Portugal ainda tem Ensino Superior a menos

“Tenho a certeza de que se fizermos um ranking muitos politécnicos vão ocupar posições surpreendentes. Em Portugal, o pior ranking que existe é o das perceções”
“No estrangeiro ninguém me pergunta a que distância estou de Lisboa, mas qual a qualidade da instituição e da cidade. E nós temos respostas”

Espalhados um pouco por todo o país, os institutos politécnicos têm contribuído de forma determinante para o desenvolvimento das regiões, diz Sobrinho Teixeira, presidente do Politécnico de Bragança. Por isso, opõe-se à redução da rede. E acredita que no dia em que houver rankings destas instituições, os politécnicos vão surpreender. Nos dois últimos dias discutiram o futuro em congresso, no Porto.

P: Várias instituições têm alertado para um aumento do abandono no ensino superior por razões económicas. Confirma?
R: Os dados que temos são do início de fevereiro e não indicam aumento de desistências. No Politécnico de Bragança temos até duas dezenas de abandonos a menos face ao ano transato. A verdade é que todos os anos há variações desta ordem, que têm que ver com razões muito diversas da situação de cada aluno. Pode ser que se venha a verificar algum atraso no pagamento das propinas agora no segundo semestre, mas não sabemos ainda.

P: As denúncias são alarmistas?
R: Eu estou a falar da realidade do ensino politécnico. Este sistema tem particularidades que se calhar o tornam menos vulnerável à crise. A sua localização geográfica abrange 41 concelhos. Na maior parte das vezes, o aluno encontra-se no ambiente familiar. E muitos dos que estão deslocados estudam em politécnicos fora das grandes cidades, onde os custos de vida são muito mais baixos (o custo de acomodação em Bragança é cerca de um quarto do de Lisboa).

P: Num cenário de contenção financeira, essa dispersão não é uma desvantagem?
R: As vantagens superam largamente as desvantagens. Os politécnicos têm tido um grande contributo para a qualificação dos portugueses e para a coesão nacional. Hoje, um jovem de uma aldeia de Bragança tem a mesma oportunidade de se qualificar do que um jovem do centro de Lisboa. E o impacto no desenvolvimento das regiões sente-se a todos os níveis.

P: O interior estaria ainda mais abandonado?
R: Não seria possível haver teatro ou espetáculos culturais em Bragança se não houvesse o politécnico, que tem 7500 alunos numa cidade de 23.500 habitantes. O politécnico contribui para a coesão económica da região, mas também social e cultural.

P: A questão é saber se há dinheiro para manter essa rede.
R: Se somarmos o Orçamento do Estado atribuído aos sete politécnicos do interior, isso corresponde a 9,1% do total que o Estado gasta no ensino superior. Parece-me que o contributo destes politécnicos para a  sustentabilidade das regiões vale muito mais do que isso. Há um estudo que analisa o impacto económico dos politécnicos do interior nas respetivas cidades e que conclui que por cada euro que o Estado investe num aluno de uma instituição no interior há um retomo de €2,33 em cobrança de impostos. Se o país tivesse um universo maior de pessoas qualificadas talvez os sacrifícios que estão hoje a ser pedidos aos portugueses fossem menores. Não é à custa das pessoas que recebem o salário mínimo que o país vai cobrar impostos que permitam sair da crise.

P: Mas o facto de haver 15 institutos politécnicos não os impede de ganhar dimensão?
R: Por isso defendemos a constituição de consórcios que respeitem a autonomia de cada instituição mas que permitam ganhar dimensão e capacidade de realizar projetos. Há já vários exemplos. Na região Norte os quatro politécnicos associaram-se para oferecer formação conjunta e estão a dar sete mestrados, que funcionam alternadamente nos institutos, em vez de os repetirem em cada um.

P: Esse esforço não se nota ainda nas licenciaturas. Só na rede pública existem 1200, metade das quais nos politécnicos.
R: Concordo que existem cursos a mais, mas acho que existe ensino superior a menos. A população ativa portuguesa com qualificação superior é cerca de metade da realidade da OCDE. O esforço que tem de ser feito não pode ser no sentido de reduzir o sistema mas de tornar a oferta mais eficaz, garantindo a  qualificação de mais pessoas.

P: Se as instituições não se puserem de acordo, teme que o Ministério decida por elas?
R: O Governo dirá quais as linhas – já foi dito que é preciso reorganizar a rede de cursos, tendo em conta a sua qualidade e a oferta repetida na mesma área geográfica. Mas estou convencido de que esse trabalho vai ser feito com as instituições.

P: Em Espanha, o Governo vai permitir o aumento de propinas até 50%. O Governo português pode seguir o mesmo caminho?
R: Esse deve ser o último dos caminhos. Numa situação de crise, afastaria ainda mais gente do ensino superior. A Noruega, que é um país muito desenvolvido, também teve de adaptar o seu orçamento: cortou  em tudo menos no superior e investigação, pois é isso que garante o futuro.

Publicado em ‘Expresso’.

IPB é uma das instituições de ensino superior que mais evoluiu em todo o país

O Instituto Politécnico de Bragança foi das instituições de ensino superior que mais evoluiu em todo o país ao longo dos últimos cinco anos.
A conclusão é de uma avaliação externa, que foi apresentada esta quarta-feira O projecto já arrancou em 2007, impulsionado pelo então Ministro Mariano Gago.
O IPB foi das primeiras instituições portuguesas a candidatar-se a uma avaliação da Associação das Universidades Europeias, que representa mais de 700 instituições de ensino de 46 países. Foi feito o diagnóstico e avançadas algumas sugestões que, cinco anos depois, já produziram alguns frutos.
O dinamarquês Bent Schmidt-Nielsen, que preside à comissão de avaliação, sublinha que o maior ganho foi feito em termos de coesão do IPB, que deixou de ser um somatório de muitas escolas para ser uma instituição única. “Desde que estivemos cá em 2007, o instituto desenvolveu-se muito, graças a uma forte liderança e maior coesão e colaboração entre os seus diferentes elementos. Acho que está no caminho certo”. Bent Schmidt-Nielsen frisa, no entanto, que, apesar de ser bom ter uma instituição independente a fazer a avaliação, não podem andar com paninhos quentes.
Por isso, também há aspectos a melhorar mas o professor dinamarquês considera que o maior entrave ao crescimento do IPB vem da própria legislação portuguesa. “A lei do ensino superior portuguesa limita o crescimento dos politécnicos. Discutimos isso no nosso relatório final. Seria muito vantajoso para o instituto se também pudessem ter a possibilidade de leccionar doutoramentos. Mas, por outro lado, podem fazer parcerias com outras universidades”.
Já o presidente da Instituição, Sobrinho Teixeira, frisa que muita coisa mudou ao longo destes cinco anos. “O Instituto corria o risco de ser uma entidade desagregada por falta de harmonização entre as suas diversas unidades orgânicas. Foi criada toda uma série de estruturas de governança e coordenação que não existem na altura. Hoje existe um Conselho Científico para toda a instituição que coordena tudo aquilo que pode acontecer em cada escola… Outro exemplo é também o Conselho Permanente que reúne todos os directores e toda a liderança do próprio instituto. A aposta que se fez na internacionalização, uma maior intervenção da escola de Mirandela… Hoje os docentes são de uma escola mas leccionam em qualquer uma das escolas do Instituto”, exemplificou.
O relatório final e completo será apresentado nas próximas semanas. Esta quarta-feira foi apresentado o relatório oral, o primeiro de acompanhamento da comissão de avaliação do IPB.
Sobrinho Teixeira realça, no entanto, que ainda há coisas por fazer. “Estamos a falar sobretudo, agora de uma coordenação melhor a nível da investigação e isso deve ser feito também através de factores externos que nos irão ajudar a orientar isso, nomeadamente a criação do Parque de Ciência e Tecnologia de Trás-os-Montes irá fazer com que os docentes se foquem mais em algumas áreas… Depois de atingirmos muita quantidade de professores doutorados, temos agora de orientar essa quantidade para que haja mais qualidade”, acrescentou.
Esta avaliação acaba por ajudar o Politécnico de Bragança a melhorar, aproximando-se dos padrões europeus.
Publicado em ‘Rádio Brigantia‘.

Politécnicos: Ranking para Ensino Superior

Objectivo melhorar imagem
O presidente do Conselho Coordenador do Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) defendeu esta terça-feira a elaboração de ‘rankings’ de politécnicos e universidades para melhorar a imagem do nível de ensino que representa.

Sobrinho Teixeira atribuiu a redução “abrupta” do número de entradas de alunos no ensino superior à maior dificuldade dos exames do 12.º ano, argumentando que não é a crise ou outros factores que explicam a diminuição de quase seis mil candidatos, mas sim “a aleatoriedade da dificuldade dos exames”.

O presidente do CCISP evoca as estatísticas de outros anos, como 2005, em que não entraram sequer 40 mil anos, ou 2008, em que o ensino superior recebeu perto de 52 mil estudantes, e encontra uma correspondência com o grau de dificuldade das provas.

“Não há uma variação a este nível do número de alunos no secundário, nem da capacidade de ensino e aprendizagem do sistema”, considerou, apontando como exemplo da maior exigência das provas “a descida muito acentuada das notas a matemática e português, duas disciplinas nucleares para a maior parte dos cursos”.

O presidente do CCISP defende que “o País não pode continuar a ter como única política de acesso ao ensino superior a maior ou menor dificuldade das provas” e que deve “reflectir e definir uma estratégia sobre aquilo que pretende para o futuro”.

Sobrinho Teixeira entende ainda que a actual fórmula “é injusta para os próprios alunos, porque os estudantes de um ano vão ficar mais excluídos do que os de outros anos em função dessa própria dificuldade”.

Segundo o presidente do CCISP, os politécnicos acabam por sentir a diminuição de entradas de forma mais acentuada, também devido ao peso do que classificou de “uma avaliação estereotipada que leva os alunos a preferirem normalmente as universidades”.

Segundo disse, “os índices do Instituto de Emprego têm demonstrado que há uma maior empregabilidade dos alunos provenientes do sistema politécnico”, mas “não é fácil fazer passar esta mensagem se não houver uma entidade independente e credível que faça uma comparação” entre as instituições.

“Eu acho que nós devíamos começar a introduzir ‘rankings’ das instituições, porque é muito difícil fazer passar uma imagem de qualidade sem um parâmetro de avaliação em conjunto”, defendeu.

Os institutos politécnicos são aqueles que aparecem nos resultados da primeira fase de acesso ao ensino superior com o maior número de cursos com as vagas totalmente por preencher, o que para o presidente do CCISP “pode conduzir a avaliações erradas da frequência destes estabelecimentos”.

Sobrinho Teixeira não acredita que a segunda e terceira fases alterem os resultados da primeira, mas sublinha que “as entradas de outros regimes de acesso ultrapassam as do regime geral no sistema politécnico”.

Apontou ainda como exemplo a instituição que dirige, o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), onde “este ano o curso de Educação Social nocturno teve zero entradas, mas já tem a turma praticamente preenchida com o acesso pretendido por outros alunos”.
Publicado em ‘Correio da Manhã‘.

Vários cursos dos politécnicos podem fechar ainda este ano

Vários cursos desaparecerão já este ano da oferta dos politécnicos, que decidiram hoje fazer uma triagem dos cursos prévia ao processo de avaliação que será levado a cabo por uma agência independente.

O Conselho Coordenador dos Instituto Superiores Politécnicos (CCISP) reuniu-se hoje, em Bragança, com o presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), o organismo que irá proceder à análise e certificação de todos os cursos superiores.

As diferentes instituições públicas e privadas têm de entregar até 05 de Abril à Agência toda a informação para a avaliação dos cursos.

Os institutos politécnicos resolveram, segundo o presidente do CCISP, “fazer uma avaliação prévia, no sentido de tentar ver numa primeira triagem os cursos que são manifestamente maus” e que serão retirados da oferta formativa.

“Esses cursos irão para uma avaliação mais cuidada para ver se podem ou não continuar a funcionar”, explicou Sobrinho Teixeira, acrescentando que esta primeira triagem será feita ainda este ano.

“A avaliação destes cursos decorrerá em separado daqueles que oferecem já algum grau de confiança e que entrarão num processo de avaliação normal, [e que serão] avaliados de cinco em cinco anos”, disse.

Sobrinho Teixeira alertou, no entanto, para a necessidade de “algum bom senso” pois existem alguns cursos “mais embrionários” em que não é assegurado o determinado por lei, mas que “também não se podem fechar porque senão o país nunca desenvolverá essas competências”.

Por outro lado, “há outros casos em que há já uma oferta de corpo docente com competência, mas em áreas em que não faz sentido que existam” cursos, disse.

A reunião do CCISP contou com a presença inesperada do ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, que disse apenas acreditar que “a esmagadora maioria das instituições e dos cursos têm condições” para continuar a funcionar.

“Mas temos também consciência de que todos aqueles que prevaricarem, que tiverem baixado a qualidade, devem ser eliminados do sistema”, declarou.

A reunião com o ministro serviu para os politécnicos debaterem o “contrato de confiança” celebrado recentemente entre o Governo e as instituições de ensino superior e no âmbito do qual serão disponibilizados 100 milhões de euros para a qualificação de 100 mil activos.

Os politécnicos pedem também que este contrato ajude a desenvolver outros projectos, como a criação de centros de investigação aplicada, cuja avaliação seja feita, não pelo número de publicações científicas, mas pela capacidade de aplicação ao mundo empresarial.

O CCISP quer também um programa que afirme a transversalidade do ensino politécnico a nível europeu e apoie a afirmação do sistema no desenvolvimento do ensino politécnico nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Mariano Gago garantiu que estas questões estão contempladas no contrato, que define inclusive quanto cabe a cada instituição. Estas, por seu turno, têm as próximas seis semanas para concluir os planos para cumprirem as metas com que se comprometeram.

Publicado no jornal ‘Público‘.

Aposta na investigação aplicada à comunidade

Glória Lopes
O presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Sobrinho Teixeira, quer que os politécnicos do Norte se constituam como um nicho de competitividade na região e país.
Para o efeito, defende o incremento das ligações com a Associação dos Politécnicos do Norte, que integra várias instituições, nomeadamente o politécnico de Bragança, Porto, Viana do Castelo e Cavado/Ave, no sentido de essa associação passar a ser uma base para a competitividade, através da cooperação a vários níveis.

Na forja está a criação de projectos em comum: um sistema de mestrados, ministrados pelas quatro instituições; centros de investigação, com uma vertente mais aplicada; e ainda um sistema de prestação de serviços comum. “A região é grande, e pequena, para os desafios que se colocam ao IPB, e ao trazermos investigadores e prestadores de serviços para a região podemos ajudar ao seu desenvolvimento” referiu o presidente.

A cooperação entre instituições de ensino pode constituir-se também como uma boa oportunidade para o intercâmbio de docentes.
O intercâmbio com outros politécnicos é uma das estratégias da instituição brigantina, que vai de encontro ao defendido pelos técnicos da Associação Europeia de Universidades (EUA) que na passada sexta-feira, 9, apresentaram, em Bragança, o relatório da avaliação institucional realizada ao IPB, mas que envolve mais nove instituições europeias de ensino superior. A EUA representa 750 universidades de 45 países da Europa. A avaliação feita ao IPB obedeceu à análise de vários parâmetros: plano estratégico, esforço interno da instituição, fraquezas e forças, elaboração de um relatório interno por parte da própria instituição de ensino, e obrigou a duas visitas ao local.

De acordo com o relatório final, a instituição de Bragança, no ranking qualitativo, está nos primeiros lugares, senão mesmo no primeiro. O grande posto a desfavor é o facto de o IPB se localizar numa região empobrecida, mas ao mesmo tempo isso transformou-se em força e num factor positivo, “porque representa um grande sucesso a nível nacional”.

Entre os melhores
As conclusões da avaliação são francamente positivas para a instituição. O presidente admite que não estava à espera, e que ficou “confortado” por se tratar de uma apreciação positiva e feita por uma equipa de avaliação externa, “que não foi sujeita a qualquer tipo de pressão”, frisou.
O relatório distingue o IPB em relação aos demais, não faz avaliações negativas, mas aponta sugestões para delinear uma estratégia a seguir, “algumas das quais foram equacionadas no último conselho geral” adiantou Sobrinho Teixeira.
Os técnicos da EUA sugerem uma maior coordenação e centralidade dentro da instituição, que integra cinco escolas (Escola Superior de Educação, Escola Superior de Saúde, Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Escola Superior Agrária e Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Mirandela). Sobrinho Teixeira contrapõe que é preciso “moderação na centralidade”, e defende uma maior coordenação, por exemplo ao nível da promoção conjunta e global do IPB, ao invés do que acontece actualmente, com promoções individuais por escola. “Leva a um grande despêndio de recursos e a uma menor eficácia no retorno, e até algum desgaste da própria imagem institucional”. No entanto, não defende uma concentração de decisões. “A riqueza da instituição esteve sempre na diversidade de opiniões”.
A questão da promoção do IPB está a ser equacionado, vai-se proceder à revisão dos estatutos, para criar dois lugares junto à presidência para centralizar a questão da publicidade e do marketing e para fazer uma maior aposta na área do empreendedorismo.

Dentro da estratégica que se vai seguir, surge uma parte menos visível, “mas que será uma das mais dolorosas e mais estratégicas”, Sobrinho Teixeira referia-se à coordenação da investigação. “Não é mais possível continuar a ter 120 doutores a fazer investigação sem que isso tenho um retorno na colectividade, poderá ser doloroso, mas alguns terão adaptar as investigações a uma vertente mais útil para a comunidade”. A aposta deverá ser seis ou sete áreas de investigação com vista ao desenvolvimento da região, com uma maior ligação às empresas. Uma das apostas será no ramo Agrário, “porque temos a melhor escola do país, o que ficou evidente no número de mestrados atribuídos ao IPB” referiu aquele responsável. A Escola Superior Agrária de Bragança viu aprovados recentemente três novos mestrados na área das Ciências Agrárias, “as restantes escolas do país não tiveram direito a nenhum”, salientou. Prevê-se ainda a criação de centros de investigação nesta área com ligação aos produtores regionais.

Outra inovação está relacionada com a criação de um Centro de Estudos do Idoso. “Poderá ser uma boa oportunidade para as Escolas de Educação e Saúde, com os diversos cursos, uma vez que este é uma nicho que não está coberto no país e que o IPB devia aproveitar” explicou.
Apesar de a região não dispor de um tecido industrial, o politécnico brigantino pode ter um papel determinante, criando linhas de investigação aplicada em determinadas áreas de desenvolvimento industrial, “ao dar essas competências aos seus alunos, pode ser um indutor de nichos”. A investigação na área das energias alternativas, será um aspecto a desenvolver, uma vez que a região tem condições propícias: muito vento em diversos concelhos, na Terra Quente tem muitas quantidades de horas de sol, e muita área para a produção de biomassa. Neste âmbito está a ser delineado um mestrado comum com a Universidade de Salamanca.
Quanto ao pólo do IPB em Mirandela, Sobrinho Teixeira prometeu que a presidência vai ter uma “medida pro-activa para distinguir Mirandela” e trabalhar para que até 2010, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão instalada naquela cidade esteja dotada com as infra-estruturas necessárias. Os aspectos relacionadas com aquela instituição, eram os que suscitavam uma maior ao receio ao presidente, uma vez que temia uma “avaliação menos positiva sobre a importância e continuidade” da escola.

Publicado no jornal ‘O Informativo‘ de hoje.

European University Association dá nota positiva ao IPB

Brigantia

O instituto Politécnico de Bragança passou com distinção na avaliação feita por uma equipa da European University Association. Dez instituições portuguesas sujeitaram-se a esta avaliação externa que não tinha por objectivo classificar num ranking nacional cada uma das instituições mas tão só apontar caminhos para o desenvolvimento no futuro.

Aquela equipa considerou o IPB “perfeitamente preparado” para enfrentar os desafios e sugeriu apenas que o politécnico continue a apostar nas parcerias externas e ao mesmo tempo aumente a cooperação entre as cinco escolas do instituto.

A ideia desta avaliação é criar um suporte para traçar o caminho para responder aos novos desafios, desde logo a equipa sugeriu que o IPB por se encontrar numa zona desertificada e com baixo poder económico deve ganhar escala e força reivindicativa criando parcerias com outras instituições. Parcerias que devem ser desenvolvidas essencialmente na criação de novos cursos de mestrado. Sobrinho Teixeira, presidente do instituto, concorda que esta filosofia e adianta que já existem projectos no âmbito da associação dos politécnicos do Norte do país. “Vamos dar um grande incremento a essa associação, será uma base de competitividade com as universidades, vamos criar um sistema de mestrados em comum, um sistema de centros de investigação com uma vertente mais aplicada e um sistema também de prestação de serviços comum”, adiantou aquele responsável.

A nível interno a equipa de avaliação defendeu uma maior cooperação entre as cinco escolas do politécnico, criando um espírito de grupo que faça o grupo trabalhar com objectivos comuns. “Nomeadamente na área da promoção cada escola tem trabalhado individualmente, vamos trabalhar esse aspecto, alias pretendo criar dois lugares de pré-presidência, um deles para trabalhar nessa área”.

Outro aspecto e quiçá dos mais importantes tem a ver com a vertente de investigação, a equipa de avaliação considera que este é um campo que tem de ser redefinido, o presidente do IPB também concorda e adianta que pretende criar linhas claras de investigação, e dá três exemplos: o primeiro necessariamente ligado às ciências agrárias; em segundo lugar propõe a criação de um centro de investigação do idoso; e, por fim, a criação de um centro de investigação na área das energias renováveis.

Em ‘Brigantia‘ de hoje.

IPB entre os melhores politécnicos


O Instituto Politécnico de Bragança vai reformular a investigação, participando num centro especializado para essa actividade, que vai concentrar cinco ou seis áreas de estudo.
Um dos projectos a ser levado a cabo pela Associação dos Politécnicos do Norte do País pode reforçar a competitividade face às universidades.
RBA

Esta foi uma das sugestões deixadas ao IPB, pela equipa de avaliadores da Associação Europeia das Universidades, que esteve na região durante alguns dias.
Estes especialistas que avaliaram dez instituições do ensino superior em Portugal deixaram vários elogios ao Instituto Politécnico de Bragança, considerando mesmo tratar-se de um dos melhores Politécnicos do país.
A avaliação levou mesmo o presidente do IPB a considerar que se tratou de um momento histórico para a instituição.
Contudo, no âmbito das conclusões foram também deixadas algumas ideias para melhorar a actividade do politécnico.
Entre elas, dada a situação geográfica e a necessidade da instituição se virar mais para o exterior, a comissão entende que o IPB deve incrementar a sua participação como membro de um agrupamento de Politécnicos.
A associação que congrega este tipo instituições no Norte do país vai reforçar essa acção.
Os avaliadores consideram que a gestão do IPB é muito positiva, mas deve ser mais centralizadora.
Sobrinho Teixeira, presidente do Instituto Politécnico de Bragança concorda parcialmente e por isso vai propor a criação de duas pró-presidências.
Uma para área do Markting e outra para gerir o sector da investigação.
Ficou expressa a necessidade de haver uma estratégia para a investigação, concentrando-a em cinco ou seis áreas.
Sobrinho Teixeira diz que não é possível manter 120 doutores a fazer estudos indivíduais.
Entende que a Escola Agrária deve aplicar conhecimentos para o sector agrícola, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão na promoção de empresas, por exemplo na área das energias renováveis e a Educação deve criar um Centro de Estudo do Idoso.
Sobrinho Teixeira também ficou surpreendido positivamente com a avaliação feita à Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Mirandela, tendo sido reconhecido o esforço em manter uma instituição considerada fundamental para a região.
O presidente do IPB revela por isso que vai ser feito um esforço no sentido de dotar a escola de mais recursos, reforçando ainda o corpo docente com mais doutoramentos, tendo em vista a validação de cursos que vai ocorrer em 2010.

Em ‘RBA‘ de hoje.

Politécnico entre os melhores do país em relatório europeu

Glória Lopes

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) está entre os melhores do país. De acordo com o relatório final da Associação Europeia de Universidades (EUA), que procedeu a uma avaliação à instituição, no ranking qualitativo, está nos primeiros lugares.

O grande ponto a desfavor é o facto de o IPB se localizar numa região empobrecida. Essa aparente desvantagem transformou-se em força e num factor positivo, “porque representamos um grande sucesso a nível nacional”, referiu o presidente do Instituto, Sobrinho Teixeira.

Para reforçar ainda mais a posição da instituição que lidera, o presidente quer que os politécnicos do Norte se transformem num nicho de competitividade na região e no país.

Para conseguir esse objectivo, defende o desenvolvimento das ligações com a Associação dos Politécnicos do Norte, que integra mais três instituições (os politécnicos do Porto, Viana do Castelo e Cavado/Ave), através da cooperação a vários níveis.

Na mira, está a criação de vários projectos comuns um sistema de mestrados, ministrados pelas quatro instituições; centros de investigação aplicada e, ainda, um sistema de prestação de serviços comum.

Intercâmbio

“A região é grande e pequena, para os desafios que se colocam ao IPB, e ao trazermos investigadores e prestadores de serviços para a região podemos ajudar ao seu desenvolvimento”, referiu o presidente.

O intercâmbio com outros politécnicos é uma das estratégias da instituição brigantina, que vai de encontro ao defendido pelos técnicos da EUA, cujo relatório da avaliação institucional realizada ao IPB foi apresentado ontem. Mais nove instituições europeias de Ensino Superior foram sujeitas a avaliação semelhante. A EUA representa 750 universidades de 45 países da Europa.

As conclusões da avaliação são francamente positivas para a instituição, que actualmente tem seis mil alunos e 120 professores com grau de doutoramento.

O presidente admite que não estava à espera e que ficou “confortado”, por se tratar de uma apreciação positiva, feita por uma equipa de avaliação externa, “que não foi sujeita a qualquer tipo de pressão”. O relatório distingui o IPB em relação aos demais. Não faz avaliações negativas, mas aponta sugestões para delinear uma estratégia para melhores resultados.

Coordenação

Os técnicos sugerem uma maior coordenação e centralidade dentro da instituição, que integra cinco escolas (Escola Superior de Educação, Escola Superior de Saúde, Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Escola Superior Agrária e Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Mirandela).

Sobrinho Teixeira contrapõe que é preciso “moderação na centralidade” e defende uma maior coordenação ao nível da promoção global do IPB, ao invés do que acontece actualmente, com promoções individuais por escola.

Dentro da estratégia, vai fazer-se a coordenação da investigação. “Não é mais possível continuar a ter 120 doutores a fazer investigação sem que isso tenha um retorno na colectividade, poderá ser doloroso, mas alguns terão adaptar as investigações a uma vertente mais útil para a comunidade”.

A aposta deverá ser seis ou sete áreas de investigação com vista ao desenvolvimento da região e uma maior ligação às empresas.

Uma das apostas será no ramo agrário. A Escola Superior Agrária de Bragança viu aprovados recentemente três novos mestrados. As restantes escolas do país não tiveram direito a nenhum.

Outra inovação está relacionada com a criação de um Centro de Estudos do Idoso. “Poderá ser uma boa oportunidade para as escolas de Educação e Saúde, com os diversos cursos, uma vez que este é uma nicho que não está coberto no país e que o IPB devia aproveitar”, explicou Sobrinho Teixeira.

Publicado no jornal ‘JN‘ de hoje.