ULS reforça cuidados paliativos ao domicílio


A Unidade Local de Saúde do Nordeste vai reforçar, até ao verão, as unidades que providenciam cuidados paliativos ao domicílio. A garantia foi deixada pelo presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste, Carlos Vaz, à margem das segundas jornadas de investigação da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos que decorreu sexta-feira e sábado no Instituto Politécnico de Bragança.
“Até junho ou julho queremos implementar em todos os conselhos da zona sul as equipas preparadas para fazer as visitas domiciliárias com acompanhamento do departamento dos Paliativos da ULS”, disse Carlos Vaz. “Isso é que é fundamental. Que as equipas multidisciplinares se desloquem ao local, ao domicílio, para fazer os acompanhamentos a esses doentes, isso para nós é que é fundamental”, sublinhou.
Segundo explicou Carlos Vaz, “cada concelho terá a sua equipa, integrada quer com a equipa do centro de saúde, quer eventualmente com outras instituições que colaboram connosco, nomeadamente Misericórdias ou outras associações, de modo a fazermos equipas multidisciplinares permanentes”, disse.
Em Macedo de Cavaleiros, o número de camas vai ser reduzido (de 17 para dez) para haver uma maior aposta nas unidades de apoio ao domicílio. Por outro lado, aumentará o número de camas dos cuidados continuados. Também o IPB vai reforçar a aposta nos Paliativos com novas ofertas pedagógicas.
“Os cuidados paliativos são uma vertente dos cuidados continuados e, porque sentimos também essa necessidade, qualificar ativos por solicitação de cuidados de saúde, vamos abrir ainda este mês uma pós-graduação em cuidados paliativos”, anunciou a diretora da escola de saúde, Helena Pimentel. A pós-graduação arranca já amanhã “para dar resposta a esta formação mais específica a profissionais que trabalham nessa área.”
Para Manuel Luís Capelas, presidente da Associação que organizou estas jornadas, o objetivo foi apresentar “estratégias para melhor cuidado dos doentes, na prevenção do sofrimento, onde quer que estes doentes estejam nestes serviços” e “disseminar pelo país inteiro” este tipo de conhecimento.

Publicado em: Mensageiro

Desigualdades no mercado laboral debatidas em fórum sobre a mulher

A desigualdade no mercado laboral que as mulheres enfrentam foi um dos temas debatidos no fórum “Mulher Ontem, Hoje e Amanhã” que decorreu na Escola Superior de Educação de Bragança, dia 8 de Março, para assinalar o dia internacional da mulher.
A docente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Maria do Céu Ribeiro, destacou que, segundo um estudo divulgado na semana passada, o sucesso na formação académica das mulheres não se reflete no acesso aos mesmos cargos que os colegas do sexo masculino, estando em particular afastadas dos cargos de topo.
“As mulheres têm mais estudos, fazem mais formação académica, tiram melhores notas, terminam o curso num período de tempo inferior em relação aos colegas homens, mas essa evidência não tem uma contrapartida no mercado de trabalho, no sentido de elas terem acesso a cargos iguais aos seus colegas”, referiu.
Apesar de o estudo realizado entre 2005 e 2015, revelar que “há evidências significativas ao nível de melhoria”, a docente de Educação Social diz que “ainda há um longo caminho a percorrer”, pois embora “haja já o acesso a cargos intermédios mais facilitado, o acesso a cargos de topo ainda é de difícil acesso para as mulheres”, destacando ainda no encerramento do fórum que a as desigualdades são também notórias no que toca à remuneração.
“Estou convencida que isto é um caminho longo, mas que terá sucesso a médio prazo, e terá alterações significativas, a curto prazo não acredito, não sou assim tão otimista”, frisou.
O fórum teve ainda como oradoras algumas mulheres que contrariam esta tendência e ocupam cargos de chefia em Bragança, como, Paula Pimentel, presidente da União Instituições Particulares de Solidariedade Social, Cristina Figueiredo, vereadora da câmara de Bragança, e ainda Emília Nogueiro, professoras da ESEB ou Catarina Ribeiro, mestranda em Educação Social.
A ideia da realização da iniciativa partiu precisamente de alunos de mestrado de Educação Social e foi organizado pelo CLDS 3G dos Santos Mártires de Bragança. A coordenadora deste projeto, Anabela Pires, explica que o objetivo foi conhecer os testemunhos das dificuldades enfrentadas pelas mulheres no quotidiano. “Quisemos assinalar esta data de uma forma diferente, com um fórum no qual as pessoas pudessem explanar um pouco do seu dia-a-dia e partilhar as suas dificuldades sobretudo as mulheres que têm tantos papéis a assumir”, esclareceu.

Publicado em: “Jornal Nordeste”

Alunos de todo o país fazem estágios de verão no Politécnico de Bragança


Vídeo publicado em: SIC Notícias

Mais de 130 estudantes de todo o país estão esta semana a participar no “Verão Ciência” do Instituto Politécnico de Bragança.
Um programa de 60 estágios em diversas áreas de investigação que permite também aos alunos participar em actividades lúdicas no concelho de Bragança. Ana Isabel Pereira, do Gabinete de Imagem e Apoio ao Estudante do IPB, explica que esta é uma forma dos jovens conhecerem as diferentes áreas de investigação disponíveis no ensino superior.“O grande objectivo é perceber o que se faz na investigação em Portugal, em particular no Instituto Politécnico de Bragança, e poder mais tarde quando o aluno vai para o ensino superior escolher a área que mais gosta”, salienta.Os estágios decorrem nas quatro escolas do Instituto Politécnico de Bragança, dividindo-se em várias áreas científicas. Os estudantes vêm de vários pontos do país e garantem que vale esta é uma experiência única.
O programa “Verão Ciência no IPB 2014” foi criado há 7 anos e proporciona estágios científicos gratuitos a jovens do ensino secundário de todo o país. Incluem alojamento, alimentação e várias actividades socioculturais, de lazer e entretenimento.

Publicado em: Rádio Brigantia

Politécnico de Bragança equivale a dinâmica económica de 80 empresas


Numa região de onde “tudo foge”, há 30 anos que o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) é fator de atração de professores e alunos e um motor económico comparado a 80 empresas com cem funcionários cada.
“Ninguém concebe Bragança sem o Politécnico”, vinca à Lusa o fundador Dionísio Gonçalves, professor que trocou a cátedra da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro pela criação daquela que é a terceira maior empregadora do distrito de Bragança e geradora de negócios.
Aquele docente, que esteve à frente da instituição durante 23 anos, lembra que “quase 80 por cento” dos cerca de 400 professores “emigraram do litoral para o interior”, assim como 75 por cento dos estudantes são oriundos de fora da região.
Dionísio Gonçalves foi o rosto da luta pela elevação do Politécnico a Universidade, algo que nunca aconteceu. Ainda assim, garante que não se sente derrotado. “Conseguimos alcançar o objetivo de outra maneira: fizemos a universidade por dentro”, defende. O professor jubilado, que faz parte do Conselho Geral e continua a fazer investigação no centro de Montanha, o CIMO, defende que o que se conseguiu desde a fundação “é ensino universitário na mesma”.
“Vejam-se os rankings em que a instituição está. É universitária em qualquer parte do mundo, em pé de igualdade com dezenas de universidades”, afirma, apontando o ranking europeu que, pelo terceiro ano consecutivo, atribuiu a Bragança o estatuto de melhor politécnico do país e o único no top 10 das instituições de Ensino Superior portuguesas. Tudo começou há 33 anos com 120 alunos e duas escolas, as superiores Agrária e de Educação, a que se seguiu a de Tecnologia e Gestão com um polo em Mirandela, há 20 anos, que se autonomizou na escola de Turismo e Comunicação. A estas junta-se ainda a Escola Superior de Saúde, com um total de perto de sete mil alunos, entre os quais mil estrangeiros de 35 nacionalidades, e os chamados novos públicos, como os maiores de 23 ou os cursos técnicos.
Com mais de mil professores e funcionários, o instituto é dos maiores geradores de emprego e volume de negócios da região, impulsiona uma faturação anual de 52 milhões de euros e a ocupação de mais de dez por cento da população ativa. As conclusões são de um trabalho de doutoramento realizado na instituição, que indica ainda que a atividade económica do IPB corresponde a 8,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) dos concelhos de Bragança e Mirandela. O presidente, Sobrinho Teixeira, tem reiterado que a vida académica do IPB equivale à dinâmica económica de 80 fábricas com uma centena de funcionários cada.
Se desaparecesse, “era desastroso, inimaginável”, na opinião do fundador Dionísio Gonçalves.
A cidade cresceu para albergar a comunidade académica e a face mais visível é em redor do campus da Quinta de Santa Apolónia, que concentra serviços e escolas. A zona histórica de Bragança tornou-se multicultural, com alunos de diferentes nacionalidades a ocuparem as residências para estudantes estrangeiros em edifícios recuperados para o efeito. Os negócios vivem dos estudantes, desde a restauração, a material para os estudos ou a animação noturna.
O Gabinete de Empreendedorismo já ajudou atuais e ex-alunos a criarem, em menos de cinco anos, quase três dezenas de empresas com 65 postos de trabalho e um volume de investimento próximo de 1,6 milhões de euros.
Acresce, ainda, a transposição para a comunidade da investigação feita na instituição, como o remédio para debelar o cancro do castanheiro ou o apoio à olivicultura, duas das mais importantes culturas da região.
O IPB tem uma das investigadoras portuguesas mais citadas a nível mundial na área agroalimentar.
O fundador Dionísio Gonçalves lembra, também, “a quantidade enormíssima de diplomados integrados no tecido empresarial regional e apontou o exemplo do atual diretor da fábrica de Bragança da multinacional de componentes para automóveis, a Faurécia, que é um antigo aluno do IPB.

Publicado em: “Diário de Notícias”

IPB impõe-se na cooperação com países lusófonos no ensino agrário

O IPB tem-se afirmado no desenvolvimento de projectos de cooperação com os países lusófonos nomeadamente a nível agrícola.
A aposta que tem vindo a crescer, vai reflectir-se agora na promoção de um mestrado conjunto de Agro-Ecologia, que vai ser criado no Instituto Superior Politécnico de Gaza, em Moçambique, com a ajuda da Escola Superior Agrária.
É o primeiro mestrado da instituição e vai arrancar na comemoração do décimo aniversário da escola superior moçambicana. Hortêncio Comissal, director do Instituto Superior Politécnico de Gaza, refere que a colaboração do IPB será essencial para o desenvolvimento desta oferta formativa, já que “80 por cento dos docentes serão do IPB”. “Portugal está muito avançado na investigação. O IPB e outras instituições portuguesas vão ajudar-nos a desenvolver essa área da investigação e a formar os nossos quadros”.
Na cooperação de três anos com o IPB, já houve a formação em Bragança de mais de uma dezena de professores do instituto moçambicano, que frequentaram mestrados. É um dos vários exemplos que se repete em diversos países africanos de língua oficial portuguesa “O IPB tem cooperação com quase todos os países lusófonos com a ida de professores do IPB por alguns períodos de tempo”, adianta Albino Bento, o presidente da Escola Superior Agrária de Bragança.
A cooperação com países lusófonos tem vindo a intensificar-se, e tem contribuído para “o desenvolvimento das instituições e desses países”. As parcerias e os instrumentos para financiar as colaborações entre instituições de ensino foram assuntos debatidos na reunião da associação de ensino superior em ciências agrárias dos países de língua portuguesa, que aconteceu nos últimos dois dias no IPB.

Publicado em ‘Rádio Brigantia‘.

Empresas dão formação no IPB

A Conductaclim foi das primeiras empresas de Bragança a ir dar uma aula a alunos do IPB, numa ação de abertura ao mercado de trabalho, que decorreu no dia 12.
“O objetivo era trazer os alunos ao ambiente de trabalho e trazer o ambiente de trabalho aos alunos. Do ponto de vista pedagógico temos de fazer um esforço para transmitir os mesmos conceitos sem usar tecnologia do século XIX, como o quadro de lousa e o giz. O segundo espaço é valorizar as empresas de Bragança, que são referências nacionais”, explicou Frölen Ribeiro, do IPB.
Para as empresas, o contacto também é positivo, “não só por causa da representação com a Daikin”. “Faz com que consigamos criar alicerces ainda mais fortes e dinamizar a nossa política como empresa distribuidora”, explicou Luís Correia, da Conductaclim, mostrando-se disponível para “novas parcerias com o IPB”.

Publicado em ‘Mensageiro‘.

Sucesso e qualidade, do interior!

Muitas vezes no nosso país, confunde-se o interior com periferia e atraso no desenvolvimento. Não há nada mais errado do que este pensamento.
Venha conhecer o que de melhor se faz no (tão rico) interior de Portugal e deixe-se deslumbrar.

 Sobrinho Teixeira é o rosto que apresenta o Instituto Politécnico de Bragança, revelando ao mundo aquilo que de melhor se faz no interior do país. Foi também com o presidente do IPB que o País Positivo entrou à conversa, descobrindo uma instituição de cariz ímpar e de qualidade internacional.
De acordo com o nosso entrevistado, o IPB é uma instituição de referência nacional a diversos níveis. “Todo o trabalho que tem sido desenvolvido no IPB em diversas áreas, nomeadamente na área da investigação – uma das nossas bandeiras e que permitiu um programa de afirmação e de doutoramentos que nos permitiu ter o corpo docente mais qualificado de todo o sistema politécnico – fez com que existissem repercussões ao nível do relacionamento da região com o instituto. Hoje, não representamos uma instituição que recebe alunos, que os retém durante algum tempo e que depois os deixa sair da região. O IPB, com toda a sua capacidade implementada, é uma instituição com capacidade de intervenção, um agente essencial ao desenvolvimento da região e, de facto, tem uma envolvência a todos os níveis com o tecido regional, seja económico, social ou cultural”. Assim, o IPB é um parceiro ativo da própria CIM de Terras de Trás os Montes e procura ser proactivo, nomeadamente no que diz respeito ao próximo quadro comunitário de apoio que, na opinião do entrevistado apresenta algum risco para a região. Como é sabido, “os anteriores quadros comunitários eram muito voltados para a infraestruturação e, como tal, o fluxo financeiro era assegurado pela intervenção ativa dos nossos autarcas” Hoje, a situação não é a mesma e a inovação, a criação e desenvolvimento de empresas são o toco deste novo quadro. Assim sendo, e tendo em conta a debilidade do tecido económico da região, incorre-se no risco de aumentar a distorção existente entre interior e litoral norte. Desta forma, “o IPB tem que ser um elemento ativo, com capacidade de intervenção política, fazendo sentir que é necessário assegurar um volume financeiro para a região de Trás os Montes que contribua para coesão nacional e inter-regional. Não podemos chegar ao final deste novo quadro de apoio com a sensação que contribuímos para um desenvolvimento da região norte mas sem ter, efetivamente, ganho alguma coisa com isso. Estou em crer que tal não vai acontecer, mas é necessário que todos os agentes tenham a capacidade de fazer fluir esses fundos para situações que gerem riqueza e emprego”. Para tal, o IPB tem vindo a trabalhar no sentido de dotar o tecido empresarial das ferramentas necessárias para fazer face ao futuro. Por exemplo, a região de Trás os Montes tem um setor primário bastante desenvolvido, mas a profissionalização do setor leva a que se precise cada vez menos de agricultores e, isso, “traduz-se numa mais baixa densidade demográfica da região que só poderá ser invertida com a criação de outras empresas, apostando, por exemplo, no turismo, mas sobretudo na indústria”, advoga.

A INTERNACIONALIZAÇÃO
O IPB é também um instituto conhecido pela sua capacidade de internacionalização, vertida na população de estrangeiros superior a mil alunos, com cerca de 50 países representados. Além da qualidade de vida que aqui se sente, o tacto de o IPB ter uma oferta deformação em língua inglesa – existem já três cursos de licenciatura em inglês que irão ser duplicados no próximo ano (no próximo ano funcionarão 7 cursos de licenciatura e 3 cursos de mestrado em inglês) – permite que este seja um aporte económico, cultural e social para a região. Mas estes números não são fictícios e espelham-se nos rankings nacionais e internacionais: “Existem rankings específicos em investigação, sobretudo na avaliação da qualidade da investigação produzida em função da dimensão da instituição, e, aqui, o IPB está em primeiro lugar a nível nacional em quatro desses itens e no ranking da União Europeia o IPB é o primeiro politécnico a nível nacional, estando no top dez das instituições universitárias e politécnicas portuguesas, ocupando o 7° lugar. Tudo isto, de facto, faz com que hoje o instituto seja um agente de desenvolvimento mas também um agente de motivação, dinamizando o orgulho da região, mostrando aquilo que a região pode fazer, mostrando que, os transmontanos, quando têm as mesmas condições, são capazes de fazer tão bem ou melhor do que os outros”, afirma Sobrinho Teixeira.

FUTURO
A investigação, no seio do IPB, é uma área consolidada, assim como a qualidade do corpo docente. Assim, o futuro promete o aumento da internacionalização, quer através do aumento da oferta formativa em língua inglesa e da oferta do português para estrangeiros, já que existe uma grande procura de oferta formativa de português. Além disso, “iremos trabalhar ativamente nas empresas para responder ao momento económico da região. Estamos também apostados em introduzir inovação curricular no sentido de pôr os alunos dos cursos de licenciatura a resolver problemas para as empresas, dando uma matriz aos nossos alunos de maior ligação empresarial e, portanto, um tipo de ensino que vai aumentar a empregabilidade dos seus formandos”. No fundo, o IPB irá continuar, no futuro, a lutar por se manter nos lugares cimeiros, elevando a instituição e o orgulho da região.

UM RUMO BEM TRAÇADO

 Luís Pires é o rosto que apresenta a EsACT – Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo do Instituto Politécnico de Bragança, uma instituição que começa agora um novo caminho rumo ao sucesso.
Em entrevista ao País Positivo, Luís Pires, diretor da EsACT, faz-nos uma breve apresentação da instituição e mostra qual o caminho desta escola que aposta na inovação e tecnologia para fazer face aos desafios futuros.
Criada em 1995 como polo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Bragança, a EsACT oferecia em Mirandela os cursos de Informática de Gestão e Contabilidade e Administração. No entanto, em 1999 como consequência da evolução legislativa, a Escola ganhou autonomia, tendo continuado com os dois cursos anteriores e introduzido o curso de Planeamento e Gestão em Turismo, distanciando-se, nesse processo evolutivo, daquilo que era oferecido em Bragança e traçando um caminho muito próprio e bem definido. Assim, em consequência de uma estratégia pensada, o Turismo passou a ser um dos principais focos da Escola de Mirandela, enquanto uma das etapas fundamentais de um caminho ainda não totalmente trilhado e, “foram-se consolidando as valências que identificassem e distinguissem a EsACT, no seio do IPB, associadas a uma imagem corporativa sólida, reconhecível conotada com a cultura de excelência da Instituição, em muito baseada em práticas de gestão sustentada dos recursos. Desde logo pensamos que a escola deveria dedicar-se a três áreas, distintas mas complementares, a Comunicação, a Administração e o Turismo”. E, aos poucos, a escola foi-se afirmando nestes três domínios. Assim, e na área da comunicação, para além das Licenciaturas em Tecnologias da Comunicação, Marketing e Multimédia a EsACT passou a oferecer, de forma arrojada e inovadora um curso de licenciatura em Design de Jogos Digitais que, ao contrário do que se possa pensar e face à realidade regional, foi desde logo um sucesso. E enganem-se aqueles que pensam que esta é uma área orientada apenas para o entretenimento ou brincadeira. “O design de jogos digitais é uma área bastante complexa e, ao contrário de outras formações existentes, mais ligadas às engenharias, esta é uma formação muito mais ligada às artes, exigente, propícia à exploração dos jogos digitais enquanto comentário social, arte, ferramenta educacional, ou forma de entretenimento da sociedade global em que vivemos. Mas para nós isso não chega e, nesse sentido, temos lançado alguns desafios aos docentes e alunos com o intuito de aplicar os conhecimentos adquiridos no curso em resposta a outro tipo de necessidades, por exemplo na área da saúde, criando aplicações que permitam testar e analisar comportamentos e desempenhos ou no limite como ferramentas didáticas ou educativas. Imaginem, como exemplo, um jogo digital que ajude um paciente em período de reabilitação física a melhorar ou medir a evolução do seu desempenho… um jogo que incuta por exemplo em públicos infantis uma consciência ambiental, etc “
Par além de tudo isto, na área da multimédia e das tecnologias da comunicação, a EsACT tem trilhado um percurso de sucesso, realizando reportagens de temas sociais putativamente fraturantes para a região que, para além do tema em si e da perspectiva técnica com que são abordados, evidenciam a capacidade técnica existente e mostram a importância do multimédia como ferramenta de desenvolvimento da região. Esta capacidade de produção técnica e comunicacional, potenciada via marketing, forma uma poção que a região e o pais não podem desperdiçar.
A área da administração é ex-libris da instituição, com muitos alunos e muita procura. Ao nível da licenciatura, a EsACT oferece dois cursos: Gestão e Administração Pública e Solicitadoria. Apesar do sucesso consolidado das duas áreas, o primeiro teve uma ligeira quebra na procura devido aos problemas de contexto do país, nomeadamente os que ocorreram na função pública, relacionados com a redução de efetivos e de salários, frustrando expectativas. No entanto, e apesar disso, “sentimos necessidade de criar o Mestrado em Administração Autárquica. Os nossos alunos e ex-alunos de Gestão e Administração Pública e de Solicitadoria começaram a procurar-nos no sentido de aprofundar os seus conhecimentos, de se especializar, de prosseguir estudos, e a verdade é que estas pessoas acabavam por ir tirar o Mestrado a outros locais e não era isso que queríamos. Neste sentido, juntámos as vontades dos alunos e da própria escola e acabámos por criar este mestrado que dá resposta às necessidades, uma vez que temos também um corpo docente consolidado e de grande qualidade. Além disso, a sociedade atual orienta-se cada vez mais para paradigmas de funcionamento agregado, em rede e, portanto, o nosso mestrado também pretende atribuir uma importância significativa a este novo paradigma, fornecendo novas capacidades, uma evolução funcional aos atores da própria legião, que mostraram, também eles, interesse na formação. Foi pois com muito agrado que vimos o mestrado aprovado por 6 anos, também uma prova de que a estrutura curricular faz sentido e se apresenta como uma mais-valia para a região e para o país”.

EMPREENDEDORISMO
Luís Pires considera que o empreendedorismo é essencial para esta região, nomeadamente para a fixação dos alunos e contributo para a inflexão de fluxos migratórios. Hoje, existem já empresas de relevo nacional que surgiram precisamente de oficinas de empreendedorismo. “A verdade é que muitas vezes as ideias existem, mas nem sempre sabemos como começar. Que passos dar? Como fazer? O que é um plano de negócios? Portanto, as oficinas de empreendedorismo são muito importantes na medida em que apoiam todos estes passos e, muitas vezes, mostra que o caminho que se tinha idealizado não é o melhor e, ai, consegue-se, em ambiente controlado, corrigir a trajetória, ou por vezes reconhecer que é melhor começar de novo. Felizmente, percebemos que as coisas começam a mudar e que a vontade de investimento e de criação do próprio emprego é muita, e não podemos apenas pensar no nosso país, deixar de olhar para o vizinho do lado, desleixando um mercado de 40 milhões de putativos consumidores, devemos ser capazes de criar estruturas e empresas que dêem resposta a esse mercado global”.

AS NOVAS INSTALAÇÕES
A prioridade da EsACT foi, há uns anos, a capacitação em termos de docência. Hoje, a consolidação do corpo docente é já uma realidade e, portanto, seguiu-se o segundo desafio: As instalações. Até hoje, a EsACT funciona em instalações provisórias cedidas pela autarquia de Mirandela e que, apesar de serem o necessário para formar os alunos com qualidade, não dão seguimento às necessidades e vontades de crescimento estabelecidas para a instituição. Neste sentido, “muito lutamos para conseguir umas instalações condignas e aproveito para deixar uma palavra de apreço à Câmara Municipal de Mirandela que como parceira do IPB esteve sempre presente para a concretização de um edifício de grande qualidade e que irá dar resposta às nossas necessidades já no próximo ano letivo”.
Este edifício, feito de raiz, possui salas de reunião, espaço dedicado à produção audiovisual, onde se incluem estúdios, laboratórios de pós produção, multimédia, salas de visionamento, um auditório de média capacidade, uma biblioteca de topo e um espaço que servirá de fomento a novos projetos. Ou seja. “temos o hardware e o software, agora necessitamos criar projetos e a ideia é dar corpo ao Centro de Recursos para a Promoção do Turismo e Marketing Territorial, implementando, numa base comunicacional, estratégias que possibilitem o desenvolvimento e a valorização regional. É certo que aqui existem produtos únicos, de qualidade, indissociáveis e burilados por uma cultura ancestral, mas que permanecerão economicamente diminuídos se não forem revelados ao mundo”.
A aposta e potenciação do centro de competências possibilita a criação de uma rede essencial ao desenvolvimento da região na medida em que conseguimos “quebrar barreiras. Quem tiver dificuldades saberá, à partida, que nos poderá procurar para, em parceria, resolver os seus problemas. Portanto, o primeiro passo é criar alguns produtos que dissipem qualquer tipo de dúvida que possa existir face às competências e qualidade da capacidade instalada. O Centro permitirá consolidar, dentro da região e não só, a certeza de um conceito de credibilidade e capacidade para se fazer coisas, para responder a desafios, e a partir dai, crescer e alavancar a região e o tecido empresarial”.
Assim, e tendo em conta as novas instalações e os projetos pensados, a EsACT poderá ser um elemento essencial para a dinamização e desenvolvimento da região e do próprio IPB. “Feitas as contas, penso que o saldo será claramente positivo e o futuro apresentar-se-á bastante promissor”, finaliza o nosso interlocutor, Luís Pires.

Bragança: Um exemplo de Sucesso

 Bragança não é apenas a capital do distrito. É, também, um concelho voltado para o futuro, apostado em tirar o máximo partido de todas as potencialidades existentes. Um concelho que vide para a qualidade de vida dos cidadãos e que aposta em atrair cada vez mais pessoas.

Bragança é uma cidade com uma qualidade de vida acima da média, mas o seu edil, Hernâni Dias, afirma que falta ainda população suficiente para usufruir desta qualidade. “Somos um concelho com excelente qualidade de vida, reconhecido por estudos externos. Somos detentores de equipamentos culturais, com programações culturais atrativas, uma gastronomia de excelência, na qual pontuam pratos de caça e o famoso butelo com casulas, boas condições de mobilidade interna e acessibilidades externas, bons níveis de segurança, um clima agradável e uma paisagem única, com especial destaque para o parque Natural de Montesinho, um património histórico muito rico, com um Castelo bem preservados e a Domus Municipalis, exemplar único na Península Ibérica, um sistema de ensino de elevada qualidade, desde o ensino básico ao superior, com o Instituto Politécnico de Bragança a ocupar o top 10 europeu”. Assim, é de todo essencial que se consiga atrair para este concelho a população necessária para continuar a fazer de Bragança um player de relego a nível nacional e, mesmo, europeu.

ENSINO SUPERIOR EM BRAGANÇA
Questionado sobre a importância do Ensino Superior em Bragança, Hernâni Dias afirma que a presença do Instituto Politécnico de Bragança no concelho é de extrema importância. “Sendo uma instituição com cerca de sete mil alunos, o impacto é enorme, tanto a nível económico, como a outros níveis, nomeadamente turísticos, dada a diversidade da origem dos alunos que frequentam o Instituto, que funcionam como verdadeiros embaixadores da Cidade”. Posicionado nos lugares cimeiros dos rankings de classificação nacional e europeus é, também, uma mais-valia para a cidade, para a região e para a própria autarquia, traduzindo-se essa importância nas parcerias estabelecidas entre o IPB, a comunidade local e a autarquia”. Existem, efetivamente, alguns projetos comuns entre a autarquia e o IPB, como é o caso do Brigantia Ecopark, um Parque de Ciência e Tecnologia que está neste momento em fase final de construção e que está vocacionado para recebei empresas de base tecnológica com baixo impacto ambiental. O investimento de cerca de nove milhões de euros foi abraçado pelas duas entidades e servirá como motor de desenvolvimento de toda a região.
No fundo, e como facilmente podemos perceber, o IPB é um dinamizador da economia local, quer pelos alunos que atrai, quer pelas parcerias que cria com o tecido empresarial e pelo apoio que dá aos pequenos produtores, através da transferência de conhecimento.
Mas nem só o tecido empresarial é alimentado pelo ensino superior. Por forma a “dinamizarmos o centro histórico de Bragança, construímos residências universitárias, que, através de protocolo cedemos ao IPB, para acolher alunos dos PALOP. Assim, temos já dois edifícios transformados em residências e estamos, neste momento, a construir uma terceira. Reconhecemos, nesta e em outras parcerias, a importância do Politécnico de Bragança e iremos continuar a trabalhar para preservar esta cooperação entre ambas as entidades porque a consideramos benéfica e essencial para o desenvolvimento do concelho e da região”.
Ainda assim, existem desafios e o grande passo agora é conseguir captar e, sobretudo, fixai jovens em Bragança. As perspetivas são boas: “Estamos com alguns projetos em mãos que poderão resultar na concretização deste grande objetivo, criando variados postos de trabalho e, muitos deles, com necessidade de mão-de-obra qualificada, o que acaba por ser uma mais-valia para o concelho e para o IPB, que poderá organizar a sua formação em função daquilo que a região realmente necessita”.
A grande oportunidade para a região surge agora, com o novo quadro comunitário que, na sua maioria, é voltado para a inovação, o empreendedorismo e a capacitação de empresas, estando o edil solenemente convencido que esta será a grande oportunidade para Bragança. “Este quadro comunitário, juntamente com as medidas de incentivo ao investimento levadas a cabo pela autarquia – disponibilizando espaços em Zona Industrial a 4 euros o metro quadrado, podendo este valor baixar para apenas 1 euro, se criados 20 postos de trabalho, que serão essenciais para trazer investimento para Bragança. Estamos localizados num ponto geoestratégico fulcral e as empresas começam já a encarar isso como fator diferenciador e de competitividade. O caminho é, sem dúvida, o do crescimento e de desenvolvimento”, afirma Hernâni Dias. Uma oportunidade única para que Bragança se volte cada vez mais para o futuro e se assuma no panorama nacional.

Mirandela: Futuro sustentável

 Mirandela é a princesa do Tua, caraterizada por uma paisagem e produtos ímpares que tem vindo, nos últimos anos, a apostar no desenvolvimento e no futuro. Em entrevista ao País Positivo, António Branco, falou-nos das estratégias planeadas e das principais apostas da autarquia.
Mirandela é concelho da região interior norte caracterizada pela sua paisagem e produtos endógenos. Uma cidade singular que se liga, em muita medida, com o no Tua e se marca pela centralidade.
Sendo um concelho bastante atrativo, consegue captar um largo número de visitantes de uma forma continua e, neste sentido, tem vindo a implementar um conjunto de iniciativas que permitem dar resposta a estas necessidades.
Em discurso direto, António Branco fala sobre o futuro deste concelho com uma identidade única.

Mirandela é um concelho que, ao longo dos anos, se tem desenvolvido e crescido, sustentadamente…
Nesta regigão já não falamos em crescer. Na região do interior não diminuir já é crescer e é verdade qeu temos perdido alguma população nas zonas rurais, mas a cidade tem conseguido manter o seu crescimento. Temos sentido uma grande renovação do ponto de vista do tecido empresarial, social e cultural e, principalmente no campo desportivo. Neste sentido, Mirandela é uma cidade que pauta por um conjunto de ofertas que, na região, são também exemplares. E que proporcionam aos habitantes uma qualidade de vida invejável.

Mirandela é também um concelho que aposta forte na educação. Qual é o impacto do ensino superior em Mirandela?
O ensino superior é uma estratégia que tem vindo a ser desenvolvida ao longo dos anos, que assentou, numa primeira fase, não só numa instituição de ensino público, mas também numa instituição de ensino particular. E estas instituições fixaram-se em Mirandela porque tentamos captar para o concelho um conjunto de valências que dotassem o concelho de massa crítica e desenvolvimento, inovação e um conjunto de suportes ao tecido empresarial local. Sentimos que isso acontecia em Bragança, através da presença do IPB, e portanto era essencial que Mirandela possuísse um polo que, de alguma forma, pudesse dinamizar o tecido empresarial, mas que tivesse também um identidade própria. Felizmente, hoje, isso já acontece e conseguimos ter, aqui, cerca de mil alunos o que representa um salto qualitativo muito grande.

E sendo que Mirandela se assume como ponto turístico de referência, ter no concelho um centro de investigação de comunicação e turismo é algo notável.
Diria mesmo fundamental. Acredito que tornar o polo do IPB em Mirandela voltado para as áreas da comunicação, administração e turismo foi essencial para o sucesso do mesmo. Se mão tem existido esta orientação no passado, incorríamos no risco de duplicarmos custo e ofertas, não apostando na especialização que é essencial. Com a construção das novas instalações da EsACT poderemos esperar ainda mais já que novas valências vão ser desenvolvidas. Se hoje, com as instalações débeis que a escola possui consegue-se já fazer tanto, oferecendo formação em áreas como o marketing, a multimédia e a administração pública – de salientar que inclusive a escola conseguiu já a aprovação do Mestrado em Administração Pública – imagine-se o que poderá fazer com instalações condignas e equipamentos de topo. Esta qualidade que caracteriza a escola significa que está, neste momento, capaz e dar mais um salto, lidando de perto com a sociedade civil, com o tecido empresarial e social, e ser uma escola que não se fecha, tendo uma influência local bastante importante. Mas não nos podemos esquecer que o ensino superior é um projeto consertado. Uma cidade como Mirandela, para se conseguir desenvolver do ponto de vista urbanístico e do seu tecido empresarial, necessita de ensino superior e, portanto, esta foi uma aposta que fizemos no dia em que optamos construir as instalações em Mirandela. Não nos arrependemos desta decisão e continuamos a considerar que este é o melhor investimento que podíamos ter feito para o desenvolvimento sustentado do concelho.

E esta é também uma forma de criar uma rede de conhecimento e desenvolvimento?
Existiu sempre uma ligação muito forte entre o concelho, e a própria região, e o IPB. Hoje, não olhamos para o ensino superior como apenas uma instituição de formação de jovens, mas sim como um parceiro essencial para os projetos de desenvolvimento local e regional. Aliás, dentro da própria comunidade intermunicipal, o IPB é encarado como o principal parceiro para as áreas de marketing, industrialização e inovação. Ao mesmo tempo que capacitamos esta instituição, estamos também a criar postos de trabalho, a fixar população e a garantir que o tecido empresarial fica mais qualificado e competitivo. E é precisamente este ponto que é fulcral para nós. Hoje, temos uma qualidade ao nível da administração pública invejável e isso deve-se à atuação da EsACT, mas também verificamos que empresas que outrora pouca noção tinham de marketing começam também a apostar na imagem e na promoção. Também podemos dizer que grande parte dos técnicos de turismo da Câmara Municipal de Mirandela foram formados na EsACT e, portanto, esta escola é, sem dúvida, o ceículo de qualificação, técnica e humana, da própria região. Ainda assim, estamos também a desenvolver a ligação da escola com o ensino profissional. Temos três escolas de ensino profissional que estão também orientadas para alimentar o ensino superior em Mirandela. Ou seja, a ideia passa por ter uma estratégia integrada de formação e qualificação de jovens que permita, por um lado, terem saídas profissionais na região e, por outro, captar jovens.

E é importante perceber que, aqui, existem verdadeiras oportunidades…

Por vezes somo confundidos com uma região do interior, isolada, mas hoje em dia a realidade é bem diferente. As pessoas que contrariam a tendência e abdicam do litoral pelo interior percebem que aqui existe a mesma oferta, as mesma oportunidades, mas uma qualidade superior. Neste momento, o nosso grande desafio é garantir maior empregabilidade. Neste sentido, a autarquia criou um gabinete de apoio às empresas e ao empreendedor, sendo o IPB um dos grandes parceiros, que garante que os jovens que acabem a sua formação e pretendam investir no concelho tenham apoio na componente mais técnica e em temos de acolhimento.

O futuro está assente em estratégias bem definidas?
Sim, agora é necessário aproveitar as oportunidades que surgem e não estarmos à espera que alguém faça as coisas por nós. Reforço, mais uma vez, a ligação entre a autarquia , a EsACT e o IPB e é esta ligação e este trabalho conjunto que permite ultrapassar problemas e superar desafios. Assim, é de extrema importância que se limem arestas e se afinem estratégias conjuntas para que possamos alavancar Mirandela e toda a região de Trás-os-Montes.

Publicado em ‘País Positivo‘ nº 80.

Crato promete reforço de cursos profissionais e bolsas para captar jovens

O Ministério da Educação vai reforçar a oferta dos programas de cursos técnicos superiores profissionais e bolsas de estudo nos institutos politécnicos “para atrair mais alunos para o interior do país, pois são uma forma de alargamento do público destas instituições”, anunciou o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, durante uma deslocação ao Instituto Politécnico de Bragança (IPB), onde participou nas comemorações do 32º aniversário.
“Temos mais de 400 candidaturas a cursos, o que significa que vamos ter muitos estudantes interessados”, afirmou Nuno Crato, que quer uma “formação mais prática com forte ligação ao tecido empresarial”. Por exemplo o IPB apresentou 29 propostas destes cursos, duas das quais já foram aprovadas.
Outra medida para atrair estudantes para o interior são as bolsas de estudo, do programa Mais Superior, para os politécnicos mais distantes das grandes cidades, onde se verifica uma redução demográfica, que se iniciou este ano letivo, e que no caso de Bragança permitiu o ingresso de 109 alunos que aproveitaram esses benefícios (mil euros anuais) num total de mil estudantes a nível nacional. “É um incentivo que de certeza ajudou a tomar a decisão de vir para o interior. Contribuiu para a coesão territorial e para a fixação de jovens qualificados nestas regiões”, sublinhou o ministro que garantiu haver interesse em melhor o Mais Superior. “Para que os jovens possam considerar novas alternativas em zonas mais calmas e propícias ao estudo do que as grandes cidades”.
O presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Joaquim Mourato, quer algumas mudanças neste programa. “A eficácia ainda não nos satisfaz. Não conseguiu captar os estudantes que devia, porque os critérios não foram os melhores, pois foi aplicado a estudantes que já estavam nas instituições”. Uma opinião pelo presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, que defende que o programa deve ser mais adaptado à oferta das instituições e que sejam estas a dizer quais os cursos onde deve existir oferta para bolsas. “Será naqueles que têm menos procura”, afirmou.
Nuno Crato realçou que os politécnicos têm de se impor pela sua qualidade e diversidade de oferta.
Sobrinho Teixeira, considera que “é preciso apostar na qualificação dos mais jovens”, e defende alterações no sistema de atribuição destas bolsas de estudo, para o melhorar, nomeadamente para atrair os estudantes para cursos menos procurados. “Já estamos a dialogar com o Ministério”, referiu.
Este ano lectivo 37% dos alunos que ingressaram no ensino superior escolheram para estudar institutos politécnicos, mais de 600 matricularam-se no IPB. “Mais de 15 mil jovens sabem que os cursos que vão tirar nestas instituições, como a de Bragança, beneficiarão os seus projetos profissionais. A aposta nos politécnicos é uma aposta certa”, afirmou Nuno Crato. Realçou também o papel dos politécnicos na formação inicial de professores que defende deve existir “um empenho na exigência e no rigor”. Outra aposta vai para o aumento da oferta formativa em inglês para atrair estudantes estrangeiros. No IPB este ano estudam cerca de 1200 alunos oriundos de cerca de meia centena de nacionalidades.

Publicado em ‘Mensageiro ‘.

Bragança recebe 1200 alunos estrangeiros

Sociedade das nações
Chegam da China, do Peru, da Síria ou do Senegal. O Instituto Politécnico de Bragança apostou forte na captação de alunos estrangeiros – este ano receberá l 200, de 25 países diferentes

 Descontraído, de andar gingão, Hebert Camilo responde com um sorriso à admiração de Olga Padrão, secretária da direção do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), por andar de chinelos de enfiar o dedo num dia chuvoso e frio. Além do acentuado sotaque de Minas Gerais, o jovem de 21 anos, chegado em setembro ao nordeste transmontano, veio equipado com roupa leve, pouco apropriada para o rigoroso inverno que se aproxima. «Tem problema, não», garante.
Apesar das dificuldades com o termóstato, o jovem estudante do 3.° ano de Engenharia Agronómica está a adorar a experiência portuguesa. De tal forma que, dois meses após a chegada a Bragança, já começou a tratar das burocracias para prolongar a estadia inicialmente prevista para um semestre, mas que ele agora quer estender a dois. «A cidade é pequena mas recebe bem a ‘gente’ e estou gostando muito da experiência. O Instituto está bem equipado e as aulas são muito interessantes», adianta, em jeito de justificação. Hebert chegou a Bragança ao abrigo de um protocolo com o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais. No seu caso, o programa de intercâmbio prevê que o IPB se responsabilize pelo alojamento e refeições, enquanto a sua universidade de origem lhe assegurou as passagens aéreas e uma bolsa de três mil euros por semestre.
O jovem mineiro é apenas um dos 650 alunos estrangeiros – num universo de cerca de seis mil estudantes – que atualmente frequentam o IPB. Números que pecam ainda por defeito uma vez que há muitos inscritos ainda à espera de visto para fixar residência em Trás-os-Montes – os casos mais complicados têm sido os de alunos provenientes de países africanos que foram afetados pela epidemia de ébola, como a Libéria e a Serra Leoa, o que fez complicar as burocracias. Além disso, tal como sucedeu em anos anteriores, e a avaliar pelas inscrições já efetuadas e os processos em fase de aceitação, é de esperar que no segundo semestre o número de alunos chegue aos 1200 (mais 300 que no ano passado). Números impressionantes, numa cidade com pouco mais de 23 mil habitantes e onde, segundo um estudo recente encomendado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, o peso desta instituição na economia local é superior a 11 por cento do Produto Interno Bruto – o valor mais elevado do País.

Bragança lidera o ‘ranking’ dos politécnicos e cobra as propinas mais baixas do País
O IPB está atualmente no ranking das dez melhores instituições de ensino superior a nível nacional – o primeiro entre os politécnicos – e, em boa medida, isso também contribui para facilitar a captação de alunos através de convénios com instituições espalhadas pelo mundo fora. Além dos que chegam ao abrigo do programa Erasmus, provenientes da União Europeia, o maior contingente vem de paragens tão diversas como o Turquemenistão, China, Timor-Leste, Paquistão, Síria, México ou Peru, só para referir alguns dos mais distantes dos 25 países ali representados. Para o sucesso dessas «formas pró-ativas ou menos ortodoxas», na expressão do vice-presidente Luís Pais, contribuem ainda as propinas mais baixas (755 euros, para estudantes de licenciatura nacionais, e 1100, para os internacionais) e o facto de haver já vários cursos lecionados exclusivamente em inglês.

Hospitalidade transmontana

Exemplo sólido de uma integração feliz é o de Auro dos Santos. O cabo-verdiano, de 24 anos, chegou a Bragança em 2009 e diz que se sente em casa, «tal como todos os alunos africanos», os maiores contribuintes da larga comunidade estrangeira do IPB. A Associação de Estudantes Africanos representa peno de 400 alunos, a maioria deles de Cabo Verde, mas também muitos são-tomenses e angolanos. Sentindo-se em casa, já criaram uma equipa de futebol que alinha nos distritais de Bragança, uma equipa de futsal feminina, um grupo de dança, um conjunto musical (AfroBanda) e, para breve, prometem um grupo de teatro. Além disso, explica Auro, que preside à associação, «ajudamos muitos alunos a tratar de toda a burocracia para aqui chegar». A terminar o mestrado em Tecnologia Biomédica, depois de ter completado a licenciatura, vê aproximar-se a passos largos a hora de regressar a Cabo Verde e já começa a sentir saudades. «A minha adaptação foi cinco estrelas, nunca tive problemas e, se é verdade que quero ajudar ao desenvolvimento do meu país, também é certo que Bragança vai ficar sempre no meu coração.»
Tal como Auro dos Santos, também os habitantes da cidade se afeiçoaram e habituaram já à presença dos alunos estrangeiros. A chegada de sangue-novo estava a fazer falta, para dinamizar o comércio da cidade. Aos 75 anos, Vitalino Miranda e a mulher, Maria de Lurdes, mantêm a pequena mercearia, com quase meio século, de portas abertas, apenas porque funciona no rés-do-chão da sua casa e não pagam renda. «O centro histórico hoje está quase deserto. Levaram daqui os serviços e as pessoas começaram também a sair porque as casas estão velhas… e as que foram arranjadas têm rendas muito caras», considera Vitalino. Hoje, são os jovens da renovada residência universitária os poucos clientes que têm. «Nós queremos é vê-los cá, e que levem umas comprinhas. Mas a gente sabe que eles também não trazem dinheiro à larga e são muito regrados. Perguntam sempre pelo preço antes de levar alguma coisa… não é verdade?», atira. para Alexandre Ximenes, um jovem timorense de 19 anos, mais fluente em inglês do que em português, que consente com um sorriso envergonhado. Acabou de chegar a Bragança, para iniciar a licenciatura em Engenharia Informática, com uma bolsa de estudo concedida pelo Institut of Business de Díli, com quem o IPB tem uma parceria, e também ele está fascinado com a cidade. «As pessoas são muito simpáticas», arrisca, num português razoável, ao lado de Peltier Aguiar, um angolano de 26 anos, estudante de Agroecologia e que vive com ele na residencial Domus. É o africano que hoje faz de cicerone, acompanhando o timorense às compras. «Quando precisamos de alguma coisa vimos aqui à mercearia ou então vamos à loja do senhor Valdemar. Mesmo que tenha a porta fechada, basta tocar à campainha que ele atende-nos a qualquer hora», explica.
Gil Gonçalves, um dos atarefados elementos do Gabinete de Relações Internacionais, encarregue dos processos burocráticos dos alunos estrangeiros, não se mostra surpreendido com a boa reação dos habitantes. «Somos transmontanos, é a nossa forma de ser. Aqui, primeiro mandamos entrar; só depois perguntamos quem é.»

Publicado em ‘Visão’ nº1133, 20 a 26 novembro 2014.

Politécnico de Bragança aposta na formação na fileira oleícola

A atividade cientifica da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança (ESA/IBP) na fileira oleícola “tem vindo a aumentar significativamente” nos últimos anos, quer pela qualificação do corpo docente, quer pela “‘melhoria dos meios materiais”, quer, ainda, pela “participação dos docentes” em projetos e redes de investigação mais vastas, garante o presidente da ESA/IPB, Albino Bento. Estão, aliás, “em curso 11 projetos de investigação e desenvolvimento”, sendo de destacar os programas PTDC (FCT), PRODER, POCTEP e Conselho Oleícola Internacional, projetos esses que cobrem “toda a fileira”.
Em declarações à Vida Económica/Agronews, Albino Bento ainda explica que, neste âmbito do setor do azeite, a ESA/IPB também tem desenvolvido “inúmeras ações ligadas ao ensino, investigação e apoio à comunidade”, nomeadamente em parceria com o Instituto Superior de Agronomia da UTL, com o qual lecionaram o mestrado em Olivicultura, Azeite e Azeitona de Mesa.
De igual modo, acrescenta Albino Bento, em parceria com a Universidad Politécnica de Madrid, a Universidade Florença e a Universidade de Ghant, a ESA/IPB desenvolveram e lecionaram o ‘intensive programm’ “Advanced Topics in Integrated Pest Management”, no âmbito do qual “‘foram concluídas 16 dissertações de mestrado e oito teses de doutoramento por docentes ou estudantes da ESA/IPB”.
Ainda no domínio da atividade cientifica e de investigação na fileira da oliveira, Albino Bento realça que “é relevante no respeitante ao número de trabalhos publicados em revistas internacionais e nacionais com ‘referee’, em ‘proceedings’, atas de reuniões cientificas e congressos (12 livros e capítulos em livros, 80 artigos em revistas internacionais com ‘referre’, 20 artigos em revistas nacionais com ‘referre’, 36 artigos em atas de congressos internacionais, 38 artigos em atas de congressos nacionais e 22 documentos de divulgação técnica).
Por fim, o presidente da ESA/IPB faz ainda questão de realçar o “apoio à comunidade'” prestado pela Escola que dirige, com “várias atividades desenvolvidas”‘, nomeadamente no apoio técnico e estudos (aproveitamento hidroagrícola do Planalto Noroeste de Mirandela, DOP Douro, DOP Azeitona de mesa, etc.), análises laboratoriais e a realização de eventos técnico- científicos.

Publicado em ‘VidaEconomica‘.