ESACT com aumento recorde de novos alunos

A Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (ESACT) de Mirandela viu serem preenchidas cerca de 55 por cento das vagas colocadas na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior. Um aumento de quase 20 por cento, comparativamente ao que tinha acontecido, em 2016. O curso de solicitadoria continua a ser o mais procurado e, tal como no ano passado, ficou com 100 por cento das vagas preenchidas. No campo oposto, está o curso de informática e comunicações, que não viu preencher qualquer vaga. Na prática, a ESACT de Mirandela assegura, logo na primeira fase, 203 novos alunos, mais 73 que em 2016. Se o ano passado, foram preenchidas 36 por cento das vagas colocadas na primeira fase, este ano a percentagem aumentou para 54,9 por cento. Das 370 vagas colocadas a concurso, para os oito cursos lecionados, a ESACT de Mirandela viu serem preenchidas 203, sobrando 167 para as próximas duas fases. O curso de Solicitadoria foi, de longe, o mais procurado, ficando já sem qualquer vaga para as próximas duas fases. As 54 vagas colocadas a concurso, nesta primeira fase, já foram preenchidas. No outro extremo ficou, com o pior desempenho, o curso de Informática e Comunicações, que, tal como no ano passado, não viu ser preenchida qualquer vaga, sobrando as 30 disponíveis para a próxima fase. Bom desempenho para o curso de marketing, que preencheu 34 das 36 vagas colocadas. Design de jogos digitais, das 60 vagas, preencheu 48, enquanto Turismo ficou pelos 50 por cento, com 25 das 50 vagas preenchidas. Multimédia vai ter 40 vagas sobrantes, já que, das 60, apenas 20 foram preenchidas. Gestão e Administração pública tinha 55 vagas, nesta primeira fase, preencheu apenas 17, sobram 38. Finalmente, tecnologias da comunicação tinha 25 vagas, foram preenchidas apenas cinco. Para já, a ESACT de Mirandela garante, na primeira fase, 203 novos alunos, sobrando para a as restantes duas fases, 167 vagas.
 

Escola Ano percentagem
2017 2016 2015
Escola S. de Saúde 85 103 129 -17%
Escola S. Agrária 20 8 13 +150%
Escola S. de Educação 219 159 175 +38%
Escola S. Tecnologia 184 124 130 +48%
Escola S. ACT 203 129 151 +57%
Total 711 523 598 +36%

A estes números, somam-se as 1270 candidaturas de alunos estrangeiros, 510 deles para mestrados. Mas a dificuldade em conseguir vistos de entrada em Portugal deverá afastar cerca de 60 por cento destes candidatos, um número que deveria preocupar as instâncias diplomáticas portuguesas. Para os cursos CTESP, os cursos técnicos de dois anos, deveram chegar cerca de 600 novos alunos.

Um novo curso

Relações Lusófonas e Língua Portuguesa foi o único curso novo a abrir no IPB e traduz a cada vez maior aposta em estudantes estrangeiros. Mas há outros cursos de sucesso, como Solicitadoria (esgotou as 54 vagas) ou Enfermagem (52 candidatos para 50 vagas) e Gestão (74 candidatos para 72 vagas). No próximo ano poderá abrir um curso de Comunicação.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

IPB com mais 83 vagas

O Instituto Politécnico de Bragança tem mais 83 vagas disponíveis do que no ano passado no concurso nacional de acesso ao ensino superior. Ao todo, são 1908 vagas para 44 cursos. “Temos um curso novo, de Relações Lusófonas e Língua Portuguesa, e um outro que mudou de designação”, explicou ao Mensageiro Sobrinho Teixeira, presidente da instituição. O novo curso é ministrado em inglês e tem 30 vagas. Já engenharia alimentar abre com 25 vagas, e será ministrado em parceria com os politécnicos de Viana e do Porto, numa licenciatura inovadora.
“A nossa perspetiva é crescermos bastante em alunos internacionais”, perspetiva Sobrinho Teixeira. “Quer em número de estudantes da lusofonia, quer em número de estudantes de outros países. É importante porque temos mais alunos, é importante para visibilidade do instituto e para se perceber o esforço e o retorno deste esforço.
Ao nível daquilo que foram as entradas no ano letivo presentes de licenciaturas e mestrados integrados, meteu mais gente o IPB do que todas as instituições do distrito de Lisboa juntas. Pode-se perceber, temos 380 novos alunos estrangeiros e todas as instituições do distrito de Lisboa não chegaram aos 300”, sublinhou. Este ano, por decisão do Governo, as áreas de Física Médica e Informática são aquelas em que houve maior aposta, pois perspetiva-se a falta de profissionais destas áreas no futuro. Por outro lado, o facto de, pela primeira vez, acederem alunos dos cursos TESP, que vieram substituir os CETs, poderá dar ainda maior impulso às matrículas. Este ano, houve ainda alguns cursos que sofreram pequenos ajustes. Por exemplo, enfermagem veterinária tem 60 vagas, mais dez do que no ano passado. Já Engenharia do Ambiente tem 35 vagas, menos uma do que em 2016. Biologia e Biotecnologia tem 33 vagas, mais 30 do que em 2016.
Na ESACT, Gestão e Administração Pública Informática e Comunicações, tem 30 vagas, mais seis do que no ano passado.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

Cursos técnico-profissionais também dão canudo. Quando o ensino superior não é sinónimo de licenciatura

Joel, Nuno, Sérgio, Patrícia e Rúben escolheram uma alternativa à licenciatura. São “cobaias” dos cursos técnicos superiores. Uns já começaram a trabalhar. Todos querem prosseguir estudos superiores.Joel Pinheiro desde pequeno que praticava equitação e os cavalos sempre foram o seu mundo.
Por isso não lhe foi difícil, aos 15 anos, escolher o rumo académico. Saiu de casa dos pais, em direção a Marco de Canaveses, onde iniciaria um curso técnico de gestão equina. Foi o melhor da turma e como uma licenciatura em Medicina Veterinária estava fora do alcance, por não ter bases suficientes para fazer os exames nacionais, a alternativa para continuar a estudar foi tirar um curso técnico superior: Cuidados Veterinários, no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), corria o ano de 2015.
“Ao início confesso que não gostava muito porque a minha ideia era animais de grande porte. Sabia que o curso ia ser focado em cães e gatos, e não consegui deixar de ficar desanimado”, conta ao Observador Joel Pinheiro, hoje com 20 anos, logo acrescentando que os professores acabaram por motivá-lo. O maior problema mesmo foi ter ficado na escola de Marco de Canaveses — com a qual o IPB tem um protocolo — ao invés de ter ido para Bragança: “Não tinha muitas aulas práticas porque não havia clínica. Em Bragança havia”.
A parte do estágio, no último semestre, compensou. “O estágio numa clínica veterinária em Paços de Ferreira foi o melhor local que podia ter escolhido.”Foi de tal forma bom que mudou a “perspetiva em relação aos pequenos animais” e percebeu que, afinal, não quer continuar ligado apenas aos cavalos.O próximo passo, afirma, é concorrer, através dos concursos especiais, à licenciatura em Enfermagem Veterinária no mesmo politécnico, mas em Bragança, para depois dar o salto para Medicina Veterinária.

Joel Pinheiro, 20 anos, desde pequeno que pratica equitação

Também antes de entrar no CTeSP de Tecnologia Automóvel, no Politécnico de Leiria, Rúben Pires, agora com 24 anos, passou por um curso tecnológico de Mecatrónica Automóvel promovido pelo centro de emprego. Mas o seu percurso não foi sempre no ensino profissional. Foi lá parar apenas por causa da Física e Química que o impediu de concluir o ensino secundário em ciências e tecnologias.
“Em termos académicos aquele curso era um nojo. Podia ser exigente para os que chegavam de meios alternativos de ensino, mas para uma pessoa, como eu, que ficou presa no secundário por causa da Física e Química e que até Matemática A passou através de exame, foi levado com uma perna às costas”, relembra.Com aptidões para trabalhos manuais, foi ainda no 9.º ano, depois de um dia aberto no Politécnico de Leiria, que percebeu que a área automóvel era a sua praia. Assim, terminado o curso do centro de emprego, decidiu inscrever-se no curso técnico superior profissional. “Tenho a noção que fomos as cobaias porque fomos o primeiro ano. As cadeiras que correram melhor foram as que têm equivalência direta às da licenciatura em Engenharia Automóvel. Algumas das que são específicas do CTeSP correram mal porque havia discrepâncias entre as aulas práticas e as teóricas”, contou. Apesar disso, frisa, “correspondeu à publicidade feita e às minhas expectativas”, destacando como vantagem o “meio termo” nestes cursos, que permite agradar a dois públicos: “Os que chegam e querem tirar antes de seguir para licenciatura e os que querem entrar logo no mercado de trabalho”.
As coisas correram bem a Rúben e, terminado o estágio que fazia parte do CTeSP, ingressou logo num estágio profissional no mesmo sítio: o Centro Porsche de Leiria. “No próximo ano quero focar-me no trabalho, mas não tenho ideias de parar por aqui. Provavelmente o futuro passará por um curso superior em engenharia mecânica pois o Politécnico de Leiria tem essa oferta em regime pós-laboral. Além disso abre portas para toda a parte industrial.”

Rúben Pires, 24 anos, vai focar-se no trabalho neste próximo ano. Depois quer tirar um curso superior

Joel e Rúben são os “alunos-tipo” dos cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP) — formações de dois anos ministradas nos politécnicos e que conferem um diploma de Técnico Superior Profissional. Segundo as instituições, a grande maioria dos alunos que entram para este tipo de formação vêm do ensino profissional. Mas não são os únicos.
Nuno Lopes faz parte da tal fatia mais pequena. Chegou a frequentar, durante dois anos, o mestrado integrado de Engenharia de Computadores e Telemática na Universidade de Aveiro mas, “além de ter percebido que ia ser difícil concluir o curso, estava a tornar-se insustentável estar longe de casa”. Acabou por abandonar a faculdade e foi ajudar o pai num novo negócio. É nesse café-restaurante que ainda hoje trabalha.
Foi a mãe quem lhe falou dos cursos técnicos superiores. Numa primeira abordagem a opção não o agradou pois “pensava que estava a falar dos antigos CET [cursos de especialização tecnológica] e não era bem o que queria porque era abaixo do que eu poderia valer”. Mas a mãe insistiu e o filho acabou por se inscrever no CTeSP de Redes e Sistemas Informáticos em regime pós-laboral.

Sérgio Forte, 31 anos, terminou o curso em Interpretação da Natureza e dos Espaços Rurais e quer começar a trabalhar

“Fomos carne para canhão. Não achei nada fácil. Posso mesmo dizer que aquele curso, ao nível de exigência, está quase ao mesmo nível da licenciatura. A programação que tive no CTeSP era exatamente igual à que tive na licenciatura”, exemplifica Nuno, prestes a fazer 27 anos, acabado de terminar esta formação e um estágio na Câmara de Leiria. “Foi a melhor coisa que fiz, este CTeSP. Pode parecer extraordinário mas já tive duas ofertas de emprego, ainda antes de concluir o curso. O meu objetivo é ingressar num dos empregos e entrar para Engenharia Informática no Politécnico de Leiria, em pós-laboral.”Também Sérgio Forte entrou, há mais de 10 anos, em Engenharia Mecânica, na Universidade de Coimbra, mas perdeu o interesse no curso e o facto de ter começado a trabalhar a tempo parcial e a ganhar independência financeira deu-lhe força e coragem para largar o curso que “não correspondia à minha expectativa”. Passados alguns anos voltou a tentar e inscreveu-se no Politécnico de Coimbra, “mas também não resultou”, e esteve mais dois anos a trabalhar a tempo inteiro.
Em 2015, seguindo a dica de uma amiga, inscreveu-se no curso técnico superior de Interpretação da Natureza e dos Espaços Rurais, no Politécnico de Coimbra, dando oportunidade a uma paixão antiga.
“O curso superou as minhas expectativas. Tem uma forte componente prática e em termos de exigência achei equivalente à licenciatura que já tinha tentado. Tivemos algumas cadeiras iguais às da licenciatura de Ecoturismo. Só se tornou mais fácil porque como éramos uma turma mais pequena, há uma maior proximidade com os professores.”
Iniciou o estágio em fevereiro na Parques Sintra, em Montes da Lua, e regressou agora em julho. “Foi muito bom. Deixaram-nos trabalhar e deram-nos liberdade, a mim e à minha colega. Estivemos a trabalhar na implementação de um futuro percurso pedestre inclusivo numa das tapadas”.
Vontade de continuar a estudar tem, mas com 31 anos, “queria já começar a trabalhar”, sendo que há hipótese de começar a organizar percursos pedestres por conta própria.
Patrícia Rocha tem apenas 19 anos mas também está mais inclinada para trabalhar do que para prosseguir com a formação. Para terminar o CTeSP em Produção Audiovisual, só lhe falta defender o relatório do estágio que fez na produtora Fremantle.
“Sinto que aprendi muitas coisas. O curso é muito prático, que é bom mas que o torna exigente porque implica muito trabalho fora das aulas, muitas horas passadas na faculdade. Os professores são ótimos. Nota-se que são professores com experiência”, descreve a jovem de Setúbal.
Já depois do estágio que fazia parte do curso, Patrícia foi convidada a trabalhar durante um mês para um projeto da mesma produtora, o que “foi muito bom”. A licenciatura em Produção Audiovisual, no Politécnico de Setúbal, será uma meta a atingir mais tarde. “Como estou com a energia toda gostava de continuar a trabalhar na área.”

Patrícia Rocha, 19 anos, tirou o CTeSP de Produção Audiovisual em Setúbal e teve logo um convite para um projeto de um mês

Procura e oferta de cursos técnicos superiores têm crescido

Como Patrícia, muitos outros dos mais de 300 estudantes que iniciaram um CTeSP em Setúbal em 2015/2016, e que estão agora a concluir o curso, vão optar por entrar para o mercado de trabalho sendo que “uma parte significativa já assinou contrato de trabalho com as empresas onde estagiou”, garante ao Observador Pedro Dominguinhos, presidente do Politécnico de Setúbal (IPS), dando como exemplo os alunos do CTeSP de Produção Aeronáutica.
O Politécnico de Setúbal é, de resto, uma das instituições com mais alunos inscritos nestes cursos técnicos superiores profissionais criados há três anos, frisa o responsável, adiantando que, este ano letivo, estavam a frequentar os 18 cursos ali disponíveis perto de 650 estudantes — 12% do total de alunos do politécnico. E Pedro Dominguinhos não tem dúvidas que “nos próximos anos vamos aumentar ainda mais o número de estudantes em CTeSP. Houve aqui uma mudança importante: estes cursos passaram a ser de ensino superior, dão diploma e têm um maior reconhecimento”. Um reconhecimento que também tem sido trabalhado: “temos vários professores de topo de carreira que lecionam estes cursos” e “tem havido preocupação de implementar um conjunto de metodologias mais próximas da realidade profissional”.
Com uma longa tradição em formações mais técnicas de curta duração (com cursos de especialização tecnológica — que não davam diploma — desde 2007/2008), a passagem para os CTeSP foi a “transição natural”, justifica o presidente do instituto, frisando que o objetivo é, por um lado, “ter uma alternativa para os estudantes” e, por outro, “dar resposta ao tecido empresarial”. O IPS tem protocolos assinados com cerca de 300 empresas e outras instituições, sendo que nem todas são de Setúbal. “Temos cursos de automação robótica e controlo industrial em Sines em parceria com a Escola Tecnológica do Litoral Alentejano, temos produção aeronáutica em Ponte de Sor, em parceria com a Câmara Municipal, e em Lisboa, de energia, em parceria com o Cinel. É preciso garantir um lógica de articulação.”
Quem também tem celebrado diversos protocolos com outras instituições é o Instituto Politécnico de Bragança. Desde logo com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e outras escolas profissionais da região, mas não só. “Temos colaboração com escolas profissionais da área de intervenção do Politécnico do Porto, como em Santo Tirso e em Marco de Canaveses, mas estamos lá em áreas complementares (áreas agrárias). Não oferecemos concorrência ao Politécnico do Porto, com quem também celebrámos protocolo, numa lógica de maximização de recursos. Interessa-nos não multiplicar despesas”, detalha Miguel Vilas Boas, subdiretora da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança).
Famalicão deverá ser o próximo local, a pedido da câmara municipal. Naquele concelho, 50% dos alunos vêm do ensino profissional e é preciso dar-lhes resposta para continuarem os estudos. É esse um dos propósitos do Politécnico de Bragança, além de dar resposta às empresas.
Numa área com grande dificuldade de captação de alunos, os mais de 600 alunos a frequentarem CTeSP este ano letivo (alguns a terminarem o segundo ano e outros ainda no primeiro) já correspondem a 15 a 20% do total de estudantes daquela instituição.
Quem já atingiu um “patamar ótimo”, de pouco menos de 10% do total de estudantes da instituição, foi o Politécnico de Leiria que é, aliás, o instituto com um maior número de alunos a frequentar esta oferta formativa superior de curta duração: 750 a 800 por ano. “Esta é uma aposta estratégica do instituto para diversificar a oferta formativa e sobretudo para dar resposta a uma procura da nossa região. Leiria é dinâmica em termos empresariais e a população é muito jovem. Quer a montante, quer a jusante havia uma grande procura para colocar no mercado de forma muito imediata técnicos altamente especializados”, justificou Eduardo Batalha, responsável pelos CTeSP no Instituto Politécnico de Leiria.
As áreas com mais oferta são as técnicas — ciências informáticas, eletrotécnica e eletrónica, metalurgia e metalomecânica — e o turismo, hotelaria e restauração. Esta semana o IPL vai assinar um protocolo com o município de Torres Vedras, mas Eduardo Batalha sublinha que “não é uma estratégia para continuar. Não é um plano de expansão”.
Logo no dia em que a instituição arrancou com estes cursos (que neste momento chegam aos 651 em todo o país e aos 39 em Leiria), já tinha celebrado protocolos com 500 empresas e outras instituições de forma a garantir estágios para todos os alunos. E há até estudantes a fazerem estágios no estrangeiro.
Eduardo Batalha garante que estes alunos “não têm canabalizado as licenciaturas pois são dois tipos de formação e convivem bem”, mas salienta que muitos têm logo emprego garantido. “Os nossos alunos de informática quase na totalidade já estão empregados antes de acabarem o curso. Mas não tiram lugar aos engenheiros informáticos”. Até porque têm competências distintas, explica, e as empresas oferecem salários mais baixos a estes técnicos.
A verdade é que nem todos acedem logo ao mercado de trabalho — o que pode, aliás, ser confirmado pelos testemunhos acima. Muitos farão questão de seguir para licenciatura.
“A nossa expectativa é que muitos destes alunos acabem por ingressar em licenciaturas. Era isso que acontecia com os Cursos de Especialização Tecnológica, o que para nós é interessante”, atesta Paulo Sanches, vice-presidente do Instituto Politécnico de Coimbra, que tem uma oferta de cerca de 40 cursos espalhados por quatro das seis escolas. Só as escolas de Saúde e Educação não têm este tipo de oferta por “recearem concorrência entre diplomados licenciados e CTeSP”.
Já lá vai o tempo em que Eduardo Batalha ficava surpreendido com o caminho trilhado pelos alunos destes cursos de curta duração. “Começámos a observar esse fenómeno com os CET e surpreendemo-nos porque não pensámos que seguiriam para licenciatura e até com desempenhos interessantes. Agora já não nos surpreenderá. Diria que metade tem perfil para prosseguir estudos.”
Em Bragança, “as empresas são as primeiras a querer absorvê-los de imediato. Nós somos quase concorrentes das empresas porque queremos que eles continuem a formação superior”, rematou Miguel Vilas Boas, explicando que o “desenho destes cursos é idênticos ao das licenciaturas” e que há mesmo cursos que são apresentados com licenciaturas de continuidade.

Publicado em: “Observador”

Bragança tem o melhor politécnico do país

Cravado no interior transmontano, emerge uma pérola do Ensino Superior português. O Instituto Politécnico de Bragança tem vindo a consolidar-se como o melhor politécnico do país. São vários os indicadores que assim o demonstram, em vários rankings internacionais. O mais relevante é o U-Multirank (www.u-multirank.eu), cuja quarta edição volta a considerar o Instituto Politécnico de Bragança como o melhor Instituto Politécnico em Portugal. O U-Multirank é um ranking promovido e financiado pela União Europeia, tendo a edição de 2017 avaliado e seriado cerca de 1500 Instituições de Ensino Superior de 99 países de todo o mundo. De acordo com a metodologia do ranking, as instituições são avaliadas através de 35 indicadores, agrupados em cinco áreas de intervenção: ensino, investigação, transferência de conhecimento, internacionalização e envolvimento regional. O ranking das instituições é estabelecido de acordo com o número de classificações com a pontuação máxima (categoria A) nos 35 indicadores avaliados. O Instituto Politécnico de Bragança ocupa, desde o início do ranking U-Multirank e pelo quarto ano consecutivo, a primeira posição entre todos os Institutos Politécnicos em Portugal, tendo obtido, em 2017, a terceira posição a nível nacional. As pontuações máximas obtidas são o resultado da experiência acumulada e comprovada do IPB, nomeadamente, no impacto e excelência da sua produção científica e investigação aplicada, na mobilidade internacional de estudantes e no envolvimento com a sua Região. No campo da investigação, o IPB é a única instituição de ensino superior portuguesa a apresentar a classificação máxima “A” nos itens “Citation rate” (que mede o número médio de citações às publicações científicas da instituição) e “Top cited publications” (que mede a proporção das publicações científicas da instituição no grupo das 10% de publicações mais citadas em cada área em todo mundo). Estes resultados confirmam a excelência do impacto da investigação efetuada no IPB, a qual tem merecido igual destaque no Scimago Institutions Rankings (www.scimagoir.com). O SCImago Research Group é um grupo de investigação que se dedica à análise e à avaliação da informação mantida em grandes bases de dados científicas (SCOPUS). O ranking SIR tem por objetivo avaliar a atividade de investigação, com impacto a nível mundial, tomando como referência as publicações científicas das instituições e o número de citações recebidas. Este novo ranking, que mede a taxa de excelência em várias áreas, elaborado por uma das mais conceituadas empresas do género, considerou o IPB a melhor instituição portuguesa de Ensino Superior em quatro áreas: Impacto Tecnológico, Excelência, Excelência com Liderança e Impacto Normalizado.
Investigação de excelência reconhecida internacionalmente
A investigação feita no Instituto Politécnico de Bragança anda pelas bocas do mundo. Outro ranking internacional, elaborado pela Thomson, veio, mais uma vez, aferir a qualidade individual dos investigadores desta instituição de ensino superior do Nordeste Transmontano. Se em 2015 cinco investigadores portugueses estavam entre os mais citados em todo o mundo, em 2016 Portugal colocou seis investigadores neste ranking, e dois deles são do IPB. Aliás, duas, pois a Isabel Ferreira juntou-se Lilian Barros, também investigadora da área alimentar.
Investigação de excelência reconhecida internacionalmente
“Isto significa que a ciência que estamos a fazer tem impacto a nível mundial, é muito lida e reconhecida pelos nossos pares”, explicava Isabel Ferreira ao Mensageiro, apontando o segredo do sucesso. “Soubemos antever onde poderia estar a ciência de maior impacto mundial e conseguimos antecipar-nos aos outros investigadores, marcar uma posição e aproveitar a oportunidade”, frisou a investigadora do centro de Investigação de Montanha.
Também na área desportiva a investigação desenvolvida no Nordeste Transmontano tem dado cartas. O departamento de Ciências do Desporto do Instituto Politécnico de Bragança integra, este ano, e pela primeira vez, o ranking de Xangai, um dos vários rankings mundiais que medem a produtividade académica.
Em Portugal, o IPB é mesmo o único politécnico a constar da lista de 300 instituições. O ShanghaiRanking’s Global Ranking of Sport Science Schools and Departments, foi divulgado recentemente pelo Center for World-Class Universities da Universidade Jiao Tong de Xangai. Esta lista congrega os trabalhos publicados nos últimos cinco anos (entre 2011 e 2016) e o número de vezes que são citados por outros investigadores.

 

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

Politécnicos de Leiria, Bragança e Viana do Castelo lançam licenciatura pioneira com mobilidade em Engenharia Alimentar

Uma licenciatura em Engenharia Alimentar que inclui mobilidade é a nova aposta dos Politécnicos de Leiria, Bragança e Viana do Castelo.
Trata-se de uma licenciatura pioneira no País, que decorre em simultâneo nos três Politécnicos, e que, além da formação científica e técnica de base e da interação com o tecido empresarial e industrial de cada região, leva os estudantes em mobilidade para aquisição de competências nas áreas em que cada instituição é especialista – laticínios e vinhos em Viana do Castelo, recursos alimentares marinhos, hortofrutícolas e cereais em Leiria (Peniche), e carnes e azeite em Bragança.
Rui Ganhão, coordenador da licenciatura em Engenharia Alimentar no Politécnico de Leiria, salienta que «a licenciatura responde às necessidades do mercado, que carece de oferta de mão de obra especializada em Portugal».
Terá uma duração de três anos, e envolve, no primeiro ano, preparação geral base na instituição de origem, e nos três semestres seguintes, mobilidade dos estudantes, para aquisição de competências nas áreas específicas de cada região/instituição.
«Trata-se de uma licenciatura que tem como suporte a metodologia de project based learning, que pretende que haja uma participação ativa na aprendizagem, e por isso, eminentemente prática», explica o docente.

Publicado em: “Revista da Indústria Alimentar”

Mais informação em: “Jornal Nordeste”

Instituto Politécnico de Bragança realiza 13ª edição da Semana Erasmus e 2º Encontro ICM

13ª edição da Semana Erasmus do Instituto Politécnico de Bragança e o 2º Encontro ICM (mobilidade internacional com instituições parceiras extracomunitárias) decorrerá simultaneamente entre 15 e 19 de maio no Instituto Politécnico de Bragança, envolvendo a participação de mais de 150 professores e colaboradores de Instituições de Ensino Superior (IES) de 27 países: Alemanha, Argélia, Arménia, Áustria, Bielorrússia, Brasil, Bulgária, Cazaquistão, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, França, Hungria, Itália, Letónia, Lituânia, Marrocos, Polónia, República Checa, Reino Unido, Roménia, Rússia, Suécia, Tunísia e Turquia.
Um verdadeiro envolvimento internacional cuja agenda incluirá a realização de seminários e a realização de diversos workshops que juntarão estudantes, professores, investigadores e colaboradores do IPB e das IES parceiras para troca de experiências nos mais variados domínios de intervenção.
Os dois encontros, realizados em simultâneo, consolidam a rede de cooperação internacional, juntando instituições de todo mundo, e a liderança do IPB em projetos de dupla diplomação e investigação conjunta.
Além dos seminários e workshops específicos, destacam-se ainda desta realização a “Feira Internacional de Estudantes”, a “Corrida IPB for All” e a “Semana Gastronómica (Food from All)”.

Publicado em: “Notícias do Nordeste”

Por amor à Ciência

Bioquímica. Isabel Ferreira com um vaso de cidreira, e uma das 200 espécies de plantas da Serra do Montesinho estudadas no Instituto Politécnico de Bragança, onde é professora e investigadora

A história de Isabel Ferreira, 43 anos, mostra como é possível ter uma carreira científica brilhante, de projeção mundial, na cidade portuguesa mais improvável: Bragança

Sempre pensei em Bragança como o fim do mundo. Nasci em Lisboa e desde os bancos da escola que observava os mapas das estradas, fazia as contas e chegava sempre à mesma conclusão: por mais voltas que desse, Bragança era a cidade de Portugal Continental que estava mais longe da capital, escondida no extremo nordeste de Trás-os-Montes, a 500 km de distância. Os anos passaram e fui conhecendo Vila Real, Chaves, Peso da Régua, Miranda do Douro, Torre de Moncorvo, Mirandela, as terras quentes do Douro. Mas Bragança ficou sempre fora das minhas viagens por terras transmontanas, como se continuasse a ser o fim do mundo. Mesmo depois de ter estado várias vezes em cidades tão longínquas como Tóquio, Hong Kong ou Macau.
Uma conferência sobre o clima no Instituto Politécnico de Bragança levou-me pela primeira vez à cidade esquecida em 2010, quando começaram as obras de extensão da autoestrada Porto-Amarante (A4) até à serra do Marão. Foi uma visita rápida, de ida e volta no mesmo dia, que me deixou apenas uma imagem forte: a antiga estação ferroviária transformada em central de camionagem. A imagem era paradoxal. Por um lado, a transformação tinha sido muito feliz a preservar a memória dos caminhos de ferro. Mas, ao mesmo tempo, era chocante ver como a ferrovia, um transporte público confortável e amigo do ambiente, fora definitivamente abandonada a favor do asfalto.
A história de Isabel Ferreira, 43 anos, afastou de vez da minha cabeça a ideia de Bragança como o fim do mundo. A cientista tem demonstrado que é possível ter uma carreira brilhante, de projeção mundial, numa cidade portuguesa do interior profundo e num instituto politécnico. Mesmo tendo toda a sua formação académica feita em Portugal. E há ainda estigmas em relação à região e preconceitos na cabeça de muita gente que parecem cada vez mais desfasados desta realidade emergente.
A professora coordenadora da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) licenciou-se em Bioquímica na Universidade do Porto, fez o mestrado e o doutoramento em Química na Universidade do Minho, mas na hora de tomar decisões sobre o local onde ia começar a sua carreira resolveu regressar a Bragança, apesar das propostas tentadoras daquelas universidades. “Sou uma pessoa de afetos, tenho a minha família em Bragança, uma cidade que eu amo, uma cidade onde cresci e fui muito feliz até ir para a faculdade”, confessa a cientista, que nasceu em Nampula, Moçambique. Por isso, apostou tudo no IPB, que tem hoje cinco escolas superiores e 7000 alunos.
Isabel Ferreira foi considerada pelo conhecido ranking internacional da Thomson Reuters uma das cientistas mais influentes do mundo na área das ciências agrárias em 2015 e em 2016. E pertence ao grupo de seis investigadores radicados em Portugal cujos artigos científicos foram os mais citados do mundo no ano passado, também segundo outro ranking da Thomson Reuters. Este ranking representa somente 1% de tudo o que se publica no mundo, e envolve apenas 3000 cientistas. Curiosamente, dos seis portugueses, dois são do IPB: Isabel Ferreira e Lilian Barros.
Ao mesmo tempo, a cientista é editora associada da “Food & Function”, revista da Royal Society of Chemistry (Reino Unido) considerada das mais relevantes a nível mundial na área agroalimentar, o que a leva a viajar com frequência para Londres. É também avaliadora de projetos de investigação e programas doutorais internacionais da UE e das fundações de ciência de 11 países da Europa, América do Sul e África, incluindo Portugal. Na Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) portuguesa tem sido ainda avaliadora de bolsas de doutoramento e de pós-doutoramento, bem como coordenadora do painel de Tecnologias Agrárias e Alimentares.

“Fazer ciência na minha região”

O segredo para Isabel Ferreira alcançar este sucesso parece aparentemente simples. “Tudo o que consegui deve-se à minha determinação em fazer ciência na minha região”, conta a investigadora ao Expresso. “Escolhi o Instituto Politécnico de Bragança e sempre encontrei aqui todo o apoio institucional, incentivo para uma dedicação à ciência e suporte em infraestruturas adequadas para fazer o meu trabalho.” Mas há mais: “Tive a facilidade de construir uma equipa de investigação muito jovem, dinâmica e empenhada, que quis ficar em Bragança e conseguiu afirmar-se a nível internacional.”
A paixão com que se envolveu no seu trabalho e a determinação em desenvolver a ciência na sua região foi sustentada por uma visão estratégica que acreditava que Bragança só podia ultrapassar o ciclo fatal do isolamento, do despovoamento e da desertificação se valorizasse os seus recursos naturais através do conhecimento gerado localmente. E bastou olhar à sua volta, bem perto da cidade, no Parque Natural de Montesinho. Tudo começou por uma tarefa intensa e sistemática: o estudo dos cogumelos e das plantas da serra de Montesinho. Isabel Ferreira e a sua equipa resolveram fazer a caracterização química e bioquímica de plantas com flor como a camomila ou a perpétua roxa e de ervas aromáticas como o manjericão, os coentros ou a cidreira. “Já estudámos 200 espécies diferentes de plantas e 160 de cogumelos”, revela a investigadora com um certo orgulho. A biodiversidade do Parque Natural é muito rica. Como salienta o presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, além da flora muito variada, “80% das espécies animais existentes em Portugal encontram-se aqui no Parque Natural”.
Isabel Ferreira chegou então à conclusão de que a sua equipa detinha “um conhecimento único sobre estas espécies vegetais e os seus compostos químicos, que podiam ter valor acrescentado para a indústria alimentar”. E estabeleceu um objetivo ambicioso: obter substâncias naturais que pudessem substituir os aditivos artificiais e sintéticos usados nesta indústria, “que têm problemas de toxicidade e são alergénicos”. A professora do IPB já publicou mais de 400 artigos em revistas científicas de referência internacional. “Fomos dos primeiros a escrever sobre as diferenças da legislação entre a UE e os EUA relativamente aos aditivos usados na indústria alimentar, temos publicado muitos artigos sobre aditivos naturais e somos considerados a nível internacional especialistas em corantes e conservantes naturais.”
Toda esta dinâmica de produção científica levou o Instituto Politécnico de Bragança a registar a marca “ValorNatural” e a submeter um projeto com o mesmo nome à Agência Nacional de Inovação, instituição pública que promove a valorização do conhecimento através da colaboração entre empresas e centros de investigação. Apoiado pelo programa europeu COMPETE (Programa Operacional Competitividade e Internacionalização), o projeto ValorNatural aposta na valorização de recursos naturais através da extração de ingredientes de elevado valor acrescentado para aplicações na indústria alimentar.
“O nosso objetivo é promover a produção sustentada de fontes naturais ricas em compostos de interesse para a indústria e a utilização de biorresíduos para a produção de bioativos, corantes, conservantes e aromas naturais”, explica Isabel Ferreira. O projeto pretende também desenvolver metodologias e equipamentos de extração e refinação de todos estes compostos que sejam mais eficientes, amigos do ambiente e inovadores. E envolve unidades de investigação do Politécnico de Bragança e da Universidade do Porto, o Instituto de Soldadura e Qualidade, o Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos e 13 empresas produtoras de plantas e cogumelos ou utilizadoras de aditivos alimentares. O ValorNatural prevê ainda a transferência de resultados para a indústria do calçado.

Montesinho, montanha de investigação

A paisagem da serra de Montesinho é grandiosa e deslumbrante. O Sabor é bordejado por choupos e amieiros e os azinhais crescem nas encostas junto ao rio. Mas, como observa o botânico Carlos Aguiar, “o clima aqueceu, porque agora vemos grandes plantações de castanheiro a 1000 metros de altura e de oliveira e amendoeira a 700 metros, o que antes não era possível”. As três culturas estão a deixar as altitudes mais baixas e esta é uma das áreas de estudo do Centro de Investigação de Montanha (CIMO), onde Carlos Aguiar trabalha.
O CIMO fica mesmo à entrada do Campus de Santa Apolónia do Instituto Politécnico de Bragança, junto à Escola Superior Agrária, na zona mais moderna da cidade. Há amplos espaços verdes, campos cultivados com vinha e árvores de fruto, e respira-se um ambiente de serenidade, o ideal para estudar e investigar. Isabel Ferreira transmite essa sensação de serenidade, apesar das responsabilidades que acumula, porque é também coordenadora do centro, o único do género no país e um dos primeiros centros de investigação a ser criado num instituto politécnico. Tem 154 investigadores, dos quais 71 são doutorados, com formações académicas muito diversificadas. Nos seus laboratórios modernos e bem equipados estudam-se e valorizam-se os recursos naturais da região, a floresta, os ecossistemas agrícolas e os produtos locais de montanha, com o objetivo de desenvolver sistemas sustentáveis em termos económicos, sociais e ambientais. Ou seja, de criar oportunidades de desenvolvimento e fontes de rendimento para as áreas de montanha como a região da serra de Montesinho.
“Conseguimos fazer ciência com interesse regional, mas que ganhou dimensão internacional pelas metodologias de extração e de identificação de substâncias naturais das plantas e cogumelos que criámos, e pela forma como conseguimos encontrar aplicações, nomeadamente na indústria alimentar”, constata Isabel Ferreira. “Por sermos muito seguidos a nível internacional temos artigos publicados pela nossa equipa que são dos mais citados nas revistas científicas e os nossos pares estão sempre atentos ao que fazemos.”
Quando publicam artigos científicos mais críticos são também contactados por multinacionais, nomeadamente da área dos corantes e conservantes. O CIMO trabalha ainda com empresas portuguesas onde percorre toda a cadeia alimentar, deste as empresas produtoras de matérias-primas às utilizadoras dos ingredientes que desenvolve. “Somos relevantes à escala mundial”, sublinha a coordenadora do centro com grande convicção e alguma vaidade, “e temos imensas colaborações internacionais em todos os continentes, o que implica o intercâmbio de investigadores”. É por isso que o Expresso encontrou sempre cientistas estrangeiros nos laboratórios do CIMO que visitou.
“A chave para este sucesso é a nossa dedicação constante e o facto de estarmos focalizados no desenvolvimento da ciência.” Para Isabel Ferreira, “o importante é ter uma equipa de investigação consolidada, atrair jovens doutorados e fixá-los aqui”. Com efeito, “muitos dos cientistas que trabalham na minha equipa formaram-se no Instituto Politécnico de Bragança” (IPB).

Equipa. 
Isabel Ferreira com a sua equipa no Centro 
de Investigação de Montanha, que coordena no Instituto Politécnico de Bragança. 
O centro, único no país, 
tem 154 investigadores, 
dos quais 71 são doutorados

Foi devido a toda esta atividade científica e à projeção internacional do CIMO que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação incluiu a serra de Montesinho numa nova rede chamada “Montanhas de Conhecimento: Rede Nacional de Investigação de Montanhas”. E o ministro Manuel Heitor resolveu lançar a iniciativa precisamente em Bragança, a 26 de novembro de 2016. A nova rede arrancou com três projetos-piloto nas serras de Montesinho, da Estrela e do Pico. O primeiro — o mais avançado — é liderado pelo IPB e coordenado por Isabel Ferreira. O segundo é dirigido pelo Instituto Politécnico da Guarda e o terceiro pela Universidade dos Açores.
A iniciativa pretende aproveitar o conhecimento científico regional e local para valorizar as áreas de montanha em sectores tão diferentes como a conservação da natureza, a agricultura, a floresta, a adaptação às alterações climáticas, o património ou o turismo, incluindo o turismo científico. “A serra de Montesinho tem oportunidades únicas e em qualquer zona do país é possível fazer boa ciência com relevância ao mesmo tempo regional e internacional, e com importante impacto económico”, afirma Manuel Heitor ao Expresso. O governante defende que “é preciso pôr a ciência ao serviço das populações e do desenvolvimento económico e, nesta perspetiva, há que reforçar as relações das instituições do ensino superior com o território”.
Com a rede de Montanhas do Conhecimento “queremos atrair mais investigadores para as regiões de montanha e fixar os que já lá estão com novos projetos”, explica Manuel Heitor. O ministro da Ciência argumenta que “Bragança tem uma grande centralidade na Península Ibérica, porque está apenas a três horas de automóvel de Madrid”, apesar de ficar a cinco horas de Lisboa. “E há ali um tesouro, a serra de Montesinho, que é preciso valorizar através do conhecimento local.”
Isabel Ferreira tem de ir regularmente a Lisboa devido às funções que ocupa na Fundação para a Ciência e Tecnologia. Mas está muito mais perto de Salamanca (1h30 de viagem de automóvel) e de Madrid, onde também se desloca com frequência devido às parcerias que o IPB desenvolveu com a Universidade de Salamanca e a Universidade Complutense de Madrid em projetos de investigação, mestrados e doutoramentos.
O projeto-piloto que a investigadora agora coordena chama-se “Montesinho Montanha de Investigação” e tem como parceiros, além do Instituto Politécnico, o laboratório associado LSRE-LCM da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, um laboratório de processos de separação e reação em engenharia química que já tem um polo no IPB; a Câmara de Bragança, através do Parque de Ciência e Tecnologia Brigantia-EcoPark; a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes; o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial ZASNET, que gere a Reserva da Biosfera da Meseta Ibérica (regiões de Zamora, Salamanca e Nordeste Transmontano); o Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos, com sede em Bragança; a incubadora de empresas BLC3; o Centro Ciência Viva da cidade; e várias empresas.

“Mãe, eu eternizaria Bragança”

“Quando eu cheguei a Bragança vi um lugar limpo, tranquilo, seguro, uma cidade que gira em torno do instituto politécnico e que oferece tudo o que uma pessoa precisa para viver. Estudei, assisti a aulas com ótimos professores, experimentei boa comida, viajei, fui para festas e vi muitas despedidas. Conheci o novo e tive uma nova visão do antigo. Entrei em contacto com diferentes culturas e dividi a minha.” É assim que a aluna brasileira Nicole Werneck conta no seu blogue a experiência que passou no Politécnico. O texto começa por contar que a sua mãe lhe perguntou um dia qual era o lugar do mundo onde gostaria de morar, “depois de tantos lugares maravilhosos que já havia conhecido”. E Nicole respondeu: “Mãe, se eu pudesse escolher seria Bragança, eu eternizaria Bragança.”
Entre os 7000 alunos do IPB há 1600 estrangeiros, isto é, 23% do total. É a maior percentagem de alunos estrangeiros numa instituição do ensino superior público em Portugal e o blogue de Nicole Werneck ajuda a explicar porquê. “Bragança tem uma qualidade de vida muito boa e é uma cidade pequena e calma, que vive muito do Instituto Politécnico”, argumenta Isabel Ferreira. A urbe tem cerca de 25 mil habitantes e além dos 7000 alunos, o IPB dá emprego a 450 professores e 250 funcionários, o que significa que “tem um peso enorme na economia local”. Viver numa cidade assim “tem a vantagem de permitir aproveitar ao máximo o tempo para estudar e para fazer ciência, porque as deslocações são fáceis, rápidas e sem stresse”.
João Sobrinho Teixeira, presidente do Instituto Politécnico, diz que “a imagem que o país tem de Bragança não corresponde à realidade”. Há “uma perceção errada do território, porque esta é uma região de oportunidades, como prova a atração de estudantes estrangeiros de 64 nacionalidades pelo IPB”. Portugal “não está a retirar o verdadeiro retorno da diplomacia económica da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), porque muitos dos estudantes estrangeiros que temos vêm de países que desenvolvem relações comerciais com a CPLP e, por isso, procuram uma formação superior de qualidade em português, pelas oportunidades de emprego que esta pode trazer”.
E quando um aluno estrangeiro analisa a hipótese de vir estudar para Bragança, frequentando um dos 43 cursos de licenciatura ou um dos 36 cursos de mestrado, “nunca nos pergunta a que distância fica esta cidade do Porto ou de Lisboa, porque isso não é relevante na sua decisão. Em contrapartida, mostramos a boa classificação que o instituto tem em rankings internacionais, como o Scimago ou o U-Multirank, que é patrocinado pela UE”. Quanto à investigação, Sobrinho Teixeira não tem dúvidas: “O trabalho que o Politécnico desenvolve é a prova de que é possível fazer aqui ciência de alta qualidade, como tem demonstrado Isabel Ferreira, que é um orgulho para Bragança e para o país.”

Pôr a cidade no mapa global

O reconhecimento nacional e internacional de Isabel Ferreira nas ciências agrárias é também um dos sinais de um novo modelo de desenvolvimento que está a emergir nas regiões do interior, ou melhor, naquilo a que os técnicos chamam territórios de baixa densidade. Não é apenas um artifício de linguagem, porque hoje é difícil falar de Bragança como cidade do interior quando tem uma autoestrada de 200 km — a A4 — que permite a qualquer dos seus habitantes chegar de automóvel ao Porto em menos de duas horas. Ou chegar a Lisboa em apenas uma hora e meia se a opção de transporte for o avião, porque há dois voos diários de ida e volta durante o verão e um voo diário no resto do ano.
Mas Bragança não depende apenas do litoral, dos seus portos e aeroportos para se afirmar à escala global. Como antecipa Hermâni Dias, “vai ser em breve a cidade portuguesa mais próxima da rede ferroviária de alta velocidade europeia, quando estiver concluída a linha do AVE — o TGV espanhol — que ligará Zamora a Puebla de Sanabria, apenas a 40 km daqui”. O presidente da Câmara de Bragança assinala, por outro lado, que “Lisboa, Porto, Oeiras e Bragança são as cidades mais inteligentes do país num estudo feito pela consultora IDC”. Ou seja, nas políticas, estratégia e projetos relativamente à governação, edifícios, mobilidade, energia e serviços inteligentes, Bragança “faz inveja a muitas cidades do litoral”. “E também faz inveja nas atividades culturais”, onde se destacam o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais ou o moderno Teatro Municipal.
Há ainda outras surpresas. O projeto mais dinâmico do programa Portugal 2020 fica em Bragança e deve-se à multinacional francesa Faurecia, que considera a cidade estrategicamente colocada no centro da Península Ibérica. A Faurecia Bragança investiu €41,5 milhões no alargamento da sua fábrica de tecnologias de controlo de emissões, que produz sistemas de escape para os grandes fabricantes mundiais de automóveis, o que vai aumentar as exportações nacionais em €331 milhões. A multinacional tem 850 trabalhadores, vai criar 600 novos empregos diretos e indiretos e no final de 2018 conta empregar mais de 5% da população da cidade.
E tem desenvolvido parcerias com o Instituto Politécnico para criar interesse pela indústria automóvel entre os alunos. “Além da multinacional francesa, há mais duas empresas italianas e uma espanhola do sector que vão investir em Bragança”, recorda João Sobrinho Teixeira, “porque temos aqui mão de obra qualificada e custos salariais e de funcionamento mais baixos”. Além disso, “na região espanhola de Castilla y León, que faz fronteira com o distrito, a indústria automóvel emprega quase 50 mil pessoas”, o que significa que há oportunidades de negócio em toda esta área da Península Ibérica.
“Mais importante do que as instituições são as pessoas”, afirma Isabel Ferreira. “Quando os centros de investigação ou as empresas estrangeiras nos veem, não lhes interessa em que cidade ou instituição trabalhamos, o que lhes interessa verdadeiramente é a qualidade do nosso trabalho, porque a ciência é global. Foi assim que a minha dedicação e o meu amor à região acabaram por dar resultados com impacto mundial.”

Publicado em: “Expresso”

Sucesso e qualidade, do interior!

Muitas vezes no nosso país, confunde-se o interior com periferia e atraso no desenvolvimento. Não há nada mais errado do que este pensamento.
Venha conhecer o que de melhor se faz no (tão rico) interior de Portugal e deixe-se deslumbrar.

 Sobrinho Teixeira é o rosto que apresenta o Instituto Politécnico de Bragança, revelando ao mundo aquilo que de melhor se faz no interior do país. Foi também com o presidente do IPB que o País Positivo entrou à conversa, descobrindo uma instituição de cariz ímpar e de qualidade internacional.
De acordo com o nosso entrevistado, o IPB é uma instituição de referência nacional a diversos níveis. “Todo o trabalho que tem sido desenvolvido no IPB em diversas áreas, nomeadamente na área da investigação – uma das nossas bandeiras e que permitiu um programa de afirmação e de doutoramentos que nos permitiu ter o corpo docente mais qualificado de todo o sistema politécnico – fez com que existissem repercussões ao nível do relacionamento da região com o instituto. Hoje, não representamos uma instituição que recebe alunos, que os retém durante algum tempo e que depois os deixa sair da região. O IPB, com toda a sua capacidade implementada, é uma instituição com capacidade de intervenção, um agente essencial ao desenvolvimento da região e, de facto, tem uma envolvência a todos os níveis com o tecido regional, seja económico, social ou cultural”. Assim, o IPB é um parceiro ativo da própria CIM de Terras de Trás os Montes e procura ser proactivo, nomeadamente no que diz respeito ao próximo quadro comunitário de apoio que, na opinião do entrevistado apresenta algum risco para a região. Como é sabido, “os anteriores quadros comunitários eram muito voltados para a infraestruturação e, como tal, o fluxo financeiro era assegurado pela intervenção ativa dos nossos autarcas” Hoje, a situação não é a mesma e a inovação, a criação e desenvolvimento de empresas são o toco deste novo quadro. Assim sendo, e tendo em conta a debilidade do tecido económico da região, incorre-se no risco de aumentar a distorção existente entre interior e litoral norte. Desta forma, “o IPB tem que ser um elemento ativo, com capacidade de intervenção política, fazendo sentir que é necessário assegurar um volume financeiro para a região de Trás os Montes que contribua para coesão nacional e inter-regional. Não podemos chegar ao final deste novo quadro de apoio com a sensação que contribuímos para um desenvolvimento da região norte mas sem ter, efetivamente, ganho alguma coisa com isso. Estou em crer que tal não vai acontecer, mas é necessário que todos os agentes tenham a capacidade de fazer fluir esses fundos para situações que gerem riqueza e emprego”. Para tal, o IPB tem vindo a trabalhar no sentido de dotar o tecido empresarial das ferramentas necessárias para fazer face ao futuro. Por exemplo, a região de Trás os Montes tem um setor primário bastante desenvolvido, mas a profissionalização do setor leva a que se precise cada vez menos de agricultores e, isso, “traduz-se numa mais baixa densidade demográfica da região que só poderá ser invertida com a criação de outras empresas, apostando, por exemplo, no turismo, mas sobretudo na indústria”, advoga.

A INTERNACIONALIZAÇÃO
O IPB é também um instituto conhecido pela sua capacidade de internacionalização, vertida na população de estrangeiros superior a mil alunos, com cerca de 50 países representados. Além da qualidade de vida que aqui se sente, o tacto de o IPB ter uma oferta deformação em língua inglesa – existem já três cursos de licenciatura em inglês que irão ser duplicados no próximo ano (no próximo ano funcionarão 7 cursos de licenciatura e 3 cursos de mestrado em inglês) – permite que este seja um aporte económico, cultural e social para a região. Mas estes números não são fictícios e espelham-se nos rankings nacionais e internacionais: “Existem rankings específicos em investigação, sobretudo na avaliação da qualidade da investigação produzida em função da dimensão da instituição, e, aqui, o IPB está em primeiro lugar a nível nacional em quatro desses itens e no ranking da União Europeia o IPB é o primeiro politécnico a nível nacional, estando no top dez das instituições universitárias e politécnicas portuguesas, ocupando o 7° lugar. Tudo isto, de facto, faz com que hoje o instituto seja um agente de desenvolvimento mas também um agente de motivação, dinamizando o orgulho da região, mostrando aquilo que a região pode fazer, mostrando que, os transmontanos, quando têm as mesmas condições, são capazes de fazer tão bem ou melhor do que os outros”, afirma Sobrinho Teixeira.

FUTURO
A investigação, no seio do IPB, é uma área consolidada, assim como a qualidade do corpo docente. Assim, o futuro promete o aumento da internacionalização, quer através do aumento da oferta formativa em língua inglesa e da oferta do português para estrangeiros, já que existe uma grande procura de oferta formativa de português. Além disso, “iremos trabalhar ativamente nas empresas para responder ao momento económico da região. Estamos também apostados em introduzir inovação curricular no sentido de pôr os alunos dos cursos de licenciatura a resolver problemas para as empresas, dando uma matriz aos nossos alunos de maior ligação empresarial e, portanto, um tipo de ensino que vai aumentar a empregabilidade dos seus formandos”. No fundo, o IPB irá continuar, no futuro, a lutar por se manter nos lugares cimeiros, elevando a instituição e o orgulho da região.

UM RUMO BEM TRAÇADO

 Luís Pires é o rosto que apresenta a EsACT – Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo do Instituto Politécnico de Bragança, uma instituição que começa agora um novo caminho rumo ao sucesso.
Em entrevista ao País Positivo, Luís Pires, diretor da EsACT, faz-nos uma breve apresentação da instituição e mostra qual o caminho desta escola que aposta na inovação e tecnologia para fazer face aos desafios futuros.
Criada em 1995 como polo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Bragança, a EsACT oferecia em Mirandela os cursos de Informática de Gestão e Contabilidade e Administração. No entanto, em 1999 como consequência da evolução legislativa, a Escola ganhou autonomia, tendo continuado com os dois cursos anteriores e introduzido o curso de Planeamento e Gestão em Turismo, distanciando-se, nesse processo evolutivo, daquilo que era oferecido em Bragança e traçando um caminho muito próprio e bem definido. Assim, em consequência de uma estratégia pensada, o Turismo passou a ser um dos principais focos da Escola de Mirandela, enquanto uma das etapas fundamentais de um caminho ainda não totalmente trilhado e, “foram-se consolidando as valências que identificassem e distinguissem a EsACT, no seio do IPB, associadas a uma imagem corporativa sólida, reconhecível conotada com a cultura de excelência da Instituição, em muito baseada em práticas de gestão sustentada dos recursos. Desde logo pensamos que a escola deveria dedicar-se a três áreas, distintas mas complementares, a Comunicação, a Administração e o Turismo”. E, aos poucos, a escola foi-se afirmando nestes três domínios. Assim, e na área da comunicação, para além das Licenciaturas em Tecnologias da Comunicação, Marketing e Multimédia a EsACT passou a oferecer, de forma arrojada e inovadora um curso de licenciatura em Design de Jogos Digitais que, ao contrário do que se possa pensar e face à realidade regional, foi desde logo um sucesso. E enganem-se aqueles que pensam que esta é uma área orientada apenas para o entretenimento ou brincadeira. “O design de jogos digitais é uma área bastante complexa e, ao contrário de outras formações existentes, mais ligadas às engenharias, esta é uma formação muito mais ligada às artes, exigente, propícia à exploração dos jogos digitais enquanto comentário social, arte, ferramenta educacional, ou forma de entretenimento da sociedade global em que vivemos. Mas para nós isso não chega e, nesse sentido, temos lançado alguns desafios aos docentes e alunos com o intuito de aplicar os conhecimentos adquiridos no curso em resposta a outro tipo de necessidades, por exemplo na área da saúde, criando aplicações que permitam testar e analisar comportamentos e desempenhos ou no limite como ferramentas didáticas ou educativas. Imaginem, como exemplo, um jogo digital que ajude um paciente em período de reabilitação física a melhorar ou medir a evolução do seu desempenho… um jogo que incuta por exemplo em públicos infantis uma consciência ambiental, etc “
Par além de tudo isto, na área da multimédia e das tecnologias da comunicação, a EsACT tem trilhado um percurso de sucesso, realizando reportagens de temas sociais putativamente fraturantes para a região que, para além do tema em si e da perspectiva técnica com que são abordados, evidenciam a capacidade técnica existente e mostram a importância do multimédia como ferramenta de desenvolvimento da região. Esta capacidade de produção técnica e comunicacional, potenciada via marketing, forma uma poção que a região e o pais não podem desperdiçar.
A área da administração é ex-libris da instituição, com muitos alunos e muita procura. Ao nível da licenciatura, a EsACT oferece dois cursos: Gestão e Administração Pública e Solicitadoria. Apesar do sucesso consolidado das duas áreas, o primeiro teve uma ligeira quebra na procura devido aos problemas de contexto do país, nomeadamente os que ocorreram na função pública, relacionados com a redução de efetivos e de salários, frustrando expectativas. No entanto, e apesar disso, “sentimos necessidade de criar o Mestrado em Administração Autárquica. Os nossos alunos e ex-alunos de Gestão e Administração Pública e de Solicitadoria começaram a procurar-nos no sentido de aprofundar os seus conhecimentos, de se especializar, de prosseguir estudos, e a verdade é que estas pessoas acabavam por ir tirar o Mestrado a outros locais e não era isso que queríamos. Neste sentido, juntámos as vontades dos alunos e da própria escola e acabámos por criar este mestrado que dá resposta às necessidades, uma vez que temos também um corpo docente consolidado e de grande qualidade. Além disso, a sociedade atual orienta-se cada vez mais para paradigmas de funcionamento agregado, em rede e, portanto, o nosso mestrado também pretende atribuir uma importância significativa a este novo paradigma, fornecendo novas capacidades, uma evolução funcional aos atores da própria legião, que mostraram, também eles, interesse na formação. Foi pois com muito agrado que vimos o mestrado aprovado por 6 anos, também uma prova de que a estrutura curricular faz sentido e se apresenta como uma mais-valia para a região e para o país”.

EMPREENDEDORISMO
Luís Pires considera que o empreendedorismo é essencial para esta região, nomeadamente para a fixação dos alunos e contributo para a inflexão de fluxos migratórios. Hoje, existem já empresas de relevo nacional que surgiram precisamente de oficinas de empreendedorismo. “A verdade é que muitas vezes as ideias existem, mas nem sempre sabemos como começar. Que passos dar? Como fazer? O que é um plano de negócios? Portanto, as oficinas de empreendedorismo são muito importantes na medida em que apoiam todos estes passos e, muitas vezes, mostra que o caminho que se tinha idealizado não é o melhor e, ai, consegue-se, em ambiente controlado, corrigir a trajetória, ou por vezes reconhecer que é melhor começar de novo. Felizmente, percebemos que as coisas começam a mudar e que a vontade de investimento e de criação do próprio emprego é muita, e não podemos apenas pensar no nosso país, deixar de olhar para o vizinho do lado, desleixando um mercado de 40 milhões de putativos consumidores, devemos ser capazes de criar estruturas e empresas que dêem resposta a esse mercado global”.

AS NOVAS INSTALAÇÕES
A prioridade da EsACT foi, há uns anos, a capacitação em termos de docência. Hoje, a consolidação do corpo docente é já uma realidade e, portanto, seguiu-se o segundo desafio: As instalações. Até hoje, a EsACT funciona em instalações provisórias cedidas pela autarquia de Mirandela e que, apesar de serem o necessário para formar os alunos com qualidade, não dão seguimento às necessidades e vontades de crescimento estabelecidas para a instituição. Neste sentido, “muito lutamos para conseguir umas instalações condignas e aproveito para deixar uma palavra de apreço à Câmara Municipal de Mirandela que como parceira do IPB esteve sempre presente para a concretização de um edifício de grande qualidade e que irá dar resposta às nossas necessidades já no próximo ano letivo”.
Este edifício, feito de raiz, possui salas de reunião, espaço dedicado à produção audiovisual, onde se incluem estúdios, laboratórios de pós produção, multimédia, salas de visionamento, um auditório de média capacidade, uma biblioteca de topo e um espaço que servirá de fomento a novos projetos. Ou seja. “temos o hardware e o software, agora necessitamos criar projetos e a ideia é dar corpo ao Centro de Recursos para a Promoção do Turismo e Marketing Territorial, implementando, numa base comunicacional, estratégias que possibilitem o desenvolvimento e a valorização regional. É certo que aqui existem produtos únicos, de qualidade, indissociáveis e burilados por uma cultura ancestral, mas que permanecerão economicamente diminuídos se não forem revelados ao mundo”.
A aposta e potenciação do centro de competências possibilita a criação de uma rede essencial ao desenvolvimento da região na medida em que conseguimos “quebrar barreiras. Quem tiver dificuldades saberá, à partida, que nos poderá procurar para, em parceria, resolver os seus problemas. Portanto, o primeiro passo é criar alguns produtos que dissipem qualquer tipo de dúvida que possa existir face às competências e qualidade da capacidade instalada. O Centro permitirá consolidar, dentro da região e não só, a certeza de um conceito de credibilidade e capacidade para se fazer coisas, para responder a desafios, e a partir dai, crescer e alavancar a região e o tecido empresarial”.
Assim, e tendo em conta as novas instalações e os projetos pensados, a EsACT poderá ser um elemento essencial para a dinamização e desenvolvimento da região e do próprio IPB. “Feitas as contas, penso que o saldo será claramente positivo e o futuro apresentar-se-á bastante promissor”, finaliza o nosso interlocutor, Luís Pires.

Bragança: Um exemplo de Sucesso

 Bragança não é apenas a capital do distrito. É, também, um concelho voltado para o futuro, apostado em tirar o máximo partido de todas as potencialidades existentes. Um concelho que vide para a qualidade de vida dos cidadãos e que aposta em atrair cada vez mais pessoas.

Bragança é uma cidade com uma qualidade de vida acima da média, mas o seu edil, Hernâni Dias, afirma que falta ainda população suficiente para usufruir desta qualidade. “Somos um concelho com excelente qualidade de vida, reconhecido por estudos externos. Somos detentores de equipamentos culturais, com programações culturais atrativas, uma gastronomia de excelência, na qual pontuam pratos de caça e o famoso butelo com casulas, boas condições de mobilidade interna e acessibilidades externas, bons níveis de segurança, um clima agradável e uma paisagem única, com especial destaque para o parque Natural de Montesinho, um património histórico muito rico, com um Castelo bem preservados e a Domus Municipalis, exemplar único na Península Ibérica, um sistema de ensino de elevada qualidade, desde o ensino básico ao superior, com o Instituto Politécnico de Bragança a ocupar o top 10 europeu”. Assim, é de todo essencial que se consiga atrair para este concelho a população necessária para continuar a fazer de Bragança um player de relego a nível nacional e, mesmo, europeu.

ENSINO SUPERIOR EM BRAGANÇA
Questionado sobre a importância do Ensino Superior em Bragança, Hernâni Dias afirma que a presença do Instituto Politécnico de Bragança no concelho é de extrema importância. “Sendo uma instituição com cerca de sete mil alunos, o impacto é enorme, tanto a nível económico, como a outros níveis, nomeadamente turísticos, dada a diversidade da origem dos alunos que frequentam o Instituto, que funcionam como verdadeiros embaixadores da Cidade”. Posicionado nos lugares cimeiros dos rankings de classificação nacional e europeus é, também, uma mais-valia para a cidade, para a região e para a própria autarquia, traduzindo-se essa importância nas parcerias estabelecidas entre o IPB, a comunidade local e a autarquia”. Existem, efetivamente, alguns projetos comuns entre a autarquia e o IPB, como é o caso do Brigantia Ecopark, um Parque de Ciência e Tecnologia que está neste momento em fase final de construção e que está vocacionado para recebei empresas de base tecnológica com baixo impacto ambiental. O investimento de cerca de nove milhões de euros foi abraçado pelas duas entidades e servirá como motor de desenvolvimento de toda a região.
No fundo, e como facilmente podemos perceber, o IPB é um dinamizador da economia local, quer pelos alunos que atrai, quer pelas parcerias que cria com o tecido empresarial e pelo apoio que dá aos pequenos produtores, através da transferência de conhecimento.
Mas nem só o tecido empresarial é alimentado pelo ensino superior. Por forma a “dinamizarmos o centro histórico de Bragança, construímos residências universitárias, que, através de protocolo cedemos ao IPB, para acolher alunos dos PALOP. Assim, temos já dois edifícios transformados em residências e estamos, neste momento, a construir uma terceira. Reconhecemos, nesta e em outras parcerias, a importância do Politécnico de Bragança e iremos continuar a trabalhar para preservar esta cooperação entre ambas as entidades porque a consideramos benéfica e essencial para o desenvolvimento do concelho e da região”.
Ainda assim, existem desafios e o grande passo agora é conseguir captar e, sobretudo, fixai jovens em Bragança. As perspetivas são boas: “Estamos com alguns projetos em mãos que poderão resultar na concretização deste grande objetivo, criando variados postos de trabalho e, muitos deles, com necessidade de mão-de-obra qualificada, o que acaba por ser uma mais-valia para o concelho e para o IPB, que poderá organizar a sua formação em função daquilo que a região realmente necessita”.
A grande oportunidade para a região surge agora, com o novo quadro comunitário que, na sua maioria, é voltado para a inovação, o empreendedorismo e a capacitação de empresas, estando o edil solenemente convencido que esta será a grande oportunidade para Bragança. “Este quadro comunitário, juntamente com as medidas de incentivo ao investimento levadas a cabo pela autarquia – disponibilizando espaços em Zona Industrial a 4 euros o metro quadrado, podendo este valor baixar para apenas 1 euro, se criados 20 postos de trabalho, que serão essenciais para trazer investimento para Bragança. Estamos localizados num ponto geoestratégico fulcral e as empresas começam já a encarar isso como fator diferenciador e de competitividade. O caminho é, sem dúvida, o do crescimento e de desenvolvimento”, afirma Hernâni Dias. Uma oportunidade única para que Bragança se volte cada vez mais para o futuro e se assuma no panorama nacional.

Mirandela: Futuro sustentável

 Mirandela é a princesa do Tua, caraterizada por uma paisagem e produtos ímpares que tem vindo, nos últimos anos, a apostar no desenvolvimento e no futuro. Em entrevista ao País Positivo, António Branco, falou-nos das estratégias planeadas e das principais apostas da autarquia.
Mirandela é concelho da região interior norte caracterizada pela sua paisagem e produtos endógenos. Uma cidade singular que se liga, em muita medida, com o no Tua e se marca pela centralidade.
Sendo um concelho bastante atrativo, consegue captar um largo número de visitantes de uma forma continua e, neste sentido, tem vindo a implementar um conjunto de iniciativas que permitem dar resposta a estas necessidades.
Em discurso direto, António Branco fala sobre o futuro deste concelho com uma identidade única.

Mirandela é um concelho que, ao longo dos anos, se tem desenvolvido e crescido, sustentadamente…
Nesta regigão já não falamos em crescer. Na região do interior não diminuir já é crescer e é verdade qeu temos perdido alguma população nas zonas rurais, mas a cidade tem conseguido manter o seu crescimento. Temos sentido uma grande renovação do ponto de vista do tecido empresarial, social e cultural e, principalmente no campo desportivo. Neste sentido, Mirandela é uma cidade que pauta por um conjunto de ofertas que, na região, são também exemplares. E que proporcionam aos habitantes uma qualidade de vida invejável.

Mirandela é também um concelho que aposta forte na educação. Qual é o impacto do ensino superior em Mirandela?
O ensino superior é uma estratégia que tem vindo a ser desenvolvida ao longo dos anos, que assentou, numa primeira fase, não só numa instituição de ensino público, mas também numa instituição de ensino particular. E estas instituições fixaram-se em Mirandela porque tentamos captar para o concelho um conjunto de valências que dotassem o concelho de massa crítica e desenvolvimento, inovação e um conjunto de suportes ao tecido empresarial local. Sentimos que isso acontecia em Bragança, através da presença do IPB, e portanto era essencial que Mirandela possuísse um polo que, de alguma forma, pudesse dinamizar o tecido empresarial, mas que tivesse também um identidade própria. Felizmente, hoje, isso já acontece e conseguimos ter, aqui, cerca de mil alunos o que representa um salto qualitativo muito grande.

E sendo que Mirandela se assume como ponto turístico de referência, ter no concelho um centro de investigação de comunicação e turismo é algo notável.
Diria mesmo fundamental. Acredito que tornar o polo do IPB em Mirandela voltado para as áreas da comunicação, administração e turismo foi essencial para o sucesso do mesmo. Se mão tem existido esta orientação no passado, incorríamos no risco de duplicarmos custo e ofertas, não apostando na especialização que é essencial. Com a construção das novas instalações da EsACT poderemos esperar ainda mais já que novas valências vão ser desenvolvidas. Se hoje, com as instalações débeis que a escola possui consegue-se já fazer tanto, oferecendo formação em áreas como o marketing, a multimédia e a administração pública – de salientar que inclusive a escola conseguiu já a aprovação do Mestrado em Administração Pública – imagine-se o que poderá fazer com instalações condignas e equipamentos de topo. Esta qualidade que caracteriza a escola significa que está, neste momento, capaz e dar mais um salto, lidando de perto com a sociedade civil, com o tecido empresarial e social, e ser uma escola que não se fecha, tendo uma influência local bastante importante. Mas não nos podemos esquecer que o ensino superior é um projeto consertado. Uma cidade como Mirandela, para se conseguir desenvolver do ponto de vista urbanístico e do seu tecido empresarial, necessita de ensino superior e, portanto, esta foi uma aposta que fizemos no dia em que optamos construir as instalações em Mirandela. Não nos arrependemos desta decisão e continuamos a considerar que este é o melhor investimento que podíamos ter feito para o desenvolvimento sustentado do concelho.

E esta é também uma forma de criar uma rede de conhecimento e desenvolvimento?
Existiu sempre uma ligação muito forte entre o concelho, e a própria região, e o IPB. Hoje, não olhamos para o ensino superior como apenas uma instituição de formação de jovens, mas sim como um parceiro essencial para os projetos de desenvolvimento local e regional. Aliás, dentro da própria comunidade intermunicipal, o IPB é encarado como o principal parceiro para as áreas de marketing, industrialização e inovação. Ao mesmo tempo que capacitamos esta instituição, estamos também a criar postos de trabalho, a fixar população e a garantir que o tecido empresarial fica mais qualificado e competitivo. E é precisamente este ponto que é fulcral para nós. Hoje, temos uma qualidade ao nível da administração pública invejável e isso deve-se à atuação da EsACT, mas também verificamos que empresas que outrora pouca noção tinham de marketing começam também a apostar na imagem e na promoção. Também podemos dizer que grande parte dos técnicos de turismo da Câmara Municipal de Mirandela foram formados na EsACT e, portanto, esta escola é, sem dúvida, o ceículo de qualificação, técnica e humana, da própria região. Ainda assim, estamos também a desenvolver a ligação da escola com o ensino profissional. Temos três escolas de ensino profissional que estão também orientadas para alimentar o ensino superior em Mirandela. Ou seja, a ideia passa por ter uma estratégia integrada de formação e qualificação de jovens que permita, por um lado, terem saídas profissionais na região e, por outro, captar jovens.

E é importante perceber que, aqui, existem verdadeiras oportunidades…

Por vezes somo confundidos com uma região do interior, isolada, mas hoje em dia a realidade é bem diferente. As pessoas que contrariam a tendência e abdicam do litoral pelo interior percebem que aqui existe a mesma oferta, as mesma oportunidades, mas uma qualidade superior. Neste momento, o nosso grande desafio é garantir maior empregabilidade. Neste sentido, a autarquia criou um gabinete de apoio às empresas e ao empreendedor, sendo o IPB um dos grandes parceiros, que garante que os jovens que acabem a sua formação e pretendam investir no concelho tenham apoio na componente mais técnica e em temos de acolhimento.

O futuro está assente em estratégias bem definidas?
Sim, agora é necessário aproveitar as oportunidades que surgem e não estarmos à espera que alguém faça as coisas por nós. Reforço, mais uma vez, a ligação entre a autarquia , a EsACT e o IPB e é esta ligação e este trabalho conjunto que permite ultrapassar problemas e superar desafios. Assim, é de extrema importância que se limem arestas e se afinem estratégias conjuntas para que possamos alavancar Mirandela e toda a região de Trás-os-Montes.

Publicado em ‘País Positivo‘ nº 80.

Bragança recebe 1200 alunos estrangeiros

Sociedade das nações
Chegam da China, do Peru, da Síria ou do Senegal. O Instituto Politécnico de Bragança apostou forte na captação de alunos estrangeiros – este ano receberá l 200, de 25 países diferentes

 Descontraído, de andar gingão, Hebert Camilo responde com um sorriso à admiração de Olga Padrão, secretária da direção do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), por andar de chinelos de enfiar o dedo num dia chuvoso e frio. Além do acentuado sotaque de Minas Gerais, o jovem de 21 anos, chegado em setembro ao nordeste transmontano, veio equipado com roupa leve, pouco apropriada para o rigoroso inverno que se aproxima. «Tem problema, não», garante.
Apesar das dificuldades com o termóstato, o jovem estudante do 3.° ano de Engenharia Agronómica está a adorar a experiência portuguesa. De tal forma que, dois meses após a chegada a Bragança, já começou a tratar das burocracias para prolongar a estadia inicialmente prevista para um semestre, mas que ele agora quer estender a dois. «A cidade é pequena mas recebe bem a ‘gente’ e estou gostando muito da experiência. O Instituto está bem equipado e as aulas são muito interessantes», adianta, em jeito de justificação. Hebert chegou a Bragança ao abrigo de um protocolo com o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais. No seu caso, o programa de intercâmbio prevê que o IPB se responsabilize pelo alojamento e refeições, enquanto a sua universidade de origem lhe assegurou as passagens aéreas e uma bolsa de três mil euros por semestre.
O jovem mineiro é apenas um dos 650 alunos estrangeiros – num universo de cerca de seis mil estudantes – que atualmente frequentam o IPB. Números que pecam ainda por defeito uma vez que há muitos inscritos ainda à espera de visto para fixar residência em Trás-os-Montes – os casos mais complicados têm sido os de alunos provenientes de países africanos que foram afetados pela epidemia de ébola, como a Libéria e a Serra Leoa, o que fez complicar as burocracias. Além disso, tal como sucedeu em anos anteriores, e a avaliar pelas inscrições já efetuadas e os processos em fase de aceitação, é de esperar que no segundo semestre o número de alunos chegue aos 1200 (mais 300 que no ano passado). Números impressionantes, numa cidade com pouco mais de 23 mil habitantes e onde, segundo um estudo recente encomendado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, o peso desta instituição na economia local é superior a 11 por cento do Produto Interno Bruto – o valor mais elevado do País.

Bragança lidera o ‘ranking’ dos politécnicos e cobra as propinas mais baixas do País
O IPB está atualmente no ranking das dez melhores instituições de ensino superior a nível nacional – o primeiro entre os politécnicos – e, em boa medida, isso também contribui para facilitar a captação de alunos através de convénios com instituições espalhadas pelo mundo fora. Além dos que chegam ao abrigo do programa Erasmus, provenientes da União Europeia, o maior contingente vem de paragens tão diversas como o Turquemenistão, China, Timor-Leste, Paquistão, Síria, México ou Peru, só para referir alguns dos mais distantes dos 25 países ali representados. Para o sucesso dessas «formas pró-ativas ou menos ortodoxas», na expressão do vice-presidente Luís Pais, contribuem ainda as propinas mais baixas (755 euros, para estudantes de licenciatura nacionais, e 1100, para os internacionais) e o facto de haver já vários cursos lecionados exclusivamente em inglês.

Hospitalidade transmontana

Exemplo sólido de uma integração feliz é o de Auro dos Santos. O cabo-verdiano, de 24 anos, chegou a Bragança em 2009 e diz que se sente em casa, «tal como todos os alunos africanos», os maiores contribuintes da larga comunidade estrangeira do IPB. A Associação de Estudantes Africanos representa peno de 400 alunos, a maioria deles de Cabo Verde, mas também muitos são-tomenses e angolanos. Sentindo-se em casa, já criaram uma equipa de futebol que alinha nos distritais de Bragança, uma equipa de futsal feminina, um grupo de dança, um conjunto musical (AfroBanda) e, para breve, prometem um grupo de teatro. Além disso, explica Auro, que preside à associação, «ajudamos muitos alunos a tratar de toda a burocracia para aqui chegar». A terminar o mestrado em Tecnologia Biomédica, depois de ter completado a licenciatura, vê aproximar-se a passos largos a hora de regressar a Cabo Verde e já começa a sentir saudades. «A minha adaptação foi cinco estrelas, nunca tive problemas e, se é verdade que quero ajudar ao desenvolvimento do meu país, também é certo que Bragança vai ficar sempre no meu coração.»
Tal como Auro dos Santos, também os habitantes da cidade se afeiçoaram e habituaram já à presença dos alunos estrangeiros. A chegada de sangue-novo estava a fazer falta, para dinamizar o comércio da cidade. Aos 75 anos, Vitalino Miranda e a mulher, Maria de Lurdes, mantêm a pequena mercearia, com quase meio século, de portas abertas, apenas porque funciona no rés-do-chão da sua casa e não pagam renda. «O centro histórico hoje está quase deserto. Levaram daqui os serviços e as pessoas começaram também a sair porque as casas estão velhas… e as que foram arranjadas têm rendas muito caras», considera Vitalino. Hoje, são os jovens da renovada residência universitária os poucos clientes que têm. «Nós queremos é vê-los cá, e que levem umas comprinhas. Mas a gente sabe que eles também não trazem dinheiro à larga e são muito regrados. Perguntam sempre pelo preço antes de levar alguma coisa… não é verdade?», atira. para Alexandre Ximenes, um jovem timorense de 19 anos, mais fluente em inglês do que em português, que consente com um sorriso envergonhado. Acabou de chegar a Bragança, para iniciar a licenciatura em Engenharia Informática, com uma bolsa de estudo concedida pelo Institut of Business de Díli, com quem o IPB tem uma parceria, e também ele está fascinado com a cidade. «As pessoas são muito simpáticas», arrisca, num português razoável, ao lado de Peltier Aguiar, um angolano de 26 anos, estudante de Agroecologia e que vive com ele na residencial Domus. É o africano que hoje faz de cicerone, acompanhando o timorense às compras. «Quando precisamos de alguma coisa vimos aqui à mercearia ou então vamos à loja do senhor Valdemar. Mesmo que tenha a porta fechada, basta tocar à campainha que ele atende-nos a qualquer hora», explica.
Gil Gonçalves, um dos atarefados elementos do Gabinete de Relações Internacionais, encarregue dos processos burocráticos dos alunos estrangeiros, não se mostra surpreendido com a boa reação dos habitantes. «Somos transmontanos, é a nossa forma de ser. Aqui, primeiro mandamos entrar; só depois perguntamos quem é.»

Publicado em ‘Visão’ nº1133, 20 a 26 novembro 2014.