Associação Nacional de Estudantes Brasileiros vai ter sede em Bragança

A associação nacional de estudantes brasileiros vai ter sede em Bragança. A ideia partiu dos estudantes de todo o país, quando vieram em visita a Bragança no ano passado e consideraram esta capital de distrito a ideal para sedear o projecto.
“A cidade de Bragança é especial não só para nós que vivemos aqui, mas para os que vieram de outras cidades e adoraram”, explica Marcelo Fagundes, presidente da associação de estudantes brasileiros do IPB e que vai presidir também a associação nacional.
O objectivo da associação é que sirva para facilitar na integração dos estudantes em Portugal, e o intercâmbio entre as cidades nacionais, para que os alunos possam conhecer várias regiões de Portugal.
As relações entre Portugal e o Brasil acontecem desde sempre nas mais diversas áreas e o ensino é uma delas, a facilidade de comunicação devido à partilha da mesma língua é muitas vezes um factor decisivo quando os estudantes de ambos os lados do atlântico escolhem outro país para estudar.
O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) recebe anualmente centenas de alunos estrangeiros e só do Brasil, o IPB acolhe neste momento cerca de 200 estudantes.

Publicado em: “Rádio Brigantia”

Mais informação em: “Jornal Nordeste”

Relação entre a cidade e os estudantes africanos do IPB é uma obra em construção

São largas centenas, trouxeram o crioulo e outras sonoridades africanas para as ruas de Bragança, estão organizados em movimentos associativos e têm uma equipa de futebol que disputa o campeonato da Divisão de Honra da AF. Bragança. Vêm para estudar no IPB e se uns regressam aos seus países de origem, outros optam por ficar e instalar-se em Bragança.
São cerca de 700 os estu­dantes africanos residentes em Bragança, provenientes em grande parte dos PALOP – Paí­ses Africanos de Língua Ofi­cial Portuguesa. Vivem 11 me­ses por ano em Bragança, mui­tos ficam ao longo de vários anos e contribuem para a cria­ção de riqueza na região. De­pois de concluírem o seu per­curso académico no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), uns regressam aos seus paí­ses de origem, outros optam por permanecer em Bragança.
Edvaldo Fernandes, cabo­-verdiano e presidente da As­sociação de Estudantes Afri­canos em Bragança (AEAB), está há quatro anos em Por­tugal a estudar Gestão Des­portiva e há dois na presidên­cia da Associação, cujo raio de acção são as cerca de sete centenas de estudantes afri­canos do IPB, na sua grande maioria, oriundos dos Paí­ses Africanos de Língua Ofi­cial Portuguesa (PALOP).
Este líder associativo, que é também o presidente da equipa de futebol dos Estu­dantes Africanos, diz que lhe agradou “o projecto da AEAB e a relação de proximidade com a cidade”. Com efeito, um dos motores da integração desta comunidade tem sido a equipa de futebol, composta, na sua maioria, por estudan­tes africanos e que tem dado cartas na Divisão de Honra da Associação de Futebol de Bragança. “A integração é excelente, muito maior do que eu esperava. Também temos a equipa de futebol, que aco­lhe muitos caloiros africanos, mas também portugueses, o que facilita a integração”.
Quanto ao diálogo com os responsáveis locais, “não te­mos qualquer tipo de quei­xa, quer do IPB, quer da câ­mara municipal, quer de ou­tras instituições locais. Tem sido uma boa relação, em tu­do o que precisamos eles es­tão aí para nós e ao contrário também é verdade. Sentimo­-nos em casa”.
Edvaldo Fernandes quer continuar em Portugal e Bra­gança é uma das primeiras opções para prosseguir os es­tudos superiores e iniciar a sua vida profissional.
Óscar Monteiro, cabo-ver­diano de 33 anos, é um dos pioneiros entre os estudan­tes africanos em Portugal e os 14 anos que já leva de Bra­gança dão-lhe uma perspecti­va abrangente dos caminhos seguidos por esta comunida­de. Destaca a relação a três – AEAB, CMB e IPB – e o diálo­go constante entre as três ins­tituições: “existe uma ligação muito forte e todos os proces­sos são tratados directamente entre as instituições”, realça.
Óscar é um caso paradig­mático de integração na co­munidade brigantina. Já foi presidente da AEAB, é o ac­tual treinador da equipa de futebol dos Estudantes Afri­canos e empresário na área da produção de eventos musicais.
Para o mister Óscar Mon­teiro “o melhor resultado desta equipa é fora de cam­po. Dentro de campo vamo­-nos divertindo, mas o mais importante é o que se faz fo­ra das quatro linhas, é o no­me que a equipa dá à cidade, à comunidade africana. E é dos melhores exemplos de in­tegração, o que mereceu des­taque já a esse nível, quer em termos nacionais, quer em termos internacionais”.
Para este representante da comunidade africana em Bragança, “a equipa vale por causa da sua função integra­dora. A nossa equipa só é a equipa que é pela interligação que tem feito entre as duas comunidades”.
Quanto à empresa que criou há dez anos, a “young beats”, é ela própria um dí­namo integrador, sobretudo, entre a comunidade africana: “tem duas vertentes, uma di­reccionada para a comunida­de africana, outra, para a co­munidade brigantina. O ob­jectivo é quebrar as barreiras entre as duas comunidades”, apostando na educação dos mais novos : “direccionamos a nossa actividade para os jo­vens, pois é mais fácil reedu­car os jovens a aceitar os ou­tros, desde o início do seu crescimento e formação, do que os mais velhos, a quem é preciso dar mais tempo”.
Para este licenciado em Línguas e Relações Interna­cionais, actualmente estu­dante de mestrado na área de tradução, que se define como um “líder nato” e a viver em Bragança desde os 19 anos, regressar para já a Cabo Ver­de não está nos seus planos. Quer continuar em Bragan­ça, dar continuidade à sua ac­tividade profissional e prevê casar em breve com uma por­tuguesa, brigantina de gema. Para além das várias funções que já desempenha é actual­mente colaborador nos ser­viços académicos do IPB na área das relações nacionais e internacionais: “é a minha área e gostaria de continuar por aqui”.
Uma das ideias pré fei­tas em relação aos estudan­tes oriundos dos PALOP é que vêm a Portugal formar­-se e vão-se embora logo de seguida para integrar os qua­dros superiores dos seus paí­ses de origem. Se nuns casos é assim, noutros nem tanto. Óscar Monteiro fala de vários exemplos que se mantêm em Portugal depois de termina­rem o seu percurso no ensino superior: “há uma comunida­de de africanos, que já não são estudantes e que tem crescido bastante. Temos muitos ca­sais que já tiveram filhos aqui e que pretendem viver cá, es­tando perfeitamente inte­grados”. Tanto Edvaldo Fer­nandes como Óscar Montei­ro consideram errada a ideia de que a comunidade afri­cana em Bragança vive ensi­mesmada, fala preferencial­mente em crioulo e que não convive com a restante co­munidade. Para o presidente da AEAB,” esta é a comuni­dade de estudantes africana mais compacta em Portugal”.

Regressar a Cabo Verde

Marlos Monteiro tem 26 anos e veio para Bragan­ça na mesma altura que Ed­valdo Fernandes. Está no úl­timo ano de Gestão Empre­sarial a que se seguem dois anos de mestrado e, logo de­pois, o regresso a Cabo Ver­de: “caso surja uma boa pro­posta de trabalho lá, por que não? Tenho interesse em aju­dar o meu país a crescer, se o puder fazer em Cabo Verde tanto melhor”
Aos 28 anos, Rony Furta­do fez um percurso diferen­te dos seus colegas. Estudou Contabilidade e Administra­ção em Cabo Verde e só de­pois veio para Portugal para fazer mestrado na sua área, ao abrigo de uma parceria entre o IPB e o município do Tarrafal, na ilha de São Ni­colau. “Não quis ficar apenas naquele ambiente universitá­rio cabo-verdiano e por isso resolvi vir para cá”, trazido por amigos que já cá estavam e o ajudaram a fazer a sua op­ção por Bragança.
Rony termina o mestrado no final do presente ano lec­tivo e vislumbra também ele um regresso imediato à sua terra natal “porque tenho a noção de que posso contri­buir de alguma forma. Ca­bo Verde tem um número de quadros bastante grande que, talvez pelo facto de o país ser pequeno e o mercado de tra­balho reduzido, optam por trabalhar fora. Eu quero aju­dar a inverter essa tendência”.
Marlos Monteiro tem uma opinião dissonante e considera que ainda há a ten­dência dos estudantes africa­nos se relacionarem preferen­cialmente entre si, “o que é um erro. Mas as coisas tam­bém se proporcionam assim. Há cursos no IPB em que 80 por cento dos alunos são afri­canos, o que dificulta a rela­ção com as outras nacionali­dades”. Para Marlos essa de­ve ser “uma das nossas preo­cupações e nós mesmos te­mos de tentar integrar-nos na comunidade portuguesa de Bragança e também com a comunidade de alunos Eras­mus”, considerou.
Para Óscar Monteiro es­sa integração já é um suces­so, prova disso é o evento «I love Bragança», que decor­reu em junho do ano pas­sado “e que se realizou para comemorar a cidade de Bra­gança através dos estudan­tes estrangeiros. E também é de destacar o esforço que a cidade tem feito para incluir os estudantes estrangeiros rematou.

Publicado em: “Jornal Nordeste”

Alunos Brasileiros ganham prémio nos EUA representando o IPB

Original do Rio de Janeiro – BR, Higor Cerqueira é aluno do IFRJ em Mobilidade académica no curso de Animação e Produção Artística no IPB.
Durante o primeiro semestre de 2016, Higor conheceu Guilherme Damasceno, Marylia Fonseca e Emanoella Rodrigues, ambos alunos brasileiros em mobilidade no Instituto Politécnico de Bragança e juntos descobriram um concurso que aconteceria na conferência BRAZusc, o maior encontro universitário de brasileiros no exterior. O desafio consistia em criar um projeto inovador quanto a preservação da água no semi-árido brasileiro.
Higor e seus amigos criaram o projeto intitulado de PALMAS PRA VIDA (https://www.youtube.com/watch?v=eZKsANJQ9pc) que baseado no tripé da sustentabilidade (triple bottom line), propõe um ciclo de atividade nas escolas municipais de Major Izidoro (AL): através do reutilização das águas cinzas tratadas por um filtro biológico, serão direcionadas para a plantação de Palma Forrageira que após o cultivo, serão destinadas para alimentação do gado leiteiro, tendo em vista que a cidade tem destaque na bacia leiteira do estado de Alagoas (BR), porém enfrenta problemas em manter o gado devido aos Grandes períodos de seca.
O projeto foi finalista no desafio e representando os alunos internacionais do IPB, foi convidado para participar da conferência BRAZusc que aconteceu na Universidade da Pensilvânia, Filadélfia – EUA. O grupo concorreu com mais 2 outros projetos (originários da Duke University) e foi destaque recebendo o primeiro lugar do concurso. O prémio inclui um valor de 10 mil dólares a serem aplicados na execução do projeto. Além disso, o grupo receberá uma consultoria especializada tanto para a execução do projeto quanto para mentoria profissional de carreira.
“É com muito orgulho que junto dos meus amigos, recebemos essa premiação e particularmente tenho muita felicidade em colaborar com o reconhecimento internacional do ensino brasileiro e português que juntos, tem somado forças nas parcerias constituídas”, – diz Higor Cerqueira que além de levar o prémio ao Brasil e o reconhecimento ao Instituto Politécnico de Bragança, comemora também 2 publicações académicas em eventos internacionais incluindo a revista científica AdoleCiência, iniciativa da escola Superior de Educação do IPB.

Publicado em:“Diário de Trás-os-Montes”