, para divulgar a comunidade, o seu objectivo e espírito, “que é sobretudo marcado pelo espírito ecuménico, com um bom relacionamento entre as diferentes igrejas cristãs”, sublinha o sacerdote. O grande objectivo foi “motivar as pessoas a participar, de 9 a 16 de Agosto, nessas comemorações”. ”Estamos a organizar um grupo daqui para participar. Estarão milhares de jovens de todo o mundo”, acredita. Esta experiência serviu de ponto de partida para um outro projecto do IPB, que passa pela criação de um espaço intercultural e inter-religioso, situado à entrada da Escola Superior Agrária, em Bragança. “Primeiro pensámos em criar um espaço para oração ecuménica. Mas chegou-se à conclusão que o IPB tem-se internacionalizado muito, e há estudantes vindos de diversas latitudes religiosas e culturais, pelo que se sentiu a necessidade de criar um espaço de reflexão intercultural e inter-religiosa”, explica o capelão do Politécnico de Bragança. A necessidade foi identificada, inicialmente, pela direcção do Instituto. “A proveniência dos alunos tem aumentado, assim como o número de religiões. Este ano tivemos candidaturas dos Países Africanos de Língua Portuguesa, mas de muitos outros países africanos, da América, da Europa e do Oriente, de países como o Bangladesh, a Índia ou o Irão”, explicou Sobrinho Teixeira, o presidente do IPB, ao PÚBLICO, revelando que o objectivo “é ter uma atitude preventiva e afirmativa desta situação, de maneira a que se possa fazer disto uma cultura de tolerância pela diferença”.
Funciona como “um mesmo espaço para onde vão ser convidados os alunos do IPB, de diferentes regiões, de diferentes religiões, para cada um ter a sua afirmação”. “Pretende-se o acentuar da diferença mas com harmonia e tolerância. Para que cada um possa ter um espaço para orar mas afirmar aquilo em que acredita”, sublinha. Será um espaço em branco, ou seja, de decoração neutra, em que cada grupo pode colocar a decoração consoante as suas crenças (imagens, por exemplo), e que retira e guarda após a oração.
A ideia é peregrina e nem mesmo as três jovens alemãs esperavam algo semelhante. “Nunca tínhamos visto nada semelhante. É uma ideia muito boa porque se o fizermos todos os dias torna-se um hábito. E é uma forma de reflexão e introspecção”, dizem. “[As pessoas] não precisam de rezar juntas mas têm de se respeitar e podem conhecer-se melhor”, diz mesmo Margarita, a mais velha das três, estudante de Psicologia.
O espaço foi visitado pelo bispo da diocese de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, o mais jovem bispo do país e um dos mais jovens de toda a Europa. Participou num dos três momentos diários de oração, que inclui a leitura de algumas passagens da Bíblia, cânticos e meditação. “Creio que é um bom começo e uma boa continuidade do serviço que a capelania do Politécnico pode prestar. Tem essa missão de congregar todas as culturas e todas as línguas na mesma linguagem da verdade, da vida, do amor, da tolerância, do respeito dos valores universais, que são valores cristãos e valores humanos. Para nós, são valores novos, concretizados aqui”, frisa o prelado. “Temos a experiência de ser um povo missionário e de emigrantes mas temos agora a experiência de ser um povo de missão e que acolhe multiculturas. Bragança está a ser uma cidade multicultural. E o aspecto religioso e cultural é fundamental para o acolhimento na diversidade das línguas e das culturas”, fez questão de sublinhar D. José Cordeiro. O bispo transmontano, que já foi ele próprio capelão do IPB há mais de 20 anos, acredita que não haverá choque cultural. “Espero, sinceramente, que não”, diz, até porque, “a criação de um espaço religioso integrado no campus é a expressão de uma cultura preventiva, para que, ao chegarem, [os estudantes] se sintam acolhidos e incluídos, com perspectivas diferentes mas apostados num mundo novo e global”.
Por outro lado, surge na sequência das acções do Papa Francisco de promoção do diálogo para a Paz na Terra Santa. “No nosso caso, é uma Igreja em saída. Temos de estar preparados para isso e ainda não estávamos. Em Bragança, experimentamos a multiculturalidade e a universalidade da fé. Isto é muito positivo e tem de ser cultivado, porque é uma experiência completamente nova”, conclui.
Este ano, o IPB teve um crescimento de 25 por cento no número de alunos novos. Praticamente metade são estudantes estrangeiros.

Publicado em ‘Público‘.

IPB aumentou o número de novos alunos

O Instituto Politécnico de Bragança aumentou o número de novos alunos em cerca de 25 por cento, em relação ao ano lectivo passado.
Os cerca de 2400 novos alunos que já ingressaram no IPB foram ontem recebidos oficialmente pela instituição, numa sessão de boas vindas. O presidente do IPB não esconde a satisfação deste crescimento, numa altura em que houve um decréscimo de alunos a nível nacional.“Crescemos a nível do sistema nacional de acesso e dos outros regimes. O país teve um ligeiro decréscimo, o IPB conseguiu crescer quase 25 por cento, o que nos deixa muito satisfeitos”, sublinha Sobrinho Teixeira.
A comunidade de alunos internacionais é cada vez mais representativa. Mais do que preencher vagas de cursos que não tiveram alunos nacionais interessados, Sobrinho Teixeira destaca o espírito de convívio entre as várias culturas, que considera que deve ser visto como um exemplo. “Temos representados países de todos os continentes, quase 40 países representados. O IPB, a cidade e a região, estão de parabéns. É esta capacidade que nós temos mostrado, de que há uma grande tolerância pela diferença e de que na diferença somos todos iguais, e é uma lição de civilidade que estamos a dar ao país”, considera o responsável.
O IPB espera este ano ultrapassar os 1200 alunos internacionais, sendo que alguns ainda não chegaram. Do Ceará veio Jayne Morais que está a gostar da cidade, do Instituto Politécnico e sobretudo das praxes. “Lá não temos esse costume, são só brincadeiras educativas mas que não duram mais de uma semana. Aqui é mais cultural e competitivo entre as escolas, é interessante”, considera a estudante. Já Fabio Hordini veio da região de Andalucia, em Espanha. Após ter pesquisado sobre várias cidades do país, escolheu Bragança pela proximidade com Espanha e pelas condições que proporciona aos estudantes. “Fiz uma pesquisa de vários locais em Portugal e gostei de Bragança porque é bastante bonita, tem cerca de 30 mil habitantes, dos quais cerca de 8 mil estudantes, por isso tem muita vida e gostei deste tipo de cidade”, conta o jovem.
O presidente da Associação Académica do IPB, Ricardo Pinto acredita que a melhor forma de dar as boas vindas aos novos alunos continua a ser através das praxes, e frisa que em Bragança sempre tiveram como principal objectivo a integração.“ Nós achamos que a praxe que é praticada ao longo dos anos em Bragança é uma praxe de integração, por isso decidimos não mudar nada porque já praticávamos uma boa praxe”, realça o representante dos estudantes.
O IPB deu as boas vindas, ontem aos novos alunos do primeiro ano das licenciaturas, dos Cursos de Especialização Tecnológica e aos alunos internacionais.

Publicado em ‘Rádio Brigantia‘.