Politécnico de Bragança quer levar turistas a casa das avós transmontanas

O politécnico de Bragança quer levar os turistas a visitarem a casa das avós transmontanas, através de um novo projeto que vai ser testado no Dia de Reis, numa aldeia de Vinhais, divulgou hoje a instituição.
“Viva@vó” ou “Viver na Casa da Avó” é o nome do projeto da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (EsACT) de Mirandela, que pretende criar no meio académico um novo produto turístico para as aldeias do distrito de Bragança, que permita aos visitantes entrar nas casas dos seus habitantes e usufruir de uma experiência diferente.
Um primeiro “evento piloto” arranca no sábado na aldeia de Agrochão, em Vinhais, e inclui cantar dos Reis, jantar na escola primária e animação cultural, como divulgou hoje a escola promotora.
A ideia surgiu da experiência de “viver na Casa da Avó, que muitos recordam com saudades”, de acordo com a explicação do diretor da escola, Luís Pires.
“No fundo, as ‘avós’ desses lugares irão abrir as portas do seu lar para receber todos aqueles que queiram ouvir estórias, relatos, lendas e oferecer uma refeição com os sabores e de acordo com as receitas mais genuínas da região”, concretiza.
O que se propõe “é um momento de partilha em torno do misticismo, fascínio e ternura que os mais velhos proporcionam”.
O projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e, “além da dinamização do turismo, pretende, de forma mais científica, a recolha de elementos culturais, nomeadamente memória de usos e costumes, gastronomia, etc., de forma a perdurarem no tempo”.
Simultaneamente, a escola superior pretende estudar “o impacto desta nova dinâmica junto das populações de reduzida densidade, valorizando elementos do património, contribuindo para o combate à desertificação das aldeias e atenuando, de alguma forma, a solidão dos idosos”.
Numa vertente mais comercial, o projeto quer também contribuir para “fomentar a preservação, produção e o escoamento de produtos locais”.

Publicado por: “TSF Rádio Notícias”

Mais informações em: “Mensageiro de Bragança”

Estudantes do Politécnico abriram portas à aceitação de refugiados


Bragança acolheu há oito meses o primeiro e único grupo de refugiados que encontrou trabalho, apoio e aceitação da comunidade local facilitada pela convivência da cidade com os estudantes estrangeiros do Instituto Politécnico.
Este é o balanço feito pelos que chegaram à cidade e pela equipa que os acompanha, criada pela Santa Casa da Misericórdia, a instituição que recebeu em julho de 2016 três refugiadas, uma delas grávida, e dois bebés.
Uma das mulheres foi embora, com o filho, para França, poucos meses depois. Duas ficaram e trabalham na lavandaria da Santa Casa, com contrato de trabalho, enquanto os filhos bebés estão no Centro Infantil Cinderela da mesma instituição.
Melat, de 25 anos, fugiu da Eritreia e chegou grávida do primeiro filho, que vai ser batizado, no sábado de Páscoa, na Catedral de Bragança, com a presença do bispo da Diocese, José Cordeiro.
Maria, jovem com “idade incerta”, deixou dois filhos na República Central Africana. O terceiro nasceu em Itália, num campo de refugiados depois de, como Melat, ter fugido por vários países africanos e entrado num barco para chegar à Europa.
Gostam de Bragança, sentem-se seguras e “não há rejeição por parte da comunidade local”, como garantiu à Lusa Catarina Vaz, técnica responsável pela Casa Abrigo onde estão alojadas por conta da Misericórdia.
“Bragança sabe receber e também já está habituada com os estudantes [estrangeiros] do Politécnico que abriram muitas portas”, apontou a técnica, que já chegou a ir com estas mulheres às compras e a ouvir a perguntar-lhes se são alunas.
As residências construídas na zona histórica, numa parceria entre o Politécnico e a Câmara Municipal, facilitaram a convivência entre os estudantes de várias nacionalidades e a população e culturas diferentes, como observou a técnica.
A equipa destaca os donativos da comunidade de Bragança, desde roupas a carrinhos para os bebés, na fase inicial de receção destas famílias.
Mesmo aquele que é o maior obstáculo, o da língua, tem sido ultrapassado com “um novo dialeto”, como lhe chama Ana Saldanha.
Esta jovem trabalhou como voluntária com os refugiados e portugueses em situação precária durante o programa Erasmus na Dinamarca e, quando regressou a Bragança, ofereceu-se para acompanhar os refugiados.
Maria e Melat estão a aprender português desde que chegaram a Bragança, mas ainda não falam a língua de acolhimento, embora entendam. “Falar português é difícil, compreender é fácil”, dizem.
E, como a Lusa constatou que, entre palavras em várias línguas (árabe, tigrinês, francês) e gestos e afetos, a comunicação resulta.
Maria dobra roupa, passa, limpa, gosta do trabalho na lavandaria e gosta também dos idosos com quem convive habitualmente já que o lar é uma das várias respostas sociais da Misericórdia de Bragança.
Não gosta de estar longe da família e quer voltar depois da guerra, como disse à Lusa, enquanto mostrava, no telemóvel, fotografias da família que ficou em África.
Em Bragança, as refugiadas têm casa, água, luz, tudo pago, mas têm ainda dificuldade em perceber o valor monetário das coisas em Portugal, uma dificuldade que a equipa de acompanhamento está a tentar suprir.
Tanto Maria como Melat ganham o ordenado pago pela Misericórdia e apoios financeiros da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR).
“É muito trabalho e dinheiro pouco”, diz Maria que, tal como Melat, tem de enviar dinheiro para a família.
A maior incógnita vai ser quando o programa de apoio, que dura 18 meses, acabar.
“Como é que estas famílias vão ficar no fim do programa, [altura] em que se acaba o apoio?”, questiona-se a técnica Catarina Vaz, pois sabe que “não é o emprego que garante a permanência.
Todos os refugiados que Portugal recebeu até hoje ainda estão a beneficiar do apoio da PAR. O desafio agora “é tentar programar a fase da autonomia”, já que até aqui são as instituições de acolhimento que suportam a maior parte das necessidades destas famílias.
Mari e Melat contaram à Lusa que estão a tentar “agora poupar, para depois conseguirem viver com menos dinheiro”.
Mas Catarina confessa que o seu maior receio “é um dia chegar à casa e não estarem lá”.
“Falta-lhes a afinidade, os amigos, a família”, observou.
O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Eleutério Alves, disse à Lusa que não teve mais nenhum contacto das autoridades nacionais para receber mais refugiados, apesar de haver disponibilidade local de acolhimento.
A Misericórdia mantém em aberto também outro programa destinado a refugiados com perfil diferente, nomeadamente agregados familiares que queiram trabalhar nas zonas rurais. Este programa ainda não teve candidatos.
O provedor garantiu que a instituição tem disponibilidade de habitação e de terras para serem trabalhadas.

Publicado em: “Diário de Trás-os-Montes”

O IPB representa Portugal no projecto internacional “PSI Well – Construir Pontes”


O Instituto Politécnico de Bragança integra um consórcio de seis instituições de ensino superior europeias que estão a promover um programa de promoção de bem-estar e inclusão social em pais de crianças com necessidades especiais.
O PSI Well que se propõe construir pontes foi ontem apresentado no IPB.
Como frisa a coordenadora do projecto em Portugal, Maria Augusta Branco, os objectivos do projecto, que se desenvolve até 2019, “passam por perceber as necessidades destes pais e dar-lhes formação.”
O estudo de investigação será feito por 10 professores do instituto politécnico em todo o país, prevendo que sejam englobados 250 pais em Portugal e 1500 em todo o projecto nos seis países.
Apesar de a nível nacional já estar criada uma rede de apoio a crianças com necessidades especiais e respectivos pais, o projecto internacional quer reforçar esse apoio.
O IPB será a representante de Portugal no consórcio que promove o projecto “PSI Well – Construir Pontes”, que inclui ainda as universidades da Roménia, de Espanha, Croácia, Lituânia e Turquia.

Publicado em: “Rádio Brigantia”