Bragança e Cuanza Sul de mãos dadas em nome da ciência

Maria do Rosário Sambo esteve no Brigantia EcoPark quarta-feira

Politécnico brigantino quer ajudar a construir centro de investigação na província angolana, formar quadros e responder a problemas da agricultura da região

A ministra angolana do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Maria do Rosário Sambo, esteve em Bragança, a propósito da “Semana de Ciência Portugal-Angola”, para conhecer os centros de investigação criados pelo Instituto Politécnico de Bragança (IPB). A ideia é simples: transportar para o Instituto Superior Técnico do Cuanza Sul, uma província daquele país africano, um centro que dê resposta aos problemas que a agricultura atravessa nesse território e forme investigadores científicos. “Este projecto é animador por causa da capacitação de recursos humanos que é um grande handicap que nós temos”, explicou Maria do Rosário Sambo. Para a ministra, em Angola “falta a capacitação humana”, sobretudo no que respeita a estas áreas de estudo científico e reforçou assim que aqui se conseguiu ver “a realidade do ensino politécnico”. Este Centro de Investigação em Agricultura Sustentável irá nascer sob o olhar do Centro de Investigação de Montanha (CIMO), do IPB, pois vai-se instalar numa região com um “potencial agrícola muito grande” mas que “necessita de suporte científico para as necessidades que se têm apresentado”, daí querer basear-se e suportar-se no que o centro brigantino faz, frisou o presidente da instituição de ensino angolana. “Temos problemas com viroses no caso da banana, no tomate e nos citrinos. A capacidade, em termos de recursos humanos, que a nossa instituição possui não consegue responder às necessidades”, elucidou Manuel Spínola.
A directora do CIMO, Isabel Ferreira, deixou claro que, como já havia uma “cooperação muito grande com o Instituto Superior Técnico do Cuanza Sul, surgiu esse desafio” e que seria do interesse do politécnico de Bragança “ajudar a desenvolver um centro de investigação ligado à agricultura sustentável que tivesse, eventualmente, pólos em diferentes pontos de Angola”.
A investigadora acredita que para o IPB “é muito importante esse reconhecimento internacional” e defende que ganharão “na formação conjunta de alunos e depois na exportação de ciência”. “É aquilo que nós fazemos hoje, exportamos ciência e cientistas”, disse. Quem também acompanhou a visita foi o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal. Sobrinho Teixeira reforçou que a perspectiva, por um lado, é “olhar para o mundo da lusofonia e evolui-lo e fazê-lo crescer” para ter cada vez mais um “ensino superior e qualificação de população que fala português com mais expressão”. Por outro lado, “é criar, de facto, conhecimento, nestes países e, neste caso, em Angola”. “Iremos sobretudo apoiar a criação de emprego científico e a qualificação de pessoas lá”, explicou.
Para já, ainda não se sabe quanto poderá custar este
centro a desenvolver em Angola nem quanto caberá pagar a cada país, até porque o país africano ainda não tem um fundo que promova e finacie este tipo de projectos. Apesar disso, as partes mostraram-se satisfeitas com o projecto que, na fase de instalação, prêve levar cientistas portugueses para o Cuanza Sul e, posteriormente, após formar os quadros, serem os angolanos a dinamizá-lo.

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CIMO ajuda a desenvolver um Centro de Investigação em Agricultura Sustentável em Angola

Vai ser desenvolvido um Centro de Investigação em Agricultura Sustentável na província do Cuanza Sul, em Angola, numa parceria com o Centro de Investigação de Montanha (CIMO), do Instituto Politécnico de Bragança. Neste âmbito, uma delegação, presidida pela ministra angolana do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia, visitou o IPB para desenvolver projectos de cooperação. Maria do Rosário Sambo acredita que é preciso formar e capacitar pessoas em Angola. “A ideia que eu levo aqui de Bragança pode-se dizer que é a cereja no topo do bolo. Conseguimos ver aqui a realidade do ensino politécnico. Vai haver candidatura para obter financiamento, não sabemos em que medida o governo angolano vai poder financiar. Nós não temos um fundo para a ciência, mas certamente que vamos arranjar forma porque é de todo o interesse do governo angolano fazê-lo. Este projecto é animador por causa da capacitação de recursos humanos que é um grande handicap que nós temos”, disse Maria do Rosário Sambo. Manuel Spínola, presidente do politécnico do Cuanza Sul, onde o projecto vai nascer, explica que é importante criar conhecimento para se conseguir dar resposta às necessidades que se apresentam em Angola. “É uma região com um potencial agrícola muito grande e que necessita de suporte científico para as necessidades que se têm apresentado. Temos problemas com viroses no caso da banana, no tomate, nos citrinos e a capacidade em termos de recursos humanos que a nossa instituição possui não consegue responder efectivamente às necessidades” A directora do CIMO, Isabel Ferreira, avança que a ideia é depois criar polos do centro pelo país africano. “Como nós já tínhamos uma cooperação muito grande com o Instituto Superior Politécnico do Cuanza Sul, surgiu esse desafio, que nós gostaríamos que ajudar a desenvolver um centro de investigação ligado à agricultura sustentável que tivesse eventualmente pólos em diferentes polos de Angola. Para nós já é muito importante esse reconhecimento internacional. Depois obviamente que ganhamos na formação conjunta de alunos e depois na exportação de ciência, porque é aquilo que nós fazemos hoje, exportamos ciência e cientistas. Presente na visita esteve ainda o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Sobrinho Teixeira considera esta uma forma de valorizar o mundo da lusofonia: “a nossa perspectiva é muito de olhar para o mundo da lusofonia e evolui-lo e fazê-lo crescer para termos cada vez mais um ensino superior e qualificação de população de fala português ter também mais expressão. A outra é que criar de facto conhecimento, nestes países e neste caso em Angola. O que nos parece aqui é que é importante para Portugal pela afirmação que pode representar o mundo da lusofonia. Nós iremos sobretudo apoiar a criação de emprego científico e a qualificação de pessoas lá” Numa primeira fase, de instalação, prevê-se que os cientistas do CIMO vão para o Cuanza Sul para depois, numa segunda fase, haver uma colaboração para formar jovens cientistas que possam, a partir daí, dinamizá-lo.

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O primeiro-ministro de cabo Verde elogia acolhimento aos estudantes em Bragança


O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, elogiou hoje o acolhimento de Bragança aos 700 estudantes daquele país que estudam no instituto politécnico da cidade portuguesa, por alguns considerada a “11.ª ilha de Cabo Verde”.
Em termo “estudantis”, Ulisses Correia e Silva disse não ter dúvidas de que Bragança é a “11.ª ilha de Cabo Verde”, seja porque a comunidade cabo-verdiana é a maior entre os mais de mil estudantes do politécnico de Bragança e porque o país é um dos homenageados hoje, dia em que a instituição de Ensino Superior transmontana comemorou 35 anos.
Para o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, os estudantes do seu país “estão bem inseridos, bem integrados”.
“Sentem-se parte desta grande família de Bragança”, acrescentou.
Falando à imprensa à margem da cerimónia, Ulisses Correia e Silva disse ter notado “algo muito importante e não passa despercebido”.
“É a grande implicação da Academia, do instituto com a região e as pessoas, de facto, têm um orgulho especial de pertencer a esta região transmontana”, salientou.
O chefe do Governo realçou que esta realidade “significa muito” para Cabo Verde “em termos de modelo de desenvolvimento equilibrado”.
“Sente-se que aqui há de facto uma implicação regional muito forte na investigação, na Academia, no conhecimento e no apoio que as universidades podem dar no processo de desenvolvimento”, continuou.
O primeiro-ministro de Cabo Verde desconhece as raízes da ligação dos estudantes cabo-verdianos a Bragança, mas notou que “há uma forte implicação também dos municípios neste protocolo, nesta parceria”.
Nesse sentido, destacou a presença na cerimónia de “vários presidentes de câmara de Cabo Verde, que representam também os estudantes que vêm de cada um dos municípios”.
“E o facto de ter uma boa integração, de ser uma cidade com baixo custo de vida comparado com Lisboa ou com Porto ou com Coimbra, de ter aqui uma cidade pequena, acolhedora, sentirem-se parte desta comunidade e ter uma escola de referência nos ‘rankings’ internacionais, acho que isso é motivação suficiente para termos estudantes aqui neste número e há muita procura, o que acho muito interessante”, observou.
Ulisses Correia e Silva afirmou que está ultrapassada a polémica em torno da recusa de vistos aos estudantes cabo-verdianos e que “nunca houve problemas de relações entre países”.
“Há regras. Estão estabelecidas muitas vezes para o geral. Por exemplo, há um princípio que estabelece que é preciso uma média de rendimento de 500 euros mensais para os estudantes virem para Portugal, mas aqui em Bragança 300 euros é o suficiente”, exemplificou.
Segundo disse, “depois de se perceber que há especificidades nesta região, que o custo de vida é mais baixo, adaptou-se” e crê que “o problema dos vistos não se coloca hoje, os estudantes estão a vir e as relações com Portugal nesta matéria são excelentes”.
O Conselho Geral do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) atribuiu, neste aniversário da instituição, a Cabo Verde a Medalha de Honra para individualidade internacional.
Para o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, a presença do primeiro-ministro de Cabo Verde “é também um reconhecimento e uma lição para o próprio país de como é que uma cidade como Bragança, do interior consegue ter esta projeção, esta expansão e este reconhecimento no próprio país”
“É sinal de que nós não só temos muitos estudantes, mas que eles aqui são estimados, acarinhados e fazem parte desta comunidade”, afirmou.
O ministro do Ensino Superior português, Manuel Heitor, apontou o politécnico de Bragança como “um exemplo de inovação regional e da capacitação científica”.
O dia de aniversário serviu também para o ministro da tutela realçar os novos desafios, “cada vez mais sempre em ligação ao território”.
“E de facto o reconhecimento nacional e internacional de Bragança nesta área é hoje um facto cada vez mais credível e que tem hoje uma reputação para além de Portugal”, considerou.

Publicado por: “Diário de Trás-os-Montes”

Ministro da Cultura de Cabo Verde participou em encontro de estudantes do seu país

No fim-de-semana pro­longado Bragança acolheu um encontro de jovens cabo-verdianos que estudam em estabelecimentos do ensino superior em Portugal. Mais de mil estudantes participaram neste 22º en­contro, que contou com a presença do Ministro da Cul­tura e Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente e com o assessor da embaixa­da em Lisboa, João Silva. Um sarau cultural en­cheu o Teatro Municipal e durante os três dias realiza­ram-se atividades despor­tivas e de convívio, pales­tras e um workshop de Fu­naná, uma dança típica da­quele país, que está a fazer sucesso pelo mundo inteiro e, em Bragança, atraiu alu­nos de outras paragens que também estudam no Institu­to Politécnico.
A comunidade de estu­dantes cabo-verdianos já atin­ge cerca de 600 pessoas e, por isso, um dos projetos em análise foi a localização da sede da Associação de Es­tudantes Cabo-Verdianos em Portugal poder vir a locali­zar-se na capital do distri­to. Sandra Ngokwey, atual presidente da associação lo­cal de estudantes africanos, uma cabo-verdiana que tam­bém tem origens no Congo, está convencida que essa ex­pectativa se virá a concreti­zar, contando com o apoio dos responsáveis do IPB e do município brigantino.
Sobre dificuldades que têm sido divulgadas no que respeita ao alojamento de estudantes na cidade, San­dra Ngokwey considera que tais dificuldades só existi­ram enquanto os alunos estrangeiros procuraram alo­jamento preferencialmen­te nas proximidades das es­colas, já que ao alargarem a procura a outras zonas da ci­dade o problema ficou muito atenuado.
Adiantou ainda que o mu­nicípio de Bragança já mos­trou disponibilidade para es­tudar novas frequências e li­nhas para os transportes ur­banos, de modo a facilitar a mobilidade da população es­tudantil que procura Bragan­ça todos os anos.
Quanto às perspetivas de o IPB continuar a atrair mais jovens de Cabo Verde, garan­tiu que o fluxo tende a au­mentar, até porque em ter­mos financeiros não é tão pe­sado estudar em Bragança como acontece nas grandes cidades.
A associação anuncia ain­da que, em breve, a cidade de Bragança poderá ter a visi­ta do Primeiro Ministro e do Presidente da República de Cabo Verde.

Publicado por: “Jornal Nordeste”

Estudantes estrangeiros escolhem IPB em busca de um futuro melhor

Mirandela atrai estudantes estrangeiros que procuram um futuro melhor e veem no Instituto Politécnico a possibilidade de melhorarem as suas vidas e os seus próprios países. Exemplo disso é o caso de Diego Santos, um dos 335 estudantes caboverdianos que frequentam o Instituto Politécnico de Bragança (IPB). Há três anos partiu de S. Vicente rumo à Terra Quente Transmontana para tirar uma licenciatura em Solicitadoria. “Foi uma decisão tomada em conjunto com os meus pais, mesmo sabendo que a solidão a saudade seriam os maiores obstáculos que teríamos que ultrapassar”, conta.
“O objetivo é tirar um curso para poder ter melhores oportunidades de encontrar um emprego melhor e, por outro lado, ajudar a desenvolver o meu país”, frisou Diego Santos. A escolha de Mirandela deu-se por ser “uma cidade calma e com um baixo custo de vida relativamente a outras, como Porto ou Lisboa”.
Os mesmos motivos são apontados por Hugo Spencer para ter escolhido Mirandela. Natural de S. Vicente, estuda Tecnologias de Comunicação há um ano, depois de já ter frequentado solicitadoria.
“Ao decidirmos estudar em Mirandela estamos cientes de que é uma cidade calma e com bom ambiente académico, razão pela qual podemos sair a passear sem correr o risco de ser assaltado ou agredido”, salientou Hugo Spencer.
No entanto, nem tudo são rosas. Os estudantes caboverdianos, que representam mais de um quinto dos cerca de 1500 alunos estrangeiros no IPB, têm sofrido alguns problemas de adaptação, sobretudo com o frio transmontano e a dificuldade em encontrar casa para arrendar. Uma dificuldade que se agudizou este ano com o aumento do número de alunos que entraram na Escola Superior de Administração, Comunicação e Turismo, de Mirandela (ESACT). “O aluguer de casas torna-se cada vez mais complicado para os que chegam pela primeira vez, visto que a cidade tem cada vez mais estudantes e o número de casa disponíveis é cada vez menor”, disse Diego Santos. Para estes estudantes, a convivência com as pessoas em Mirandela também foi um desafio.
“As pessoas daqui eram um pouco receosas, mas acho que isso acontecia porque ainda não tinha convivido com os mirandelenses. No entanto, com o passar do tempo, tudo mudou. Sinto-me como se estivesse em casa. A amizade é ótima e, por vezes, parece-me familiar”, sublinha Hugo Spencer.
Ultrapassadas as dificuldades iniciais de adaptação, agora só pensam “em terminar o curso e regressar a casa com a licenciatura”.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

Relação entre a cidade e os estudantes africanos do IPB é uma obra em construção

São largas centenas, trouxeram o crioulo e outras sonoridades africanas para as ruas de Bragança, estão organizados em movimentos associativos e têm uma equipa de futebol que disputa o campeonato da Divisão de Honra da AF. Bragança. Vêm para estudar no IPB e se uns regressam aos seus países de origem, outros optam por ficar e instalar-se em Bragança.
São cerca de 700 os estu­dantes africanos residentes em Bragança, provenientes em grande parte dos PALOP – Paí­ses Africanos de Língua Ofi­cial Portuguesa. Vivem 11 me­ses por ano em Bragança, mui­tos ficam ao longo de vários anos e contribuem para a cria­ção de riqueza na região. De­pois de concluírem o seu per­curso académico no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), uns regressam aos seus paí­ses de origem, outros optam por permanecer em Bragança.
Edvaldo Fernandes, cabo­-verdiano e presidente da As­sociação de Estudantes Afri­canos em Bragança (AEAB), está há quatro anos em Por­tugal a estudar Gestão Des­portiva e há dois na presidên­cia da Associação, cujo raio de acção são as cerca de sete centenas de estudantes afri­canos do IPB, na sua grande maioria, oriundos dos Paí­ses Africanos de Língua Ofi­cial Portuguesa (PALOP).
Este líder associativo, que é também o presidente da equipa de futebol dos Estu­dantes Africanos, diz que lhe agradou “o projecto da AEAB e a relação de proximidade com a cidade”. Com efeito, um dos motores da integração desta comunidade tem sido a equipa de futebol, composta, na sua maioria, por estudan­tes africanos e que tem dado cartas na Divisão de Honra da Associação de Futebol de Bragança. “A integração é excelente, muito maior do que eu esperava. Também temos a equipa de futebol, que aco­lhe muitos caloiros africanos, mas também portugueses, o que facilita a integração”.
Quanto ao diálogo com os responsáveis locais, “não te­mos qualquer tipo de quei­xa, quer do IPB, quer da câ­mara municipal, quer de ou­tras instituições locais. Tem sido uma boa relação, em tu­do o que precisamos eles es­tão aí para nós e ao contrário também é verdade. Sentimo­-nos em casa”.
Edvaldo Fernandes quer continuar em Portugal e Bra­gança é uma das primeiras opções para prosseguir os es­tudos superiores e iniciar a sua vida profissional.
Óscar Monteiro, cabo-ver­diano de 33 anos, é um dos pioneiros entre os estudan­tes africanos em Portugal e os 14 anos que já leva de Bra­gança dão-lhe uma perspecti­va abrangente dos caminhos seguidos por esta comunida­de. Destaca a relação a três – AEAB, CMB e IPB – e o diálo­go constante entre as três ins­tituições: “existe uma ligação muito forte e todos os proces­sos são tratados directamente entre as instituições”, realça.
Óscar é um caso paradig­mático de integração na co­munidade brigantina. Já foi presidente da AEAB, é o ac­tual treinador da equipa de futebol dos Estudantes Afri­canos e empresário na área da produção de eventos musicais.
Para o mister Óscar Mon­teiro “o melhor resultado desta equipa é fora de cam­po. Dentro de campo vamo­-nos divertindo, mas o mais importante é o que se faz fo­ra das quatro linhas, é o no­me que a equipa dá à cidade, à comunidade africana. E é dos melhores exemplos de in­tegração, o que mereceu des­taque já a esse nível, quer em termos nacionais, quer em termos internacionais”.
Para este representante da comunidade africana em Bragança, “a equipa vale por causa da sua função integra­dora. A nossa equipa só é a equipa que é pela interligação que tem feito entre as duas comunidades”.
Quanto à empresa que criou há dez anos, a “young beats”, é ela própria um dí­namo integrador, sobretudo, entre a comunidade africana: “tem duas vertentes, uma di­reccionada para a comunida­de africana, outra, para a co­munidade brigantina. O ob­jectivo é quebrar as barreiras entre as duas comunidades”, apostando na educação dos mais novos : “direccionamos a nossa actividade para os jo­vens, pois é mais fácil reedu­car os jovens a aceitar os ou­tros, desde o início do seu crescimento e formação, do que os mais velhos, a quem é preciso dar mais tempo”.
Para este licenciado em Línguas e Relações Interna­cionais, actualmente estu­dante de mestrado na área de tradução, que se define como um “líder nato” e a viver em Bragança desde os 19 anos, regressar para já a Cabo Ver­de não está nos seus planos. Quer continuar em Bragan­ça, dar continuidade à sua ac­tividade profissional e prevê casar em breve com uma por­tuguesa, brigantina de gema. Para além das várias funções que já desempenha é actual­mente colaborador nos ser­viços académicos do IPB na área das relações nacionais e internacionais: “é a minha área e gostaria de continuar por aqui”.
Uma das ideias pré fei­tas em relação aos estudan­tes oriundos dos PALOP é que vêm a Portugal formar­-se e vão-se embora logo de seguida para integrar os qua­dros superiores dos seus paí­ses de origem. Se nuns casos é assim, noutros nem tanto. Óscar Monteiro fala de vários exemplos que se mantêm em Portugal depois de termina­rem o seu percurso no ensino superior: “há uma comunida­de de africanos, que já não são estudantes e que tem crescido bastante. Temos muitos ca­sais que já tiveram filhos aqui e que pretendem viver cá, es­tando perfeitamente inte­grados”. Tanto Edvaldo Fer­nandes como Óscar Montei­ro consideram errada a ideia de que a comunidade afri­cana em Bragança vive ensi­mesmada, fala preferencial­mente em crioulo e que não convive com a restante co­munidade. Para o presidente da AEAB,” esta é a comuni­dade de estudantes africana mais compacta em Portugal”.

Regressar a Cabo Verde

Marlos Monteiro tem 26 anos e veio para Bragan­ça na mesma altura que Ed­valdo Fernandes. Está no úl­timo ano de Gestão Empre­sarial a que se seguem dois anos de mestrado e, logo de­pois, o regresso a Cabo Ver­de: “caso surja uma boa pro­posta de trabalho lá, por que não? Tenho interesse em aju­dar o meu país a crescer, se o puder fazer em Cabo Verde tanto melhor”
Aos 28 anos, Rony Furta­do fez um percurso diferen­te dos seus colegas. Estudou Contabilidade e Administra­ção em Cabo Verde e só de­pois veio para Portugal para fazer mestrado na sua área, ao abrigo de uma parceria entre o IPB e o município do Tarrafal, na ilha de São Ni­colau. “Não quis ficar apenas naquele ambiente universitá­rio cabo-verdiano e por isso resolvi vir para cá”, trazido por amigos que já cá estavam e o ajudaram a fazer a sua op­ção por Bragança.
Rony termina o mestrado no final do presente ano lec­tivo e vislumbra também ele um regresso imediato à sua terra natal “porque tenho a noção de que posso contri­buir de alguma forma. Ca­bo Verde tem um número de quadros bastante grande que, talvez pelo facto de o país ser pequeno e o mercado de tra­balho reduzido, optam por trabalhar fora. Eu quero aju­dar a inverter essa tendência”.
Marlos Monteiro tem uma opinião dissonante e considera que ainda há a ten­dência dos estudantes africa­nos se relacionarem preferen­cialmente entre si, “o que é um erro. Mas as coisas tam­bém se proporcionam assim. Há cursos no IPB em que 80 por cento dos alunos são afri­canos, o que dificulta a rela­ção com as outras nacionali­dades”. Para Marlos essa de­ve ser “uma das nossas preo­cupações e nós mesmos te­mos de tentar integrar-nos na comunidade portuguesa de Bragança e também com a comunidade de alunos Eras­mus”, considerou.
Para Óscar Monteiro es­sa integração já é um suces­so, prova disso é o evento «I love Bragança», que decor­reu em junho do ano pas­sado “e que se realizou para comemorar a cidade de Bra­gança através dos estudan­tes estrangeiros. E também é de destacar o esforço que a cidade tem feito para incluir os estudantes estrangeiros rematou.

Publicado em: “Jornal Nordeste”

“Semana de África” proporcionou convívio e diversão a centenas de estudantes africanos que vivem em Bragança


Os cerca de 300 estudantes africanos que actualmente residem em Bragança e estudam no Instituto Politécnico da cidade tiveram uma semana dedicada a eles, com várias actividades. A música, a dança e a gastronomia africanas estiveram em destaque, sem esquecer o desporto e conferências dedicadas à cultura deste continente. A iniciativa, que se tem repetido nos últimos anos, é organizada pela Associação de Estudantes Africanos em Bragança, que além desta cidade promove também a integração dos alunos africanos do IPB, que estudam em Mirandela. De quarta a Domingo, os estudantes estiveram particularmente unidos, quer durante o dia, quer à noite, com festas em bares e discotecas da cidade. Ao final da tarde sexta-feira, os estudantes prepararam práticos africanos para um lanche gastronómico, destacando-se a cachupa, prato cabo-verdiano. Ainda que, no dia-a-dia tentem cozinhar pratos típicos de cada país, os estudantes africanos confessam que se vão rendendo cada vez mais à gastronomia portuguesa, até pela dificuldade em encontrar alguns ingredientes. O estudante Laurindo Chambula Ladeira, de 24 anos, é natural de Angola e está há um ano e meio em Bragança. O jovem refere que a integração foi fácil.“Nunca tinha vivido em Portugal mas acho que não poderia viver em melhor lugar, do que em Bragança. Sinto-me muito bem aqui. Tenho recomendado a cidade aos meus colegas”
Já Patrícia Rodrigues, 19 anos, veio de Cabo Verde.“Vim há 8 meses e estou a gostar de estar cá. A escola é boa e os professores são bons. É uma cidade calma, dá para estudar calmamente mas também gostamos de sair à noite, o que, em Bragança , é bastante divertido” , considera. Também de Cabo Verde vieram Pedro Lopes e Stéphanie Neves. “Tenho muitos amigos aqui, que já estão cá há alguns anos, por isso, para mim, a integração foi fácil. O que é um gosto mais é da noite, já que sou DJ. Em termos de diversão, é semelhante à da Ilha do Sal mas aqui é muito mais económico sair à noite, do que lá”, referiu o jovem de 22 anos.   E Stéphanie enumera algumas das diferenças entre Bragança e Cabo Verde. “Aqui é tudo diferente: o clima, as festas… Temos que ter algum cuidado porque, por vezes os vizinhos chamam a polícia, por causa do barulho. Em Cabo Verde, desde que não haja guerra, a festa vai até ao fim”, contou a estudante de 19 anos ao Jornal Nordeste.

Publicado em: “Jornal Nordeste”

IPB impõe-se na cooperação com países lusófonos no ensino agrário

O IPB tem-se afirmado no desenvolvimento de projectos de cooperação com os países lusófonos nomeadamente a nível agrícola.
A aposta que tem vindo a crescer, vai reflectir-se agora na promoção de um mestrado conjunto de Agro-Ecologia, que vai ser criado no Instituto Superior Politécnico de Gaza, em Moçambique, com a ajuda da Escola Superior Agrária.
É o primeiro mestrado da instituição e vai arrancar na comemoração do décimo aniversário da escola superior moçambicana. Hortêncio Comissal, director do Instituto Superior Politécnico de Gaza, refere que a colaboração do IPB será essencial para o desenvolvimento desta oferta formativa, já que “80 por cento dos docentes serão do IPB”. “Portugal está muito avançado na investigação. O IPB e outras instituições portuguesas vão ajudar-nos a desenvolver essa área da investigação e a formar os nossos quadros”.
Na cooperação de três anos com o IPB, já houve a formação em Bragança de mais de uma dezena de professores do instituto moçambicano, que frequentaram mestrados. É um dos vários exemplos que se repete em diversos países africanos de língua oficial portuguesa “O IPB tem cooperação com quase todos os países lusófonos com a ida de professores do IPB por alguns períodos de tempo”, adianta Albino Bento, o presidente da Escola Superior Agrária de Bragança.
A cooperação com países lusófonos tem vindo a intensificar-se, e tem contribuído para “o desenvolvimento das instituições e desses países”. As parcerias e os instrumentos para financiar as colaborações entre instituições de ensino foram assuntos debatidos na reunião da associação de ensino superior em ciências agrárias dos países de língua portuguesa, que aconteceu nos últimos dois dias no IPB.

Publicado em ‘Rádio Brigantia‘.

Estudantes festejaram os 40 anos da independência de Angola

A comunidade angolana em Bragança assinalou o 40º aniversário da Independência de Angola numa sessão realizada no Instituto Politécnico, onde estudam cerca de 60 alunos angolanos, que consideram a data marcante.
O vice-cônsul de Angola, José Tavares, que participou nas comemorações, pediu aos jovens que após a conclusão do curso regressem ao país para levar conhecimento. “Levem também empresários e investimento no ramos da educação, saúde e construção”, uma vez que em Angola faltam quadros superiores. O responsável ficou muito bem impressionado com o IPB e considera que estudar na região “é uma boa oportunidade para os angolanos”. Os estudantes angolanos organizaram também uma mostra sobre Angola no pátio da cantina do IPB para divulgar a sua cultura.
Os jovens estão bem integrados na cidade, por onde já passaram mais de 80 estudantes desta nacionalidade.

Publicado em ‘Mensageiro‘.

Representante de Angola frisa importância da formação de quadros superiores no IPB

O vice-cônsul de Angola no Porto, José Tavares, frisou a importância da formação superior que os alunos do país estão a receber no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), para fazer face ao que é considerado um dos maiores problemas naquele país actualmente, a falta de quadros qualificados.
“É aberrante a falta de quadros em Angola desde o pós-independência até agora. Estamos a formar lá e mesmo assim ainda não temos o suficiente, temos de recorrer ao exterior”, garante.
O representante da república angolana esteve ontem no IPB para as comemorações alusivas aos 40 anos de independência de Angola. Cerimónia na qual José Tavares desafiou os mais de 60 estudantes angolanos do IPB a regressarem ao país e levarem consigo na bagagem “investimento português ou empresários nos ramos da educação, saúde, agricultura e construção. Podem levar e têm aqui muito know-how”.
Por seu turno, o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, espera que o impacto para a região da passagem destes estudantes se prolongue para além da sua estadia. “Não importa só o número de estudantes que temos cá agora, para o IPB e para a economia regional. Mas também o que estes estudantes representam em Angola, sendo eles próprios já professores de instituições de ensino de superior públicas. É uma ligação de grande interesse para a região e empresários. Seria importante estabelecer pontes com estes estudantes e que houvesse a disponibilização de estágios e de trabalho nas empresas na região, porque estamos a falar de estudantes que representam o futuro do ensino superior e dos quadros angolanos”, referiu o representante do IPB.
Até ao momento, já passaram pelo Instituto Politécnico de Bragança 82 estudantes angolanos, a maioria em mestrados. Espera-se que no próximo ano se ultrapasse a centena de alunos oriundos daquele país.

Publicado em ‘Rádio Brigantia‘.