Há sete cursos nacionais entre os 50 melhores do mundo das suas áreas

Tecnologia alimentar e electrotecnia são as especialidades em que Portugal mais se destaca. Universidades de Lisboa, Porto e Coimbra e o Politécnico de Bragança estão no topo do ranking de Xangai por disciplinas.

A Universidade do Porto e o Politécnico de Bragança são duas das 50 melhores instituições do mundo na área da tecnologia alimentar, o mesmo acontecendo com as universidades de Lisboa e Coimbra na electrotecnia. Portugal tem um total de sete cursos entre os 50 melhores nas respectivas áreas científicas, de acordo com o ranking de Xangai por disciplinas, que foi divulgado na madrugada desta terça-feira.
A melhor classificação portuguesa é conseguida na área de Engenharia Marítima, na qual a Universidade de Lisboa (UL) fica em 4.º lugar a nível mundial (desce uma posição face ao ano passado), fruto do trabalho feito pela Engenharia Naval do Instituto Superior Técnico (IST). É também desta faculdade da UL o mais bem colocado curso de engenharia civil nacional, classificado como o 45.º melhor do mundo no ranking de Xangai.
Três instituições de ensino portuguesas entre as 50 melhores do mundo nas suas áreas científicas.
O IST está também em destaque na electrotecnia – área que no ranking chinês aparece identificada como detecção remota. É o 10.º colocado a nível internacional. No lugar imediatamente a seguir surge a Universidade de Coimbra, que no ano passado não aparecia nesta lista.
A Electrotecnia é uma das duas áreas em que as instituições de ensino superior nacionais conseguem colocar dois representantes entre os 50 melhores do mundo no ranking de Xangai. A outra especialidade é a tecnologia alimentar, na qual a Universidade do Porto é a 12.ª melhor a nível internacional (piorou um posto face ao ano passado) e o Instituto Politécnico de Bragança aparece em 33.º lugar – era o 50.º há um ano.
Portugal tem ainda um outro curso entre os 50 melhores na sua área: o de Engenharia Química da Universidade do Porto, que é 41.º a nível mundial.
O ranking de Xangai, o mais antigo e prestigiado do mundo, lista até 500 instituições em cada uma das 52 disciplinas avaliadas. Nesta tabela mais alargada há um total de 187 cursos de instituições nacionais, o que significa mais 49 do que no ano passado.
Ao todo estão representadas 15 instituições de ensino portuguesas, das quais 12 são universidades públicas. De resto, entre as universidades, apenas a da Madeira não consegue entrar em pelo menos uma destas listas dos 500 melhores do mundo em cada área. O Instituto Politécnico de Bragança é a única instituição politécnica. No sector privado, a Universidade Católica e o ISPA, sediado em Lisboa, cumprem os critérios do ranking chinês.
No ranking de Xangai por disciplinas surgem mais de 1400 universidades de 80 países. A edição de 2018 mantém a metodologia de anos anteriores, baseando-se em indicadores de produtividade científica e qualidade da investigação. No final da semana, a publicação britânica Times Higher Education (THE) editou pela primeira vez um ranking exclusivamente centrado na avaliação da qualidade do ensino nas universidades europeias. Na lista, que é liderada pela Universidade de Oxford, do Reino Unido, há três instituições portuguesas entre as 50 melhores do continente: a Universidade de Lisboa, que é 28.ª colocada, a Universidade do Porto (43.ª) e a Universidade do Minho, que fecha o top 50.

Publicado por: “Público”

Bragança tem o melhor politécnico do país

Cravado no interior transmontano, emerge uma pérola do Ensino Superior português. O Instituto Politécnico de Bragança tem vindo a consolidar-se como o melhor politécnico do país. São vários os indicadores que assim o demonstram, em vários rankings internacionais. O mais relevante é o U-Multirank (www.u-multirank.eu), cuja quarta edição volta a considerar o Instituto Politécnico de Bragança como o melhor Instituto Politécnico em Portugal. O U-Multirank é um ranking promovido e financiado pela União Europeia, tendo a edição de 2017 avaliado e seriado cerca de 1500 Instituições de Ensino Superior de 99 países de todo o mundo. De acordo com a metodologia do ranking, as instituições são avaliadas através de 35 indicadores, agrupados em cinco áreas de intervenção: ensino, investigação, transferência de conhecimento, internacionalização e envolvimento regional. O ranking das instituições é estabelecido de acordo com o número de classificações com a pontuação máxima (categoria A) nos 35 indicadores avaliados. O Instituto Politécnico de Bragança ocupa, desde o início do ranking U-Multirank e pelo quarto ano consecutivo, a primeira posição entre todos os Institutos Politécnicos em Portugal, tendo obtido, em 2017, a terceira posição a nível nacional. As pontuações máximas obtidas são o resultado da experiência acumulada e comprovada do IPB, nomeadamente, no impacto e excelência da sua produção científica e investigação aplicada, na mobilidade internacional de estudantes e no envolvimento com a sua Região. No campo da investigação, o IPB é a única instituição de ensino superior portuguesa a apresentar a classificação máxima “A” nos itens “Citation rate” (que mede o número médio de citações às publicações científicas da instituição) e “Top cited publications” (que mede a proporção das publicações científicas da instituição no grupo das 10% de publicações mais citadas em cada área em todo mundo). Estes resultados confirmam a excelência do impacto da investigação efetuada no IPB, a qual tem merecido igual destaque no Scimago Institutions Rankings (www.scimagoir.com). O SCImago Research Group é um grupo de investigação que se dedica à análise e à avaliação da informação mantida em grandes bases de dados científicas (SCOPUS). O ranking SIR tem por objetivo avaliar a atividade de investigação, com impacto a nível mundial, tomando como referência as publicações científicas das instituições e o número de citações recebidas. Este novo ranking, que mede a taxa de excelência em várias áreas, elaborado por uma das mais conceituadas empresas do género, considerou o IPB a melhor instituição portuguesa de Ensino Superior em quatro áreas: Impacto Tecnológico, Excelência, Excelência com Liderança e Impacto Normalizado.
Investigação de excelência reconhecida internacionalmente
A investigação feita no Instituto Politécnico de Bragança anda pelas bocas do mundo. Outro ranking internacional, elaborado pela Thomson, veio, mais uma vez, aferir a qualidade individual dos investigadores desta instituição de ensino superior do Nordeste Transmontano. Se em 2015 cinco investigadores portugueses estavam entre os mais citados em todo o mundo, em 2016 Portugal colocou seis investigadores neste ranking, e dois deles são do IPB. Aliás, duas, pois a Isabel Ferreira juntou-se Lilian Barros, também investigadora da área alimentar.
Investigação de excelência reconhecida internacionalmente
“Isto significa que a ciência que estamos a fazer tem impacto a nível mundial, é muito lida e reconhecida pelos nossos pares”, explicava Isabel Ferreira ao Mensageiro, apontando o segredo do sucesso. “Soubemos antever onde poderia estar a ciência de maior impacto mundial e conseguimos antecipar-nos aos outros investigadores, marcar uma posição e aproveitar a oportunidade”, frisou a investigadora do centro de Investigação de Montanha.
Também na área desportiva a investigação desenvolvida no Nordeste Transmontano tem dado cartas. O departamento de Ciências do Desporto do Instituto Politécnico de Bragança integra, este ano, e pela primeira vez, o ranking de Xangai, um dos vários rankings mundiais que medem a produtividade académica.
Em Portugal, o IPB é mesmo o único politécnico a constar da lista de 300 instituições. O ShanghaiRanking’s Global Ranking of Sport Science Schools and Departments, foi divulgado recentemente pelo Center for World-Class Universities da Universidade Jiao Tong de Xangai. Esta lista congrega os trabalhos publicados nos últimos cinco anos (entre 2011 e 2016) e o número de vezes que são citados por outros investigadores.

 

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

Vêm aí as candidaturas ao superior. Os rankings ajudam a escolher?

As listas internacionais são mais valorizadas pelos alunos que admitem estudar no estrangeiro. Mas mesmo quem quer escolher uma universidade em Portugal pode retirar informação útil. Por exemplo, quais são as que têm mais prestígio?
Terminada a 1.ª fase dos exames nacionais do ensino secundário, as atenções dos alunos começam a voltar-se para o ensino superior. O concurso nacional de acesso começa a 19 de julho. Os rankings internacionais de universidades, muitos dos quais divulgados mais ou menos nesta altura, podem ajudar a tomar uma decisão sobre que caminho tomar. A questão é saber como lê-los.
Rankings como o que é feito pela Universidade de Leiden, por exemplo, publicado em Maio, baseiam-se exclusivamente em indicadores de produtividade científica. O de Xangai – que nesta quarta-feira publicou a sua lista por disciplina, onde Portugal tem 14 instituições representadas – também>valoriza, sobretudo, este tipo de indicadores. Isto importa a estudantes que procuram uma licenciatura?
Sim, acredita o reitor da Universidade de Lisboa, António Cruz Serra, uma vez que a qualidade da investigação se transfere para dentro das salas de aulas: “Só ensina bem quem sabe bem aquilo que ensina. E para isso é preciso fazer boa investigação.”
Outro aspeto que os alunos devem valorizar quando leem um ranking destes são os indicadores de reputação. O ranking de Xangai, que começou a ser publicado em 2003 pela Universidade Jiao Tong de Xangai, tem em conta por exemplo os grandes prémios académicos recebidos por professores e investigadores de cada instituição e os artigos publicados em revistas científicas de renome.
Já a lista da publicação especializada britânica Times Higher Education (THE) toma em consideração a opinião de empregadores sobre os diplomados e mede a perceção da qualidade de cada instituição através de entrevistas. “Muitas famílias olham, sobretudo, para o prestígio das instituições na hora de escolherem. Isso está refletido nos rankings”, sustenta o investigador da Universidade Aberta João Caetano, que é especialista nestas listas de comparação internacional.
João Caetano reconhece que o prestígio não é o critério essencial que preside à escolha de um curso superior pela maior parte dos alunos. Sobretudo entre as famílias de classes sociais mais baixas, o mais determinante é a proximidade da instituição, por motivos que têm a ver com os custos de uma estadia longe de casa.
Apenas as famílias de estratos sociais mais elevados “fazem um outro juízo sobre as escolas”, considera. “Para essas não há problema nenhum em enviar um filho para os Estados Unidos ou para o Reino Unido e aí os rankings já são fundamentais.”
Os rankings são também “determinantes” para a atração de alunos internacionais, considera o presidente do Instituto Politécnico de Bragança, João Sobrinho Teixeira, mas “a nível nacional o impacto não é tão forte”, pelo menos para já. “Existe um estigma social muito forte sobre a interioridade e os institutos politécnicos que é extremamente penalizante”, lamenta o responsável de um instituto que, apesar da interioridade, está presente no ranking de Xangai por disciplinas na área de Tecnologia Alimentar e consta também da lista de Leiden.
O “estigma” que Sobrinho Teixeira diz pesar sobre a instituição transmontana cria uma situação paradoxal no politécnico, que é um estabelecimento relativamente pequeno, com cerca de 6000 estudantes nacionais, mas que tem 1500 alunos internacionais inscritos. É a percentagem de estrangeiros mais elevada de todo o sistema de ensino superior nacional: 20%. A expectativa de Sobrinho Teixeira é que quem anda nesta altura a estudar hipóteses de percurso académico considere o reconhecimento internacional que a instituição de Bragança tem.
Para os alunos portugueses, o momento da escolha no 12.º ano aproxima-se. Os resultados da 1.ª fase dos exames nacionais do ensino secundário são divulgados no dia 13 de julho. Seis dias depois começa a 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior. Os estudantes podem candidatar-se até 8 de agosto.
Os resultados serão conhecidos a 11 de Setembro, mas para os que queiram ingressar num curso de uma universidade ou politécnico há mais duas oportunidades: a 2.ª fase, que vai de 11 a 22 de Setembro, e a 3.ª, que se estende de 4 a 9 de outubro.
Olhando para os rankings internacionais, há um grupo de seis instituições com lugar cativo em todas as principais listas: as universidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Minho e Nova de Lisboa.
A estas juntam-se outras instituições com uma presença mais esporádica, como o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, a Universidade da Beira Interior, o Instituto Politécnico de Bragança e a Universidade Católica, que é a única instituição particular que aparece habitualmente nos rankings internacionais — em particular na área de gestão de negócios.
O cenário tem, de resto, vindo a melhorar em particular nos dois últimos anos. Por exemplo, as universidades de Aveiro e do Minho entraram no ranking de Xangai no ano passado e na última edição da lista Quacquarelli Symonds (feita por uma companhia britânica), publicada no início deste mês.
Também a Universidade da Beira Interior e o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa surgiram na nova edição do ranking de universidades jovens publicado, em Abril, pelo Times Higher Education.
“Tem havido uma grande melhoria”, assinala João Caetano. As principais universidades nacionais tomaram a opção de se assumirem como “universidades globais” e para isso “passaram a jogar com as regras globais”, analisa o investigador da Universidade Aberta. Por isso, e apesar de todas as dificuldades financeiras pelas quais passaram, houve “uma grande preocupação em corrigir os seus problemas”. Os rankings também refletem isso.

Publicado em: “Público”