Premium Bragança: “Afinal, os estrangeiros são a melhor coisa que nos podia ter acontecido”

Há 15 anos, o Manifesto das Mães de Bragança pôs a cidade nas bocas do mundo, quando um grupo de mulheres exigiu a expulsão das brasileiras que lhes “roubavam os maridos”. Agora, um Politécnico onde estudam alunos de 70 nacionalidades está a transformar a povoação transmontana numa das mais cosmopolitas e multiculturais do país.

Quando vais ao Google e começas a pesquisar a cidade, o caso das Mães de Bragança aparece sempre nas primeiras páginas. E, quando lês aquilo, assustas-te”, diz Rúbia Corrêa, 32, que é natural do Paraná e se mudou para Trás-os-Montes em 2015. É mulher e brasileira, como os alvos da fúria do manifesto de 2003. “Mas depois chegas e percebes que não há qualquer razão para ter medo. Antes pelo contrário, é uma cidade que está repleta de estrangeiros. E de estrangeiros bem acolhidos, como eu.”
Os seus planos, aliás, são para ficar muitos anos. Rúbia veio do Brasil com um doutoramento no bolso para fazer investigação no Centro de Investigação da Montanha. “É uma das mais reputadas instituições mundiais na área agroalimentar. Tem uma equipa de topo a nível global e foi por isso que vim.” Nunca, por mais duro que seja mudar de país, se arrependeu da sua decisão.
Quem hoje atravessa Bragança dificilmente reconhece a cidade que há 15 convocou para si atenções globais – sobretudo depois de a revista Time ter colocado na capa uma fotografia de uma prostituta brasileira no centro da cidade com a manchete”Europe’s new Redlight District”. Bragança, aos olhos do mundo, tinha-se tornado um novo centro de comércio sexual. E isso causou a fúria de um grupo de mulheres, que acusavam as brasileiras de lhes roubarem os maridos – as Mães de Bragança.
Há dois anos, aliás, o sociólogo José Machado Pais estudou este tema no livro Enredos Sexuais, Tradição e Mudança. “Aos olhos locais, o perigo vinha de fora”, diria o investigador do Instituto de Ciências Sociais numa entrevista ao DN em 2016. “Os maridos traidores foram poupados, diria mesmo desculpabilizados. As imigrantes brasileiras apareceram então como o bode expiatório.” Nos meses seguintes, uma série de rusgas policiais encerraria quase todas as casas de alterne e expulsaria muitas mulheres da cidade. A ameaça moral que vinha de fora era assim eliminada.
Hoje, no entanto, circulam pela cidade grupos de todas as etnias, as casas de uma terra cada vez mais envelhecida enchem-se de novos sotaques, criam-se negócios para receber toda esta gente que vem de fora. “Os estrangeiros são afinal a melhor coisa que nos podia ter acontecido e os brigantinos sabem-no hoje bem”, diz Hernâni Dias, presidente da câmara municipal. “Estão a revelar-se um novo motor de desenvolvimento e estão a compensar muitas falhas causadas pelo despovoamento que a nossa região sofre. “Em muitos casos, garante o autarca, passaram até a ser o orgulho da cidade.
A equipa com que Rúbia trabalha, por exemplo, estuda exaustivamente plantas e cogumelos na serra de Montesinho e encontra aplicações para a sua utilização na indústria alimentar – criando, nomeadamente, corantes e conservantes naturais. Isso vale que o Politécnico da cidade esteja entre os 50 mais reputados no mundo na área da biotecnologia alimentar, segundo o ranking de Xangai. “Todos os habitantes de Bragança sabem isso. Se alguém ousar olhar-me de alto a baixo, se alguém comentar com desdém a minha nacionalidade, eu arranjo maneira de explicar o que faço. E, nesse momento, troco qualquer possibilidade de discriminação por admiração.” Mulher, brasileira – e uma honra para Bragança.
O foco mediático de 2003 marcou a povoação transmontana. A maioria dos brigantinos acha ainda hoje que houve uma generalização injusta da população. “Eu sou de cá, vivia cá na cidade, e nunca me tinha apercebido de grande coisa naquela época”, conta a cientista Isabel Ferreira, diretora do Centro de Investigação da Montanha. “Aquele manifesto foi assinado por duas ou três pessoas, mas subitamente parecia que éramos todos discriminatórios para os estrangeiros.”
O presidente da câmara concorda. “Foi um exagero, Bragança não era diferente de outras cidades do país que tinham igualmente casas de alterne e com luzes vermelhas. O que o caso das Mães de Bragança realmente causou foi que hoje, ao contrário do resto do país, deixámos de ter estes estabelecimentos.” De facto, quem percorre hoje os cenários que há 15 anos foram de polémica – casas de alterne e “cafés de cima”, com porta para a rua mas instalados nos primeiros pisos dos edifícios – encontra hoje lojas renovadas e cafés onde se vendem muffins, crepes, cappuccini. Ou bares de estudantes onde se ouve música do mundo inteiro.
A revolução de Bragança começou em 2012, e um largo consenso entre as autoridades locais e os habitantes da cidade diz que a culpa é do Instituto Politécnico de Bragança (IPB). Não há hoje em Portugal nenhum estabelecimento de ensino superior mais internacional no país do que este. Um terço dos seus 7500 alunos são estrangeiros e provêm de 70 nacionalidades. As maiores comunidades estudantis são de Cabo Verde e do Brasil, mas aqui também estudam turcomanos e canadianos, etíopes e sul-coreanos, sauditas, colombianos, cazaques, argelinos, peruanos, guatemaltecos.
“Quando aqui cheguei, lembro-me de comentar muitas vezes que aqui não se via um único africano nas ruas”, conta Lilian Barros, que juntamente com Isabel Ferreira foi nomeada uma das mais proeminentes cientistas agroalimentares do mundo pela agência de indexação Thomson Reuters. Nasceu no Porto, veio estudar para a cidade em 1998 e foi ficando. “Hoje, se pensarmos em escala, há muito mais gente de pele negra em Bragança do que no Porto.”
Foi precisamente a falta de alunos que obrigou o IPB a ir procurá-los fora. “Quem não tem cão caça com gato”, diz Orlando Rodrigues, presidente da instituição. “Quando começámos a perceber que a falta de crianças na região nos iria obrigar a abandonar cursos e reduzir a investigação, tivemos de criar uma alternativa que mantivesse o IPB relevante. Acho que a missão foi cumprida, tendo em conta que há cinco anos somos considerados pela Comissão Europeia o melhor politécnico do país.”
Em junho, o Diário de Trás-os-Montes noticiava um número alarmante. De uma população escolar a frequentar o ensino básico e secundário de 7028 alunos em 2011, Bragança não tinha mais de 3944 no ano passado. Uma quebra de 44% em seis anos. “Quando nascemos, em 1983, os nossos alunos eram essencialmente da região. Hoje, um terço vem do distrito, outro terço da região Norte e quase outro é estrangeiro”, explicam os vice-presidentes da instituição, Albano Alves e Anabela Martins.
Há três licenciaturas e cinco mestrados lecionados exclusivamente em inglês. As cantinas não servem vaca e porco nos mesmos dias, para que toda a gente possa manter os seus hábitos alimentares. A antiga casa dos caseiros da Quinta de Santa Apolónia, onde está hoje instalado o campus universitário, foi convertida em centro intercultural e acolhe orações de diferentes religiões. As bibliotecas estão equipadas com traduções dos principais livros.
Por ano, há cerca de 20 viagens não científicas da direção do politécnico ao estrangeiro. “Vamos em comissões de dois visitar feiras, escolas secundárias e liceus, universidades. Celebramos protocolos e convidamos os alunos para virem estudar para cá”, explica Anabela Martins. “Estas iniciativas começaram em 2012, mas de há dois anos para cá começámos mesmo a colher os frutos e o número de alunos estrangeiros explodiu.” A improvável Bragança, assim, tornou-se cosmopolita.
Às quintas-feiras, depois dos treinos dos iniciados do clube local, sobe ao campo a equipa da Associação dos Estudantes Africanos de Bragança (AEAB). Às oito da noite, há uma série de pais que vêm buscar os filhos ao campo sintético do Politécnico e quase todos ficam ali uns minutos à conversa com os adolescentes de pele negra que esperam pela sua vez. “Bom jogo no domingo”, atiram a Alex. E Alex responde, num sotaque cabo-verdiano mas já com expressões transmontanas: “Ainda ireis ver-me no Benfica.”
São na maioria cabo-verdianos, mas também há brasileiros, guineenses, são-tomenses e um português. “Somos uma equipa da CPLP”, diz na brincadeira o treinador Óscar Monteiro, que nasceu no Mindelo e chegou a Bragança em 2012 – foi um dos primeiros a vir estudar para o Politécnico. “E as pessoas aqui gostam da nossa equipa, vêm aos jogos e apoiam-nos. Os clubes da região, no fim do ano, vêm sempre cá buscar os melhores talentos. Por ano, sai sempre uma dúzia para os campeonatos nacionais.”
A AEAB milita na primeira divisão distrital. Foram vice-campeões do campeonato em 2016 e no ano passado perderam a final da Taça. “O nosso principal problema é a adaptação ao clima”, diz o treinador. “Quando está calor ninguém nos para e todos sonhamos com a subida. Mas depois vem o frio e malta começa a ficar com anginas, com gripe, com febre e vamos abaixo.”
A estrela da companhia é Alex Soares, tem 22 anos, veio da ilha do Sal. Estuda música no Politécnico, e tem três paixões na vida: “a bola, a guitarra e o surf, mas esse fica difícil de praticar aqui.” Bragança já é casa e o rapaz diz que a cidade sabe acolher, “tem morabeza“. “Os transmontanos têm curiosidade pela tua cultura e também gostam de mostrar a deles. Ao fim de semana fazem cachupa aí num restaurante da cidade. E, quando eu convido os meus amigos portugueses, eles passado uns dias levam-me a comer a feijoada daqui.” Para ele não há dúvidas: se puder, ficará cá a viver, mesmo que isso signifique reformar a prancha de surf.
Muitos ficam, e ajudam a explicar porque é que nos últimos anos Bragança é o distrito do país onde mais cresce a taxa de residentes estrangeiros, segundo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Os sinais dessa multiculturalidade veem-se um pouco por toda a parte, como nesta equipa de futebol. Mas aqui também se instalou a sede da Associação dos Estudantes e Pesquisadores Brasileiros em Portugal, que tem sede num antigo edifício do centro da cidade. Organizam aulas de capoeira e bailes de forró.
Os bombeiros recebem voluntários de Cabo Verde e do Brasil. Os artigos científicos que colocam agora a cidade no mundo são assinados por apelidos estranhos. A partir do próximo mês haverá aulas de mandarim na escola secundária, porque Qi Zheng, que aqui todos tratam por Júlia, as vai lecionar. Tem 28 anos, é tradutora e intérprete de português na ilha de Zuhai, perto de Macau. “Vim para aqui especializar-me, porque há muitas empresas chinesas a quererem investir no mundo lusófono e precisam de quem fale a língua.”
Júlia era intérprete numa empresa automóvel com fábrica em Porto Alegre, no Brasil, agora decidiu dar aulas de português na universidade do lugar onde nasceu e o número de inscrições não para de aumentar. “Os negócios da eletricidade em Portugal, da construção civil em Angola ou da indústria automóvel no Brasil precisam de muita gente que fale a língua.” Ela veio para Bragança para aprofundar os seus conhecimentos. “Mas, se ensinar chinês aqui, vai haver mais gente a poder conversar. E a fazer mais negócios.”
A avenida Sá Carneiro é a mais cosmopolita de Bragança. Liga o centro histórico ao Politécnico e é daqui que se percebe toda a diversidade cultural que tomou conta da terra transmontana. Há restaurantes que oferecem menus internacionais, lojas de produtos informáticos que antes não teriam a mesma clientela, a semana passada abriu um McDonald”s que tem estado à pinha até às duas da manhã.
Mesmo no meio da estrada fica o Namasté Bragança, primeiro restaurante de comida nepalesa e indiana da cidade. Abriu portas em fevereiro e os donos tiveram de escalar os sabores em três categorias, para adaptá-los ao paladar local: doce, picante ou muito picante. 80% da clientela é portuguesa, o restante são universitários de países asiáticos e anglófonos, na maioria. Mas a verdadeira história que este sítio carrega é a de Saurabh Poudel, 20 anos.
O rapaz é aluno do terceiro ano de engenharia informática e rumou a Trás-os-Montes depois de viver um ano no bairro do Intendente, em Lisboa. “O meu pai trabalhava numa loja da capital e conseguiu trazer-me para aqui através do programa de reunificação familiar. E eu vim sozinho para Bragança. Quando cheguei aqui, apaixonei-me imediatamente pela cidade. E pensei: é aqui que a minha família tem de viver.”
Saurabh tinha uma amiga da mesma idade, da mesma nacionalidade, que também viera para o Nordeste. “E se trouxéssemos para cá as nossas famílias e eles abrissem aqui um restaurante”, propôs-lhe. Durante um ano, andaram os dois a convencer os pais a abrir aqui negócio. E, no início de 2018, a coisa deu-se. “Os nossos pais vieram cá, alugaram uma casa para vivermos e outra para fazermos o restaurante.” As coisas têm corrido bem, às vezes há fila à porta para comer caril e pastéis de momo. “E agora os nossos irmãos mais novos entraram nas escolas de cá e isto será sempre casa. Sou do Nepal, sim, mas sou de Bragança.”
Acolher milhares de estrangeiros significa inevitavelmente isto, um fomento do negócio. Na incubadora do IPB, por exemplo, nasceram duas empresas onde 99% da clientela é estrangeira – e não param de crescer. A mais antiga nasceu em 2012 com a chegada dos primeiros estudantes internacionais. Chama-se Risky Vector, tem uma dezena de funcionários e o que faz é alugar casas que estão ao abandono, recuperá-las e equipa-las para receber os alunos que vêm de outros países.
“Neste momento temos 90 apartamentos e mais de 400 inquilinos”, diz Vítor Laranjeira, o proprietário. “Depois de anos em que Bragança se tornou uma cidade de casas vazias, hoje torna-se cada vez mais difícil arranjar onde acolher esta gente toda.” Nenhuma das habitações é propriedade da empresa, são maioritariamente de emigrantes que estão fora, ou de famílias que viram os filhos partir para o litoral.
Um quarto individual custa 130 euros, um duplo fica a 100 por pessoa. A internet está incluída. “Tentamos sempre que um apartamento tenha o máximo de diversidade de nacionalidades possível, para que haja convívio.” Numa casa da Avenida Sá Carneiro, por exemplo, uma polaca partilha casa com uma georgiana, um brasileiro e dois paquistaneses. E todos estão a adorar a experiência, principalmente à hora das refeições. “Tentamos mostrar as nossas culturas uns aos outros e não há melhor forma de fazer isso do que à mesa”, explica Kazim Ahmad, do Paquistão. “Mesmo que as casas aqui sejam estranhas, hás de explicar-me porque é que vocês em Portugal fazem a cozinha num sítio e a sala noutro.”
Em Bragança nasceu também a Student Traveller, uma agência de viagens especializada em estudantes internacionais. Começou a funcionar em 2013. No ano seguinte compraram o primeiro autocarro – hoje têm três. “A maior parte das viagens que organizamos são ao Algarve. Saímos quinta à noite e voltamos segunda antes das aulas começarem”, explicam o português Dário Couto e a ucraniana Khrystyna Nykolaychuk, que todos os dias recebem no seu escritório em Bragança “miúdos que vieram para aqui estudar e nos tempos livres têm sede de se fazerem à estrada”.
Dez dias em Marrocos ou 23 a viajar pela Europa de autocarro são outros dos programas que oferecem, e para todos esgotam a lotação. “A ideia revelou-se um sucesso tão grande nos últimos anos que expandimo-nos para outras cidades universitárias”, explica Dário. Agora a empresa, cuja sede continua a ser em Bragança, opera também a partir de Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria e Lisboa. “E, desde o ano passado, internacionalizámos a companhia e estamos a sair de Salamanca, Valladolid, León, Corunha e Vigo. Por ano, vendemos dez mil viagens. Agora vamos contratar motoristas. Não vai ser difícil, o negócio da camionagem anda há anos em recessão.”
Anna Kattel, 22, gostava mesmo era que houvesse uma viagem até à Estónia, mas a Student Travellers, por enquanto, só tem roteiros até à Polónia. “Seria espetacular, aparecer um dia em casa da minha família de surpresa”, ri-se. É alta, loira, mais uma lufada de ar fresco na imagem de diversidade da cidade. Há dias contaram-lhe o caso do Manifesto das Mães de Bragança, e ela ficou muito espantada.”Bragança é muito pequena, mas ao mesmo tempo é tão acolhedora que me custa acreditar que um dia houve aqui estrangeiros que não foram bem recebidos.”
Veio para Trás-os-Montes pela qualidade de ensino de Biotecnologia e até aqui chegar acreditava que o sítio onde podia ser mais feliz era dentro de um laboratório. “Mas depois começas a sair em Bragança e vês africanos que estão sempre a cantar, indianos que querem saber coisas da tua terra, brasileiros que fazem festa em toda a parte. É uma espécie de Babel minúscula. E sabes, eu sinto-me mesmo bem aqui.” Isso explica muito bem o que aconteceu em 15 anos. É como se as postas de vitela, prato típico da região, pudessem vir agora acompanhadas de feijão preto.

Publicado por: “Diário de Notícias”

Sobrinho Teixeira nomeado Secretario de Estado

O ex Presidente do Politécnico de Bragança, Sobrinho Teixeira, nomeado secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior no âmbito a renovação governamental em curso.
A sua passagem como presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos – CCISP de Dezembro de 2008 a Janeiro de 2013 não terá passado despercebida ao atual ministro de quem é amigo pessoal, onde desenvolveu um excelente trabalho reconhecido pelos pares.
João Sobrinho Teixeira é licenciado em Engenharia Química pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e doutor em Engenharia química pela mesma Universidade.
De dezembro de 2008 a janeiro de 2013 foi presidete do conselho coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos – CCISP.
De janeiro de 2011 a janeiro de 2013 integrou a direção da European Network for Universities of Applied Sciences – UASNet.
Desde setembro de 2014 integra o Conselho de Administração da AULP (Associação das Universidades de Língua Portuguesa).
Foi presidente do Instituto Politécnico de Bragança, nos últimos oito anos, “durante os quais desenvolveu a capacidade científica em Bragança e a relação com países lusófonos de forma inédita em Portugal, levando o Politécnico do País.
A posse dos Secretários de Estado ocorrerá no dia 17 de outubro, pelas 11h00, no Palácio de Belém.

Publicado por: “Diário de Trás-os-Montes”

IPB atrai estagiários de todo o país para aprenderem a ser CSI

Cerca de 80 jovens alunos do secundário de todo o país vieram passar esta semana a Bragança para estagiar no Instituto Politécnico. Trata-se de um programa de verão, que vai já na décima edição e que, todos os anos, atrai dezenas de estudantes que aproveitam para conhecer, antecipadamente, o cenário com que se vão deparar quando entrarem para o Ensino Superior. “É uma semana em que os jovens têm a possibilidade de vir até ao Instituto Politécnico de Bragança, exercer um estágio na área que lhes interessa. Este ano registamos um recorde no número de estágios, com mais de 50 opções, das engenharias às biologias, ciências agrárias, da saúde, turismo, multimédia, desporto, artes. Os alunos têm oportunidade de terem atividade no domínio que escolherem e atividades culturais e lúdicas”, explicou Anabela Martins, pró-presidente e responsável por este programa, que é “inteiramente gratuito”. “Disponibilizamos o alojamento nas residências e almoço e jantar na cantina”, frisou. Lurdes Jorge é uma das docentes encarregues de orientar um estágio. Acredita que as séries de televisão como o CSI influenciam os jovens. “O meu estágio é de biologia molecular.
O objetivo é conhecerem o ADN. Saberem o que é, como se extrai e saber os processos todos. É um assunto que lhes interessa e por isso é mais fácil”, explica. O interesse surge “por causa das séries, dos CSI”. Este ano, o facto de as notas dos exames de 12º terem saído nesta semana levou a que alguns alunos desistissem por terem de ir à segunda chamada.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

Governo dá luz verde a doutoramentos nos politécnicos

Quatro meses depois de o Governo ter aberto a porta aos doutoramentos no Ensino Superior Politécnico, o Conselho de Ministros aprovou, esta quinta-feira, as regras para que tal venha a acontecer.
Uma delas exige aos politécnicos fazerem prova de produção científica na área em querem ter doutoramentos. O Parlamento tem agora a última palavra.
Os politécnicos viram ser dado mais um passo no sentido de virem a atribuir doutoramentos, pelo qual se têm batido há vários anos e que continua a ser um exclusivo das universidades. O Conselho de Ministros aprovou, esta quinta-feira, um pacote de medidas para a modernização do Ensino Superior, onde se inclui tal desbloqueio com uma nova Lei de Graus e Diplomas.
Ainda assim, esta alteração não é imediata e depende do Parlamento, já que exige mexidas no Regime Jurídico das Instituições de Ensino.
De acordo com informação disponibilizada pelo Ministério do Ensino Superior ao JN, o documento surge “na sequência da apresentação do relatório de avaliação da OCDE, no dia 9 de fevereiro, e após a discussão pública dos diplomas discutidos inicialmente a 15 de fevereiro”. A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico), com base na avaliação ao Ensino Superior e à produção científica portuguesa, havia proposto – entre outras medidas – esta alteração.
A Lei de Graus e Diplomas aprovada esta quinta-feira, já havia sido apresentada a 16 de fevereiro, pelo ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, após o Conselho de Ministros, tendo estado em discussão pública até agora.
Os doutoramentos atribuídos pelos politécnicos dependerão, refere o texto da iniciativa legislativa, se as instituições tiverem unidades de investigação científica “com nota mínima de Muito Bom”. “Fazer depender a acreditação de ciclos de estudos conducentes ao grau de doutor da avaliação institucional” da unidade de investigação e “não do subsistema em que a instituição se integra”.

Publicado em: “Jornal de Notícias”

Politécnico de Bragança é o que mais capta alunos do ensino profissional no país

O Instituto Politécnico de Bragança é a instituição de ensino superior que mais alunos do ensino profissional capta no país.
Segundo dados de um relatório da Direcção-geral de Estatísticas da Educação e Ciência, relativos a 2015/2016, e agora divulgado há uma baixa percentagem de diplomados do ensino profissional que prossegue estudos no ensino superior, rondando uma média de 16 % no país, mas o distrito Bragança contraria esta tendência e chega aos 32% de alunos que continuam a estudar, após a conclusão do 12.º ano, quase todos no IPB.
O presidente do Politécnico de Bragança, Sobrinho Teixeira, destaca a importância destes dados para a qualificação dos jovens na região. “No global 32% dos alunos que finalizam o ensino profissional prosseguem estudos no distrito de Bragança sendo que 4% vão directamente para licenciaturas e 28% para os CTESP (Curso Técnico Superior Profissional) e esta é a maior percentagem em todos os distritos e situações a nível do país e por isso também recebemos os parabéns do Ministro da Ciência e Ensino Superior por este trabalho. Não estamos só a falar de mais alunos estamos a falar de valorizar e qualificar a nossa população”, destacou.
O responsável da instituição de ensino superior considera que estes indicadores, acima da média nacional, se devem à valorização da formação por parte “das escolas e das famílias”.
Actualmente há cerca de 1000 alunos no IPB provenientes de cursos profissionais, mas Sobrinho Teixeira sublinha que o objectivo é aumentar este número. “Esperamos agora que este número vá aumentar, não só porque vamos fazer acções de divulgação e motivação, mas porque tem de aumentar, porque é aqui que há a grande possibilidade de crescer em população mais qualificada, e passar de 16% para um numero superior”, sustenta.
Para além destes cerca de mil alunos provenientes do distrito de Bragança, o IPB recebe ainda alunos do ensino profissional de outros distritos do país, como Vila Real, Porto e Braga.

Publicado por: “Rádio Brigantia”

Centro Ciência Viva de Bragança comemorou a Noite Europeia dos Investigadores

A ciência saiu à rua com a presença de vários investigadores do IPB que participaram em várias actividades
A 29 de Setembro, come­morou-se a Noite Europeia dos Investigadores e Bragan­ça foi uma das 18 localidades que, em todo o país, aderi­ram à iniciativa. A partir das 21 horas a ciência sai à rua para uma co­memoração que aproxima o cidadão dos investigadores. Ivone Fachada, do Centro de Ciência Viva de Bragança, explica que o programa in­cluiu vários workshops cien­tíficos, atividades laborato­riais e apresentação de projetos tecnológicos inovado­res.
“O tema geral são os re­cursos naturais endógenos e nós quisemos focalizar a in­vestigação aplicada que é de­senvolvida no Instituto Po­litécnico de Bragança, pelos seus investigadores, com a realização de workshops so­bre alimentação saudável e outro sobre tomilho silvestre na cosmética tradicional, pa­ra fazer um protetor labial e uma máscara facial caseira, jogos didáticos do grupo de investigação do BioChemCo­re do centro de Investigação de Montanha, tivemos tam­bém uma parte de degusta­ção de azeite e provas comen­tadas”, descreveu a responsá­vel. Houve ainda outras atividades para todas as idades, num ambiente descontraí­do, com atuação musical da Rauss Tuna, do IPB e a cria­ção de um espaço chill out na esplanada do CCVB, com a presença da loja de cerveja artesanal Hops N’ Beer. Ao longo da noite foi ainda pos­sível vera uma mostra digi­tal de fotografias e vídeos de paisagens naturais, da auto­ria do fotógrafo Pedro Rego.
Os curiosos dos 8 aos 80 puderam participar, no Centro de Ciência Viva de Bra­gança, nestas e noutras ini­ciativas para pôr as mãos na massa, a oportunidade de conversar com investigado­res, nomeadamente sobre a área das energias renováveis, sobre soluções inovadoras, entre elas um projeto na ca­sa da seda que vai ser a ins­talação de uma pico-hídrica no sentido de a tornar numa estrutura autossustentável e descobrir desafios que o fu­turo reserva.
O grande objetivo foi proporcionar, no Centro de Ciência Viva, um convívio informal com os investigado­res do Instituto Politécnico de Bragança, aproximando os cidadãos da comunidade científica. A Noite europeia dos investigadores é celebra da em Portugal sob a coorde­nação do consórcio FORESI­GHT, que é coordenado pela Ciência Viva – Agência Na­cional para a Cultura Cien­tífica e Tecnológica e tem co­mo parceiros o i3S – Institu­to de Investigação e Inovação em Saúde, o Instituto de Tec­nologia Química e Biológica (ITQB) e a Universidade de Coimbra.

Piblicado por: “Jornal Nordeste”

Mais notícias em: “Mensageiro de Bragança”

IPB com mais 36 por cento de novos alunos foi a instituição que mais cresceu em Portugal

O Instituto Politécnico de Bragança volta a colocar a região no topo das páginas dos jornais graças a mais um feito. Foi a instituição de ensino superior de Portugal que mais cresceu em termos de novos alunos na primeira fase de acesso. A expectativa é que o número total de estudantes se aproxime, pela primeira vez, dos oito mil, o que seria um marco histórico para o Nordeste Transmontano e para a economia de toda a região.
Face ao ano passado, entraram este ano mais 36 por cento dos alunos só nas licenciaturas, ou seja, são 711 novos alunos que foram colocados no IPB, contra os 523 que entraram no ano passado. Em 2015 tinham sido 598.
“E a instituição que registou a maior subida no número de colocados na 1ª fase, face a 2016, foi o Instituto de Bragança, “o mais longe possível de Lisboa”, sublinhou Manuel Heitor, Ministro do Ensino Superior, em declarações ao Expresso. “O ensino politécnico melhorou muito, sobretudo com os estímulos dados para a investigação e pela diversificação de opções, muito relacionadas com os mercados de trabalho e as dinâmicas locais”, disse o governante.

Surpresa pela positiva

Para o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, “os números surpreenderam pela positiva”. “Crescer 36 por cento de 2016 para 2017 foi muito bom. Até o próprio ministro anunciou que o IPB foi a instituição que mais cresceu”, enalteceu.
De acordo com o presidente do Instituto, “este crescimento baseia-se em três pilares. Um deles é muito importante, que é a avaliação do IPB nos rankings internacionais. Não têm a ver com estigmas que se possam criar a nível nacional mas são avaliações que têm a ver com factos concretos e entidades que estão habituadas a avaliar instituições em todo o mundo e esta recorrência de diversos rankings tem tido o seu retorno. Passa pela captura de alunos internacionais, que procuram verificar essa qualidade, mas a mensagem também está a passar a nível nacional”, explica.
“Outro dos pilares é a qualidade de vida da região e a segurança. A cidade tem respondido, as nossas forças de segurança têm sido inexcedíveis.
O terceiro pilar, que eu espero que continue, é a oferta de alojamento. Que seja uma oferta com qualidade, a um preço justo. Podíamos cobrar propinas mais altas mas optamos por não o fazer no âmbito de uma estratégia para a região”, aponta Sobrinho Teixeira, que vê “isto como uma missão para o desenvolvimento da própria região”.
Por isso, faz questão de “agradecer a todos os que estão a trabalhar para que isto aconteça”. “É uma grande demonstração que o interior vai ultrapassar as dificuldades”, acredita.

Matrículas com grande procura
Certo é que os primeiros dias após serem conhecidos os resultados das colocações, foram marcados pela grande procura dos serviços académicos para a formalização das matrículas.
“É a primeira vez que venho. Nota-se que tem um bom ambiente e que toda a gente gosta de cooperar. Já tinha ouvido falar no IPB”, admite Sofia Carvalho, que vem de Vila Real para o curso de Desporto, a sua primeira opção.
Andreia Rocha veio de Penafiel, também para Desporto, um dos cursos que já quase esgotou as vagas. Bragança foi a segunda opção mas não ficou nada desiludida. “Achei bem ter calhado aqui. Por um lado, queria vir para cá, para longe de casa. Já tinha ouvido falar do IPB. A primeira impressão é boa e a animação agradou-me”, contou ao Mensageiro, no posto de atendimento que a Associação Académica montou. “Às 8h30 já tínhamos muita gente à espera. Quando chegam, tiram uma foto para partilhar no facebook da associação académica. As diversas associações também os recebem e ambientam-nos. É uma receção calorosa, também com as tunas”, explica Ricardo Cordeiro, o presidente dos estudantes.
A conversa com o Mensageiro é interrompida porque entretanto chega Fátima Lima. Veio de Marco de Canaveses para Arte e Design. “Foi segunda opção. Desiludida? Não. Estou a gostar do ambiente. Já tinha ouvido falar muito do IPB. Alguns amigos meus estiveram aqui no ano passado e recomendaram, disseram que de certeza que iria gostar”, conta.

Mestrados e alunos estrangeiros dão contributo

Mas não são só os cursos de licenciatura que tiveram grande procura. “Começámos a seguir esta estratégia nos países africanos de expressão portuguesa. Só do Brasil tivemos mais de três centenas de candidaturas. De toda a América Latina, do sudeste asiático, da China, da Índia. Muitas candidaturas dos antigos países da União Soviética”, revela Sobrinho Teixeira, garantido que “há uma procura generalizada, não só nas licenciaturas mas também nos mestrados”.

Escola Ano
2017 2016 2015 Percentagem
Escola S. de Saúde 85 103 129 -17%
Escola S. Agrária 20 8 13 +150%
Escola S. Educação 219 159 175 +38%
Escola S. Tecnologia 184 124 130 +48%
Escola S. ACT 203 129 151 +57%
Total 711 523 598 +36%

Em sentido inverso, “há oito cursos com procura reduzida”. “Isso tem a ver com a perspetiva que existe de que a informação não circula no secundário. Os alunos vão muito por perceções e não pela realidade. Ainda fazem escolhas que deveriam ser mais baseadas em factos e não em perceções. Temos, por exemplo, os cursos de ciências agrárias, que têm pouca procura”, explica o presidente do IPB.
Mesmo assim, os números são animadores, pelo menos percentualmente. “Tivemos 20 alunos, um aumento de 150 por cento. Só tivemos oito no ano passado. Mas as vagas completam-se com os alunos dos cursos profissionais que estiveram connosco dois anos e percebem as potencialidades desses cursos”, frisa.
Outro exemplo que é dado pelo presidente do IPB é o do curso de Engenharia Civil teve zero entradas. “Mas temos já 44 candidaturas internacionais, quase metades do Brasil. Nem as vagas todas chegarão para colmatar a procura”, assegura Sobrinho Teixeira.

Um novo curso

Relações Lusófonas e Língua Portuguesa foi o único curso novo a abrir no IPB e traduz a cada vez maior aposta em estudantes estrangeiros. Mas há outros cursos de sucesso, como Solicitadoria (esgotou as 54 vagas) ou Enfermagem (52 candidatos para 50 vagas) e Gestão (74 candidatos para 72 vagas).
No próximo ano poderá abrir um curso de Comunicação.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

Projetos mais inovadores apurados no Poliempreende

Os projetos dos Institutos Politécnicos de Setúbal, Cávado/ Ave e de Bragança foram os vencedores do Concurso Poliempreende, cuja 14ª edição se realizou na cidade transmontana entre os dias 12 a 15 de setembro. O primeiro prémio foi para o projeto ‘Ilegal’ do IP de Setúbal; o segundo para ‘Célia Celíaca’ do Instituto IP Cávado e Ave; e o terceiro foi para ‘Zthreat’ do IP de Bragança. Durante uma semana Bragança foi a capital portuguesa do empreendedorismo graças ao PIN-Polientrepreneurship Innovation Network, uma plataforma que tem por objetivo criar uma cultura empreendedora entre os estudantes do ensino superior. Este ano levou a concurso 19 projetos inovadores de diversas áreas de atividade, desenvolvidos por jovens. A iniciativa contou com um total de 38 promotores de todos os institutos politécnicos do país. No ano passado o Poliempreende submeteu uma candidatura ao Programa Compete, no valor de um milhão de euros, para permitir dinamizar mais as próximas edições. “Este ano desenvolveu-se uma plataforma eletrónica que suporta e automatiza todo o processo do projeto, bem como um conjunto de iniciativas melhoradas, como verbas para consultadoria e formação”, explicou José Adriano, coordenador nacional da 14ª edição do PIN e diretor da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Bragança, que este ano foi a anfitriã.

Iniciativa mobilizou 191 projetos

O Poliempreende mobilizou 480 alunos que desenvolveram 191 projetos nos vários politécnicos nacionais, bem como diversas ações de formação para alunos e docentes. “Cada politécnico selecionou o seu projeto para representar o concurso nacional, que decorreu em Bragança”, acrescentou José Adriano. Houve prémios monetários de vários valores. O primeiro prémio foi de 10 mil euros. Há ainda outros prémios, como o Inovação oferecido pela Delta, que pela primeira vez suportou um prémio internacional, atribuído ao projeto Marias&me- do Instituto Politécnico de Coimbra e à Agência de Empreendedorismo da Universidade de Leon.
O Prémio ANI-Spectrum Audio Labs foi para o Instituto Politécnico de Lisboa. Houve ainda duas menções honrosas, uma para H203-Escola Náutica e outra para Embalagens da Universidade de Aveiro. Com um horizonte de execução de um ano e um investimento de um milhão de euros, o PIN quer envolver 1500 estudantes e gerar 45 empresas nos domínios do conhecimento, tecnologia e indústrias criativas.

Poliempreende já envolveu mais de 100 mil alunos

O PIN surgiu na sequência do Poliempreende que ao longo de mais de uma década já envolveu mais de 100 mil estudantes, com 83 empresas criadas e 62 patentes registadas. Nos 14 anos de existência já foram abrangidos 112 mil alunos, 3500 dos quais participaram no Poliempreende e já foram desenvolvidos cerca de 11500 projetos, criadas 70 empresas e registadas 80 patentes. “A taxa de sobrevivência das empresas é elevada, mais de 60 estão no ativo”, referiu José Adriano.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

ESACT com aumento recorde de novos alunos

A Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (ESACT) de Mirandela viu serem preenchidas cerca de 55 por cento das vagas colocadas na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior. Um aumento de quase 20 por cento, comparativamente ao que tinha acontecido, em 2016. O curso de solicitadoria continua a ser o mais procurado e, tal como no ano passado, ficou com 100 por cento das vagas preenchidas. No campo oposto, está o curso de informática e comunicações, que não viu preencher qualquer vaga. Na prática, a ESACT de Mirandela assegura, logo na primeira fase, 203 novos alunos, mais 73 que em 2016. Se o ano passado, foram preenchidas 36 por cento das vagas colocadas na primeira fase, este ano a percentagem aumentou para 54,9 por cento. Das 370 vagas colocadas a concurso, para os oito cursos lecionados, a ESACT de Mirandela viu serem preenchidas 203, sobrando 167 para as próximas duas fases. O curso de Solicitadoria foi, de longe, o mais procurado, ficando já sem qualquer vaga para as próximas duas fases. As 54 vagas colocadas a concurso, nesta primeira fase, já foram preenchidas. No outro extremo ficou, com o pior desempenho, o curso de Informática e Comunicações, que, tal como no ano passado, não viu ser preenchida qualquer vaga, sobrando as 30 disponíveis para a próxima fase. Bom desempenho para o curso de marketing, que preencheu 34 das 36 vagas colocadas. Design de jogos digitais, das 60 vagas, preencheu 48, enquanto Turismo ficou pelos 50 por cento, com 25 das 50 vagas preenchidas. Multimédia vai ter 40 vagas sobrantes, já que, das 60, apenas 20 foram preenchidas. Gestão e Administração pública tinha 55 vagas, nesta primeira fase, preencheu apenas 17, sobram 38. Finalmente, tecnologias da comunicação tinha 25 vagas, foram preenchidas apenas cinco. Para já, a ESACT de Mirandela garante, na primeira fase, 203 novos alunos, sobrando para a as restantes duas fases, 167 vagas.
 

Escola Ano percentagem
2017 2016 2015
Escola S. de Saúde 85 103 129 -17%
Escola S. Agrária 20 8 13 +150%
Escola S. de Educação 219 159 175 +38%
Escola S. Tecnologia 184 124 130 +48%
Escola S. ACT 203 129 151 +57%
Total 711 523 598 +36%

A estes números, somam-se as 1270 candidaturas de alunos estrangeiros, 510 deles para mestrados. Mas a dificuldade em conseguir vistos de entrada em Portugal deverá afastar cerca de 60 por cento destes candidatos, um número que deveria preocupar as instâncias diplomáticas portuguesas. Para os cursos CTESP, os cursos técnicos de dois anos, deveram chegar cerca de 600 novos alunos.

Um novo curso

Relações Lusófonas e Língua Portuguesa foi o único curso novo a abrir no IPB e traduz a cada vez maior aposta em estudantes estrangeiros. Mas há outros cursos de sucesso, como Solicitadoria (esgotou as 54 vagas) ou Enfermagem (52 candidatos para 50 vagas) e Gestão (74 candidatos para 72 vagas). No próximo ano poderá abrir um curso de Comunicação.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

IPB com mais 36 por cento de novos alunos foi a instituição que mais cresceu em Portugal

Até o Ministro do Ensino Superior frisou o crescimento do Politécnico de Bragança. Já há cursos com as vagas esgotadas. ESACT teve um crescimento de 57 por cento.
O Instituto Politécnico de Bragança volta a colocar a região no topo das páginas dos jornais graças a mais um feito. Foi a instituição de ensino superior de Portugal que mais cresceu em termos de novos alunos na primeira fase de acesso. A expectativa é que o número total de estudantes se aproxime, pela primeira vez, dos oito mil, o que seria um marco histórico para o Nordeste Transmontano e para a economia de toda a região. Face ao ano passado, entraram este ano mais 36 por cento dos alunos só nas licenciaturas, ou seja, são 711 novos alunos que foram colocados no IPB, contra os 523 que entraram no ano passado. Em 2015 tinham sido 598.
“E a instituição que registou a maior subida no número de colocados na 1ª fase, face a 2016, foi o Instituto de Bragança, “o mais longe possível de Lisboa”, sublinhou Manuel Heitor, Ministro do Ensino Superior, em declarações ao Expresso. “O ensino politécnico melhorou muito, sobretudo com os estímulos dados para a investigação e pela diversificação de opções, muito relacionadas com os mercados de trabalho e as dinâmicas locais”, disse o governante.

Surpresa pela positiva

Para o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, “os números surpreenderam pela positiva”. “Crescer 36 por cento de 2016 para 2017 foi muito bom. Até o próprio ministro anunciou que o IPB foi a instituição que mais cresceu”, enalteceu. De acordo com o presidente do Instituto, “este crescimento baseia-se em três pilares. Um deles é muito importante, que é a avaliação do IPB nos rankings internacionais. Não têm a ver com estigmas que se possam criar a nível nacional mas são avaliações que têm a ver com factos concretos e entidades que estão habituadas a avaliar instituições em todo o mundo e esta recorrência de diversos rankings tem tido o seu retorno. Passa pela captura de alunos internacionais, que procuram verificar essa qualidade, mas a mensagem também está a passar a nível nacional”, explica.
“Outro dos pilares é a qualidade de vida da região e a segurança. A cidade tem respondido, as nossas forças de segurança têm sido inexcedíveis. O terceiro pilar, que eu espero que continue, é a oferta de alojamento. Que seja uma oferta com qualidade, a um preço justo. Podíamos cobrar propinas mais altas mas optamos por não o fazer no âmbito de uma estratégia para a região”, aponta Sobrinho Teixeira, que vê “isto como uma missão para o desenvolvimento da própria região”. Por isso, faz questão de “agradecer a todos os que estão a trabalhar para que isto aconteça”. “É uma grande demonstração que o interior vai ultrapassar as dificuldades”, acredita.

Matrículas com grande procura

Certo é que os primeiros dias após serem conhecidos os resultados das colocações, foram marcados pela grande procura dos serviços académicos para a formalização das matrículas. “É a primeira vez que venho. Nota-se que tem um bom ambiente e que toda a gente gosta de cooperar. Já tinha ouvido falar no IPB”, admite Sofia Carvalho, que vem de Vila Real para o curso de Desporto, a sua primeira opção. Andreia Rocha veio de Penafiel, também para Desporto, um dos cursos que já quase esgotou as vagas. Bragança foi a segunda opção mas não ficou nada desiludida. “Achei bem ter calhado aqui. Por um lado, queria vir para cá, para longe de casa. Já tinha ouvido falar do IPB. A primeira impressão é boa e a animação agradou-me”, contou ao Mensageiro, no posto de atendimento que a Associação Académica montou. “Às 8h30 já tínhamos muita gente à espera. Quando chegam, tiram uma foto para partilhar no facebook da associação académica. As diversas associações também os recebem e ambientam-nos. É uma receção calorosa, também com as tunas”, explica Ricardo Cordeiro, o presidente dos estudantes. A conversa com o Mensageiro é interrompida porque, entretanto, chega Fátima Lima. Veio de Marco de Canaveses para Arte e Design. “Foi segunda opção. Desiludida? Não. Estou a gostar do ambiente. Já tinha ouvido falar muito do IPB. Alguns amigos meus estiveram aqui no ano passado e recomendaram, disseram que de certeza que iria gostar”, conta.

Mestrados e alunos estrangeiros dão contributo

Mas não são só os cursos de licenciatura que tiveram grande procura. “Começámos a seguir esta estratégia nos países africanos de expressão portuguesa. Só do Brasil tivemos mais de três centenas de candidaturas. De toda a América Latina, do sudeste asiático, da China, da Índia. Muitas candidaturas dos antigos países da União Soviética”, revela Sobrinho Teixeira, garantido que “há uma procura generalizada, não só nas licenciaturas, mas também nos mestrados”. Em sentido inverso, “há oito cursos com procura reduzida”. “Isso tem a ver com a perspetiva que existe de que a informação não circula no secundário. Os alunos vão muito por perceções e não pela realidade.
Ainda fazem escolhas que deveriam ser mais baseadas em factos e não em perceções. Temos, por exemplo, os cursos de ciências agrárias, que têm pouca procura”, explica o presidente do IPB. Mesmo assim, os números são animadores, pelo menos percentualmente. “Tivemos 20 alunos, um aumento de 150 por cento. Só tivemos oito no ano passado. Mas as vagas completam-se com os alunos dos cursos profissionais que estiveram connosco dois anos e percebem as potencialidades desses cursos”, frisa. Outro exemplo que é dado pelo presidente do IPB é o do curso de Engenharia Civil teve zero entradas. “Mas temos já 44 candidaturas internacionais, quase metades do Brasil. Nem as vagas todas chegarão para colmatar a procura”, assegura Sobrinho Teixeira.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”