Valorizar o azeite de Trás-os-Montes


Lançada em novembro de 2015, em Macedo de Cavaleiros, a marca Terras D’Azibo promete acrescentar valor no mercado nacional e internacional através dos prestigiados azeites produzidos. António Soares, Berbardino Ribeiro e Mónica Freitas são os sócios que arriscaram numa nova experiência no setor do azeite, tendo já sido galardoados com diversos prémios nacionais e internacionais. Especializados há 25 anos na área de tecnologias de informação, os três sócios decidiram realizar um novo projecto muito ligado às raízes de Trás-os-Montes de um dos sócios, António Soares. Este foi o pricipal influenciador para que a restante equipa se aventurasse no azeite. A partir daí e muito rapidamente, “perceberam que havia uma oportunidade grande, onde avaliamos e avançmos”. Para os mais curiosos, o nome do azeite foi pensado na albufeira de Macedodo de Cavaleiros, cujo nome é Albufeira do Azibo, assim os sócios enquadraram o nome para Azeite Terras D’Azibo.
Construindo o seu próprio caminho, a marca ganhou destaque no mercado e está desde o inicio aliada ao parceiro Olimontes (lagar), liderado por Casimiro Cabeça, engenheiro, “um empresário local fantástico e que está connosco desde a primeira hora, sempre com uma visão extraordinária na
parte industrial”, assinala António Soares, bem como parceria com o Instituto Politécnico de Bragança, Escola Agrária com José Alberto Pereira, professor, e Nuno Rodrigues, engenheiro, na assessoria técnica
a todo o trabalho envolvente à produção dos azeites.
Terras Dazibo, Olimontes e Instituto Politécnico de Bragança partilham a função de educar internamente e melhorar os processos de produção. Para isso, “tivemos de reeducar os hábitos da nossa equipa. Estamos num bom caminho se olharmos para os resultados daquilo que estamos a produzir”, refere.
Tendo como azeitólogo Nuno Rodrigues, a empresa centra-se na valorização do azeite e na produção correta e consciente.
“Se o fruto nos chegar em condições temos o dever de o fazer bem”, acrescenta.
O lagar onde é feita a produção sofreu algumas alterações face ao acompanhamento atento da modernização dos equipamentos
tendo como objectivo primordial a laboração e transformação da azeitona da região.
Com uma alargada gama de azeites, apresentam duas marcas: Azeite Terras Dazibo e Azeite Olimontes.
Um azeite tipicamente transmontano que se diferencia pela alta qualidade. É essencialmente feito das variedades Cobrançosa, Madural e Verdeal. O Ânfora Terras Dazibo, descrito como “o cartão de visita”, foi um dos premjados na Feira Nacional da Agricultura em Santarém mais precisamente no Concurso Nacional de Azeites de Portugal com Medalha de Prata na categoria Verde Médio. Este prémio, no meio de tantos outros nacionais e internacionais recebidos pela empresa, é
um reconhecimento do árduo trabalho e dedicação colocada diariamente em tudo o que fazem, nunca esquecendo o acréscimo de valor e da qualidade de um bom azeite português.
A pensar nos turistas que muitas vezes só trazem consigo uma mala de cabine, desenvolveram um pack de degustação com três azeites,
nomeadamente um suave, um médio e um intenso.
Biológico
Numa altura em que a sociedade fala cada vez mais em produtos naturais, não poderiam deixar de se empenharem também na criação de um azeite bio que, tal como a própria palavra indica, é feito de forma totalmente biológica “com variedades que não podemos alterar”, explica António Soares. Só em azeites biológicos, este ano produziram
cerca de 25.000 litros.

Publicado por: “Revista Business Portugal”

CHEIRA BEM, CHEIRA A DOURO

De uma colheita para a outra, a Quinta dos Lagares produziu um azeite que encantou em Nova Iorque
Os donos da Quinta dos Lagares (Isabel Sarmento e Pedro Lencart) deveriam ser pagos pelo Ministério da Agricultura para passearem pelo País a dar a provar o seu azeite do Douro Zabodez, que sacou uma medalha de ouro em Nova Iorque.
Não é tanto pela medalha, porque na mesma categoria foram acompanhados por outros 23 produtores nacionais (65 no total se tivermos em conta as medalhas de prata), mas sim pelo salto qualitativo que o azeite desta quinta deu de um ano para o outro.
Da colheita de 2016/2017 fizeram um azeite que tinha muito interesse para, em aulas da especialidade, mostrar aos alunos aqueles que, infelizmente, ainda continuam a ser os mais habituais defeitos dos azeites: tulha, avinhado e borras.
Na última campanha – e depois de Isabel Sarmento ter feito um curso no Instituto Politécnico de Bragança – tudo mu- dou. E tudo são dois detalhes: em primeiro, a produção de azeitonas sãs, colhidas no tempo certo e transportadas rapidamente para o lagar; em segundo, a escolha de um lagar competente. E assim se passou de um azeite defeituoso para outro cheio de virtudes.
Ora, tendo em conta o que ainda se passa por muitas regiões do País, seria serviço de interesse público se o Pedro e a Aqui temos notas de maçã e tomate verde, misturadas com os cheiros de casca de amêndoa verde, que muitas vezes nos fazem lembrar a amêndoa amarga. Verde ligeiro, tem os amargos e picantes no ponto certo. Nem um tom acima, nem um tom abaixo. Harmonioso.
ZABODEZ DOURO
PRODUTOR QUINTA DOS LAGARES
VARIEDADES MADURAL, COBRANÇOSA, VERDEAL, CORDOVIL, BICAL E GALEGA
Isabel andassem por aí – nas feiras, nas lojas, nos restaurantes e até nas redações de jornalistas a mostrar os azeites de 2016/17 e de 2017/2018.
É que, por mais que os consumidores estejam ainda agarrados a azeites defeituosos, se cheiraram e provarem este Zabodez jamais aceitarão azeites com tulha, fermentado, mofo e afins. Não é possível.
E isto porque, nesta garrafa, temos uma panóplia de cheiros e sabores que só se encontram no Douro, razão pela qual começa a ser um insulto à inteligência e ao bom do gosto dos portugueses o atavismo burocrático que impede a possibilidade de se criar uma denominação de origem protegida Douro. O azeite é do Douro? É, pois. Mas isso não pode vir na garrafa. Estão a ver o Ricardo Araújo Pereira a imitar o Marcelo sobre o referendo ao aborto? É exatamente a mesma coisa.
A raridade é tal que mil oliveiras deram mil garrafas

Publicado por: “Pressreader”

Lagar une-se ao Politécnico de Bragança para criar azeite gourmet

Produto ‘gourmet’ faturou 1,5 milhões de euros em 2017 e que quer crescer para a Arábia Saudita, Canadá e EUA.
Um lagar de azeite em Trás-os-Montes fez uma parceria com investigadores do Politécnico de Bragança, que resultou num produto ‘gourmet’ que faturou 1,5 milhões de euros em 2017 e que quer crescer para a Arábia Saudita, Canadá e EUA. “É um azeite de características transmontanas, um azeite de olival tradicional, um azeite verde, com muito sabor a frutos secos – noz e amêndoa – quimicamente e sensorialmente irrepreensível, sem defeito nenhum”, descreveu António Soares, um dos mentores da marca de azeite Terras Dazibo, produzido no lagar Olimontes.
Os bagos de azeitona nascem em olival tradicional em Macedo de Cavaleiros, em Bragança, e o azeite começa a ser produzido no Olimontes, um lagar desenhado de acordo com as exigências de modernas tecnologias de extração. Países como Espanha, França, Luxemburgo, Bélgica, Suíça ou Inglaterra já estão a importar aquele azeite produzido no lagar de Trás-os-Montes, mas António Soares revela que o futuro do negócio passa por vender para a Arábia Saudita, Qatar, Barém, EUA e Canadá. “Estamos a ultimar e a negociar contratos, com algum músculo, (…) com cadeias internacionais de negócio na área da distribuição da ‘delicatessen’ [produtos ‘gourmet’], com algumas das maiores referências internacionais, com parte dos países árabes, os EUA e o Canadá”, contou António Soares, referindo que o objetivo da marca é levar os azeites da marca, desde o biológico ao virgem e ao extra virgem, “pelo mundo fora”. A marca Terras Dazibo, nome que nasceu a partir do nome da Albufeira do Azibo, foi lançada no mercado em novembro de 2015, em Macedo de Cavaleiros, com três sócios e em parceria entre o lagar Olimontes e o Instituto Politécnico de Bragança. “Fizemos uma parceria com o Instituto Politécnico de Bragança, com o azeitólogo investigador Nuno Rodrigues e com o professor José Alberto Pereira, que já eram conhecedores no panorama oleico nacional”, explicou António Soares. O volume de negócios do lagar Olimontes, aliado à marca de azeite transmontano, ultrapassou em 2017 os 1,5 milhões de euros, avançou António Soares, referindo que se trata de um valor “muito grande”, mas que congrega não só o azeite ‘premium’ engarrafado, mas também o azeite a granel e o de garrafão. Na campanha de azeite de 2017, considerado um ano excecional na produção, o Olimontes processou 3.750 toneladas de azeitona, produzindo cerca de 600 mil litros de azeite. “Já fizemos mais de 500 toneladas de azeite na campanha de 2017”, contou o responsável, indicando, porém, que este valor pode aumentar. Em maio de 2017, quatro garrafas de azeite Ânfora, produzido no Olimontes, conquistaram em Nova Iorque a medalha de ouro na Competição Internacional de Azeite daquela cidade, na categoria Medium Brands, recorda António Soares. Os azeites produzidos no lagar transmontano também receberam medalhas de prata no concurso “London International Olive Oil Competition 2017”.

Publicado por: “Jornal Nordeste”

Porque a volta tem ciência

Os nossos Cientistas à Volta, no programa HÁ VOLTA da RTP1, na etapa 3 da Volta a Portugal, na cidade de Bragança.
Cientistas:
José Alberto Pereira, professor na Escola Superior Agrária na área da Produção e Tecnologia Vegetal e investigador no Centro de Investigação de Montanha (CIMO) do Instituto Politécnico de Bragança no projeto: “OliveOld”, uma investigação que recai na identificação e caraterização de oliveiras centenárias para obtenção de produtos diferenciados.
Ana Maria Carvalho, professora na Escola Superior Agrária, na área da Biologia e Biotecnologia e investigadora do Centro de Investigação de Montanha do Instituto Politécnico de Bragança, onde é feito um trabalho de reconhecimento e inventariação da diversidade biológica, concretamente em plantas vasculares e macrofungos.
Bruno Navarro, Presidente do Conselho Diretivo do Côa Parque – Museu do Côa

Porque a volta tem ciência!

Publicado em: “RTP”

Primeiro painel de provadores de azeitona do país está a desenvolver-se em Bragança


Investigadores do Instituto Politécnico de Bragança formaram o primeiro painel de provadores de azeitona de mesa, a nível nacional, há dois anos. Até ao próximo dia 13 estão a aceitar inscrições para novos cursos de provadores, não só de azeitona mas também de azeite.
Ainda não é obrigatório submeter a azeitona de mesa a um painel de provadores que ateste a sua qualidade sensorial para poder comercializá-la mas no Instituto Politécnico de Bragança (IPB) já é possível fazê-lo.
Os investigadores acreditam que, nos próximos anos, esta análise, considerada importante para determinar a qualidade da azeitona, deverá ser obrigatória e, por isso, há dois anos que estão a formar provadores. “O painel de azeitona de mesa da Escola Superior Agrária de Bragança começou há dois anos e é o primeiro, a nível nacional. Surgiu através do convite feito pelo Conselho Oleícola Internacional para frequentarmos o primeiro curso de chefes de painel de azeitona de mesa, uma vez que éramos a instituição, a nível nacional, que mais trabalho tinha dedicado a este alimento”, contou ao Nordeste o professor José Alberto Pereira.
Como é o único no país habilitado a fazer este tipo de provas, o laboratório do IPB é procurado por várias empresas e associações de produtores da região transmontana, mas também de outras localidades do país, como é o caso da Associação de Produtores de Azeite da Beira Interior (APABI).
José Alberto Pereira, professor e investigador na área de olivicultura, da azeitona e do azeite há mais de 20 anos, não tem dúvidas de que a região transmontana é “a mais importante, a nível nacional, em termos de produção de azeitona de mesa” e “a segunda, em termos de produção de azeite”.
O facto de ainda haver poucos provadores de azeitona de mesa, dificulta a formação destes painéis e, na opinião do docente do IPB, esse pode ser esse um dos motivos pelos quais ainda não é obrigatório este tipo de avaliação. “Não há painéis formados, a nível mundial, que sejam capazes de responder às solicitações que possam ter. É um processo muito recente, que começou em 2007. A norma de avaliação sensorial de azeitona de mesa, que está em vigor, saiu apenas em 2011”, esclareceu.
Painéis de provadores contribuem para uniformizar os produtos
São cada vez mais os produtores de azeitona que submetem o seu produto a um painel de provadores. Desta forma, conseguem “melhorar a qualidade, uniformizar o produto, corrigir erros e detectar defeitos”, dizem os especialistas.
O mesmo acontece com o azeite, em que juntamente com a análise química a avaliação sensorial é obrigatória para a sua classificação de acordo com a categoria comercial.
Na Escola Superior Agrária, do Instituto Politécnico, realizam-se provas de azeite e de azeitona de mesa. No caso do azeite, esta avaliação determina a classificação do azeite, em “Azeite Virgem Extra” ou “Azeite Virgem”, se forem de qualidade quer química quer sensorialmente, e quando não está apto para consumo é classificado de “Azeite Lampante”, ou seja de baixa qualidade. Quando o azeite não tem defeitos sensoriais e é frutado, é classificado em “Azeite Virgem Extra”, “se tiver um defeito ligeiro, será classificado em “Azeite Virgem”. Se tiver um defeito grande, não pode ser classificado como azeite virgem e passa a ser “Azeite Lampante”, que não pode ser consumido directamente nem pode ser vendido ao público. Este tipo de azeite tem que sofrer um processo de afinação para poder entrar no mercado”, explicou José Alberto Pereira.
No caso da azeitona, a de qualidade superior é classificada como de “categoria Extra”, podendo as restantes serem classificadas de “Primeira Categoria”, “Segunda Categoria” ou “refugo”. Para os produtores, a formação nesta área é muito importante, na medida em que ajuda a definir padrões de qualidade. É por isso que Rui Bernardo Fernandes, jovem empresário e produtor de azeitona de mesa e azeite, vai inscrever-se na formação de provadores. “Já fiz um curso de provador de azeite e, como é lógico, a azeitona tem ainda mais interesse porque me ajuda a conhecer os critérios de avaliação deste produto”, referiu o jovem de 27 anos, natural de Vale de Gouvinhas. A empresa de Rui Fernandes escoa cerca de cinco toneladas de azeitona de mesa por ano, sobretudo para o mercado português e para o mercado de emigrantes em França.
Também o curso de provador de azeite, foi importante par o produtor que afirma que passou a “saber distinguir melhor o bom azeite do bom azeite”, o que é essencial na hora de comprar
Formação gratuita para quem quiser ser provador de azeite ou de azeitona
Nem sempre é fácil ter o número de provadores mínimo para poder formar um painel. Alguns dos provadores são alunos do IPB, o que faz com que, muitas vezes deixem de poder participar nas provas, depois de acabarem os cursos, por se ausentarem da cidade de Bragança.
É por isso que os investigadores querem formar novos provadores. Os interessados podem inscrever-se até ao dia 13 de Janeiro. A formação deverá começar no dia 19 e decorrerá às terças e quintas entre as 17 e as 18 horas. Os interessados podem inscrever-se na formação de provadores de azeite, que decorrerá às terças, ou na de provadores de azeitona, que decorrerá às quintas. A formação é gratuita e os interessados podem frequentar as duas em simultâneo. O objectivo é ter, pelo menos 15 provadores, sendo que, actualmente, existem apenas 8. Um dos responsáveis por esta formação é Nuno Rodrigues. O jovem de 28 anos, natural de Braga, começou por tirar a licenciatura em Engenharia Alimentar no IPB e acabou por ficar na instituição, onde tem vindo a completar o seu percurso académico, encontrando-se, nesta altura a frequentar o doutoramento em Engenharia de Biossistemas. “Ganhei uma paixão pela região, não só pelas paisagens mas também pelos produtos. Fiquei na região também pelo gosto pelo azeite. A partir de 2012, comecei, por brincadeira, mas também por interesse no tema, a provar azeite. Actualmente, nesta época do ano, provo entre 10 a 15 amostras por dia”, contou ao Jornal Nordeste.
Conseguir bons provadores pode não ser tarefa fácil
Conseguir um painel formado por bons provadores, pode não ser tarefa fácil. É difícil arranjar pessoas que provem bem mas, com o passar do tempo, as pessoas acabam por se habituar. É um treino exaustivo, são precisas muitas sessões para que as pessoas se comecem a habituar. Por vezes, estão habituadas a consumir produtos com defeito e associam aquilo que conhecem à boa qualidade”, referiu Nuno Rodrigues.
O investigador explica que “não é preciso ter formação na área para se inscrever”, admitindo que, muitas vezes há alguma reticência em provar azeites mas, depois acabam por se interessar cada vez mais pelo tema. “Normalmente, quando se fala em provar azeites, as pessoas ficam um bocadinho reticentes, pois gostam mais de provar vinhos… Quando começam a entrar na área, vêem que, realmente, não é mau. Quando descobrem que o azeite pode ter um aroma e sabor muito interessantes, acabam por ficar com interesse em provar cada vez mais e melhor.”, contou.
Azeite amargo e picante é o de melhor qualidade
Uma das dificuldades ao formar um painel de provadores, é conseguir habituar o paladar ao sabor amargo e picante de alguns azeites. Ao contrário do que muitas pessoas pensas, o amargo e o picante dos azeites são atributos sensoriais positivos, e só são possíveis de detectar estas características através das provas sensoriais, daí que o investigador José Alberto Pereira considera que este tipo de análise sejam tão importantes como a análise química.
“Fala-se, sobretudo nos parâmetros químicos, nomeadamente na acidez. Mas, a acidez não é o parâmetro mais importante na classificação comercial de azeite, a acidez não se sente na boca, o que sente muitas vezes é o amargo e o picante que, contrariamente ao que as pessoas pensam, são aspectos positivos e não negativos. Estão muito associados à qualidade e frescura das azeitonas e ao bom trabalhar dos lagares”, referiu. O professor da Escola Superior Agrária de Bragança não tem dúvidas que, quando se tem “um azeite muito amargo, muito picante e com muito cheiro a frutos, isso significa que temos um azeite de muito boa qualidade”.
A influência da época da apanha da azeitona na qualidade do azeite
Além da qualidade da azeitona, a qualidade do azeite é influenciada pela época e características da apanha da azeitona, bem como da forma de funcionamento do lagar onde o azeite é extraído, que deve ter asseguradas condições de higiene e laborar a baixas temperaturas, nunca superiores a 27 graus, já que o azeite deve ser visto como um sumo de azeitona que se vai degradar com as altas temperaturas.
Os investigadores têm vindo a defender que a apanha da azeitona se realize o mais cedo possível, de forma a evitar as geadas. Esta tese é seguida pelos investigadores do IPB. “A melhor época para a apanha da azeitona, varia consoante a região e a variedade de azeitona. No entanto, aconselhamos sempre a que seja colhida antes das geadas. Há a ideia de que, com o frio, aumenta o rendimento da azeitona, mas é uma falsa questão. A gordura é exactamente a mesma, mas como as azeitonas perderam água parece que o rendimento em azeite é superior”, esclarece José Alberto Pereira. De acordo com os especialistas, a azeitona do chão não deve ser apanhada, ou quando isso acontece, não pode ser misturada com a azeitona colhida do ar. Por outro lado, após a colheita, as azeitonas devem ir para o lagar para serem transformadas num período máximo de 24 horas.
TESTEMUNHOS
Estudantes de Engenharia Alimentar interessados em ser provadores:
Stéphanie Dischler, 24 anos – Valpaços: “A minha mãe produz azeitona de mesa em Vilela, Valpaços. Não sabia que nos podíamos inscrever como provadores mas estou a pensar fazê-lo”.
Francisca Ferraz, 21 anos – Braga: “Vou-me inscrever como provadora. Desde uma aula que tivemos de prova sensorial de azeite que fiquei fascinada pela área do azeite e da azeitona”.
Francisca Patrícia, 21 anos – Vila Nova de Foz Côa: “Fiquei fascinada com as provas sensoriais. Estou a gostar bastante da licenciatura e vou-me inscrever no painel de provadores”.
Maria José Miranda do Douro, 55 anos, – professora do Departamento de Biologia e Biotecnologia: “Já sou provadora de carne e azeitona. Comecei a participar nas sessões de provas de azeite e gostei muito.”

Publicado em: “Jornal Nordeste”

Concurso de Azeite Virgem de Trás-os-Montes e Alto Douro’

Estreia-se este ano o ‘Concurso de Azeite Virgem de Trás-os-Montes e Alto Douro’ (CAVTAD), uma iniciativa que decorrerá por ocasião da quinta edição do ‘Festival do Vinho do Douro Superior’ (FVDS).

O concurso acontece nos dias 19 e 20 de maio, na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança, e os vencedores são anunciados no domingo, dia 22 de maio, pelas 17h00, durante o certame que decorre no ExpoCôa – Pavilhão de Exposições e Feiras de Vila Nova de Foz Côa.
José Gouveia, professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia e grande especialista em azeites, é o presidente do júri do CAVTAD, acompanhado pela dupla de diretores técnicos Francisco Pavão (da APPITAD – Associação dos Produtores em Proteção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro) e José Alberto Pereira (da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança).
Nesta primeira edição, o júri integra profissionais de referência na área da análise sensorial de azeites virgem, garantindo aos produtores da região uma oportunidade de exceção para mostrar o dinamismo e o potencial da sua atividade.
‘Frutado Maduro’, ‘Frutado Verde’ e ‘Frutado Verde Intenso’ são as três categorias de azeite a concurso, às quais serão atribuídas medalhas de ouro, prata, bronze e menções honrosas, havendo ainda lugar para duas distinções especiais para os melhores ‘Azeite de Cooperativa’ e ‘Azeite de Quinta’.
Desde a primeira edição, o ‘Festival do Vinho do Douro Superior’ tem dado destaque ao azeite, tendo contado com provas comentadas.
A adesão e interesse suscitado em edições anteriores por concursos semelhantes, mas com vinho em vez de azeite, esteve na base da ideia de se criar um ‘Concurso de Azeite Virgem de Trás-os-Montes e Alto Douro’, que premiasse e desse a conhecer o que de melhor se produz na região.
O protagonismo adquirido pelo azeite que se manifesta neste primeiro concurso, não deve fazer esquecer o contexto em que ocorre, que é o da celebração de algumas das mais prestigiadas marcas de vinho do Douro feito de 20 a 22 de maio, em Vila Nova de Foz Côa, terra que recebe pelo quinto ano consecutivo o ‘Festival do Vinho do Douro Superior’.

Publicado em: “Agronegócios”