Potencialidades turísticas do desporto de aventura e natureza debatidas no IPB

Na semana passada, a Escola Superior de Educação de Bragança acolheu o I Seminário Internacional de Desportos de Natureza: Oportunidades para o Turismo e Empreendedorismo. O encontro contou com entidades públicas e privadas, com o objectivo de avaliar as potencialidades turísticas do desporto de aventura e natureza da região. Miguel Monteiro, professor do IPB defendeu que Trás-os-Montes possuiu todas as condições necessárias para a prática de turismo na natureza, associadas às temáticas regionais, a título de exemplo, o azeite ou a amendoeira em flor. O evento reuniu convidados como os presidentes de câmara da região. Um deles foi o presidente da câmara municipal de Vinhais, Luís Fernandes, que criticou o facto de algumas actividades de desporto de aventura e natureza não serem permitidas no ter
Parque Natural do Montesi­nho. “Trail, todo-o-terreno e desportos motorizados não podem realizar-se nesta área protegida. Isso cria algum constrangimento de outro nível, porque muitas vezes as próprias pessoas não fazem, não organizam porque têm a sensação que não podem fa­zer porque é a mensagem que já passou. Muitas vezes é ver­dade que determinadas não se podem fazer, mas criou-se já um impacto de tal manei­ra negativo que leva a que não sejam feitas acções no par­que”, referiu.
Ainda durante o primei­ro seminário, organizado em conjunto com os alunos de 3.º ano de Desporto, daque­la instituição de ensino supe­rior, Miguel Monteiro, pro­fessor do IPB criticou a de­mora da Federação de Cam­pismo e Montanhismo de Portugal, no processo de ho­mologação dos percursos pe­destres e a falta dos percursos divulgados no site da entida­de. “Sei que há mais percur­sos homologados agora em Mirandela, mas havia só dois em Miranda do Douro e três em Mirandela, depois em ou­tros municípios apareciam as marcas, mas é crime utili­zar as marcas oficiais, que são propriedade de uma federa­ção, num percurso sem estar homologado. A homologação tem um custo, mas no futu­ro é compensado porque a fe­deração vai encaminhar pes­soas para fazer esses percur­sos, principalmente estran­geiros”, destacou o professor do politécnico.
No seminário esteve pre­sente o vice-presidente de Al­fandega da Fé, Eduardo Ta­vares, que defendeu que a di­visão administrativa do terri­tório de Trás-os-Montes en­tre três comunidades inter­municipais (a CIM Douro, a CIM Terras de Trás-os-Mon­tes e a CIM Alto Tâmega; em três associações de desenvol­vimento, a Corane, a Deste­que e a Douro Superior e vá­rias associações de municí­pios, nomeadamente a Terra Quente, Terra Fria Baixo Sa­bor), não ajuda a criar plata­formas de entendimento e es­tratégia. Concelhos vizinhos por vezes estão separados, porque se inserem em CIM’s ou em GAL’s diferentes e são estas as organizações que ge­rem os quadros comunitá­rios.” Eduardo Tavares des­tacou que, por vezes, existem bloqueios e problemas, que os municípios deveriam ultra­passar, “não ajudando a im­plementar algumas ideias lo­cais e regionais, partilhadas por vários municípios” Pa­ra o vice-presidente, os mu­nicípios deveriam trabalhar em rede, de uma forma con­certada: “os municípios es­tão a trabalhar muito, às ve­zes não trabalhamos é bem”. Opinião de Eduardo Tavares, vice-presidente da câmara de Alfândega da Fé.

Publicado por: “Jornal Nordeste”

Uma dupla unida pela amizade e força infinita

Um acidente de viação tirou-lhe a visão no primeiro ano de vida. Hilário Ramos, 44 anos, desde cedo habituou-se a superar limitações, mas seguiu o seu caminho e encontrou nas corridas uma fonte de motivação para encarar o dia a dia. Natural de Mirandela, começou por representar os clubes da terra e atualmente veste a camisola dos “Braguinhas”, onde conheceu o guia José Manuel Fins, que se transformou num amigo para a vida. “Ele é os meus olhos”, salienta Hilário, que que todos os dias procura treinar, nem que seja em casa, na bicicleta ou passadeira: “A maior dificuldade são os treinos, porque o Fins mora em Braga e nem sempre consigo ir ter com ele. Adoro correr e enquanto puder vou continuar. Sei que sou um exemplo para muitos cegos e tento deixar a mensagem que tudo é possível quando se tem força de vontade”. Fora das corridas, Hilário trabalha como assistente operacional no Instituto Politécnico de Mirandela e sente-se realizado: “Estou cá há 16 anos. Todos me tratam bem e é quase uma segunda casa”.
O próximo objetivo é a corrida de São João, em Braga, antes da meia maratona de Peniche. O Fins é que trata disso e decide o que é o melhor para nós, explica Hilário.

Acordeão para animar a malta

José Manuel Fins começou a correr há nove anos. Quando tinha 40 anos e agora não quer outra coisa. “As análises não estavam famosas e em vez de fazer mais um furo no cinto, resolvi correr. Foi a melhor opção que Tomei, porque além de melhorar a minha saúde conheci pessoas fantásticas como o Hilário. Ele disse-lhe que toca acordeão?” questiona-nos. Não. não disse, mas Fins explica:
“Ele é um brincalhão e em algumas corridas leva o acordeão para tocar no fim. É um espetáculo”. A dupla já participou em quatro Maratonas, duas no Porto e duas no Gerês, tendo conseguido um tempo abaixo das quatro horas, e em meias maratonas já obteve a marca de 1h38m. “Ele é um poço de força. É muito gratificante correr com ele”, salienta Fins.

Publicado por. “JNRunning”

A Galhofa é um bom exercício físico e de inteligência

É uma proposta divertida e a valorização da luta do docente do Politécnico de Bragança por preservar uma tradição que cabe no universo desportivo
Com o propósito de tirar do esquecimento um jogo genuinamente português, nascido nos recônditos de Bragança, José Bragada tem levado a galhofa o mais longe possível. O caminho não tem sido fácil, faltam apoios. Pelo menos, há clubes que acolheram a modalidade.
O que é a galhofa?
É um jogo tradicional que se costumava praticar nas aldeias do concelho de Bragança, durante o ano por crianças e jovens, depois na época natalícia, nas festas de Santo Estevão, à noite, num curral, dos melhores que houvesse na aldeia. Tiravam o gado e funcionava como local da luta.
Lutavam no estrume do gado?
Colocava-se palha nova por cima. Por acaso até tinha vantagens: era quase um aquecimento central, porque irradia muito calor (até dava jeito porque isto disputava-se em dezembro, quando as noites são muito frias em Bragança e nem havia eletricidade). A galhofa era um jogo exclusivo a homens, até cerca de 20 anos, e os espectadores também eram masculinos, não que fosse proibido às senhoras, mas só as mais atrevidas é que iam ver e nem eram muito bem-vistas pelas outras.
As cenas eram assim tão despudoradas?
Porque os homens estavam de tronco nu, ás vezes rasgavam as calças e havia o risco de ficarem despidos, o que não era considerado muito apropriado às senhoras.
De qualquer forma, tratava-se de um evento importante, numa altura em que a comunicação
com o exterior da aldeia era quase inexistente.
A ideia que temos de galhofa é de uma situação divertida e ruidosa…
Embora aplicada num contexto de atividade física, a ideia-base desta luta era a de divertimento, porque 90 por cento dos casos, quando envolvia crianças e jovens, era mais brincadeira do que competição. Havia o cuidado de não magoar o adversário e nem existia árbitro. Só assumia carácter competitivo quando envolvia disputa entre vencedores de aldeias. Eu penso que a origem da palavra tem muito a ver com este divertimento. Por que razão investe tanto neste jogo tradicional? Porque tendia ao desaparecimento e, como gostava de praticá-lo e tem potencial, mais até do que alguns jogos de luta e combate, decidi promovê-lo. É um jogo simples, tanto que as crianças podem praticar: é fácil de explicar, não tem movimentos decorados, só tem de pensar e aproveitar o desequilíbrio do adversário. É um bom exercício de capacidade física e de inteligência e as crianças gostam. A relação força/peso é ainda proporcional, por isso elas podem brincai durante muito tempo, divertem-se enquanto aprendem a saber ganhar e perder. Houve clubes da região que gostaram e promoveram o jogo ao filiarem a modalidade na Federação Portuguesa de Lutas Amadoras. Mas precisamos de mais apoios.
Por isso, introduziu o jogo como Unidade Curricular do Instituto Politécnico?
Todos os alunos da licenciatura de Desporto passam por esta experiência, não para os avaliar, mas para que experimentem. Se gostarem, podem divulgar e praticar.
O próximo passo é introduzi-lo nas escolas. A revitalização deste jogo passa por adaptações,
mantendo o seu espírito. Oitenta por cento dos nossos alunos não são de Bragança e alguns têm feito iniciativas, alguns são africanos e podem levar o jogo para as suas terras.

Publicado por: “O Jogo”

Os alunos do 3º ano do curso de Desporto do Instituto Politécnico de Bragança realizaram, na passada quarta-feira, o I Trail & BTT Challenge

Paulo Reis vence Trail & BTT Challenge

Trata-se de um evento inserido no trabalho final da unidade curricular de Planeamento em Desportos de Natureza em que os participantes foram desafiados para duas modalidades: trail e BTT.
Paulo Reis foi o vencedor absoluto da prova, que decorreu no campus do IPB, seguido de Ovídio Linhas e Pedro Magalhães na segunda e terceira posição, respectivamente.
O Trail & BTT Challenge contou com 56 participantes, 45 masculinos e 11 femininos, que tiveram que percorrer 4km na modalidade de trail e 20km em BTT.
A organização da prova contou com a colaboração da Associação de Atletismo de Bragança e da Associação de Ciclismo.

Relação entre a cidade e os estudantes africanos do IPB é uma obra em construção

São largas centenas, trouxeram o crioulo e outras sonoridades africanas para as ruas de Bragança, estão organizados em movimentos associativos e têm uma equipa de futebol que disputa o campeonato da Divisão de Honra da AF. Bragança. Vêm para estudar no IPB e se uns regressam aos seus países de origem, outros optam por ficar e instalar-se em Bragança.
São cerca de 700 os estu­dantes africanos residentes em Bragança, provenientes em grande parte dos PALOP – Paí­ses Africanos de Língua Ofi­cial Portuguesa. Vivem 11 me­ses por ano em Bragança, mui­tos ficam ao longo de vários anos e contribuem para a cria­ção de riqueza na região. De­pois de concluírem o seu per­curso académico no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), uns regressam aos seus paí­ses de origem, outros optam por permanecer em Bragança.
Edvaldo Fernandes, cabo­-verdiano e presidente da As­sociação de Estudantes Afri­canos em Bragança (AEAB), está há quatro anos em Por­tugal a estudar Gestão Des­portiva e há dois na presidên­cia da Associação, cujo raio de acção são as cerca de sete centenas de estudantes afri­canos do IPB, na sua grande maioria, oriundos dos Paí­ses Africanos de Língua Ofi­cial Portuguesa (PALOP).
Este líder associativo, que é também o presidente da equipa de futebol dos Estu­dantes Africanos, diz que lhe agradou “o projecto da AEAB e a relação de proximidade com a cidade”. Com efeito, um dos motores da integração desta comunidade tem sido a equipa de futebol, composta, na sua maioria, por estudan­tes africanos e que tem dado cartas na Divisão de Honra da Associação de Futebol de Bragança. “A integração é excelente, muito maior do que eu esperava. Também temos a equipa de futebol, que aco­lhe muitos caloiros africanos, mas também portugueses, o que facilita a integração”.
Quanto ao diálogo com os responsáveis locais, “não te­mos qualquer tipo de quei­xa, quer do IPB, quer da câ­mara municipal, quer de ou­tras instituições locais. Tem sido uma boa relação, em tu­do o que precisamos eles es­tão aí para nós e ao contrário também é verdade. Sentimo­-nos em casa”.
Edvaldo Fernandes quer continuar em Portugal e Bra­gança é uma das primeiras opções para prosseguir os es­tudos superiores e iniciar a sua vida profissional.
Óscar Monteiro, cabo-ver­diano de 33 anos, é um dos pioneiros entre os estudan­tes africanos em Portugal e os 14 anos que já leva de Bra­gança dão-lhe uma perspecti­va abrangente dos caminhos seguidos por esta comunida­de. Destaca a relação a três – AEAB, CMB e IPB – e o diálo­go constante entre as três ins­tituições: “existe uma ligação muito forte e todos os proces­sos são tratados directamente entre as instituições”, realça.
Óscar é um caso paradig­mático de integração na co­munidade brigantina. Já foi presidente da AEAB, é o ac­tual treinador da equipa de futebol dos Estudantes Afri­canos e empresário na área da produção de eventos musicais.
Para o mister Óscar Mon­teiro “o melhor resultado desta equipa é fora de cam­po. Dentro de campo vamo­-nos divertindo, mas o mais importante é o que se faz fo­ra das quatro linhas, é o no­me que a equipa dá à cidade, à comunidade africana. E é dos melhores exemplos de in­tegração, o que mereceu des­taque já a esse nível, quer em termos nacionais, quer em termos internacionais”.
Para este representante da comunidade africana em Bragança, “a equipa vale por causa da sua função integra­dora. A nossa equipa só é a equipa que é pela interligação que tem feito entre as duas comunidades”.
Quanto à empresa que criou há dez anos, a “young beats”, é ela própria um dí­namo integrador, sobretudo, entre a comunidade africana: “tem duas vertentes, uma di­reccionada para a comunida­de africana, outra, para a co­munidade brigantina. O ob­jectivo é quebrar as barreiras entre as duas comunidades”, apostando na educação dos mais novos : “direccionamos a nossa actividade para os jo­vens, pois é mais fácil reedu­car os jovens a aceitar os ou­tros, desde o início do seu crescimento e formação, do que os mais velhos, a quem é preciso dar mais tempo”.
Para este licenciado em Línguas e Relações Interna­cionais, actualmente estu­dante de mestrado na área de tradução, que se define como um “líder nato” e a viver em Bragança desde os 19 anos, regressar para já a Cabo Ver­de não está nos seus planos. Quer continuar em Bragan­ça, dar continuidade à sua ac­tividade profissional e prevê casar em breve com uma por­tuguesa, brigantina de gema. Para além das várias funções que já desempenha é actual­mente colaborador nos ser­viços académicos do IPB na área das relações nacionais e internacionais: “é a minha área e gostaria de continuar por aqui”.
Uma das ideias pré fei­tas em relação aos estudan­tes oriundos dos PALOP é que vêm a Portugal formar­-se e vão-se embora logo de seguida para integrar os qua­dros superiores dos seus paí­ses de origem. Se nuns casos é assim, noutros nem tanto. Óscar Monteiro fala de vários exemplos que se mantêm em Portugal depois de termina­rem o seu percurso no ensino superior: “há uma comunida­de de africanos, que já não são estudantes e que tem crescido bastante. Temos muitos ca­sais que já tiveram filhos aqui e que pretendem viver cá, es­tando perfeitamente inte­grados”. Tanto Edvaldo Fer­nandes como Óscar Montei­ro consideram errada a ideia de que a comunidade afri­cana em Bragança vive ensi­mesmada, fala preferencial­mente em crioulo e que não convive com a restante co­munidade. Para o presidente da AEAB,” esta é a comuni­dade de estudantes africana mais compacta em Portugal”.

Regressar a Cabo Verde

Marlos Monteiro tem 26 anos e veio para Bragan­ça na mesma altura que Ed­valdo Fernandes. Está no úl­timo ano de Gestão Empre­sarial a que se seguem dois anos de mestrado e, logo de­pois, o regresso a Cabo Ver­de: “caso surja uma boa pro­posta de trabalho lá, por que não? Tenho interesse em aju­dar o meu país a crescer, se o puder fazer em Cabo Verde tanto melhor”
Aos 28 anos, Rony Furta­do fez um percurso diferen­te dos seus colegas. Estudou Contabilidade e Administra­ção em Cabo Verde e só de­pois veio para Portugal para fazer mestrado na sua área, ao abrigo de uma parceria entre o IPB e o município do Tarrafal, na ilha de São Ni­colau. “Não quis ficar apenas naquele ambiente universitá­rio cabo-verdiano e por isso resolvi vir para cá”, trazido por amigos que já cá estavam e o ajudaram a fazer a sua op­ção por Bragança.
Rony termina o mestrado no final do presente ano lec­tivo e vislumbra também ele um regresso imediato à sua terra natal “porque tenho a noção de que posso contri­buir de alguma forma. Ca­bo Verde tem um número de quadros bastante grande que, talvez pelo facto de o país ser pequeno e o mercado de tra­balho reduzido, optam por trabalhar fora. Eu quero aju­dar a inverter essa tendência”.
Marlos Monteiro tem uma opinião dissonante e considera que ainda há a ten­dência dos estudantes africa­nos se relacionarem preferen­cialmente entre si, “o que é um erro. Mas as coisas tam­bém se proporcionam assim. Há cursos no IPB em que 80 por cento dos alunos são afri­canos, o que dificulta a rela­ção com as outras nacionali­dades”. Para Marlos essa de­ve ser “uma das nossas preo­cupações e nós mesmos te­mos de tentar integrar-nos na comunidade portuguesa de Bragança e também com a comunidade de alunos Eras­mus”, considerou.
Para Óscar Monteiro es­sa integração já é um suces­so, prova disso é o evento «I love Bragança», que decor­reu em junho do ano pas­sado “e que se realizou para comemorar a cidade de Bra­gança através dos estudan­tes estrangeiros. E também é de destacar o esforço que a cidade tem feito para incluir os estudantes estrangeiros rematou.

Publicado em: “Jornal Nordeste”