Em Famalicão estuda-se Tecnologia Alimentar

O curso Técnico Superior Profissional (CTeSP) em Tecnologia Alimentar está em funcionamento no Instituto Politécnico de Bragança (IPB) desde 2015, mas desde setembro de 2018 entrou em funcionamento na Didáxis, em Vale de S. Cosme, no concelho de Famalicão. De acordo com a estratégia de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente, definida para Portugal para o período 2014-2020, o Agroalimentar foi identificado como uma das quinze prioridades estratégicas inteligentes, englobado num dos cinco eixos temáticos onde Portugal revela vantagens competitivas existentes ou potenciais. Neste sentido, as prioridades estratégicas específicas de cada região mostram que, para a região Norte, o tema prioritário “Agroalimentar” aparece com nível 3, num total de 4. Assim, um dos objetivos para a região é a dinamização da economia através do incentivo à atividade empresarial, visando a instalação de novas empresas e a criação de postos de trabalho. De acordo com a diretora do CTeSP em Tecnologia Alimentar, Clementina Santos, as estratégias e ações futuras de promoção e desenvolvimento territorial, em Famalicão, passam, sobretudo, pela melhoria nos níveis de qualificação da população. A perceção da importância do setor das Industrias Alimentares, tanto do ponto de vista do número de empresas, como da produção e da mão de obra empregue, vem intensificar a necessidade de uma formação escolar sólida nesta área. “Esta formação deve contribuir, por um lado para o reforço do desenvolvimento e internacionalização das empresas existentes, e por outro, para identificar e desenvolver novas oportunidades de negócio que valorizem os produtos agroalimentares e a criação de novas empresas”, afirma a responsável pelo curso

Como funciona o CTeSP em Tecnologia Alimentar?

O total de candidatos para o plano de estudos em Famalicão no ano letivo 2018/2019 foi de 28 candidatos,sendo 24 de primeira opção (19 na primeira fase de candidaturas, 4 na segunda fase e 1 naterceira fase). No presente ano letivo, encontram-se inscritos em Famalicão um total de 15 alunos.O CTeSP em Tecnologia Alimentar inclui 4 semestres de formação, sendo que o 4º semestre é dedicado à formação em contexto de trabalho (estágio). Por seu turno, com o estágio pretende-se queo formando possa colocar em prática os conhecimentos teórico-práticos adquiridos ao longo da componentecurricular da formação, integrando os conhecimentos fundamentais, especializados e profundosdas várias áreas científicas de formação. Neste sentido, estão previamente estabelecidos protocolos com empresas e instituições de acolhimentodos formandos, sem prejuízo de outros protocolos possam vir a ser estabelecidos, caso seconsidere necessário.De resto, os titulares de um diploma de CTeSP podem prosseguir os seus estudos no ensino superior,podendo para o efeito concorrer à matrícula e inscrição nos cursos de licenciatura do IPB, aoabrigo do disposto no regulamento dos concursos ·especiais de acesso ao ensino superior.

Formação a pensar no mercado de trabalho

O CTeSP em Tecnologia Alimentar prepara técnicos com forte formaçãotecnológica na área alimentar, aptos a desenvolver funções de desenvolvimento tecnológico e operacional. O plano de estudos confere um perfil profissional vocacionado para trabalhar (processar/transformar) as matérias-primas alimentares, de forma a convertê-las em produtos com qualidade, sendo atrativos para o consumidor. Através da formação teórica aliada a uma sólida componente prática, o curso confere aos formandos, como sublinha a diretora Clementina Santos, “elevadas competências na aplicação de técnicas e metodologias que permitem o desenvolvimento de atividades em qualquer unidade industrial ou artesanal do ramo, tais como unidades de produção de enchidos e outros produtos cárneos, unidades de processamento de cereais e hortofrutícolas, adegas, queijarias, matadouros, moagens”. Além disso, os formandos poderão, depois, também desempenhar funções diversas em associações de produtores, cooperativas agrícolas, empresas de embalamento, comercialização e/ou de distribuição de géneros alimentícios. Neste curso, o objetivo é preparar e formar profissionais capazes de integrar e dinamizar atividades de controlo e processamento alimentar em unidades agroindustriais e artesanais. Como revela a diretora do CTeSP em Tecnologia Alimentar, Clementina Santos, para muitos dos formandos, a formação em contexto de trabalho, ou seja, o estágio, que é realizada no 4º semestre do curso, abre portas para que “possam integrar as instituições que os acolhem”. Para outros, dá-lhes “as valências necessárias para trabalhar nas empresas familiares ou criar o seu próprio negócio”.

Publicado por: “OpiniãoPública”

IPB cresce 95 vagas e dois cursos novos

O Instituto Politécnico de Bragança viu serem-lhe atribuídas mais 95 vagas do que no ano passado. O anúncio foi feito pelo Ministério do Ensino Superior, ontem, dia em que começou a fase de candidaturas ao Ensino Superior. Ao todo são 2003 vagas, que resultam num aumento de oferta em 15 cursos já ministrados e na abertura de dois novos cursos no próximo ano letivo.
O IPB vai abrir Comunicação e Jornalismo no próximo ano letivo, com 25 vagas, para além de música em contextos comunitários, com 30.
Para além disso, os cursos de Solicitadoria, Turismo, marketing e publicidade, ciências informáticas, tecnologia biomédica, Tecnologia e Gestão industrial, Engenharia de Energias Renováveis, Informática de Gestão, Gestão, Engenharia Mecânica, Contabilidade, Desporto, Inglês Espanhol, Biologia e Biotecnologia cresceram no número de vagas disponíveis.
Tecnologia alimentar distinguida
Entretanto, ficou ontem a saber-se que o curso de Tecnologia Alimentar do IPB é um dos 50 melhores do mundo de acordo com o ranking de Xangai. Ficou na 33ª posição. No total estão representadas 15 instituições de ensino nacionais, das quais 12 são universidades públicas.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

Porque a volta tem ciência

Os nossos Cientistas à Volta, no programa HÁ VOLTA da RTP1, na etapa 3 da Volta a Portugal, na cidade de Bragança.
Cientistas:
José Alberto Pereira, professor na Escola Superior Agrária na área da Produção e Tecnologia Vegetal e investigador no Centro de Investigação de Montanha (CIMO) do Instituto Politécnico de Bragança no projeto: “OliveOld”, uma investigação que recai na identificação e caraterização de oliveiras centenárias para obtenção de produtos diferenciados.
Ana Maria Carvalho, professora na Escola Superior Agrária, na área da Biologia e Biotecnologia e investigadora do Centro de Investigação de Montanha do Instituto Politécnico de Bragança, onde é feito um trabalho de reconhecimento e inventariação da diversidade biológica, concretamente em plantas vasculares e macrofungos.
Bruno Navarro, Presidente do Conselho Diretivo do Côa Parque – Museu do Côa

Porque a volta tem ciência!

Publicado em: “RTP”

Três instituições de ensino portuguesas entre as 50 melhores do mundo nas suas áreas científicas

Universidades de Lisboa e Porto e o Politécnico de Bragança no topo do ranking de Xangai por disciplinas. Engenharia Naval do Instituto Superior Técnico é a terceira melhor do mundo.
A Engenharia Naval do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa é a terceira melhor do mundo e há outras cinco áreas científicas em que as instituições de ensino superior nacional estão no Top 50. O ranking de Xangai, o mais antigo e prestigiado do mundo, divulgou na madrugada desta quarta-feira a sua lista especializada por disciplinas que conta com uma forte representação nacional. São 138 cursos de 14 instituições de ensino superior entre os melhores classificados de cada especialidade.
Portugal tem representantes em 37 das 52 disciplinas avaliadas pelo ranking de Xangai nestas listas especializadas. A Universidade de Lisboa é a que tem melhor prestação acumulando 21 lideranças a nível nacional. Seguem-se a Universidade do Porto, que é a melhor portuguesa em cinco áreas, e a de Aveiro, em destaque em quatro áreas científicas.
A fusão entre a Clássica e a Técnica, que deu origem à Universidade de Lisboa, há três anos tornou a instituição “mais abrangente”, defende o reitor António Cruz Serra, o que ajuda a ter uma representação transversal nas várias disciplinas que são aliadas pelo ranking de Xangai, já que havia áreas nas quais as instituições de origem eram já as melhores nacionais nesta lista.
Há outras áreas em que a união resultou num resultado mais positivo, como é o caso da disciplina de recursos hidrográficos, em que a Universidade de Lisboa é a 18.ª do mundo, para isso contribuindo especialidade de Hidrologia do Instituto Superior Técnico e Biologia Marinha da Faculdade de Ciências.
É também da Universidade de Lisboa a disciplina em que Portugal consegue o melhor resultado neste ranking, é na área de Engenharia Marítima, na qual fica em 3.º lugar a nível mundial fruto do trabalho feito na Engenharia Naval do Instituto Superior Técnico. Esta universidade é também a melhor nacional nas áreas de detecção remota (8.º) e na engenharia civil (43.º), uma lista em que Portugal consegue ter seis representantes.

PÚBLICO -
Ao todo, há 14 instituições de ensino superior nacionais nas listas especializadas do ranking de Xangai. Destas, 12 são universidades públicas. De resto, entre as universidades, apenas a da Madeira não consegue entrar em pelo menos uma destas listas dos 500 melhores do mundo em cada área.
O Instituto Politécnico de Bragança é a única instituição politécnica listada. No sector privado, só a Universidade Católica cumpre os critérios do ranking chinês. Ambas as instituições aparecem na lista de Ciência e Tecnologia Alimentar. “É uma das áreas mais fortes do instituto e não me surpreende que esteja entre as melhores do mundo”, comenta o presidente do Politécnico de Bragança, João Sobrinho Teixeira.
“Temos feito um grande investimento no Centro de Investigação de Montanha, em ligação com o território da região e isso está a dar frutos”, valoriza o mesmo responsável. A instituição já tinha estado em destaque no ranking de Leiden, publicado no mês passado, e agora junta-se às universidades de Lisboa e Porto como uma das três instituições
A área de Ciência e Tecnologia Alimentar é a área em que Portugal mais se destaca ao conseguir colocar nove instituições entre as 500 melhores do mundo. O Porto é o melhor classificado nacional nesta disciplina, com a 11.ª posição a nível global. Também o Politécnico de Bragança (50.º) está entre os 50 melhores. Seguem-se a Universidade de Lisboa, no intervalo entre os lugares 51 e 75, a Universidade do Minho (76-100) e as universidades Católica, Nova de Lisboa e de Aveiro (101-150). Entram também na lista desta área a Universidade de Coimbra e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que estão entre o 201.º e o 300.º lugar.
A segunda área com mais representantes portugueses no ranking de Xangai está também relacionada com comida. É nas Ciências Agrárias, na qual Portugal tem sete representantes. Lidera, a nível nacional, a Universidade de Lisboa (no intervalo 51-75), seguindo-se a Universidade do Porto (151-200). As universidades Nova de Lisboa, do Algarve, de Aveiro e de Coimbra estão todas entre o 301º e o 400º lugar. No último intervalo (401-500) surge a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Publicado em: “Público”

Mais informação em: “Jornal Nordeste”

Filhos da Nação – Entrevista com Isabel Ferreira

É uma das investigadoras mais citadas mundialmente, na área das ciências agrárias. Isabel Ferreira tem 43 anos. Vive e trabalha em Bragança, onde coordena o Centro de Investigação de Montanha – que já se estendeu a uma “Rede Ibérica de Investigação de Montanha. A conversa é sobre indústria alimentar, com os olhos postos em substâncias naturais. Programa semanal de entrevistas da RTP Internacional conduzido por Cláudia Almeida. Conversas com portugueses que têm vidas sem fronteiras. Porque são (ou porque foram) emigrantes, porque conhecem a realidade das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, porque as suas vidas ou atividade profissional interessam especialmente à diáspora portuguesa. Um espaço de entrevistas, em jeito de conversa, onde há lugar também para quem veio de fora e escolheu Portugal para viver. Entrevistas com gente que é protagonista. E que tem vidas do tamanho do mundo. Elas e eles são? os filhos da Nação.

Veja aqui a entrevista completa:

http://www.rtp.pt/play/p3168/e295644/filhos-da-nacao#disqus_thread

Publicado em: “RTP”

Politécnicos de Leiria, Bragança e Viana do Castelo lançam licenciatura pioneira com mobilidade em Engenharia Alimentar

Uma licenciatura em Engenharia Alimentar que inclui mobilidade é a nova aposta dos Politécnicos de Leiria, Bragança e Viana do Castelo.
Trata-se de uma licenciatura pioneira no País, que decorre em simultâneo nos três Politécnicos, e que, além da formação científica e técnica de base e da interação com o tecido empresarial e industrial de cada região, leva os estudantes em mobilidade para aquisição de competências nas áreas em que cada instituição é especialista – laticínios e vinhos em Viana do Castelo, recursos alimentares marinhos, hortofrutícolas e cereais em Leiria (Peniche), e carnes e azeite em Bragança.
Rui Ganhão, coordenador da licenciatura em Engenharia Alimentar no Politécnico de Leiria, salienta que «a licenciatura responde às necessidades do mercado, que carece de oferta de mão de obra especializada em Portugal».
Terá uma duração de três anos, e envolve, no primeiro ano, preparação geral base na instituição de origem, e nos três semestres seguintes, mobilidade dos estudantes, para aquisição de competências nas áreas específicas de cada região/instituição.
«Trata-se de uma licenciatura que tem como suporte a metodologia de project based learning, que pretende que haja uma participação ativa na aprendizagem, e por isso, eminentemente prática», explica o docente.

Publicado em: “Revista da Indústria Alimentar”

Mais informação em: “Jornal Nordeste”

Já temos um azeitólogo assumido

É provável que duas das profissões com maior notoriedade na sociedade portuguesa nos últimos 10 anos sejam as de chefe de cozinha e enólogo. O que antes era um cozinheiro que aprendia a custo com outro mais velho, e especialista em não revelar receitas, é hoje um técnico com formação específica cá dentro e lá fora. O que antes era um adegueiro com nariz mais afinado passou a ser um profissional com estudos universitários e estágios em adegas na Austrália ou no Chile. Os chefes e os enólogos são responsáveis por uma grande revolução na restauração e nos vinhos portugueses e, muito justamente, sentem orgulho em dizer que profissões exercem. Os consumidores, não raras vezes, prestam-lhes vassalagem.
Passemos agora ao mundo do azeite. O país deu um salto de gigante. Os olivais são científicos. Os lagares são modelos técnicos de última geração. Os olivicultores mudaram radicalmente a sua cultura organizacional. E, por causa de tudo isto, o país passou a dar cartas nos concursos internacionais. Agora, uma pergunta singela: algum leitor sabe o nome do técnico que faz o seu azeite de eleição? Melhor, algum leitor sabe como se chama o técnico que faz o azeite? Ah, pois é, lá vem a piadinha. Está claro que só pode ser o azeitólogo – nome que, por si só, carrega uma imagem nada glamorosa. Pelo contrário. Em virtude do sector ter andado durante anos embrulhado numa fama pouco recomendável, azeitólogo, na cabeça de muita gente, seria um tipo responsável por certas misturas nos lagares.
No sector da olivicultura, o tema vem por vezes à baila. Que nome dar ao criador de azeites? Técnico de azeite? Oleiólogo? Azeitólogo? Outro. Admito que se possa um dia arranjar um nome que não provoque risinhos. Mas, para o que hoje nos interessa, temos de dar os parabéns à empresa Masaedo, pelo facto de ter a coragem de – julgamos que pela primeira vez – mencionar nos contra-rótulos dos seus azeites com a marca Terras Dazibo o nome do azeitólogo que os cria. A saber: Nuno Rodrigues, jovem investigador do Instituto Politécnico de Bragança, que é um valor seguro no mundo do azeite. Rigoroso, metódico, tem capacidade de, por via da prova, detectar tudo o que um azeite tem de bom e de mau. Um nome a fixar.
Numa parceria com a Olimontes (lagar de Macedo de Cavaleiros), os três fundadores da Masaedo assumem que não são profundos conhecedores em olivicultura. Na realidade, Mónica Soares, António Soares e António Bernardino Ribeiro são especialistas de tecnologias de informação que vivem no Porto. Mas, com raízes no interior do país, são gente que sente que o mundo rural não tem de ser uma eterna lamúria.
Percebendo que o azeite tem ainda um longo caminho para se valorizar junto de consumidores exigentes, a equipa da Masaedo socorreu-se dos conhecimentos de Nuno Rodrigues para a feitura dos lotes dos diferentes Terras Dazibo, sendo que os azeites Bio e Gold são as mais recentes referências da marca.
Da colheita passada, os responsáveis da Masaedo separaram lotes especiais, quer pelo facto de serem virgem extra quer pelo facto de testemunharem a matriz de um azeite transmontano. E foi a partir daqui que Nuno Rodrigues teve a oportunidade de, por um lado, engarrafar um azeite resultante de modo de produção biológica e, e por outro, um daqueles azeites que, mesmo em prova cega, não deixa de levar o provador para o terroir de Trás-os-Montes.
O Terras Dazibo Bio está naquela fronteira classificativa entre o azeite maduro e verde ligeiro, com notas de frutos secos e tomate seco. Na boca sentimos as notas doces e o sabor a amêndoa. Os amargos são poucos expressivos, mas as sensações picantes aparecem no final da prova. Vamos imaginar que nos apetece apresentar à mesa uma travessa com umas conversas variadas (atum, bacalhau ou carapaus) e que decoramos os peixes com umas folhas de orégãos secos. Neste caso, um fio deste Terras Dazibo Bio será a sugestão.
O Gold é, parece-nos, um caso mais sério pelo facto de revelar complexidade e intensidade aromática no nariz, onde se destacam diferentes descritores na família dos frutados verdes. Folha de oliveira, casca de amêndoa verde e, depois, para nos seduzir, ligeiros perfumes de rúcula e algumas flores da ribeira. Na boca sentimos rapidamente as sensações amargas e um picante que vem em crescendo, tudo equilibrado e bem envolvido pelos frutos secos verdes. Polivalente à mesa (em especial com carnes acabadas de sair do forno), este é daqueles azeites que dá jeito ter num copo tipo vinho do Porto para ser cheirado e provado ao longo da refeição. Vicia, o gajo.
Posto isto, esperemos que outras marcas venham a colocar na garrafa a identidade de quem faz os seus azeites. Assim como toda a gente compra vinhos da região A ou da região B pelo facto de serem assinados por um determinado enólogo, isso acontecerá com os azeites. Afinal de contas, são os próprios olivicultores que têm a ganhar. É muito benefício para uma singela linha no contra-rótulo.

Publicado em: “Jornal de Negócios”

“É necessário saber explorar e valorizar”


Professora e investigadora do Instituto Politécnico de Bragança, Isabel Ferreira foi considerada pelo conhecido ranking internacional da Thomson Reuters uma das cientistas mais influentes do mundo na área das ciências agrárias em 2015 e em 2016.
Esta entrevista foi feita por esse motivo, mas surge, agora, no âmbito das Comemorações dos 553 anos de Bragança Cidade, em que, durante a Sessão Solene Comemorativa, que aconteceu no Teatro Municipal, a investigadora do Politécnico de Bragança foi agraciada com a entrega da Medalha Municipal de Mérito.

ENTREVISTA:

Diário de Trás-os-Montes (DTM): Estudou Bioquímica na Universidade do Porto e antes dos 30 anos já estava doutorada em Química pela Universidade do Minho. Em 2014, já tinha conquistado o 1.º lugar no ranking da Agricultural Science University. Essa consagração fazia adivinhar o sucesso e o reconhecimento que viria no ano seguinte?
Isabel Ferreira (IF): Sim, todos estes reconhecimentos têm sido graduais e, portanto, conquistados ao longo destes últimos anos.
DTM: O que é que significou para si estar no restrito lote dos seis portugueses que influenciam a ciência a nível mundial?
IF: Significa o reconhecimento de muito trabalho, muita determinação e empenho na investigação que fazemos aqui no Centro de Investigação de Montanha, em particular na minha equipa. Quando nós desenvolvemos os trabalhos de investigação não estamos a pensar nem em rankings, nem em prémios, estamos a pensar que queremos contribuir para a evolução da ciência da melhor forma que sabemos e, obviamente, faltando-nos sempre critérios de excelência na investigação. Este reconhecimento é muito agradável para nós, sem dúvida, é uma motivação e uma recompensa, também, por todo este esforço.
DTM: A sua vida mudou em que aspetos depois da divulgação da lista?
IF: É como eu disse, é sempre bom este reconhecimento, traz-nos maior visibilidade, no entanto, a visibilidade que a minha equipa tinha a nível mundial já era bastante notória, portanto, já era pouco expectável, também, para nós atingir estas posições. Por isso continuamos a fazer a investigação com os recursos que temos, com os recursos materiais e humanos que temos, e tentamos sempre divulgar ao máximo não só a ciência, mas o nome da instituição onde fazemos essa ciência, quer no Centro de Investigação de Montanha, quer no Instituto Politécnico de Bragança e, por isso, para nós também é uma honra divulgar o nome do Instituto e de Bragança no mundo.
DTM: São suficientes os recursos que tem ao seu dispor?
IF: Em termos de recursos materiais e financeiros sim, estamos dotados com equipamento e tecnologia de ponta e que nos permite fazer uma investigação ao nível do que se faz no resto do mundo. Agora, é importante que haja um poço de investimento ao nível dos recursos humanos, porque tal como a minha equipa há muitas equipas neste país que têm jovens doutorados com um talento imenso e não gostaríamos de perder para outras equipas, nomeadamente, estrangeiras. Para isso precisamos de assegurar financiamento para manter estes recursos humanos.
DTM: Uma investigadora da sua estirpe podia fazer investigação em qualquer parte do mundo, porquê Bragança?
IF: Bragança é a minha terra natal, foi aqui que eu vivi exceto o tempo em que estive na Universidade do Porto para a licenciatura e depois o mestrado e o doutoramento que já fiz na Universidade do Minho. Mas, Bragança, por questões familiares, por questões de qualidade de vida, mas, maioritariamente, muitas razões afetivas fizeram-me escolher esta cidade. Estou muito satisfeita por estar aqui, e estando aqui também consigo chegar, como fica notório com este ranking, ao resto do mundo, por isso é indiferente estar em Bragança ou na Califórnia, ou em Cambridge. É relativo.
DTM: Mas se pudesse escolher, escolheria outro local se lhe dessem outras condições, talvez até um melhor salário?
IF: Não, nesta fase da minha vida não. Não sei como é que será o futuro, eu estou no sítio que escolhi, tenho feito um trabalho, eu e a minha equipa, no qual nos orgulhamos, estamos satisfeitos em viver aqui, temos alcançado os objetivos que nos propomos e as metas que nos propomos, por isso não sinto muito essa diferença de estar aqui ou estar em qualquer outra cidade. E depois, também é preciso não esquecer que sendo investigadores somos funcionários públicos e por isso não há essa questão como há noutras áreas como no mundo do futebol em que se pode negociar salários, não. Nós temos uma carreira e temos que respeitar essas regras porque escolhemos e eu, particularmente, também escolhi estar na função pública.
DTM: Citando uma fonte, “Isabel Ferreira é vista como a cientista que está a desbravar uma das áreas mais dinâmicas da investigação agroalimentar”. Poderia explicar em que consiste o seu trabalho?
IF: Eu gosto de falar sempre no plural, é o nosso trabalho porque é uma equipa, que eu lidero e que, realmente, vem no seguimento de uma investigação que iniciou há vários anos, em que começámos por estudar, caracterizar em detalhe muitas espécies de plantas e cogumelos da nossa região. Dessa inventariação química que nós fizemos, apercebemo-nos que existem espécies que tem um alto valor e um alto potencial, no sentido em que são fontes de moléculas muito interessantes para a indústria alimentar, para a indústria cosmética, enfim. E, portanto, aquilo que temos feito nos últimos anos é obter substâncias a partir de plantas e cogumelos, e utilizá-los como ingredientes naturais na formulação de alimentos a que nós chamamos de alimentos funcionais, que são alimentos que trazem benefícios para a saúde do consumidor. E, portanto, temos desenvolvido metodologias e estudamos todos os processos que passam desde a extração até à purificação de determinadas substâncias para, depois, incorporá-las em alimentos.
Nesses ingredientes, ou com esses ingredientes, nós podemos visar questões relacionadas com conservantes, nomeadamente conservantes naturais, nomeadamente, que substituam aditivos químicos, que são usados atualmente, mas, também, por exemplo, corantes alimentares ou substâncias bioquímicas em geral.
DTM: Ou seja, a sua investigação vem no sentido de descobrir novas moléculas nos cogumelos e nas plantas da região de Bragança para criar corantes e conservantes naturais. Mas como é que o seu trabalho poderá influenciar a vida de cada um de nós?
IF: Bom, o trabalho que nós fazemos, para já, tem como objetivo constituir um avanço em relação ao estado da ciência atual. Existem muitos desafios científicos no desenvolvimento destas novas substâncias. É preciso estudar, por exemplo, a estabilidade destas substâncias, como é que elas se comportam depois de incorporadas nas matrizes alimentares, ou seja, claro que nós estamos interessados no efeito final, mas, para nós, é muito mais gratificante ultrapassar todos estes desafios científicos que se nos colocam quando trabalhamos na área dos produtos naturais. A ideia é realmente substituir aditivos químicos que hoje em dia são utilizados nos produtos alimentares massivamente. E que têm com eles associados alguns efeitos de toxicidade, que diminuem a confiança do consumidor em relação a esse tipo de aditivos. E, para além disso, existe também uma controvérsia entre a legislação europeia e a legislação americana, há aditivos alimentares que estão proibidos na Europa e que são permitidos nos Estados Unidos e vice-versa. E portanto, nós apercebendo-nos, realmente, de todas estas questões que não estão clarificadas para o consumidor, decidimos, não somos os únicos, como muitos outros grupos no mundo, dedicar-nos à descoberta de substâncias naturais que tenham menos toxicidade do que os aditivos químicos que são, hoje em dia, utilizados na indústria alimentar como conservantes ou corantes. E, ao mesmo tempo, valorizar as matrizes da nossa região porque, realmente, somos muito ricos em termos de biodiversidade. E podemos tirar partido, também, das imensas espécies que nós temos na região e utilizá-las como fonte dessas substâncias.
DTM: Falou em discrepâncias em termos da legislação europeia e legislação americana. Na sua opinião, não deveria existir uma legislação comum, a nível mundial?
IF: Sim, caminha-se um pouco nesse sentido, mas tem a ver precisamente com as leis que se seguem em cada situação. E, também, com a própria evolução da ciência porque a ciência tem um contributo muito importante. Nós hoje, por exemplo, podemos considerar uma substância relativamente segura, mas mais tarde podem aparecer testes que comprovem alguma diminuição dessa segurança. Portanto, também é um papel da ciência contribuir para o avanço dessas listas, digamos assim, onde estão os aditivos que são permitidos e os que são proibidos.
DTM: Como é que analisa a investigação em Portugal? Recomenda-se?
IF: É de elevada qualidade como é sabido, em termos nacionais e internacionais. Os investigadores portugueses que vão para fora têm sempre as melhores referências. A investigação que nós fazemos também tem que se tornar cada vez mais competitiva. Obviamente, que existem países que aparecem sempre destacados nos rankings de ciência. De qualquer forma o investimento que tem sido feito nos últimos anos na ciência começa, agora, a permitir-nos visualizar os primeiros resultados, realmente, do impacto da ciência que os portugueses fazem em todo o mundo.
DTM: Então qual será a razão tantos cientistas portugueses emigrarem para o estrangeiro? Acha que não oferecem as condições necessárias aqui em Portugal para singrarem?
IF: Sim, às vezes acontece essa situação, embora podem ser múltiplas razões, pode ser uma questão de embraçar desafios profissionais diferentes ou integrar outros laboratórios mais especializados num determinado assunto, mas, certamente, também terá a ver com a falta de consolidação que existe em Portugal em termos das carreiras de investigação científica.
DTM: Enquanto cientista, considera que o interior do país esteja a viver um momento de estagnação quanto ao seu desenvolvimento, ou pelo contrário, considera que o Interior norte esteja a passar um período de crescimento?
IF: Espero que sim, do ponto de vista científico, somos detentores do conhecimento. Agora, é necessário saber explorar e valorizar. E, portanto, acho que o interior, obviamente, tem de contar com variadíssimos apoios, mas tem condições para tirar partido desse conhecimento que detém em múltiplas áreas do saber.
DTM: E como é que poderia tirar partido, ou que políticas poderiam ser implementadas para contribuir para a fixação da população?
IF: Basicamente, precisamos de financiamento. Porque, realmente, temos o conhecimento, temos, também, infraestruturas em termos de recurso s materiais, precisamos é de fixar cientistas consolidados na nossa região e, para isso, é preciso um investimento em termos de recursos humanos, como disse anteriormente, isso era o mais importante. Se conseguirmos fixar esses jovens talentos, em termos de ciência, obviamente vamos, também, com a própria ciência que eles vão dinamizar, criar novos postos de trabalho que é sempre importante no combate ao despovoamento que às vezes a nossa região sofre.
DTM: Quais os objetivos que gostaria de alcançar enquanto cientista, enquanto investigadora e enquanto docente do IPB?
IF: Os objetivos passam por continuarmos a fazer uma investigação que seja reconhecida pelos nossos pares, com o tem sido até agora, e que seja pautada por níveis de excelência em termos de qualidade científica. É importante, também, continuarmos a liderar, a termos liderança, que é o que acontece com a minha equipa nesta área, a ter uma liderança mundial destacada, e que todas as pessoas da minha equipa sobretudo os jovens doutorados tenham muito sucesso profissional e que encontrem espaço e oportunidade para desenvolver toda a ciência que vão aprendendo, também, enquanto estão na sua formação.

Publicado em: “Diário de Trás-os-Montes”

A investigação científica tem estado a atrair pessoas a Bragança

Ciência atrai investigadores a Bragança. Duas investigadoras do Instituto Politécnico de Bragança integram a lista de cientistas portugueses mais citados a nível mundial.

Publicado em: “RTP”