Integração de estudantes através do futebol

A Associação de Estudantes Africanos de Bragança já existe desde o ano 2000 mas só no ano passado decidiram juntar os colegas que jogavam em vários clubes do campeonato distrital de Bragança e formar uma equipa própria.
“O objetivo principal é promover a prática desportiva e o convívio entre os estudantes”, explica Ademir, vice-presidente da Associação, que tem em Sténio, também jogador, o seu presidente, e em Óscar o tesoureiro.
No ano de estreia, quase conseguiam o título distrital e a subida ao campeonato nacional. Depois disso, a direção da Associação sabe que a responsabilidade este ano é maior mas preferem “ver jogo a jogo”. Mas uma coisa é certa, os objetivos iniciais “foram amplamente ultrapassados”.
Com cerca de 300 associados, a AEAIPB tem contado, desde a primeira hora, com o apoio da direção do Instituto. E os frutos já se vêem. Se no ano passado a maior parte do plantel era formado por jogadores caboverdianos, incluindo Tiago, filho do selecionador nacional daquele país, este ano já são mais as nacionalidades representadas. “Para além dos jogadores, há muitos outros estudantes que vão aos jogos apoiar a equipa, frisa Ademir.

Publicado em ‘Mensageiro de Bragança‘ de 24 outubro 2013.

United Colors of Trás-os-Montes

UTAD tem 3% de alunos estrangeiros e quer chegar os 20%. IPB tem 11% de internacionais. Aposta na China e África
O futuro da UTAD e do IPB está lá fora. Têm cada vez mais alunos estrangeiros e a ambição é continuar a aumentar essa percentagem.

Há brasileiros, chineses, são-tomenses, cabo-verdianos, angolanos, gregos, polacos, italianos, turcos, moçambicanos, espanhóis… na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, e no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), as nações estão verdadeiramente unidas.
Aos programas tradicionais como o Erasmus, juntam-se os convénios com instituições de ensino Superior de outros países. A aposta na internacionalização é decisiva.
No IPB, os estrangeiros são já 11% do total de alunos. Na UTAD, chega-se aos 13%. E a tendência é para subir. Na Universidade do Porto, a maior academia do país, a taxa de estrangeiros é de 12% (3708 alunos).
“É fundamental para a marca UTAD e apara a própria sustentabilidade financeira. Os cortes que têm ocorrido deixam as instituições em dificuldades”, sublinha Amónio Silva, pró-reitor para a Internacionalização e para o Desenvolvimento. Atualmente, em Vila Real há cerca de 800 alunos internacionais. A maioria, oriunda de convénios luso-brasileiros, uma das principais apostas. A ambição é cativar agora o “mercado” anglo-saxónico e chinês, com cursos de 2.º e 3.º ciclos em língua inglesa.
Em Bragança, os maiores contingentes são da China e dos países africanos de língua portuguesa, fruto também de parcerias. No IPB, são mais de 700 os estudantes estrangeiros em cada ano letivo.
Tal como em Vila Real, a promoção direta e o passa-palavra entre alunos são armas na promoção no exterior. Ai, Vasiliki Koumandraki, grega de 20 anos, seta porta-voz de eleição: “Gosto muiiiito de Bragança. Não podia ter escolhido melhor destino”. Os preços mais acessíveis das propinas também cativam, como disse o são-tomense Nélson Pinheiro, 27 anos, que chegou de Lisboa e estuda no Politécnico.

MARTVNA TRAWINSKA Para uma futura arquiteta paisagista, o cenário natural de Vila Real não poderia ser melhor, observa a polaca de 21 anos. Já fala “um bocadito” de português, mas, entre sorrisos, confessa-se “preguiçosa” para aperfeiçoar o idioma. “A UTAD é uma boa universidade, com uma excelente localização”, diz a jovem, que até gostava de ficar por cá a trabalhar.

YURI PETER Chegou de S. Tomé para estudar em Lisboa, mas está há cinco anos no IPB. “A vida em Lisboa é muito cara”, explica o aluno, 29 anos, que soube do Politécnico através de colegas. “Vim um fim de semana a convite de uma amiga que estudava cá. Perguntei se havia cursos ligados ao Turismo e matriculei-me logo”, conta Yuri, que gosta da vida mais calma do interior.

YEKE ZHANG Apaixonado pela língua portuguesa, o estudante chinês, 21 anos, aproveitou o acordo entre a sua universidade e o IPB para rumar a Bragança. Tal como os outros chineses, adotou um nome português: Henrique, por admirar o infante. Gaba a riqueza histórica brigantina e admite que saber português abre-lhe horizontes de trabalho, por exemplo, no Brasil.

RUBEN VERA Estudante de Engenharia do Ambiente, o espanhol de 25 anos escolheu a UTAD para Erasmus porque queria aprender português como terceira língua: “Assim, posso ir para qualquer pais da América Latina”. Sete meses depois de ter chegado, está rendido: “O espírito universitário é melhor do que em Espanha”. A riqueza natural da região é outra mais-valia.

SEVERINO NETTO Um amigo doutorou-se na UTAD e recomendou-lhe a instituição. Severino, 23 anos, a estudar Medicina Veterinária, em boa hora seguiu o conselho. “A UTAD garante uma hospitalidade muito boa. E a qualidade do ensino, teórico e prático, é elevada”. Filho da Paraíba, quer regressar ao Brasil, pais com um “grande desenvolvimento no setor agropecuário”.

EWA ZAMIELSKA Escolheu Portugal pelo sol mas quando chegou a Bragança levou logo com dias seguidos de chuva. “Apanhei um susto!”, confessa, bem disposta, a polaca de 23 anos, estudante de Economia. Entretanto, o bom tempo chegou. Apesar de nunca ter ouvido falar do IPB, não se arrepende da escolha: “Gosto do campus”. Só lamenta que Bragança não tenha cinema…

DOMINIKA KUSAKOVA Bragança é uma “cidade pequena”, mas o IPB até é maior do que a universidade onde a checa, de 21 anos, estuda. E Dominika gosta do sistema português. “Na República Checa os alunos de Erasmus têm aulas separadas. Aqui é melhor”, afirma a estudante, que chegou em fevereiro e “fugiu” logo durante uns dias para ir ao encontro do sol em Itália.

DUDU KIVILCIM Para a primeira aventura fora da Turquia natal, escolheu Trás-os-Montes. Oriunda de Ancara, metrópole com mais de quatro milhões de pessoas, a jovem de 20 anos estranhou a pacatez de Vila Real. “Nem sei se lhe hei de chamar cidade…” A estudante de Línguas gaba, no entanto, o ensino na UTAD, que incentiva a autonomia dos alunos.

Publicado em ‘JN’ de 02-05-2013.

Associação de Estudantes Cabo-verdianos organizam I conferência para apoiar aos alunos africanos

A Associação de Estudantes Africanos do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), promoveu a primeira Conferência de Dirigentes Associativos das Associações de Estudantes Cabo-verdianos em Portugal, onde estiveram representantes de cerca de nove cidades portuguesas.
Um dos membros da associação de estudantes Cabo-verdianos do IPB, Óscar Monteiro, afirmou que devido à crise há cortes nos apoios o que provoca que haja cada vez mais casos de desistência de alguns alunos, “há muitos alunos que foram expulsos das casas porque não tinham dinheiro para pagar, temos que evitar essas problemáticas, assim como dar o máximo de informação aos alunos que chegam a Portugal para estudar desta foram evitamos que desistam de estudar”.
Óscar Monteiro referiu que o encontro serviu também para mostrar o sucesso da associação de estudantes dos africanos do IPB, “somos uma associação de sucesso porque ajudamos muito os alunos mais necessitados”, acrescentando que “o futebol é o nosso cartão de visita, temos uma equipa que está bem classificada e foi uma forma de integração, queremos por isso dar esse exemplo aos nossos colegas que estudam noutros pontos do país”.
O estudante salientou ainda que foi “apresentado a criação de uma plataforma informática para troca de informações entre embaixada, universidades e associações de estudantes de africanos, ou seja, vai haver um triângulo que permite às entidades responsáveis estarem sempre a par quer dos nossos sucessos quer das nossas dificuldades”.
Preocupações dos alunos africanos debatidas na primeira conferencia de associações de estudantes africanos em Bragança onde juntou representantes de alunos de 9 cidades portuguesas e Embaixadora da República de Cabo Verde em Portugal.

Publicado em ‘RBA‘.

Bragança: Encontros internacionais colocam cidade no mapa europeu dos grandes eventos

O presidente da Câmara de Bragança considera que a cidade reúne condições “ímpares” para a organização de eventos internacionais devido a fatores como a segurança, qualidade e afirmação de parceiros científicos, aliados aos atributos culturais e turísticos.

Segundo disse Jorge Nunes, a captação de eventos científicos e culturais à escala mundial, só é possível devido à boa articulação entre as instituições existentes na cidade e no distrito.
“Esta iniciativas resultam da união de esforços que ajudam a promover a região de Bragança, trazendo ao distrito pessoas dos cinco continentes como é o caso dos participante na conferência internacional do EARMA [European Association of Reserarch Managers and Administrators]”, acrescentou Jorge Nunes.
Bragança foi palco recentemente de eventos com o XXI Encontro da Associação de Universidades de Língua Portuguesa (AULP) e o II Encontro Europeu da Castanha da Castanha. No entanto, até ao final do ano estão asseguradas mais iniciativas que prometem trazer a Bragança mais investigadores e pessoas ligadas à ciência e cultura.
“Este tipo de iniciativa assegura que o nome de Bragança passa a ser registado por um número de pessoas com capacidade de promover e divulgar as potencialidades da região nos seus países de origem”, frisou o autarca.
Na opinião de Jorge Nunes, outra das vantagens destes eventos é que o nome de Bragança fique associado e registado em importantes documentos e decisões.
Por seu lado, o presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Sobrinho Teixeira, destaca o papel da estratégia do politécnico num conceito de internacionalização, aliada investigação.
“A estratégia foi implantada no último ano e meio e tem-se refletido nesta série de encontros que têm acontecido em Bragança”, acrescentou o docente.
Sobrinho Teixeira, recorda que o IPB tem cerca de 8.000 alunos, e 1.500 pessoas a trabalhar na instituição numa cidade com 25 mil habitantes, tem de haver um interação com a comunidade, na expansão e promoção da região.
“Esta interação está a sentir-se em toda a estrutura da cidade quer ao nível da hotelaria, restauração, serviços e comercio sendo esta uma missão do IPB”, acrescentou Sobrinho Teixeira.
O presidente do IPB, em jeito de conclusão, afirmou que tem “ recebido elogios do que visita a cidade do interior no decursos das actividades”.
Publicado em ‘RBA‘.

IPB alarga programas de mobilidade para Macau

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai alargar os programas de mobilidade de alunos e professores com a formalização de mais uma parceria com o Politécnico de Macau.
A informação foi avançada pelo presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, na passada terça-feira, durante a abertura do 21º Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), que decorreu em Bragança.
O responsável lembrou que a capital de distrito já recebe 900 alunos estrangeiros, ao abrigo de acordos de mobilidade estabelecidos entre instituições de ensino superior lusófonas.
“O IPB foi pioneiro num programa, que sem financiamento, consegue ter neste momento uma centena de alunos com grande incidência nas universidades federais brasileiras”, realça o presidente do IPB.
A partir do próximo ano, o Politécnico abre as portas a alunos de Macau e proporciona aos alunos portugueses entrarem em contacto com uma realidade diferente. Esta parceria vai possibilitar a mobilidade de cerca de cem alunos numa filosofia de partilha de custos entre os dois países.
O financiamento dos programas de mobilidade foi uma das questões que esteve em cima da mesa durante este encontro, que reuniu professores e investigadores lusófonos de quatro continentes.

5 milhões de euros para permitir a mobilidade de um maior número de alunos no espaço lusófono

Na óptica de Sobrinho Teixeira, se houver uma partilha de custos entre as instituições de ensino superior é possível incluir os alunos com menos recursos financeiros nestes programas de partilha de conhecimentos. “Penso que se nós tivermos imaginação, o financiamento é só parte do problema. No programa que Bragança iniciou há um sistema de custos partilhados, em que a instituição de acolhimento e a instituição de envio acordam entre si garantir a acomodação e o alojamento dos alunos e o aluno terá que custear a viagem, que pode ser financiada”, explica o responsável.
Para a alargar a mobilidade a um maior número de alunos, a AULP está a delinear um programa, com uma verba estimada de 5 milhões de euros, para facilitar o intercâmbio de alunos no espaço lusófono.
O ainda Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, esteve presente na cerimónia de abertura deste encontro e durante a sua intervenção disse mesmo que há instituições de ensino superior que não estão preparadas para dar resposta às solicitações de mobilidade de milhões de jovens. À saída o governante recusou prestar declarações aos jornalistas.
O encontro da AULP encerrou na passada quarta-feira sem a presença do ex-presidente da república de Moçambique, Joaquim Chissano, que não conseguiu estar em Bragança devido a compromissos profissionais.
Publicado em ‘Jornal Nordeste‘.

Presidente do IPM homenageado em encontro académico lusófono

Mais de 400 reitores, presidentes e outros responsáveis de instituições de ensino superior e de investigação científica dos oito países lusófonos e de Macau juntaram-se em Bragança, de 6 a 9 de Junho, para o XXI Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP). Em torno do tema “Novas Formas de Cooperação: Espaços de Convergência nos Países Lusófonos”, debateram questões respeitantes à mobilidade académica, modalidades e programas de financiamento, creditação e múltipla titulação, transferência de conhecimento, parques tecnológicos, articulação entre projectos de inovação e empreendedorismo, formação docente e “e-learning”.

Visitas a locais de interesse histórico e cultural, incluindo o Douro vinhateiro, património mundial, exposições, lançamentos de livros, um concerto, jornadas de convívio e uma feira de cooperação no âmbito do ensino superior complementaram as palestras, mesas redondas e reuniões de trabalho, integrando um programa bem elaborado pelo secretariado da AULP e pelo Instituto Politécnico de Bragança, digno anfitrião deste Encontro, que contou com a colaboração da Câmara Municipal e de outros organismos desta cidade do nordeste transmontano, capital de distrito.

Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, abriu o Encontro numa sessão que contou com intervenções de Clélio Diniz Campolina, reitor da Universidade Federal de Minas Gerais e presidente da AULP, João Sobrinho Teixeira, dinâmico presidente do Instituto Politécnico de Bragança e também presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), António Rendas, reitor da Universidade Nova de Lisboa e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, e Hélder Vaz, director-geral da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. A conferência de encerramento teve como orador convidado Joaquim Chissano, ex-Presidente da República de Moçambique.

Medalha de Mérito do CCISP

Instituída apenas em Abril do corrente ano, a Medalha de Ouro de Mérito do CCISP foi atribuída, por deliberação unanimemente aprovada no dia 10 de Maio por este Conselho, a Lei Heong Iok, presidente do Instituto Politécnico de Macau, sendo esta a primeira individualidade contemplada com tal distinção. O acto solene da entrega da medalha teve lugar a 6 de Junho, primeiro dia do Encontro, com a presença de altas individualidades académicas e políticas, tendo sido enaltecido pelo presidente do CCISP e por Adriano Moreira, vice-presidente da Academia das Ciências de Lisboa, o contributo relevante do homenageado para o fortelacimento das relações académicas entre Portugal e a Região Administrativa Especial de Macau e para a promoção e valorização da língua e cultura portuguesas através do Instituto Politécnico de Macau.

O ex-presidente do Instituto Politécnico de Leiria, também ex-presidente do CCISP, Luciano de Almeida, com quem foram iniciadas importantes acções de cooperação e intercâmbio com Macau, apresentou uma resenha das iniciativas académicas e culturais que o Instituto Politécnico de Macau tem levado a efeito com uma multiplicidade de instituições do mundo lusófono, após o que o presidente do CCISP convidou o autor deste artigo, na qualidade de presidente do Instituto Internacional de Macau e ex-membro do Governo do território, para fazer o elogio do homenageado.

O percurso do homenageado

Aceitando com prazer a incumbência, acentuei deste modo alguns momentos do seu percurso académico e profissional:

A atribuição da Medalha de Ouro de Mérito ao Prof. Lei Heong Iok, presidente do Instituto Politécnico de Macau, é um gesto simbólico de alto significado que homenageia uma instituição macaense que tem querido e conseguido reforçar os laços de cooperação com instituições académicas e culturais portuguesas e de outros países lusófonos, mais de dez anos após a transição bem sucedida de Macau, ao mesmo tempo que distingue a personalidade que, pelo seu esforço, interesse, saber, lucidez e entusiasmo, tem sabido assumir este relevante projecto, dando-lhe forma e sentido muito antes das autoridades centrais chinesas terem definido as linhas mestras de orientação política para Macau, confiando ao território, hoje Região Administrativa Especial da República Popular da China, a responsabilidade de funcionar como plataforma de cooperação da China com os Países de Língua Portuguesa, permitindo-lhe retomar, com pragmatismo e de forma ainda mais vigorosa e consequente, a sua vocação histórica, no cumprimento duma missão singular que uma língua, raízes comuns e interesses estratégicos actuais determinaram irrecusavelmente.

Ligam-me ao Prof. Lei relações de trabalho e de amizade que têm mais de três décadas. Julgo assim poder pôr de parte o seu currículo oficial de várias páginas que tenho aqui, para referir apenas dois conjuntos de circunstâncias, um de cariz político e o outro de natureza académica, para enaltecer o seu contributo e o seu percurso.

Foi na esfera política que o conheci quando ele, discreta e competentemente, desempenhava funções na Agência Noticiosa Nova China, que assegurava a representação das autoridades centrais chinesas em Macau, na vigência da administração portuguesa. Era eu membro do Governo Português de Macau, na década de 80, quando, numa visita oficial à RPC, foi ele designado por aquela agência para me acompanhar e à minha comitiva, que integrava o Dr. Manuel Coelho da Silva, que está hoje entre nós e que dirigia então e muito bem os Serviços de Educação e Juventude, uma das áreas que eu tutelava no Governo. Pudemos nessa visita apreciar as suas qualidades humanas, o seu saber e o seu profissionalismo.

Ao longo dos meus anos no Governo de Macau pude compreender a relevância e delicadeza da sua actividade, assegurando como intérprete e tradutor qualificado a ligação das autoridades chinesas locais com governadores e outras altas entidades portuguesas. Num meio como aquele, esse papel era mesmo da maior importância, já que todos sabemos como é muitas vezes decisiva a actuação do intérprete em conversações e negociações…

Como chefe adjunto do Gabinete de Assuntos Externos da Delegação em Macau da Agência Noticiosa Nova China e como oficial de ligação do Grupo de Terras Luso-Chinês, creio que o Prof. Lei cumpriu exemplarmente a sua missão.

Retornou depois a Pequim, sua terra natal, onde tinha permanecido até concluir a licenciatura em Estudos Ingleses na Universidade de Línguas Estrangeiras, que teve a maior eficácia na formação de quadros superiores que permitiram à China estreitar relações diplomáticas, culturais e económicas com outros países.

Tinha, entretanto, estudado português em Macau e depois em Lisboa, onde teve como mestres os Professores Malaca Casteleiro e Fernando Alves Cristóvão. E era professor de Língua Portuguesa na Universidade de Línguas Estrangeiras antes de desempenhar os cargos que há pouco referi. Retomou, assim, funções docentes na sua universidade, mas por pouco tempo porque as saudades de Macau eram enormes e para lá decidiu um dia retornar. Foi um processo algo atribulado que o Prof. Lei poderá um dia recordar no seu livro de memórias.

Esclarecida a sua situação perante as autoridades chinesas e estando eu novamente no Governo, já na última década da administração portuguesa, obtive a concordância do Governador Vasco Rocha Vieira para aproveitar a experiência e o saber do Prof. Lei, colocando-o na Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, como assessor da directora, Dra. Maria Edith da Silva, que dirige proficientemente, desde 1998, a Escola Portuguesa de Macau. Ao mesmo tempo, foi redactor-chefe e coordenador da edição chinesa do jornal ʻEducação e Juventudeʼ. Esteve nessas funções de 1994 a 1996, ano em que lhe lancei um novo desafio – o de assumir responsabilidades na Escola Superior de Línguas e Tradução do IPM, como subdirector. Doutorou-se, entretanto, na Universidade de Sun Yat Sen em História Moderna da China.

Tive o privilégio de ser o presidente da comissão instaladora do IPM e, como tal, o seu primeiro presidente, sendo agora, por especial deferência dos seus responsáveis, o seu presidente honorário. Ligam-me, pois, ao IPM laços de grande afecto. À medida que nos aproximávamos do fim do período de transição, fomos escolhendo as pessoas para os cargos cimeiros nas instituições públicas de Macau e, no caso do IPM, fizemos uma aposta segura no Prof. Lei. No ano lectivo de 1998-99 foi vice-presidente e de 1999 até ao presente é presidente e professor coordenador do IPM, sendo também professor honorário de vários outros institutos e universidades.

Não abandonou, porém, completamente a actividade política. Foi membro da comissão eleitoral do Chefe do Executivo da RAEM e é membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e de diversos outros organismos consultivos.

Tem obra publicada e recebeu prémios e outras distinções académicas.

Para caracterizar a personalidade do Prof. Lei, posso recorrer àquelas sábias e conhecidas palavras de Lao Zi: ʻNão se expondo a si próprio, resplandece; não fazendo alarde dos seus méritos, é honrado; não se ufanando do que fez, tem carácter; não se vangloriando a si mesmo, é respeitadoʼ. Ou, como diria Confúcio: ʻO homem que é firme, paciente, simples, natural e tranquilo está próximo da virtudeʼ. Estas palavras aplicam-se por inteiro a Lei Heong Iok.

Parabéns ao IPM e a Lei Heong Iok por esta merecida distinção.

Jorge A. H. Rangel – Presidente do Instituto Internacional de Macau

Publicado em ‘Tribuna de Macau’, 13/06/2011.

Bragança: Universidades de Língua Portuguesa estiveram reunidas no IPB

Mobilidade de alunos, graus académicos, dupla titularidade fgoram alguns dos assuntos em debate no encontro que juntou mais de 400 académicos de oito países dos CPLP e Região Administrativa de Macau.

Do XXI Encontro das Associações das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) realizado esta semana em Bragança resultou a criação de um programa de mobilidade de alunos, um género de Erasmus Lusófono. Sobrinho Teixeira, presidente do IPB, destaca o investimento do Brasil neste projecto que vai rondar os cinco milhões de dólares nos próximos cinco anos:

“Saiu a decisão de implementar equipas de trabalho para a criação de graus conjuntos e mobilidade. O professor Campolina anunciou aqui a disponibilidade do Brasil para injectar um fundo de cerca de cinco milhões de dólares nos próximos cinco anos para promover essa mobilidade naquilo que o IPB já foi Pioneiro e sem financiamento”.

Também a Região Administrativa de Macau vai investir no programa de Mobilidade. No próximo ano lectivo espera-se que uma centena de alunos integre o Erasmus Lusófono. Já a partir de Agosto alunos do Politécnico vão para Macau e vice-versa.

Outro assunto em debate do encontro das AULP foi o reconhecimento comum de diplomas e graus académicos. Sobrinho Teixeira destaca a importância de um curso em Portugal ser reconhecido nos países onde se fala a língua de Camões:

“Falou-se sobretudo como harmonizar a dificuldade que existe entre países que não aderiram ao processo de Bolonha como o Brasil e países de África. Reparem na importância que tem um curso administrado em Portugal ser reconhecido em Angola, no Brasil ou outro país de expressão portuguesa”.

A sessão de encerramento contou ainda com uma conferência de Joaquim Chissano. O ex-presidente de Moçambique falou aos participantes através de vídeo-conferência.

Foi ainda eleita a nova direcção da AULP para o próximo triénio, Jorge Ferrão da Universidade de Lurio em Monçambique sucede a Clécio Campolina da Universidade Federal de Minas Gerais no Brasil.
Simultaneamente ao encontro decorreu uma Feira de Cooperação do Ensino Superior de Língua Portuguesa. Na cerimónia de encerramento foi ainda lançado o Livro relativo ao XXI Encontro da Associação de Universidades de Língua Portuguesa.
Mais de 400 académicos dos oito países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Região Administrativa de Macau estiveram em Bragança onde discutiram “Novas formas de cooperação, espaços de convergência nos países lusófonos”.
Publicado em ‘RBA‘.

Chissano falha encontro da AULP em Bragança

É preciso aumentar o apoio aos programas de mobilidade no Ensino Superior. Essa foi a principal conclusão do 21º encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa, que ontem terminou em Bragança. O reitor da Universidade de Lúrio, em Moçambique, foi eleito novo presidente da AULP para um mandato de três anos.No final, apontava a reformulação dos programas de mobilidade como uma prioridade.O objectivo é conseguir levar mais estudantes portugueses e brasileiros às universidades africanas.“Vamos fazer um Erasmus à nossa maneira. Um Erasmus Lusófono que não precisa de ser necessariamente como é o Erasmus. Podemos faze-lo em condições diferente e ter resultados bem melhores” refere Jorge Ferrão, acrescentando que “temos de colocar todas as nossas instituições a fazer um pequeno investimentos”. O presidente do Instituto Politécnico de Bragança e anfitrião do evento, sublinha a aprovação da proposta de criação de um fundo de cinco milhões de euros para apoiar os programas de mobilidade como a maior vitória deste encontro.“É comparticipado em dois milhões de euros pelo Brasil mais 500 mil euros da AULP, mais 500 mil do Banco Mundial e da CPLP” adianta Sobrinho Teixeira, salientando que “isto já é o pioneirismo de termos uma mobilidade dentro do espaço da lusofonia”. Este foi mesmo o maior encontro de que há memória, com 460 participantes. Mas ontem foi especialmente notada a ausência de Joaquim Chissano, ex-presidente de Moçambique.Sobrinho Teixeira diz que foi um imprevisto de última hora que obrigou ao cancelamento da viagem.“Ele fez um esforço imenso para vir, mas ficou retido no Botswana onde teve uma reunião para estabelecer a paz em Madagáscar” explica. “Ele ainda consegui chegar a Joanesburgo mas o avião chegou atrasado meia hora e já não conseguiu apanhar a ligação para Amsterdão”. De qualquer forma, salienta que “ele mandou uma conferência gravada”. Ontem terminaram os debates.

Hoje o dia é dedicado ao programa social, que vai decorrer em Vila Real.
Publicado em ‘Rádio Brigantia‘.