Recursos hídricos e geológicos são um potencial de riqueza à espera de investimento

Trás-os-Montes é uma região rica em recursos geológicos, com jazidas de minerais importantes no contexto nacional, sobretudo de ferro e lítio, porém falta dar um passo definitivo para a sua exploração. “Não depende só dos agentes locais mas de uma estratégia nacional e europeia”, explicou Carlos Balsa, engenheiro de Minas e docente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), à margem da primeira edição das Jornadas “Recursos Hídricos e Geológicos de Trás-os-Montes”, que tiveram lugar na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, na passada quinta-feira. Este investigador considera “que não tem sido prioritária” a exploração daqueles recursos desde a integração de
Portugal na Comunidade Europeia. “Não basta ter potencialidades, é preciso uma estratégica económica”, sublinhou. Também Machado Leite, membro do Conselho Diretivo do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, defende que a exploração dos recursos tem que ser económica,
ou seja sustentável. “ No passado eram sustentáveis as de pequena dimensão, para mercados mais próximos. A viabilidade
conseguia-se de uma forma mais fácil. Hoje a exploração dos recursos naturais é desenvolvida no âmbito generalizado e globalizado, as condições que levam à viabilidade económica são mais complicadas, porque necessitam de dimensão, tecnologias novas, com custos novos no contexto da Europa e no contexto ambiental. Se a viabilidade económica não for conseguida
os recursos não podem ser valorizados”, esclareceu Machado Leite.

Lítio e Ferro são dos maiores potenciais

Vivemos na região do país com mais recursos de lítio, principalmente em Montalegre, cujo interesse tem aumentado nos últimos anos. Para já está tudo num impasse.
“Este mineral é muito importante devido à mobilidade eléctrica dos carros. Estamos numa fase de mudança do tipo de locomoção baseada em derivados de petróleo, para a derivada a eletricidade
com recurso a baterias de iões de lítio”, observou Carlos Balsa.
O lítio já foi prospetado e foram identificadas “grandes ocorrências” em Trás-os-Montes, em Montalegre, Alijó e Barca D’Alva, mas continua “em vias” de ser explorado. A importância das jazidas de ferro de Torre de Moncorvo é mais do que conhecida. “Teve uma grande procura por parte da China na década passada, em termos de aço, o que fez subir o preço do ferro e em consequência as reservas de Trás-os-Montes foram de novo procuradas, pesquisadas e prospectadas”, acrescentou o docente do IPB. Já Machado Leite defendeu que esta reserva de ferro “foi escassamente explorada”, sublinhando que na sua opinião “só o foi em domínios experimentais, pois nunca entrou em produção efetiva”. Para retomar a exploração tem que ser uma extração competitiva numa escala mundial ou pelo menos europeia na chamada siderurgia, pois aquele minério de ferro destina-se à produção de aço. Deteta ainda outro problema, relacionado com a localização das jazidas, devido à dificuldade de transporte do minério. “Para valorizar mais o ferro em termos de outros produtos seria necessário trazer outras matérias primas para Moncorvo, para fazer a transformação.
Se dali saísse um produto siderúrgico desenvolvido, mais sofisticado, obrigava ao uso de outras matérias-primas vindas de fora. Um dos problemas tem a ver com a logística. É um processo de grande dimensão, não se pode fazer uma pequena
mina. Tinha de ser de dimensão considerável”, sustentou Machado Leite.
Livro sintetiza a riqueza da região
Durante as Jornadas “Recursos Hídricos e Geológicos de Trás-os-Montes” foi apresentado o livro “Recursos geológicos de Trás-os-Montes- Passado, presente e perspetivas futuras”, que recolhe depoimentos de profissionais e investigadores, nomeadamente do anterior presidente do IPB, João Sobrinho Teixeira, atualmente Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia
e Ensino Superior. “Fazia falta um documento que fizesse a divulgação de uma forma acessível dos principais recursos geológicos da nossa região. Com este livro tentamos colmatar, um pouco, essa carência. Juntamos a informação dispersa num só documento de forma a promover os principais recursos da região”, explicou Carlos Balsa.
A publicação destaca também aos recursos hidrominerais, que são as águas termais, “que correm com bastante abundância”
devido às duas falhas geológicas, como a da Vilariça e de Vila Real-Verin-Régua. “Estes debates são importantes para divulgar e para sensibilizar os empresários para as potencialidades. Este livro sensibiliza as pessoas para as potencialidades dos recursos e para a importância económica que poderão vir a ter, porque já tiveram no passado, pois alguns vêm sendo explorados desde a época romana”, afirmou o investigador.
A exploração das termas está a ressurgir e muitas têm sido valorizadas, em vários casos por iniciativa dos municípios. O docente considera que a região tem muito potencial ao nível das águas termais e minerais, já comprovado com os exemplos da
Câmara de Vimioso que explora termas da Terrenha, e os do Grupo Super Bock que está com as termas das Pedras Salgadas.
A exploração mineira marcou a região e muitos concelhos, não só em termos económicos mas, sobretudo, demográficos.
“Houve populações que triplicaram nessa época. Houve um certo desafogo financeiro que é muito importante. Os mais velhos não têm uma opinião negativa das minas, essa negatividade tem origem em alguns problemas ambientais decorrentes, mas nessa altura as leis não eram tão exigentes como são hoje, em que uma exploração tem que respeitar as diretivas ambientais”, acrescentou Carlos Balsa.
O livro agora editado nasceu no âmbito dos Laboratórios de Participação Pública, que deram ainda origem “à Escola de Negócios de Macedo de Cavaleiros, a um TeSP (Curso Técnico Superior Especializado) na área da Música, em Mirandela; ao Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação, em Bragança, a um TeSP sobre Minas em Moncorvo”, enumerou o
Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Publicado por: http://www.mdb.pt/edicao/3723

Bragança e Cuanza Sul de mãos dadas em nome da ciência

Maria do Rosário Sambo esteve no Brigantia EcoPark quarta-feira

Politécnico brigantino quer ajudar a construir centro de investigação na província angolana, formar quadros e responder a problemas da agricultura da região

A ministra angolana do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Maria do Rosário Sambo, esteve em Bragança, a propósito da “Semana de Ciência Portugal-Angola”, para conhecer os centros de investigação criados pelo Instituto Politécnico de Bragança (IPB). A ideia é simples: transportar para o Instituto Superior Técnico do Cuanza Sul, uma província daquele país africano, um centro que dê resposta aos problemas que a agricultura atravessa nesse território e forme investigadores científicos. “Este projecto é animador por causa da capacitação de recursos humanos que é um grande handicap que nós temos”, explicou Maria do Rosário Sambo. Para a ministra, em Angola “falta a capacitação humana”, sobretudo no que respeita a estas áreas de estudo científico e reforçou assim que aqui se conseguiu ver “a realidade do ensino politécnico”. Este Centro de Investigação em Agricultura Sustentável irá nascer sob o olhar do Centro de Investigação de Montanha (CIMO), do IPB, pois vai-se instalar numa região com um “potencial agrícola muito grande” mas que “necessita de suporte científico para as necessidades que se têm apresentado”, daí querer basear-se e suportar-se no que o centro brigantino faz, frisou o presidente da instituição de ensino angolana. “Temos problemas com viroses no caso da banana, no tomate e nos citrinos. A capacidade, em termos de recursos humanos, que a nossa instituição possui não consegue responder às necessidades”, elucidou Manuel Spínola.
A directora do CIMO, Isabel Ferreira, deixou claro que, como já havia uma “cooperação muito grande com o Instituto Superior Técnico do Cuanza Sul, surgiu esse desafio” e que seria do interesse do politécnico de Bragança “ajudar a desenvolver um centro de investigação ligado à agricultura sustentável que tivesse, eventualmente, pólos em diferentes pontos de Angola”.
A investigadora acredita que para o IPB “é muito importante esse reconhecimento internacional” e defende que ganharão “na formação conjunta de alunos e depois na exportação de ciência”. “É aquilo que nós fazemos hoje, exportamos ciência e cientistas”, disse. Quem também acompanhou a visita foi o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal. Sobrinho Teixeira reforçou que a perspectiva, por um lado, é “olhar para o mundo da lusofonia e evolui-lo e fazê-lo crescer” para ter cada vez mais um “ensino superior e qualificação de população que fala português com mais expressão”. Por outro lado, “é criar, de facto, conhecimento, nestes países e, neste caso, em Angola”. “Iremos sobretudo apoiar a criação de emprego científico e a qualificação de pessoas lá”, explicou.
Para já, ainda não se sabe quanto poderá custar este
centro a desenvolver em Angola nem quanto caberá pagar a cada país, até porque o país africano ainda não tem um fundo que promova e finacie este tipo de projectos. Apesar disso, as partes mostraram-se satisfeitas com o projecto que, na fase de instalação, prêve levar cientistas portugueses para o Cuanza Sul e, posteriormente, após formar os quadros, serem os angolanos a dinamizá-lo.

Publicado por: http://jornalnordeste.com/capas/edicao-1167

Strengthening Ties with Foreign Colleagues

On the 27thof February Professor Miguel Jose Rodrigues Vilas-Boas, Director of the School of Agriculture and Professor Luis de Sousa Costa, representatives of the Polytechnic Institute of Braganca (Portugal), visited our university. Professor Costa, former graduate of our university, visited his alma mater again, while Professor Vilas-Boas visited Russia for the first time. The visit’s objective was to discuss the issues of mutually beneficial international cooperation between our educational institutions. Business negotiations between our guests and the KubSAU management, including Aleksey Petukh, Vice-Rector on Education and Tatiana Polutina, Vice-Rector on International and Youth Policy, took place on the first day of their visit. The meeting was attended by deans of agriculture-related departments, honorary professors and young scientists of our university. For instance, they discussed technologies of agricultural activities in the regions of Portugal and Krasnodar Territory. They also raised issues of organizing student long-term academic exchanges and developing programs of short-term internships for students and lecturers of partner educational institutions in various fields of education. A special attention was paid to the implementation of parallel education program, current research areas in our educational institutions and planning of joint researches and joint publications within the framework of SCOPUS and WEBofSCIENCE. After a productive discussion the guests attended meetings at the Preparatory Department of our university and the Biotechnology Research Center. Next day the foreign scientists have conducted lectures for the students of Agronomy and Ecology Departments and Zootechnics Department. During the remaining part of their visit professors are planning to visit Krasnodarskoye and Kuban experimentary agro-enterprises, Abrau-Durso Public Company enterprise as well as Krasnodar sightseeing tours.

Publicado por: Kuban State Agarian University

Ex-Aluno do IPB Jorge Alves foi eleito «Enólogo do Ano»

Recentemente também foi galardoado com o prémio «Produtor do Ano de Vinhos» pela «Revista de Vinhos»

Jorge Alves foi eleito «Enólogo do Ano» de 2018 pela Revista «Vinho Grandes Escolhas». O enólogo é natural de Mirandela e é licenciado em Agronomia, pela Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança.
Para Jorge Alves é uma distinção que o deixa orgulhoso, resultado de uma carreira de 25 anos, com marcas de vinho com uma grande notoriedade no mercado.
“Esta distinção significa muita coisa porque é um prémio muito cobiçado pelos enólogos portugueses, ainda por cima o sector está com um crescimento enorme tanto em Portugal como no estrangeiro. Na parte técnica os enólogos estão sempre a fazer o melhor que podem para alcançar esta distinção. Para mim significa muito, são 25 anos de trabalho e o facto de termos feito durante este tempo alguns bons vinhos e com consistência e estar em projectos de notoriedade, permitiram chegar a este prémio”,
O agora «Enólogo do Ano» sempre trabalhou com vinhos do Douro, apesar de também ter trabalhado com vinhos Dão, Alentejo e Verdes. “Mas muito focado na região demarcada do Douro, em vinhos DOP e vinhos do Porto. Depois, trabalho também para empresas que têm projectos fora do Douro, que por obrigação acabei por acumular esses trabalhos de enologia”, acrescentou Jorge Alves. Recentemente também foi galardoado com outro prémio «Produtor do Ano de Vinhos» pela «Revista de Vinhos», com o projecto «Quanta Terra».
Jorge Alves, de 45 anos, começou o seu percurso profissional
na Adega Cooperativa de Alijó, Espumantes Vértices, Quinta do Portal e Quinta Nova da Nossa Senhora do Carmo. Também o IPB, em nota de imprensa, se congratula com o prémio atribuído a Jorge Alves, o que “muito orgulha a academia transmontana”.

Publicado por: “Jornal Nordeste”

APPITAD prepara plano de mitigação das alterações climáticas

A Associação dos Produtores em Proteção Integrada de Trás-Os-Montes e Alto Douro pretende ter pronto, em 2021, um plano estratégico de mitigação das alterações climáticas no olival.
Nesse sentido, foi criado, o ano passado, um grupo operacional
constituído pela APPITAD, a UTAD, o IPB e outros parceiros, que está a trabalhar no sentido de elaborar uma manual de boas práticas em olivais de sequeiro, predominante nesta região transmontana. Na passada terça-feira, foram avançados alguns dos resultados do primeiro ano de investigações, durante um seminário que decorreu, em
Mirandela. Hoje em dia parece não haver qualquer dúvida que os tempos estão a mudar e as alterações climáticas estão visíveis até na olivicultura. “Estamos no fim de janeiro e as primeiras geadas só começaram no início do mês. Tivemos um mês de novembro bastante quente e logo aí notamos que o frio vem muito mais tarde e que há pouca água. Os agricultores cada vez mais antecipam a colheita, temos maturações mais precoces e isto tem claramente a ver com as alterações climáticas”, diz Francisco Pavão, o presidente da APPITAD. Perante esta realidade, a APPITAD decidiu reunir um conjunto de parceiros com o intuito de criar um grupo operacional para “conseguir encontrar formas de ultrapassar os problemas causados pelas alterações climáticas, para que seja salvaguardada a produção e a qualidade do azeite”, acrescenta o dirigente. O problema da falta de chuva é o que causa maior dor de cabeça. Há pouca no Verão, o que significa que temos de ser cada vez mais eficientes naquilo que fazemos no olival de sequeiro, já que se não conseguimos ganhar, pelo menos não podemos perder produtividade e competitividade”, refere Manuel Ângelo Rodrigues, do Centro de Investigação de Montanha do IPB. Depois de um ano de trabalho, o grupo operacional está focado na gestão do solo.
“Quer utilizando novos produtos chamados condicionadores, quer usando as técnicas corretas de fertilização tradicionais. Também recomendamos podas ajustadas à realidade atual, ou seja, estamos a olhar para o olival de sequeiro e conseguir um pacote de recomendações que estejam já cientificamente comprovados de que resultam para que os agricultores as possam aplicar e possam tirar as mais-valias”, adianta o investigador do IPB. E este é um trabalho que merece rasgados elogios da diretora regional de agricultura e pescas do Norte. “Estou certa que esta iniciativa, que envolve vários parceiros, vai trazer para a produção melhores resultados, porque vão beber conhecimento que precisam para a sua actividade”, afirma Carla Alves. Este pacote de recomendações para as boas práticas em olival de sequeiro, por forma a mitigar o impacto das alterações climáticas, deve estar pronto em 2021. Este seminário foi integrado no âmbito da programação do Festival de Sabores do Azeite Novo que tem uma série de ações a realizar ao longo de todo o ano.

Publicado por: Mensageiro de Bragança

Flor do castanheiro usada para substituir conservantes artificiais no vinho

A flor do castanheiro foi aproveitada para criar um substituto dos sulfitos, usados para evitar o desenvolvimento de microrganismos e ajudar a manter a cor original dos alimentos. O subproduto made in Instituto Politécnico de Bragança (IPB) já está a ser usado numa marca de vinho, produzido em Felgueiras (Porto). O novo produto, considerado inovador, foi patenteado pelo IPB. “Este projeto tem tido uma projeção muito grande. A ideia também foi extraordinariamente inovadora. A patente internacional já está aprovada e esperamos que tenha um potencial económico muito interessante”, explicou Isabel Ferreira, diretora do Centro de Investigação de Montanha (CIMO). O produto à base de flor de castanheiro está no mercado através de uma parceria com a Quinta da Palmirinha, em Felgueiras, um produtor que tem uma rede de clientes mundial.
“É um projeto que vem de há muitos anos. Está nesta fase em que a patente foi registada e o produto está no mercado”, revelou a responsável do CIMO. Têm sido mantidos contactos com outros produtores que manifestaram interesse na utilização do conservante natural.
“Os sulfitos têm muitos efeitos secundários associados e o produto criado a partir da flor de castanheiro é uma alternativa natural e sem toxicidade”, afirmou Isabel Ferreira. Ainda não está definido como será feita no futuro a produção do produto para comercialização regular. Até agora tem sido o CIMO a produzir os ingredientes incorporados no vinho.
“Não fizemos a transferência do ingrediente para o mercado até termos acautelado as questões de propriedade industrial, agora estamos a ponderar as possibilidades mais interessantes”, explicou a investigadora, que admitiu que é de interesse do CIMO que a utilização do produto fosse feita de forma mais disseminada. A produção pode passar pela
criação de uma strat-up ou de uma spin off. “Era bom que fossemos pioneiros a nível mundial na exploração da flor de castanheiro para estes efeitos. É inovador em todo o mundo. Tudo vai depender da aceitação no mercado”, acrescentou a investigadora.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

500 soutos em Vinhais infectados com a vespa das galhas dos castanheiros

A praga da vespa das galhas foi detectada em 500 soutos do concelho de Vinhais, este ano. O insecto surgiu em maior número o ano passado e esta primavera foram feitas as primeiras largadas do parasita no distrito.
Sabe-se agora que houve um aumento do número em relação a 2017, quando tinham sido detectadas cerca de 180 focos da vespa, como adiantou Albino Bento do Instituto Politécnico de Bragança e director do Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos: “Em Vinhais fizemos 52 largadas e 6 em Bragança. Para o ano, vamos fazer mais largadas mas o local onde vamos fazer esse trabalho ainda não está definido. Em Vinhais, temos identificados mais de 500 pontos.”
Segundo Albino Bento, em Itália demorou sete anos a controlar a praga. Os resultados não são imediatos, mas os investigadores verificaram que nos locais em que houve largadas o parasitóide se estabeleceu: “vamos ter que continuar a acompanhar a praga, consoante vai invadindo os soutos através da monitorização e dependendo da evolução da vespa das galhas, fazendo largadas consecutivas do parasitóide, o torymus sinensis. Este ano fizemos 52 largadas, provavelmente para o próximo ano vamos fazer cerca de 200, que vamos continuar a fazer nos próximos anos largos. A partir do momento, que o torymus sinensis se estabelece no local nunca mais saiu do local e assim que atingir determinadas taxas, cresce exponencialmente. Mas os agricultores têm de ser avisados que não podem realizar práticas culturais erradas.”
Dados revelados no III Simpósio Nacional da Castanha, que começou ontem no IPB, em que se ficou também a saber-se que nos últimos 10 anos, foram plantados em todo o país cerca de 10 mil hectares de novos soutos, o que significa um aumento de um terço em relação à área que existia há uma década. Números avançados por José Laranjo, presidente da Refcast, a Associação Portuguesa da Castanha: “indubitavelmente a área da castanha aumentou e está numa fase de aceleração do aumento da plantação. Nós temos actualmente cerca de 33 mil hectares e estima-se que estão a ser plantados mais de 200 mil castanheiros, o que significa que possam ser 20 mil hectares por ano, representando um terço daquilo que era a área”.
Trás-os-Montes é a principal região produtora de castanha, concentrado cerca de 85% da produção nacional. O crescimento tem encontrado, no entanto, um entrave: a falta de castanheiros pelo menos de boa qualidade: há uma dificuldade que é alimentar a fileira com castanheiros de qualidade para plantação, sendo este um dos grandes problemas e dificuldades. E por vezes as pessoas com ânsia de plantar não fazem as opções mais correctas e vão comprar as árvores fora do país, e temos já um exemplo que foi através desses castanheiros importados que foi realizada a introdução da vespa.”
O III Simpósio Nacional da Castanha decorre ao longo de três dias, durante os quais são apresentadas 33 comunicações, sobre vários temas: a vespa das galhas do castanheiro, outras pragas e doenças, a propagação do castanheiro, o sequestro de carbono e o sector agro-industrial.

Publicado por: “Rádio Brigantia”

Colmeias de Santa Maria são referência para estudo internacional

Elementos da equipa do projeto internacional Beeheal, um projeto de colaboração entre Portugal, Espanha, França e Israel, direcionado para a pesquisa da promoção da saúde das abelhas para uma agricultura sustentável, estiveram em santa Maria a conhecer as condições de apicultura na ilha.
Segundo Alice Pinto, do Instituto Politécnico de Bragança, Santa Maria é “um laboratório natural inigualável” muito importante para este estudo por “estar livre de doenças.” A investigadora referia que nesta pesquisa “estamos a comparar a evolução das doenças”. Este estudo acompanha a evolução de diversas colónias em situação de infestação de parasitas que estão a afetar as colónias de abelhas do mundo inteiro.
Alice Pinto ressalva que é necessário tirar partido do isolamento das abelhas em Santa Maria “é importante nós mantermos este santuário porque felizmente a varroa, que é o principal parasita das abelhas, nunca chegou cá e esperemos que não chegue”. A investigadora sublinha que esta condição pode potencializar uma nova janela de oportunidade “pode-se tirar partido desta condição que é rara no mundo, na Europa existem poucos locais, só em algumas ilhas e na Austrália é que não está identificada a presença deste parasita que trás muitas doenças associadas, para a criação de rainhas uma vez que as colonias de cá são saudáveis”.
Alice Pinto afirmava ainda que “apesar de a apicultura não estar desenvolvida nesta ilha, tem ótimas condições para isso.

Publicado por: “O Baluarte”

Luta biológica é a única esperança dos agricultores para travar progressão da vespa da galha do castanheiro

A vespa da galha do castanheiro está a progredir na região. Em Vinhais foram sinalizados 180 focos e no concelho de Bragança surgem novos vestígios de dia para dia.
Os produtores de castanha de Vinhais depositam grande esperança na luta biológica para travar a progressão da vespa da galha do castanheiro pois neste concelho já estão identificados 181 focos da praga em árvores adultas, podendo progredir rapidamente por ser uma área com umas vasta extensão de soutos. Em Bragança a situação é muito menos gravosa, com dois focos identificados, um em Espinhosela, onde existem quatro a cinco árvores infectadas, segundo Albino Bento, docente e investigador do Instituto Politécnico de Bragança. Entretanto, um segundo foco foi localizado em Parâmio, no passado fim-de-semana, sendo sinalizado pela junta de freguesia, cujo autarca, Nuno Diz, revelou que há vestígios em 6 a 7 castanheiros centenários. Vinhais iniciou luta biológica As primeiras largadas de parasitóides, em Vinhais, foram realizadas na passada quarta-feira em Edral, por ser a zona mais afetada do distrito. “Foi libertado um parasitóide específico que irá à procura da vespa da galha do castanheiro. O fulcral é fazer a largada com oportunidade, ou seja muito cedo quando as galhas ainda estão muito tenras porque depois ficam muito nidificadas e o parasitóide não tem capacidade para depositar os ovos no interior das larvas da vespa para as matar”, explicou Albino Bento.
Carlos Fernandes, produtor de Prada, aldeia da freguesia de Edral, tem algumas dezenas de castanheiros infetados
com a vespa. Está preocupado. “Dizem que sim, que o parasita resulta. Vamos lá ver. A praga apareceu no ano passado e tem aumentado”, referiu ao Mensageiro. Os castanheiros estão atualmente em estado fenológico para fazer a largada,
pois é nesta altura, de nascimento da folhagem, que aparecem as galhas infetadas. As árvores destinadas a madeira têm a praga em situação mais avançada. “A luta biológica já foi testada noutros países, como o Japão, nos anos 50 ou 60 e em Itália, desde 2005. Com resultados. Não há alternativa, mas esta técnica é demorada e dificilmente se conseguem resultados eficazes em menos de 5 ou 7 anos. No primeiro ano, a seguir a uma largada, teremos taxas de parasitismo a rondar 1% e depois vai crescendo, para 3%, 7% ou 8% “, acrescentou o docente. O IPB está a acompanhar a evolução da praga no Norte do país desde 2014, quando apareceu no Minho. Em 2015 instalaram ensaios em Sernancelhe e em 2017 os ensaios foram realizados em Vinhais. Em 2018 já se alargaram a Seia, onde já foram feitas 12 largadas. A vespa da galha do castanheiro tem vestígios em praticamente todo o país. “Em Bragança e Macedo de Cavaleiros há menos focos em árvores adultas. Em concelhos com pouca representatividade ao nível da castanha também não há vestígios, agora a região do Minho está toda atacada, a zona de Chaves e Padrela também, como Sernancelhe, Lamego, Trancoso, Guarda e Seia”, descreveu Albino Bento. Nos próximos dias vão ser realizadas 36 largadas em várias localidades. A vespa tem impacto ao nível da produção de castanha, no Minho já são visíveis as consequências, em algumas variedades, como a
amarela, com perdas entre 40 a 50%. “No primeiro ano a perda de produção é insignificante mas ao segundo ano pode chegar aos 5%, depois aumenta”, acrescentou. O autarca de Vinhais, Luís Fernandes, considera que as consequências da vespa poderão ser muito problemáticas ao nível da produção porque no concelho existe uma grande mancha de soutos, sendo a castanha um dos mais importantes rendimentos dos agricultores. Na quarta-feira foi realizada uma largada de parasitóides em Parâmio, a primeira. Nuno Diz, presidente da junta, espera que dê resultado e sirva para travar a progressão da vespa, cujo impacto pode ser muito penalizador para a produção de castanha na região. “A maior fonte de rendimento agrícola na zona do Parâmio é a castanha. Não sabemos se poderão aparecer mais focos de vespa esta primavera pois as folhas das árvores ainda estão a rebentar”, referiu Nuno Diz.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

“Terra Maronesa” quer viabilizar a vida nas aldeias da montanha

Projecto foi apresentado em Ribeira de Pena. O objectivo é usar esta espécie autóctone como motor económico e ambiental para fixar jovens, atrair turistas e prevenir incêndios.


O projecto “Terra Maronesa” foi apresentado esta quinta-feira em Ribeira de Pena, para ajudar a viabilizar a vida na montanha, usando esta espécie autóctone como motor económico e ambiental para fixar jovens, atrair turistas e prevenir incêndios.
Avelino Rego, de 34 anos, encaminhou as vacas maronesas para um lameiro da aldeia de Lamas, em Alvadia, concelho de Ribeira de Pena, mesmo no alto da serra do Alvão. Entre o verde dos pastos e o cinzento do granito, foi apresentado o projecto que quer ajudar a combater o despovoamento deste território. “Terra Maronesa” quer ser uma marca chapéu para a promoção desta espécie autóctone que é motor da economia e ajuda o ambiente, pastando os matos, os chamados combustíveis finos, e, assim, prevenindo os incêndios.
Avelino Rego fez da produção pecuária uma forma de vida. Nasceu em Alvadia, foi estudar engenharia informática para Braga, está a tirar mestrado em engenharia florestal na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), mas é na aldeia que quer viver e trabalhar. Aos jornalistas explicou que, através do projecto agora lançado, se quer incentivar novos produtores a fixarem-se na região, aliando as formas ancestrais de maneio dos animais e das terras com novas técnicas para dar resposta às novas solicitações do mercado. “Temos de viabilizar a vida na montanha”, afirmou António José Moutinho, produtor de 60 anos, residente no concelho de Vila Pouca de Aguiar e que “sempre esteve ligado às vacas”. Na sua opinião é preciso “promover este animal e ganhar dinheiro porque, de outra forma, ninguém sobrevive nestes territórios”.
Duarte Marques, da associação Aguiarfloresta, explicou que o projecto surgiu da identificação de um problema e de uma oportunidade. “O problema é a dificuldade em ter rentabilidade económica neste território, a oportunidade são as valências deste animal, que tem uma componente económica importante, uma carne excepcional e que, para além disso, faz um trabalho invisível, mas que é extremamente importante para o território, que é a paisagem”, salientou.
O objectivo é ainda usar a paisagem e a vaca que “gere o monte” como factor de atracção turística.
No âmbito do projecto, vai ser realizado a 1 e 2 de Junho, em Vila Pouca de Aguiar, o seminário “Pastagens, vacas, lobos e homens”, que alia uma parte científica e de investigação com visitas aos lameiros e aos lugares de pastoreio.
Segundo Paula Teixeira, da Associação de Criadores do Maronês, actualmente existem 4100 animais de raça maronesa em linha pura, com cerca de reprodutores, distribuídos por 990 criadores e 24 concelhos. A maior parte dos animais concentra-se em quatro concelhos: Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Vila Real e Mondim de Basto.
O projecto está a ser trabalhado em conjunto entre o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Associação de Criadores do Maronês e ATCoop – Alto Tâmega Cooperativo.

Publicado por: “Público”