CTeSP de viticultura e enologia já abriu

Já foi a abertura oficial do ano lectivo do curso técnico superior profissional de viticultura e enologia, em Torre de Moncorvo, no passado dia 29 de Outubro.
Este é um curso do Instituto Politécnico de Bragança, que está a decorrer na Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo. “A importância da educação, de
adquirir novos conhecimentos e da realização do curso em Torre de Moncorvo, quer pela descentralização do ensino quer pela importância que este tem para
a fixação de jovens”, salientaram os responsáveis do IPB e também da autarquia. Torre de Moncorvo recebeu este curso prático de viticultura e enologia visto que uma das culturas predominantes do concelho é a vinha e devido à sua localização no Douro Superior, sendo que numa grande extensão é abrangido pela Região Demarcada do “Vinho do Porto” e, numa pequena
extensão, pela área classificada como Património da Humanidade, pela UNESCO.

Publicado por: “Jornal Nordeste”

Curso de enologia faz regressar ensino superior

O ensino superior regressa a Torre de Moncorvo com o funcionamento do curso de técnico superior profissional de Viticultura e Enologia do Instituto Politécnico de Bragança, anunciou a autarquia, em comunicado. O curso decorrerá no ano letivo de 2018/2019. As candidaturas estão abertas até ao dia 31 de agosto de 2018 e podem ser efetuadas no CLDS Moncorvo 3G, na Rua do Hospital Velho, através do e-mail moncorvo3g@gmail.com e do telefone 279 254 214 ou no portal do IPB em www.ipb. pt/portaldocandidato e através do número 933 620 482.
O curso vai funcionar na Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, confere um diploma de qualificação de nível 5 e tem a duração de quatro semestres, sendo o último em contexto de trabalho, ou seja, um estágio.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

Carrazeda vai acolher ensino superior

Carrazeda de Ansiães vai acolher o ensino superior já no próximo ano letivo, através de uma parceria com o Instituto Politécnico de Bragança. O objetivo é lecionar um Curso Técnico Superior Profissional (CTESP) na área das Energias Renováveis e Instalações Elétricas, anunciou a autarquia. “A presença do IPB em Carrazeda de Ansiães resulta de um acordo estabelecido entre esta instituição de ensino superior e o município que disponibilizou para o efeito as instalações onde o curso vai ser leccionado”, explica o comunicado da Câmara de Carrazeda.
Os Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTESP) são cursos superiores de curta duração que têm como objetivo conferir qualificação do nível cinco de acordo com o Quadro Nacional de Qualificações (QNQ). Um CTESP tem 120 créditos e a duração de quatro semestres, sendo o último em contexto de trabalho (estágio). Os titulares destes diplomas podem prosseguir os estudos de Licenciatura, através de um concurso especial de acesso. Parte da formação efetuada no CTESP será creditada na futura Licenciatura. Podem concorrer aos CTESP os titulares de um curso secundário ou de habilitação legalmente equivalente, os estudantes maiores de 23 anos que tinham sido aprovados nas provas especiais de acesso, os titulares de um diploma de especialização tecnológica, os titulares de um curso técnico superior profissional e os titulares de um grau de ensino superior que pretendam a sua requalificação profissional.
As inscrições podem ser efectuadas em http://candidaturas.ipb.pt até ao dia 31 de agosto de 2018.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

Ensino superior público chega a Vila Nova de Famalicão

O ensino superior público vai chegar a Vila Nova de Famalicão no próximo ano letivo, com cinco cursos técnicos superiores profissionais (CTESP) em diversas áreas, ministrados pelo Instituto Politécnico de Bragança (IPB), anunciou hoje fonte autárquica.

Em comunicado enviado à Lusa, a Câmara de Vila Nova de Famalicão adianta que os CTESP disponíveis serão nas áreas de Comunicação Digital, Administração e Negócios, Tecnologia Alimentar, Análise Químicas e Biológicas, Automação, Robótica e Eletrónica Industrial.
Para a autarquia, é um “marco histórico” a chegada do ensino superior público ao concelho.
“Mais importante do que isso é a resposta que vai ser criada para os nossos jovens e para as nossas empresas, dado o elevado nível de empregabilidade destes cursos, o alinhamento com as carências das empresas em matéria de quadros superiores e com as vias profissionais com forte presença em Vila Nova de Famalicão”, afirma o presidente da autarquia, Paulo Cunha, citado no comunicado.
A presença do IPB em Famalicão tornou-se possível mediante protocolo entre a autarquia e esta instituição, em articulação com o Instituto Politécnico do Cávado e Ave (IPCA), “dada a convergência de interesses em contribuir para o desenvolvimento científico, tecnológico e socioeconómico da região do Ave”.
Os cursos irão ser ministrados nas instalações da Cooperativa de Ensino Didáxis de Vale São Cosme, instituição com a qual a autarquia estabeleceu um protocolo.
Os CTESP são cursos superiores de curta duração que visa conferir qualificação do nível cinco de acordo com o Quadro Nacional de Qualificações.
Um CTESP tem 120 créditos e a duração de quatro semestres, sendo o último em contexto de trabalho e é possível com um daqueles cursos prosseguir os estudos de licenciatura, através de concurso especial de acesso uma vez que, explica o texto, “parte da formação efetuada no CTESP será creditada na futura licenciatura”.
Podem concorrer aos CTESP os titulares de um curso secundário ou de habilitação legalmente equivalente, quem tenha sido aprovado nas provas especialmente adequadas para maiores de 23 anos, titulares de um diploma de especialização tecnológica ou de técnico superior profissional ou titulares de um grau de ensino superior que pretendam a sua requalificação profissional.
A frequência nos cursos tem uma propina anual de 420 euros, podendo ser pagas em 10 prestações de 42 euros. Os estudantes carenciados podem candidatar-se a bolsas de estudo de apoio social.

Publicado por: “Notícias ao Minuto”

ESACT com aumento recorde de novos alunos

A Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (ESACT) de Mirandela viu serem preenchidas cerca de 55 por cento das vagas colocadas na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior. Um aumento de quase 20 por cento, comparativamente ao que tinha acontecido, em 2016. O curso de solicitadoria continua a ser o mais procurado e, tal como no ano passado, ficou com 100 por cento das vagas preenchidas. No campo oposto, está o curso de informática e comunicações, que não viu preencher qualquer vaga. Na prática, a ESACT de Mirandela assegura, logo na primeira fase, 203 novos alunos, mais 73 que em 2016. Se o ano passado, foram preenchidas 36 por cento das vagas colocadas na primeira fase, este ano a percentagem aumentou para 54,9 por cento. Das 370 vagas colocadas a concurso, para os oito cursos lecionados, a ESACT de Mirandela viu serem preenchidas 203, sobrando 167 para as próximas duas fases. O curso de Solicitadoria foi, de longe, o mais procurado, ficando já sem qualquer vaga para as próximas duas fases. As 54 vagas colocadas a concurso, nesta primeira fase, já foram preenchidas. No outro extremo ficou, com o pior desempenho, o curso de Informática e Comunicações, que, tal como no ano passado, não viu ser preenchida qualquer vaga, sobrando as 30 disponíveis para a próxima fase. Bom desempenho para o curso de marketing, que preencheu 34 das 36 vagas colocadas. Design de jogos digitais, das 60 vagas, preencheu 48, enquanto Turismo ficou pelos 50 por cento, com 25 das 50 vagas preenchidas. Multimédia vai ter 40 vagas sobrantes, já que, das 60, apenas 20 foram preenchidas. Gestão e Administração pública tinha 55 vagas, nesta primeira fase, preencheu apenas 17, sobram 38. Finalmente, tecnologias da comunicação tinha 25 vagas, foram preenchidas apenas cinco. Para já, a ESACT de Mirandela garante, na primeira fase, 203 novos alunos, sobrando para a as restantes duas fases, 167 vagas.
 

Escola Ano percentagem
2017 2016 2015
Escola S. de Saúde 85 103 129 -17%
Escola S. Agrária 20 8 13 +150%
Escola S. de Educação 219 159 175 +38%
Escola S. Tecnologia 184 124 130 +48%
Escola S. ACT 203 129 151 +57%
Total 711 523 598 +36%

A estes números, somam-se as 1270 candidaturas de alunos estrangeiros, 510 deles para mestrados. Mas a dificuldade em conseguir vistos de entrada em Portugal deverá afastar cerca de 60 por cento destes candidatos, um número que deveria preocupar as instâncias diplomáticas portuguesas. Para os cursos CTESP, os cursos técnicos de dois anos, deveram chegar cerca de 600 novos alunos.

Um novo curso

Relações Lusófonas e Língua Portuguesa foi o único curso novo a abrir no IPB e traduz a cada vez maior aposta em estudantes estrangeiros. Mas há outros cursos de sucesso, como Solicitadoria (esgotou as 54 vagas) ou Enfermagem (52 candidatos para 50 vagas) e Gestão (74 candidatos para 72 vagas). No próximo ano poderá abrir um curso de Comunicação.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

IPB com mais 36 por cento de novos alunos foi a instituição que mais cresceu em Portugal

Até o Ministro do Ensino Superior frisou o crescimento do Politécnico de Bragança. Já há cursos com as vagas esgotadas. ESACT teve um crescimento de 57 por cento.
O Instituto Politécnico de Bragança volta a colocar a região no topo das páginas dos jornais graças a mais um feito. Foi a instituição de ensino superior de Portugal que mais cresceu em termos de novos alunos na primeira fase de acesso. A expectativa é que o número total de estudantes se aproxime, pela primeira vez, dos oito mil, o que seria um marco histórico para o Nordeste Transmontano e para a economia de toda a região. Face ao ano passado, entraram este ano mais 36 por cento dos alunos só nas licenciaturas, ou seja, são 711 novos alunos que foram colocados no IPB, contra os 523 que entraram no ano passado. Em 2015 tinham sido 598.
“E a instituição que registou a maior subida no número de colocados na 1ª fase, face a 2016, foi o Instituto de Bragança, “o mais longe possível de Lisboa”, sublinhou Manuel Heitor, Ministro do Ensino Superior, em declarações ao Expresso. “O ensino politécnico melhorou muito, sobretudo com os estímulos dados para a investigação e pela diversificação de opções, muito relacionadas com os mercados de trabalho e as dinâmicas locais”, disse o governante.

Surpresa pela positiva

Para o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, “os números surpreenderam pela positiva”. “Crescer 36 por cento de 2016 para 2017 foi muito bom. Até o próprio ministro anunciou que o IPB foi a instituição que mais cresceu”, enalteceu. De acordo com o presidente do Instituto, “este crescimento baseia-se em três pilares. Um deles é muito importante, que é a avaliação do IPB nos rankings internacionais. Não têm a ver com estigmas que se possam criar a nível nacional mas são avaliações que têm a ver com factos concretos e entidades que estão habituadas a avaliar instituições em todo o mundo e esta recorrência de diversos rankings tem tido o seu retorno. Passa pela captura de alunos internacionais, que procuram verificar essa qualidade, mas a mensagem também está a passar a nível nacional”, explica.
“Outro dos pilares é a qualidade de vida da região e a segurança. A cidade tem respondido, as nossas forças de segurança têm sido inexcedíveis. O terceiro pilar, que eu espero que continue, é a oferta de alojamento. Que seja uma oferta com qualidade, a um preço justo. Podíamos cobrar propinas mais altas mas optamos por não o fazer no âmbito de uma estratégia para a região”, aponta Sobrinho Teixeira, que vê “isto como uma missão para o desenvolvimento da própria região”. Por isso, faz questão de “agradecer a todos os que estão a trabalhar para que isto aconteça”. “É uma grande demonstração que o interior vai ultrapassar as dificuldades”, acredita.

Matrículas com grande procura

Certo é que os primeiros dias após serem conhecidos os resultados das colocações, foram marcados pela grande procura dos serviços académicos para a formalização das matrículas. “É a primeira vez que venho. Nota-se que tem um bom ambiente e que toda a gente gosta de cooperar. Já tinha ouvido falar no IPB”, admite Sofia Carvalho, que vem de Vila Real para o curso de Desporto, a sua primeira opção. Andreia Rocha veio de Penafiel, também para Desporto, um dos cursos que já quase esgotou as vagas. Bragança foi a segunda opção mas não ficou nada desiludida. “Achei bem ter calhado aqui. Por um lado, queria vir para cá, para longe de casa. Já tinha ouvido falar do IPB. A primeira impressão é boa e a animação agradou-me”, contou ao Mensageiro, no posto de atendimento que a Associação Académica montou. “Às 8h30 já tínhamos muita gente à espera. Quando chegam, tiram uma foto para partilhar no facebook da associação académica. As diversas associações também os recebem e ambientam-nos. É uma receção calorosa, também com as tunas”, explica Ricardo Cordeiro, o presidente dos estudantes. A conversa com o Mensageiro é interrompida porque, entretanto, chega Fátima Lima. Veio de Marco de Canaveses para Arte e Design. “Foi segunda opção. Desiludida? Não. Estou a gostar do ambiente. Já tinha ouvido falar muito do IPB. Alguns amigos meus estiveram aqui no ano passado e recomendaram, disseram que de certeza que iria gostar”, conta.

Mestrados e alunos estrangeiros dão contributo

Mas não são só os cursos de licenciatura que tiveram grande procura. “Começámos a seguir esta estratégia nos países africanos de expressão portuguesa. Só do Brasil tivemos mais de três centenas de candidaturas. De toda a América Latina, do sudeste asiático, da China, da Índia. Muitas candidaturas dos antigos países da União Soviética”, revela Sobrinho Teixeira, garantido que “há uma procura generalizada, não só nas licenciaturas, mas também nos mestrados”. Em sentido inverso, “há oito cursos com procura reduzida”. “Isso tem a ver com a perspetiva que existe de que a informação não circula no secundário. Os alunos vão muito por perceções e não pela realidade.
Ainda fazem escolhas que deveriam ser mais baseadas em factos e não em perceções. Temos, por exemplo, os cursos de ciências agrárias, que têm pouca procura”, explica o presidente do IPB. Mesmo assim, os números são animadores, pelo menos percentualmente. “Tivemos 20 alunos, um aumento de 150 por cento. Só tivemos oito no ano passado. Mas as vagas completam-se com os alunos dos cursos profissionais que estiveram connosco dois anos e percebem as potencialidades desses cursos”, frisa. Outro exemplo que é dado pelo presidente do IPB é o do curso de Engenharia Civil teve zero entradas. “Mas temos já 44 candidaturas internacionais, quase metades do Brasil. Nem as vagas todas chegarão para colmatar a procura”, assegura Sobrinho Teixeira.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

Procura nos politécnicos sobe para níveis pré-troika

Governo aumentou vagas no interior do país, com mais lugares abertos na 1.ª fase, uma opção estratégica do ministro do Ensino Superior.
A “crise” no ensino superior politécnico – que coincidiu no tempo com a crise financeira que atingiu o país – parece estar a chegar ao fim. Depois de terem sido os principais afetados por um ciclo de quebra nas candidaturas, que chegaram a ficar abaixo das 11 700 há quatro anos, os institutos politécnicos têm vindo a recuperar terreno. E este ano, caso se confirme a tendência, poderá mesmo ser um dos melhores da década para este subsistema de ensino.
Um ano recordista em termos de entradas será difícil, mas não impossível. Sobretudo se, ao aumento das entradas através das três fases do concurso nacional – potenciadas por uma ligeira melhoria nas notas dos exames do secundário que servem de provas de ingresso e afetam as médias de candidatura -, se juntar o aumento da procura através de outros regimes, como os concursos especiais para maiores de 23 anos e o acesso de titulares de cursos técnicos superiores profissionais, cujo contingente continua a aumentar.

“Houve uma quebra muito grande em 2012, 2013 e 2014 nos candidatos ao ensino superior, nomeadamente através do concurso nacional de acesso”, reconhece Nuno Mangas, presidente do Instituto Politécnico de Leiria e do conselho coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). “Mas, nos últimos dois, três anos, houve uma inflexão clara”, acrescenta.

“Acredito que neste ano o número de candidatos voltará a aproximar-se do número das vagas”, assume. “No ano passado [o número, após as diferentes fases de acesso] até se aproximou mais nos politécnicos do que nas universidades.” Por cautela, acrescenta, será seguro dizer que pelo menos o número de candidatos se irá manter, apesar de a esperança ser de que “haja um ligeiro crescimento”.
Quanto à aposta do governo em aumentar vagas no interior do país, traduzida nos lugares abertos na 1.ª fase e assumida como uma opção estratégica pelo ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, Nuno Mangas considera-a “um sinal importante” mas que “levará algum tempo” a produzir efeitos.
Sobrinho Teixeira, presidente do Politécnico de Bragança, também aponta para uma ligeira subida dos candidatos na 1.ª fase. “A minha perspetiva é que iremos ter uma entrada semelhante, podemos crescer 500 a 1000 alunos”, diz, defendendo que, mais do que por questões de situação económica, as candidaturas dos alunos são muito influenciadas pelos exames. ” O que é determinante são as classificações do 12.º ano, em disciplinas nucleares como Matemática, Português, Biologia e Física e Química”, refere.
No ano passado, entre universidades e politécnicos, o número de candidatos na 1.ª fase não ficou muito abaixo do total de vagas. E em 2017-18, apesar do aumento para 50 838 vagas (22 414 das quais nos politécnicos), Nuno Mangas confia que a história se irá repetir.
Mas o presidente do Politécnico de Bragança – um dos institutos que mais sentiram a redução das candidaturas na 1.ª fase no início da década – também rejeita resumir a procura aos concursos nacionais, os quais considera darem uma visão “errada e contraproducente” da realidade do sistema.
Como exemplo, aponta a instituição que lidera. “O concurso nacional de acesso representou, no ano passado, 44% das entradas no Politécnico de Bragança”, conta.
A médio prazo, ainda que esperando sinais positivos já no próximo ano letivo, Sobrinho Teixeira aposta sobretudo num crescimento da procura através dos regimes especiais e da parte dos 25 mil alunos que estão a terminar cursos profissionais do secundário e podem seguir para cursos técnicos superiores profissionais (TESP), onde já estão sete mil estudantes, muitos dos quais com intenção de prosseguir estudos.

Publicado em: “Diário de Notícias”

Cursos de dois anos atraem 11 mil

O número de alunos quase duplicou no ano letivo que agora finda. E o número de cursos seguiu igual trajetória. Lançados em 2014, os cursos Técnicos Profissionais (TeSP) são hoje uma aposta (quase) ganha. Para isso, foi fundamental o reconhecimento em 2016 dos TeSP enquanto cursos superiores. É este o balanço feito por diversos presidentes de politécnicos ouvidos pelo JN.
Vamos aos números, inexpressivos no arranque: 13 cursos para perto de 400 alunos. Em 2015/2016 foram abertos 249 cursos para 6401 estudantes. E no ano letivo que agora termina contam-se 11013 alunos. 1,8% do total de inscritos no ensino Superior (ES), para um universo de 640 cursos dispersos por 120 instituições (dados recolhidos a 5 de julho). Sublinhe-se que este valor reporta a cursos registados na Direção-Geral do Ensino Superior. Quantos estão a funcionar não se sabe, nem a tutela diz.
Cruzando vários dados conseguimos chegar a um perfil: 64% são frequentados por homens, a maioria com menos de 24 anos. Mais de 90% tinham o ensino secundário, mas, em 2015/2016, chegava a haver 116 licenciados.
As regiões Norte e Centro lideram, com 74% dos alunos divididos irmãmente.
“Todos os anos há perto de 130 mil alunos que ficam fora do sistema, porque só 40 a 45 mil vão entrar no ES. Os TeSP vão ter que ser a grande resposta para estes alunos que não têm acesso a uma qualificação superior, “diz o presidente do Politécnico de Viana do Castelo, Rui Teixeira para quem aqueles cursos “têm sido uma boa experiência.” Não tem dúvidas: “Os TeSP têm uma vocação própria e assertiva face às necessidades do país.”
A questão do abandono
A ideia é consensual entre pares. No P.Porto, que tem 448 alunos naqueles cursos, estão previstas 28 formações para o próximo ano letivo. Dentro de dois anos, explica o pró-presidente Luís Rothes, o objetivo é chegar aos mil alunos, 5 a6% do total. “Acho que é uma aposta conseguida. Esta oferta não era a única solução possível para resolver um problema sério que são as qualificações dos portugueses sintetiza.
No P.Porto, explica, a taxa de abandono ronda o habitual no Superior – 15 a 16% – e a taxa de retenção naqueles cursos é mesmo inferior, cerca de 6%. “A taxa de abandono não quer dizer que tenha deixado o ES, porque pode acontecer que sejam alunos que no ano seguinte tenham conseguido entrar numa licenciatura.”
Sabendo que só após este final de ano letivo será possível apurar quantos alunos seguiram para licenciatura e quantos conseguiram emprego, porque a primeira geração TeSP está agora a acabar de formar-se. Joaquim Mourato fala da “elevada taxa de sucesso” no politécnico que preside, o de Portalegre. Já em Bragança, Sobrinho Teixeira surge bastante cauteloso. “é uma aposta ganha?” Em parte sim. Em parte não.”
E explica, “os Cursos de Especialização Tecnológica (CET) tinham mais procura e mais sucesso escolar”, lembrando que no politécnico que dirige, em Bragança, os TeSP têm uma taxa de abandono de 35%, o dobro dos CET.
“Se um dos objetivos é dar um nível maior de competência para prosseguirem para licenciatura é um modelo com menos sucesso do que os CET. Se se pretende que possam ir para o mercado de trabalho teremos que esperar para ter essa perceção,” conclui.
Os TeSP são uma aposta ganha?
Considero que os TeSP estão a dar passos nesse sentido. A informação de que dispomos indica que há uma recetividade crescente, quer em termos de procura por parte de quem termina o ensino Secundário/Profissional, quer por parte das empresas que acolhem estes estudantes. A alteração legislativa realizada em 2016 e a sua integração no Decreto-Lei que regula os graus e diplomas de ensino superior foi importante no sentido da credibilização e afirmação destes cursos como cursos superiores.
Alguns politécnicos alertam para uma taxa de abandono elevada. Como comenta?
Não conheço as situações em concreto. Temos vindo a constatar que há algumas áreas em que se registam níveis de abandono elevados, estando as instituições a adotar medidas visando a redução dos mesmos. Um exemplo disso é o facto de várias instituições estarem a adotar metedologias de ensino/aprendizagem diferenciadas, como o PBI – Project Based Learning
Alunos admitem que curso motivou-os a continuar
Após concluir o 12.º ano, em regime noturno, Rui Gonçalo, 23 anos, andava indeciso sobre a sua vida e não sabia bem se continuar os estudos seria a melhor opção. Achava a escola “um bocado seca” e também não tinha grandes facilidades para ir para a universidade, pois já trabalhava. De repente, abriu-se uma oportunidade, quando teve conhecimento dos Cursos do Ensino Superior Profissional, virados para um ensino mais prático.
“Decidi experimentar. Como gosto muito de informática comecei a procurar cursos” explica. Residente em Macedo de Cavaleiros. O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) surgiu-lhe como uma excelente hipótese, tanto mais que é perto de casa. “Matriculei-me no curso de Desenvolvimento de Software e Administração de Sistemas. Não me arrependo. Para mim é mais fácil aprender com a prática e este curso ajudou-me muito,” referiu.
Rui está já na reta final, a concluir o estágio em meio profissional no próprio IPB. Agora tem a certeza que quer continuar a estudar. Vai matricular-se numa licenciatura em Engenharia Informática. “Aqui percebi qual é a área que eu quero estudar e trabalhar. O meu interesse é a Cybersegurança”, destacou.
O outro aluno que o acompanha no estágio, Paulo Ferreira, 21 anos, residente em Bragança, também ganhou nova vontade para estudar depois de frequentar a formação na área da informática.
“Quando terminei o 12.º ano não consegui média para entrar na universidade. Nessa altura arrependi-me de não ter estudado mais no Secundário, mas não tinha motivação. Como a minha irmã já tinha feito um curso profissional, disse-me para experimentar. Assim fiz. Estou a gostar”, contou Paulo, que diz que optar por este tipo de formação foi a melhor decisão que tomou.
“Abriu-me imensas oportunidades para descobrir o que quero. Tanto no semestre e meio de aulas, como agora no estágio, onde podemos praticar os conhecimentos. Até as notas subiram. É como se já estivéssemos no mercado de trabalho. Estamos a fazer coisas que se fazem em empresas”, afirmou Paulo, que vai candidatar-se este ano ao ensino superior, também ele na área de informática.
O professor que os orienta no estágio. Tiago Pedrosa, explicou que estão agora preparados para encontrar soluções na área de sistemas de segurança. “Eles contactaram-me para fazer em aqui o estágio. Temos desenvolvido muitos projetos. É muito prático e fê-los ganhar gosto pelo estudo. Quando ingressam nas licenciaturas vão com mais andamento”

Publicado em: “Jornal de Notícias”

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Cursos técnico-profissionais também dão canudo. Quando o ensino superior não é sinónimo de licenciatura

Joel, Nuno, Sérgio, Patrícia e Rúben escolheram uma alternativa à licenciatura. São “cobaias” dos cursos técnicos superiores. Uns já começaram a trabalhar. Todos querem prosseguir estudos superiores.Joel Pinheiro desde pequeno que praticava equitação e os cavalos sempre foram o seu mundo.
Por isso não lhe foi difícil, aos 15 anos, escolher o rumo académico. Saiu de casa dos pais, em direção a Marco de Canaveses, onde iniciaria um curso técnico de gestão equina. Foi o melhor da turma e como uma licenciatura em Medicina Veterinária estava fora do alcance, por não ter bases suficientes para fazer os exames nacionais, a alternativa para continuar a estudar foi tirar um curso técnico superior: Cuidados Veterinários, no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), corria o ano de 2015.
“Ao início confesso que não gostava muito porque a minha ideia era animais de grande porte. Sabia que o curso ia ser focado em cães e gatos, e não consegui deixar de ficar desanimado”, conta ao Observador Joel Pinheiro, hoje com 20 anos, logo acrescentando que os professores acabaram por motivá-lo. O maior problema mesmo foi ter ficado na escola de Marco de Canaveses — com a qual o IPB tem um protocolo — ao invés de ter ido para Bragança: “Não tinha muitas aulas práticas porque não havia clínica. Em Bragança havia”.
A parte do estágio, no último semestre, compensou. “O estágio numa clínica veterinária em Paços de Ferreira foi o melhor local que podia ter escolhido.”Foi de tal forma bom que mudou a “perspetiva em relação aos pequenos animais” e percebeu que, afinal, não quer continuar ligado apenas aos cavalos.O próximo passo, afirma, é concorrer, através dos concursos especiais, à licenciatura em Enfermagem Veterinária no mesmo politécnico, mas em Bragança, para depois dar o salto para Medicina Veterinária.

Joel Pinheiro, 20 anos, desde pequeno que pratica equitação

Também antes de entrar no CTeSP de Tecnologia Automóvel, no Politécnico de Leiria, Rúben Pires, agora com 24 anos, passou por um curso tecnológico de Mecatrónica Automóvel promovido pelo centro de emprego. Mas o seu percurso não foi sempre no ensino profissional. Foi lá parar apenas por causa da Física e Química que o impediu de concluir o ensino secundário em ciências e tecnologias.
“Em termos académicos aquele curso era um nojo. Podia ser exigente para os que chegavam de meios alternativos de ensino, mas para uma pessoa, como eu, que ficou presa no secundário por causa da Física e Química e que até Matemática A passou através de exame, foi levado com uma perna às costas”, relembra.Com aptidões para trabalhos manuais, foi ainda no 9.º ano, depois de um dia aberto no Politécnico de Leiria, que percebeu que a área automóvel era a sua praia. Assim, terminado o curso do centro de emprego, decidiu inscrever-se no curso técnico superior profissional. “Tenho a noção que fomos as cobaias porque fomos o primeiro ano. As cadeiras que correram melhor foram as que têm equivalência direta às da licenciatura em Engenharia Automóvel. Algumas das que são específicas do CTeSP correram mal porque havia discrepâncias entre as aulas práticas e as teóricas”, contou. Apesar disso, frisa, “correspondeu à publicidade feita e às minhas expectativas”, destacando como vantagem o “meio termo” nestes cursos, que permite agradar a dois públicos: “Os que chegam e querem tirar antes de seguir para licenciatura e os que querem entrar logo no mercado de trabalho”.
As coisas correram bem a Rúben e, terminado o estágio que fazia parte do CTeSP, ingressou logo num estágio profissional no mesmo sítio: o Centro Porsche de Leiria. “No próximo ano quero focar-me no trabalho, mas não tenho ideias de parar por aqui. Provavelmente o futuro passará por um curso superior em engenharia mecânica pois o Politécnico de Leiria tem essa oferta em regime pós-laboral. Além disso abre portas para toda a parte industrial.”

Rúben Pires, 24 anos, vai focar-se no trabalho neste próximo ano. Depois quer tirar um curso superior

Joel e Rúben são os “alunos-tipo” dos cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP) — formações de dois anos ministradas nos politécnicos e que conferem um diploma de Técnico Superior Profissional. Segundo as instituições, a grande maioria dos alunos que entram para este tipo de formação vêm do ensino profissional. Mas não são os únicos.
Nuno Lopes faz parte da tal fatia mais pequena. Chegou a frequentar, durante dois anos, o mestrado integrado de Engenharia de Computadores e Telemática na Universidade de Aveiro mas, “além de ter percebido que ia ser difícil concluir o curso, estava a tornar-se insustentável estar longe de casa”. Acabou por abandonar a faculdade e foi ajudar o pai num novo negócio. É nesse café-restaurante que ainda hoje trabalha.
Foi a mãe quem lhe falou dos cursos técnicos superiores. Numa primeira abordagem a opção não o agradou pois “pensava que estava a falar dos antigos CET [cursos de especialização tecnológica] e não era bem o que queria porque era abaixo do que eu poderia valer”. Mas a mãe insistiu e o filho acabou por se inscrever no CTeSP de Redes e Sistemas Informáticos em regime pós-laboral.

Sérgio Forte, 31 anos, terminou o curso em Interpretação da Natureza e dos Espaços Rurais e quer começar a trabalhar

“Fomos carne para canhão. Não achei nada fácil. Posso mesmo dizer que aquele curso, ao nível de exigência, está quase ao mesmo nível da licenciatura. A programação que tive no CTeSP era exatamente igual à que tive na licenciatura”, exemplifica Nuno, prestes a fazer 27 anos, acabado de terminar esta formação e um estágio na Câmara de Leiria. “Foi a melhor coisa que fiz, este CTeSP. Pode parecer extraordinário mas já tive duas ofertas de emprego, ainda antes de concluir o curso. O meu objetivo é ingressar num dos empregos e entrar para Engenharia Informática no Politécnico de Leiria, em pós-laboral.”Também Sérgio Forte entrou, há mais de 10 anos, em Engenharia Mecânica, na Universidade de Coimbra, mas perdeu o interesse no curso e o facto de ter começado a trabalhar a tempo parcial e a ganhar independência financeira deu-lhe força e coragem para largar o curso que “não correspondia à minha expectativa”. Passados alguns anos voltou a tentar e inscreveu-se no Politécnico de Coimbra, “mas também não resultou”, e esteve mais dois anos a trabalhar a tempo inteiro.
Em 2015, seguindo a dica de uma amiga, inscreveu-se no curso técnico superior de Interpretação da Natureza e dos Espaços Rurais, no Politécnico de Coimbra, dando oportunidade a uma paixão antiga.
“O curso superou as minhas expectativas. Tem uma forte componente prática e em termos de exigência achei equivalente à licenciatura que já tinha tentado. Tivemos algumas cadeiras iguais às da licenciatura de Ecoturismo. Só se tornou mais fácil porque como éramos uma turma mais pequena, há uma maior proximidade com os professores.”
Iniciou o estágio em fevereiro na Parques Sintra, em Montes da Lua, e regressou agora em julho. “Foi muito bom. Deixaram-nos trabalhar e deram-nos liberdade, a mim e à minha colega. Estivemos a trabalhar na implementação de um futuro percurso pedestre inclusivo numa das tapadas”.
Vontade de continuar a estudar tem, mas com 31 anos, “queria já começar a trabalhar”, sendo que há hipótese de começar a organizar percursos pedestres por conta própria.
Patrícia Rocha tem apenas 19 anos mas também está mais inclinada para trabalhar do que para prosseguir com a formação. Para terminar o CTeSP em Produção Audiovisual, só lhe falta defender o relatório do estágio que fez na produtora Fremantle.
“Sinto que aprendi muitas coisas. O curso é muito prático, que é bom mas que o torna exigente porque implica muito trabalho fora das aulas, muitas horas passadas na faculdade. Os professores são ótimos. Nota-se que são professores com experiência”, descreve a jovem de Setúbal.
Já depois do estágio que fazia parte do curso, Patrícia foi convidada a trabalhar durante um mês para um projeto da mesma produtora, o que “foi muito bom”. A licenciatura em Produção Audiovisual, no Politécnico de Setúbal, será uma meta a atingir mais tarde. “Como estou com a energia toda gostava de continuar a trabalhar na área.”

Patrícia Rocha, 19 anos, tirou o CTeSP de Produção Audiovisual em Setúbal e teve logo um convite para um projeto de um mês

Procura e oferta de cursos técnicos superiores têm crescido

Como Patrícia, muitos outros dos mais de 300 estudantes que iniciaram um CTeSP em Setúbal em 2015/2016, e que estão agora a concluir o curso, vão optar por entrar para o mercado de trabalho sendo que “uma parte significativa já assinou contrato de trabalho com as empresas onde estagiou”, garante ao Observador Pedro Dominguinhos, presidente do Politécnico de Setúbal (IPS), dando como exemplo os alunos do CTeSP de Produção Aeronáutica.
O Politécnico de Setúbal é, de resto, uma das instituições com mais alunos inscritos nestes cursos técnicos superiores profissionais criados há três anos, frisa o responsável, adiantando que, este ano letivo, estavam a frequentar os 18 cursos ali disponíveis perto de 650 estudantes — 12% do total de alunos do politécnico. E Pedro Dominguinhos não tem dúvidas que “nos próximos anos vamos aumentar ainda mais o número de estudantes em CTeSP. Houve aqui uma mudança importante: estes cursos passaram a ser de ensino superior, dão diploma e têm um maior reconhecimento”. Um reconhecimento que também tem sido trabalhado: “temos vários professores de topo de carreira que lecionam estes cursos” e “tem havido preocupação de implementar um conjunto de metodologias mais próximas da realidade profissional”.
Com uma longa tradição em formações mais técnicas de curta duração (com cursos de especialização tecnológica — que não davam diploma — desde 2007/2008), a passagem para os CTeSP foi a “transição natural”, justifica o presidente do instituto, frisando que o objetivo é, por um lado, “ter uma alternativa para os estudantes” e, por outro, “dar resposta ao tecido empresarial”. O IPS tem protocolos assinados com cerca de 300 empresas e outras instituições, sendo que nem todas são de Setúbal. “Temos cursos de automação robótica e controlo industrial em Sines em parceria com a Escola Tecnológica do Litoral Alentejano, temos produção aeronáutica em Ponte de Sor, em parceria com a Câmara Municipal, e em Lisboa, de energia, em parceria com o Cinel. É preciso garantir um lógica de articulação.”
Quem também tem celebrado diversos protocolos com outras instituições é o Instituto Politécnico de Bragança. Desde logo com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e outras escolas profissionais da região, mas não só. “Temos colaboração com escolas profissionais da área de intervenção do Politécnico do Porto, como em Santo Tirso e em Marco de Canaveses, mas estamos lá em áreas complementares (áreas agrárias). Não oferecemos concorrência ao Politécnico do Porto, com quem também celebrámos protocolo, numa lógica de maximização de recursos. Interessa-nos não multiplicar despesas”, detalha Miguel Vilas Boas, subdiretora da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança).
Famalicão deverá ser o próximo local, a pedido da câmara municipal. Naquele concelho, 50% dos alunos vêm do ensino profissional e é preciso dar-lhes resposta para continuarem os estudos. É esse um dos propósitos do Politécnico de Bragança, além de dar resposta às empresas.
Numa área com grande dificuldade de captação de alunos, os mais de 600 alunos a frequentarem CTeSP este ano letivo (alguns a terminarem o segundo ano e outros ainda no primeiro) já correspondem a 15 a 20% do total de estudantes daquela instituição.
Quem já atingiu um “patamar ótimo”, de pouco menos de 10% do total de estudantes da instituição, foi o Politécnico de Leiria que é, aliás, o instituto com um maior número de alunos a frequentar esta oferta formativa superior de curta duração: 750 a 800 por ano. “Esta é uma aposta estratégica do instituto para diversificar a oferta formativa e sobretudo para dar resposta a uma procura da nossa região. Leiria é dinâmica em termos empresariais e a população é muito jovem. Quer a montante, quer a jusante havia uma grande procura para colocar no mercado de forma muito imediata técnicos altamente especializados”, justificou Eduardo Batalha, responsável pelos CTeSP no Instituto Politécnico de Leiria.
As áreas com mais oferta são as técnicas — ciências informáticas, eletrotécnica e eletrónica, metalurgia e metalomecânica — e o turismo, hotelaria e restauração. Esta semana o IPL vai assinar um protocolo com o município de Torres Vedras, mas Eduardo Batalha sublinha que “não é uma estratégia para continuar. Não é um plano de expansão”.
Logo no dia em que a instituição arrancou com estes cursos (que neste momento chegam aos 651 em todo o país e aos 39 em Leiria), já tinha celebrado protocolos com 500 empresas e outras instituições de forma a garantir estágios para todos os alunos. E há até estudantes a fazerem estágios no estrangeiro.
Eduardo Batalha garante que estes alunos “não têm canabalizado as licenciaturas pois são dois tipos de formação e convivem bem”, mas salienta que muitos têm logo emprego garantido. “Os nossos alunos de informática quase na totalidade já estão empregados antes de acabarem o curso. Mas não tiram lugar aos engenheiros informáticos”. Até porque têm competências distintas, explica, e as empresas oferecem salários mais baixos a estes técnicos.
A verdade é que nem todos acedem logo ao mercado de trabalho — o que pode, aliás, ser confirmado pelos testemunhos acima. Muitos farão questão de seguir para licenciatura.
“A nossa expectativa é que muitos destes alunos acabem por ingressar em licenciaturas. Era isso que acontecia com os Cursos de Especialização Tecnológica, o que para nós é interessante”, atesta Paulo Sanches, vice-presidente do Instituto Politécnico de Coimbra, que tem uma oferta de cerca de 40 cursos espalhados por quatro das seis escolas. Só as escolas de Saúde e Educação não têm este tipo de oferta por “recearem concorrência entre diplomados licenciados e CTeSP”.
Já lá vai o tempo em que Eduardo Batalha ficava surpreendido com o caminho trilhado pelos alunos destes cursos de curta duração. “Começámos a observar esse fenómeno com os CET e surpreendemo-nos porque não pensámos que seguiriam para licenciatura e até com desempenhos interessantes. Agora já não nos surpreenderá. Diria que metade tem perfil para prosseguir estudos.”
Em Bragança, “as empresas são as primeiras a querer absorvê-los de imediato. Nós somos quase concorrentes das empresas porque queremos que eles continuem a formação superior”, rematou Miguel Vilas Boas, explicando que o “desenho destes cursos é idênticos ao das licenciaturas” e que há mesmo cursos que são apresentados com licenciaturas de continuidade.

Publicado em: “Observador”

Cursos superiores técnicos atraem cada vez mais alunos em Portugal

Existem mais de 11.500 alunos em cursos profissionais reconhecidos como formação superior, um número que não para de crescer três anos depois de os “Tesp” terem sido criados.
Mais de 11.500 alunos frequentam os cursos técnicos superiores profissionais (Tesp), um número que não para de crescer três anos depois da criação destes cursos. Segundo contas do jornal Público, 80% destes alunos estão em escolas públicas — politécnicos que lecionam estes cursos de dois anos que, ao contrário dos programas anteriores, reconhecem um nível de formação superior aos alunos que os terminam.
O número de inscritos nos Tesp já superou a procura pelos Cursos de Especialização Tecnológica (CET), criados em 2006 pelo governo de José Sócrates. As escolas com maior número de alunos são o Instituto Politécnico de Leiria (1.460), o Instituto Politécnico de Bragança (972) e o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (868).
O total de inscritos aproxima-se da estimativa apresentada pelo Ministério da Educação liderado por Nuno Crato, no Governo anterior, que previa que estes cursos podiam formar cerca de 10.000 novos diplomados por ano, ajudando o país a cumprir a meta europeia de ter 40% da população entre os 30 e os 34 anos com uma formação superior até 2020. O contrato estabelecido pelo atual Governo com as instituições de ensino superior prevê, recorda o Público, uma meta mais ambiciosa: dentro de três anos devem ser 20.000 os alunos formados por ano nos cursos superiores profissionais.
Esta segunda-feira marca-se o dia do Ensino Profissional, algo que vai ter um papel cada vez mais importante no Ensino em Portugal. Segundo o Diário de Notícias, o Governo tem o objetivo, a começar já no próximo ano letivo, de ter metade de todos os alunos dos 10.º, 11.º e 12.º anos nestas vias, que oferecem uma dupla certificação, escolar e profissional.
Nos últimos anos a perceção em relação à validade destas vias tem vindo a mudar radicalmente. Se, no início, o candidato típico ao profissional “era um aluno que tinha pelo menos uma reprovação” no seu currículo escolar, atualmente as médias de idades dos que entram nos cursos “já estão nos 16 anos”, o que significa que “cada vez mais alunos” com percursos escolares bem sucedidos estão “a optar por este caminho como primeira opção”.
Entre 45 áreas de educação e formação disponíveis (196 cursos), de acordo com os dados da ANQEP, mais de metade dos alunos (52,33%) concentram as suas escolhas em apenas cinco: Ciências Informáticas, Hotelaria e Restauração, Audiovisuais e Produção dos Media, Turismo e Lazer e Comércio.

Publicado em: “Observador”