ESACT garante 223 caloiros

A Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (ESACT) de Mirandela viu serem preenchidas cerca de 54,4 por cento das vagas colocadas na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior.
Comparativamente ao ano anterior, a ESACT de Mirandela aumentou em mais de 18 por cento o número de vagas preenchidas. Em 2017, a escola superior mirandelense aumentou em 33 por cento o número de vagas preenchidas relativamente a 2016 e agora o aumento foi superior a 54 por cento. Das 410 vagas distribuídas pelos oito cursos lecionados na instituição, foram preenchidas 223, com destaque para o curso de Comunicação e Jornalismo que já preencheu a totalidade das 25 vagas colocadas a concurso nesta primeira fase. No sentido inverso, o curso de Informática e Comunicações não viu ser preenchida nenhuma das 33 vagas colocadas a concurso. Nos restantes cursos, em
Marketing, foram preenchidas 35 das 44 vagas. Solicitadoria já preencheu 59 das 79 vagas. Design de Jogos Digitais, das 60 vagas já foram preenchidas 36. Em Turismo, das 54 vagas, apenas sobraram 15. Em Gestão e Administração Pública, das 55 vagas a concurso, ficaram preenchidas 11 e finalmente, em Multimédia, das 60 colocadas a concurso,
foram preenchidas 18. Sobram 187 vagas, que vão ser colocadas na segunda fase de acesso, cuja prazo das candidaturas
dos alunos termina no dia 21 de setembro e os resultados serão conhecidos no dia 27 deste mês.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

“Queremos melhorar a competitividade nas empresas”

Luís Pires é o responsável pelo projeto e diretor da Escola Superior de Administração, Comunicação e Turismo de Mirandela
MDB: Porque foi este projeto atribuído ao IPB?
Luís Pires: O Instituto Politécnico de Bragança tem dedicado, nestes 35 anos de existência, uma parte substancial da sua ação à concretização de projetos que resultem, efetivamente, em transferência de conhecimento, de tecnologia ou de forma menos ambiciosa na tentativa partilhada de resolução de pequenos problemas, complexos e customizados, que nos são colocados pelo nosso entorno produtivo ou administrativo. Esse capital de ação possibilitou que, de forma discreta, mas consistente, a ação do IPB se disseminasse, tanto interna como externamente, crescendo internacionalmente, e possibilitando-nos atingir patamares de destaque. Foi com base nesta panóplia de iniciativas que nos tornámos parceiros de várias instituições internacionais e junto das quais granjeámos um capital de competência, evidenciando-nos enquanto putativos parceiros em ações que exijam valências que dominamos. Neste projeto, no âmbito da iniciativa europeia INTERREG V A España – Portugal (POCTEP) 2014-2020, o IPB é um dos parceiros, com uma função bem definida e uma
ação territorialmente circunscrita, selecionado precisamente pelo conhecimento
que os nossos parceiros têm do IPB, da sua capacidade. Contextualizando na área do projeto A EsACT-IPB.
MDB: De que forma se vai desenvolver na região?
LP: O projeto CRECEER, apresentado pela ADE, é um projeto de cooperação entre Portugal e España, no qual a ADE se apresenta como Parceiro Principal e conta com sócios de cada lado da fronteira, onde se inclui o Instituto Politécnico de Bragança. O projeto pretende atuar sobre 11 áreas rurais, 7 correspondentes a Castilla e León, e 4 na parte portuguesa. Entre as atividades a desenvolver pelo IPB neste projeto, está a caracterização de duas zonas territoriais, nas quais se pretende identificar recursos endógenos, produtos autóctones e espaços suscetíveis de aproveitamento turístico, com potencial de desenvolvimento, bem como a elaboração de um Plano Estratégico de Ações, adaptado a essas realidades e ao seu potencial, no qual se detalharão ações concretas e recursos necessários,
bem como a especificação do controlo e monitoração das mesmas. Isto permitirá que quatro das atividades do projeto sejam realizadas em quatro áreas rurais de Trás-os-Montes e Douro: Mirandela e Vila Flor (TTM) e Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta (D) e nas suas áreas de influência
MDB: Qual o contributo que se espera para a economia do Nordeste Transmontano?
LP: O objetivo do projeto CRECEER é promover a cooperação empresarial em ambientes transfronteiriços rurais entre empresas e entidades nos setores agroalimentar (gourmet) e turismo, através da melhoria da qualidade e design de seus produtos e serviços, bem como a incorporação de tecnologias de comunicação nos seus modelos de negócio, criando redes de cooperação entre empresas desses setores e oferecendo uma identificação comum e específica dessas áreas, que valorizarão os seus recursos endógenos. Pretende-se promover a cooperação, a qualidade, a inovação e a comercialização dos referidos produtos e serviços, bem como a sua saída para mercados estrangeiros, com o objetivo de melhorar a competitividade das empresas nestas áreas perto da fronteira e impulsionar a economia destas áreas.
MDB: Como vai o IPB operacionalizar a sua aplicação?
LP: A execução destes projetos é complexa face à ambição que representam no sentido de emergir iniciativas piloto, de boas práticas, que se pretende sirvam de benchmark. São projetos com regras muito estritas, com orçamentos bem definidos e discriminados que não permitem margem de erro. Pretendendo o projeto a criação de redes de cooperação empresarial em zonas rurais transfronteiriças nos sectores agroalimentar (gourmet) e turístico, também a sua operacionalização será baseada em multidisciplinaridade, em rede, contando com a partilha de experiências entre os vários parceiros espanhóis e portugueses, numa perspetiva macro, bem como com os contributos de diversas
valências do IPB. Todo o projeto passará por diversas etapas e componentes, incluindo-se uma componente de recolha e tratamento de dados, que será sujeito a subcontratação, integrando-se com a capacidade de intervenção ao nível dos produtos autóctones, que poderá dirigir-se para a participação da componente alimentar, na valorização de produtos gourmet ou trabalhando outros recursos endógenos em cada área, seja na valorização de áreas naturais, culturais e patrimoniais e infraestruturas de apoio turístico e tecnológico Nesta sociedade mediática, das redes sociais, de grande avidez, de interação, de experiências, a componente promocional, de capacidade de evidenciar, de colocar no mapa o que de bom estas terras têm, é um fator crítico ao sucesso de todo o projeto.
A capacidade de melhorar produtos e serviços, seja ao nível do processo, do produto, da plataforma ou de paradigma tecnológico, e a posterior capacidade
de disseminar o resultado, de forma estruturada, resultará num incremento competitivo. Face às formações de comunicação e jornalismo, multimédia, design de jogos digitais, e marketing turístico, que a EsACT-IPB acolhe, cremos existir massa critica capaz de intervir na produção de conteúdos, na comunicação, possibilitando a tal componente de expansão que se pretende.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

Arranca hoje a Semana Académica da ESACT de Mirandela

Começa, esta quarta-feira e prolonga-se até à próxima segunda-feira, a semana académica da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo de Mirandela.
Com um orçamento a rondar os 35 mil euros, o presidente da Associação de estudantes da ESACT revela que este ano houve “a aposta numa nova imagem, relacionada com o tema da cidade jardim e que a escolha dos espectáculos musicais, agendados para o pavilhão B da Reginorde, incidiu na vertente do Hip-Hop”.
Outra das novidades avançadas por José Eduardo Silva, é o artista da noite principal, que é no sábado, “foi uma escolha dos próprios estudantes da ESACT, através de uma votação online”.
Para além de Piruka, há a destacar os nomes de Fernando Alvim, na quarta-feira, Rosinha, na quinta-feira e Mundo Segundo, na sexta-feira.
Até esta quarta-feira, há uma pré-venda de pulseiras para todos os espectáculos, com preços entre os 25 e os 35 euros. Já o bilhete diário ronda os 10 euros.
O presidente da Associação de Estudantes da ESACT de Mirandela espera uma boa adesão aos espectáculos, principalmente no sábado, onde conta “ultrapassar a barreira dos mil ingressos”.
A abertura da semana académica da ESACT de Mirandela acontece, esta quarta-feira, onde se destaca a actuação de Fernando Alvim e termina na segunda-feira com o desfile académico, à tarde e à noite com um arraial de cerveja, com liquidação de stock, onde os preços são bem mais convidativos.
Escrito por Rádio Terra Quente (CIR)

Publicado por: “Rádio Brigantia”

Uma dupla unida pela amizade e força infinita

Um acidente de viação tirou-lhe a visão no primeiro ano de vida. Hilário Ramos, 44 anos, desde cedo habituou-se a superar limitações, mas seguiu o seu caminho e encontrou nas corridas uma fonte de motivação para encarar o dia a dia. Natural de Mirandela, começou por representar os clubes da terra e atualmente veste a camisola dos “Braguinhas”, onde conheceu o guia José Manuel Fins, que se transformou num amigo para a vida. “Ele é os meus olhos”, salienta Hilário, que que todos os dias procura treinar, nem que seja em casa, na bicicleta ou passadeira: “A maior dificuldade são os treinos, porque o Fins mora em Braga e nem sempre consigo ir ter com ele. Adoro correr e enquanto puder vou continuar. Sei que sou um exemplo para muitos cegos e tento deixar a mensagem que tudo é possível quando se tem força de vontade”. Fora das corridas, Hilário trabalha como assistente operacional no Instituto Politécnico de Mirandela e sente-se realizado: “Estou cá há 16 anos. Todos me tratam bem e é quase uma segunda casa”.
O próximo objetivo é a corrida de São João, em Braga, antes da meia maratona de Peniche. O Fins é que trata disso e decide o que é o melhor para nós, explica Hilário.

Acordeão para animar a malta

José Manuel Fins começou a correr há nove anos. Quando tinha 40 anos e agora não quer outra coisa. “As análises não estavam famosas e em vez de fazer mais um furo no cinto, resolvi correr. Foi a melhor opção que Tomei, porque além de melhorar a minha saúde conheci pessoas fantásticas como o Hilário. Ele disse-lhe que toca acordeão?” questiona-nos. Não. não disse, mas Fins explica:
“Ele é um brincalhão e em algumas corridas leva o acordeão para tocar no fim. É um espetáculo”. A dupla já participou em quatro Maratonas, duas no Porto e duas no Gerês, tendo conseguido um tempo abaixo das quatro horas, e em meias maratonas já obteve a marca de 1h38m. “Ele é um poço de força. É muito gratificante correr com ele”, salienta Fins.

Publicado por. “JNRunning”

Alunos africanos denunciam “dificuldades acrescidas” para alugar quartos

Os estudantes oriundos de países africanos que frequentam a Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (ESACT) de Mirandela sentem-se discriminados na hora de procurar alugar quartos. Se a especulação imobiliária na cidade já é um entrave para muitos alunos nacionais encontrarem quartos, com preços muito elevados praticados pelos proprietários das casas, quando se trata de alunos africanos, o preço é ainda superior. “Para não dizerem claramente que não querem alugar, avançam com preços superiores a 130 euros por quarto, que não podemos suportar”, lamenta Wanderley Antunes, presidente da Associação de Estudantes Africanos da ESACT de Mirandela, lembrando que a maioria dos estudantes “não tem qualquer bolsa de estudo”. Wanderley Antunes explica ainda que o preço elevado também se prende com o facto dos alunos africanos chegarem sempre mais tarde que os restantes, devido à dificuldade na obtenção dos vistos. O preço elevado dos quartos é mesmo o principal problema para a comunidade de estudantes africanos na ESACT de Mirandela. De resto, Wanderley Antunes garante que os mais de 130 alunos têm sido muito bem-recebidos na comunidade. “Estão perfeitamente adaptados à escola e à cidade”, diz. Atualmente, estão a frequentar a ESACT de Mirandela 61 alunos de Cabo Verde, 58 de São Tomé e Príncipe, 12 da Guiné Equatorial, 5 da Guiné Bissau e 4 de Moçambique. A questão dos preços elevados já não é nova, dado que, há um ano atrás, o próprio Diretor da ESACT de Mirandela tinha manifestado a sua preocupação com a falta de quartos para arrendar e com os preços muito elevados praticados pelos arrendatários, muito acima da média. “Para além da escassez de quartos para arrendar, os que existem são mais caros que em Bragança”, onde está o IPB, a escola mãe. “A média por quarto individual ou partilhado ronda os 120 euros, enquanto em Bragança é de cerca de 80 euros. É uma diferença substancial e isso é uma dificuldade”, disse Luís Pires. Em seu entender esta situação acontece porque os arrendatários inflacionam o mercado, devido à pouca oferta, mas avisa: “este comportamento pode colocar em causa o crescimento do ensino superior, em Mirandela. Temos de ter a perceção que, se apertarmos muito a galinha dos ovos de ouro pode morrer”.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

“Temos de traduzir a cultura local em experiências e produtos vendáveis”

Mensageiro de Bragança: os últimos números conhecidos relativos ao turismo, apontam para um grande crescimento na região. A que se deve?
Luís Pires: esta é uma situação que ocorre devido ao alinhamento de vários fatores, não pode ser atribuída de forma independente ou individual a um catalítico milagroso.
O destino Portugal está na moda e, consequentemente, todas as regiões, todos os putativos destinos internos beneficiarão desta tendência, independentemente do nível de organização ou maturidade de cada um. No entanto, estar na moda é um corolário complexo de vicissitudes. Resulta, como dizia, do alinhamento de vários elementos, sendo que muitos deles não são por nós diretamente controláveis, como sejam a insegurança que se vive em algumas latitudes, ligados a extremismos religiosos ou a surtos relacionados com a saúde, ou a evolução global da economia. Por outro lado, existe o esforço de todos aqueles que evoluem a sua atividade na esfera do turismo, desde uma perspetiva mais nacional com enfase na estratégia do governo, onde as entidades regionais e locais, como as comunidades intermunicipais e as autarquias, desempenham papeis fundamentais de atuação, regulação e facilitação. Mas estar na moda dá muito trabalho, e como esta é uma atividade fundamentalmente de privados, onde existem grandes operadores, mas é essencialmente de micro, pequenos e médios privados, é resultante do esforço, desempenho e dinâmica de todos estes atores que advém o sucesso. Um detalhe no acolhimento, uma aventura ou desafio empolgantes, uma experiencia bem vivida, é um cartão de visita e de fidelidade. O turista quer sentir sensações, experiencias, quer viver e regressar revigorado, sentir que participou, seja numa perspetiva cultural, religiosa, gastronómica, de aventura, ou outra. Felizmente para todos nós, enquanto país, parece que fomos descobertos pelo mundo como destino turístico, verificando-se um crescimento generalizado da procura e, ainda de forma mais significativa no consumo, em todas as vertentes, indo do sol e praia, ao turismo de natureza, passando pelo turismo de negócios, de gastronomia, religioso, saúde e bem-estar, cultural e paisagístico, urbano, entre outros, mas com alguma enfase nas cidades e aquilo que se designa por escapadinhas. Lisboa e Porto evidenciam-se como exemplos mais visíveis desta tendência, mas seria de esperar que se estendesse a outras latitudes, entre as quais a nossa região se inclui, o que de facto se regista, pelo que devemos estar preparados. Tenho referido que contrariamente a outros setores que, de alguma forma, se mantem numa postura conservadora, numa inércia que demora a ser vencida, o turismo evoluiu, adaptou-se, incorporou uma dinâmica de alinhamento com a volatilidade do mundo, expressa tanto em tecnologias como na vontade e exigência
dos consumidores. Hoje, um destino está a distância de um clique, e essa facilidade de descoberta e programação, aliada a revolução que as low cost provocaram neste domínio, também contribuiu para o aumento de fluxos na nossa região. Concluindo a resposta a sua questão, num registo menos académico, diria também que não há turista, nacional ou estrangeiro, que seja capaz de resistir ao encanto das nossas manifestações culturais, a imiscuir-se e participar de forma arrebatada nas manifestações genuínas do povo, ao deslumbre que as nossas paisagens provocam, a percorre-las, a respirar o seu ar retemperador. É impossível ignorar o apelo da rica gastronomia que caracteriza cada recanto destas terras, fugir a partilha dos paladares de cada povoação, em ambiente mais rústico ou sofisticado, a desfrutar dos eventos e equipamentos que as nossas vilas e cidades possuem organizados com orientação ao turismo, mas, essencialmente, a maior diferenciação passa pela genuinidade, disponibilidade, até candura, com que as nossas
gentes recebem, que resulta desarmante, apaixonante e fideliza.
MB.: É possível aumentar ainda mais a tendência? De que forma?
LP.: Objetivamente, ainda que, como referi, existam fatores cujo controlo nos escapa, dentro de uma realidade conjuntural comparável a que atualmente vivemos, eu diria que sim, certamente sim. Ao longo desta conversa temos falado em região e, desde logo, existe aqui alguma ambiguidade empírica. Formalmente, em termos de turismo, falar em região significa falar em todo o norte de Portugal e em consequência em Porto e Norte de Portugal. No entanto, julgo que o foco deste diálogo se centrará no território que (creio poder colocá-lo nestes termos), se designa por Nordeste Transmontano. Não veja aqui qualquer tipo de crítica, apenas a constatação de uma realidade, um ponto de partida. Vejamos. O Porto é, atualmente, um dos pontos de entrada de turistas na região e no país. É um chamariz. Seja por se posicionar e assumir como destino turístico de relevo e grande procura, seja pelo facto de agregar em si infraestruturas de mobilidade de grande relevo. O novo terminal de cruzeiros de Leixões, a confluência de vias ferroviárias, a rede viária e, com muito maior importância, o aeroporto do Porto. É decisivo continuar com a estratégia de reforço de conexões áreas do aeroporto do Porto, mas, agora, com integração dessa plataforma com outras dentro e fora da região numa perspetiva de roteiro multimodal. Este conjunto será, certamente, um dos hubs a considerar na construção da estratégia turística regional, em perspetiva agregada no território nacional, por via das entidades regionais ou locais. É com base nesta realidade, num posicionamento organizacional mais macro, no vetor de mobilidade, de rede de destinos e produtos turísticos, que se deve alavancar a estratégia regional de entidades públicas e operadores privados de toda a região, num posicionamento de evidencia de proximidade, complementaridade e distribuição de fluxos. Quer-me parecer que, de alguma forma, o papel do Porto e Norte tem sido concretizado nesta matéria, em diálogo com as autarquias, com as academias, com aqueles que estão no terreno, numa lógica de complementaridade regional. No entanto, como em tudo que tem a ver com a dinâmica da vida, é necessário melhorar, afinar, otimizar, encontrar novos focos. Num posicionamento organizacional de nível mais baixo, de nível tático local, não se deve desprezar a proximidade com Espanha, com todo o potencial que emana na direção do nosso país, aproveitando os importantes hubs de distribuição de fluxos situados mais ou menos próximos a este território. Por exemplo a ferrovia em Zamora, a estação de AVE na Sanabria, a concretizar-se, a autoestrada que liga Zamora a Quintanilha e, evidentemente, pensar na utilização do aeroporto de Barajas. Uma vez que o designado transporte do futuro, o comboio, parece uma realidade de um passado distante, e, incompreensível e teimosamente, sem qualquer futuro, importa, a curtíssimo prazo, encontrar um papel de relevo para a estrutura aeroportuária existente. Esta parte da questão visa apenas uma putativa gestão de fluxos para a região. No entanto, o problema não se esgota em canalizar turistas para cá. Em termos organizacionais, esta região caminha para ser um destino turístico. A afirmação do destino deverá considerar a criação e reforço de sinergias e cooperação ao nível da promoção e criação de eventos. Qualquer destino turístico deverá ser entendido como um sistema de relações na criação de uma oferta adequada para os turistas. Neste sentido, torna-se crucial a organização de uma oferta integrada criando redes de cooperação entre as empresas locais/regionais. A organização da oferta turística com repercussões óbvias na promoção e respetivo modelo passará, certamente, pela promoção de proximidade de estruturas associativas e reforço de estratégias de aproximação entre as entidades públicas e privadas. Existem vários atores envolvidos na gestão do destino sendo que compete ao setor público a preservação do ambiente, da qualidade de vida dos residentes e dos turistas, da qualidade da experiencia e, de alguma forma, da identidade do destino. Adicionalmente, deve ser agente de desenvolvimento e criar condições para que se ultrapassem os obstáculos culturais, legais e económicos, a cooperação e ao trabalho em rede. Ao setor privado compete contribuir para a preservação do destino e seu desenvolvimento e ainda tornar-se um agente de mercado, ligando a oferta a procura e fazendo com que o turismo esteja disponível no mercado. As ações devem ser desenvolvidas considerando os interesses divergentes, que podem e devem ser agregados, devendo criar-se uma rede para o destino implicando acordos de cooperação entre os diferentes intervenientes. Isto significa transformar-se num destino turístico integrado, e isto passa pela tal lógica de complementaridade de funcionamento, de definição de redes colaborativas capazes de transformar a atual incapacidade da região, que apresenta lacunas na perspetiva da integração de serviços e na construção de serviços e produtos complexos integrados de forma horizontal, possibilitando a transformação da região, mediante diversificação de oferta, valências e capacidade, numa zona com mais visitas, mais dormidas e mais prolongadas, mediante uma nova organização funcional, nomeadamente que seja capaz de contribuir para uma resposta organizacional ajustada as necessidades de customização da industria do turismo. Se este nível de cooperação e integração for conseguido, atua-se diretamente num dos indicadores que mais nos penalizam que é o tempo de permanência do turista. Aumentar a permanência do turista e até fidelizá-lo, depende, em grande medida, da qualidade, da aprazibilidade da experiencia que lhe proporcionamos. E isso encontra-se nas mãos do interveniente mais importante em toda esta cadeia, o operador, e os seus recursos físicos e humanos. Tem de haver esta consciência, é necessário acarinhá-los, ninguém se substitui aos operadores. Finalizando esta questão, e após uma reflexão com um posicionamento mais local, importa ainda realçar o papel fundamental da estratégia governativa e, nesta matéria, também no turismo, este é um país desigual. Fico por isso expectante face as declarações do atual ministro da economia, quando refere que o esforço não é fazer o turismo crescer em número e nos lugares onde há muita intensidade turística, mas exatamente o contrário.
MB.: O IPB pode contribuir para reforçar ainda mais essa tendência?
LP.: Desde logo sim. Ainda bem que me coloca essa questão, que possibilita abordar um projeto que temos em mãos, numa fase ainda inicial, e que surge com base na dinâmica de internacionalização da instituição. A crescente e diversa presença de alunos estrangeiros na nossa instituição, a participação em projetos internacionais e a interação que daí resulta, possibilitou gizar um plano de promoção turístico para a região, baseado em embaixadores, esta designação poderá ainda evoluir, e que pretende que cada aluno seja embaixador da região na sua zona de residência, no seu país de origem. Concretizando, por exemplo, com uma evidencia relativa a alunos oriundos do Brasil. A possibilidade de realizarem a sua vida académica e mais pessoal, de percorrer as nossas cidades e vilas sem nunca serem importunados, é um elemento valorizado e preponderante para uma presença satisfatória. Esta satisfação e esta característica pode ser potenciada pelo embaixador junto do seu país, assumindo-se como agente ativo de influencia, munido de um kit multimédia com informação de índole diversa, que possibilite informação regional generalizada complementada pelas dicas pessoais de quem já aqui viveu. Voltando agora ao posicionamento institucional, é sabido que a potenciação socioeconómica da existência de uma instituição de ensino superior numa determinada região depende, em grande medida, da estratégia definida pela própria instituição, mas também da estratégia de relacionamento que a região patenteia. No âmbito do turismo, o IPB, via EsACT, disponibiliza um leque de formações desde o CTeSP em Promoção Turística e Cultural, passando pela licenciatura em Turismo e terminando no mestrado em Marketing Turístico. Este é um contributo que visa a formação de ativos, de profissionais, que poderão desenvolver a sua atividade em entidades públicas e privadas, elevando desta forma as competências do setor. No relacionamento com o entorno e da própria dinâmica científica, surgem questões científicas a que é necessário dar resposta. Monitorizar o quotidiano e diagnosticar janelas de eventos ou realidades objetivas exigem uma estrutura confiável, precisa e de qualidade como base ao diagnóstico e definição de políticas futuras. A nossa ação passa também por aí, a monitorização e diagnóstico é o pilar transversal do conhecimento numa perspetiva passado-presente e charneira a produção de novo conhecimento. Os resultados experimentais, articulados com a inspiração conceptual possibilitam a germinação de ideias para que a região, no atual contexto de globalização e crescente competitividade, pugne pela sua sustentabilidade. No caso concreto da atividade turística, enquanto elemento preconizador da promoção territorial, tida como uma atividade de comunicação intensiva, traduz-se numa iniciativa cuja essência se estabelece na base da confiança. No momento da tomada de decisão está apenas disponível um modelo abstrato, com base em informação reunida através de múltiplos canais. Estes produtos exigem a recolha de informação quer no lado da procura quer no lado da oferta para uma decisão adequada. A articulação orienta-se por uma elevada capacidade de análise ao que ocorre na região, entorno e concorrência territorial, processo realizado mediante a concretização de estudos de investigação enquadráveis em projetos finais, estágios, mas essencialmente em teses de mestrado ou doutoramento. É nestas vicissitudes inerentes a atividade turística que se estabelece uma longa cadeia de informação e de valor atualmente imprescindível ao sucesso, a promoção da excelência territorial, e com ambições de concretizar uma promoção eficaz. A produção de conhecimento pode ser uma mais-valia para o desenvolvimento de uma região, mas tudo depende do grau de assimilação e retenção da região e da forma como se interligam as estratégias de produção de conhecimento com a de afirmação das próprias urbes. A transferência de conhecimento, a participação multidisciplinar, em parceria, na resolução de problemas, é uma via desejada e em aberto na interação com o entorno. Podemos fornecer know-how, aplicabilidade, público sofisticado e potenciais empreendedores através da formação. Cabe ao entorno potenciar este capital e criar um ambiente favorável a atividade. O tecido empresarial existente pode aproveitar as competências e conhecimento que lhe é disponibilizado.
MB.: Recentemente, foi lançado um projeto pioneiro pelo IPB, que pretende levar turistas a casa das avós transmontanas. Qual o objetivo?
LP.: Apesar de se verificar uma dinâmica de recuperação de património local e de valorização de usos e costumes, urge ainda criar uma cultura local empreendedora que permita conciliar essas características diferenciadas com a capacidade de gerar negócio. Os residentes nas freguesias mais rurais não conseguem tirar suficiente proveito da sua riqueza cultural pois não conhecem ainda a parte de negócio que a sua autenticidade e hospitalidade pode gerar. Em geral, recebem apenas pelo prazer de receber. É necessário traduzir a cultura local em experiencias e produtos vendáveis para que os habitantes locais, uma vez conscientes do real valor dos seus produtos e património cultural, saibam concretamente o que oferecer aos turistas. O projeto Viv@vó pretende contribuir para o combate a desertificação e isolamento das comunidades rurais através do aproveitamento do conhecimento ancestral destas comunidades para a criação de experiencias autenticas e enraizadas no destino, crescentemente procuradas pelos visitantes. Assim, pretende-se desenvolver um sistema de levantamento, seleção, formatação, divulgação e reserva que permita aos visitantes usufruírem de uma experiencia contextualizada em casas particulares. Após um trabalho de levantamento serão identificadas casas com interesse e aptidão para receber, mediante marcação e venda prévia, visitantes, para usufruírem de uma experiencia única: ouvir histórias, relatos, lendas, enquanto partilham uma refeição numa casa particular juntamente com o proprietário da mesma o que permitirá reforçar o contacto entre o visitante e a realidade visitada. Desta forma o projeto permitirá:
1) valorizar elementos intangíveis do património (os visitantes usufruem da refeição partilhando a mesa com os proprietários o que permite uma interação direta e a partilha de conhecimento sobre costumes, tradições, pontos de interesse da aldeia e da região;
2) contribuir para o combate ao isolamento dos locais que desta forma passam a interagir e socializar periodicamente com visitantes;
3) gerar experiencias únicas enraizadas no destino e com um grande carácter de autenticidade;
4) contribuir para a preservação da herança cultural das regioes;
5) gerar uma fonte de rendimento suplementar através da experiencia proporcionada e da eventual compra de produtos provenientes de produção própria disponibilizados pelos locais.
MB.: Tem sido feita investigação nesta área?
LP.: Este é um projeto que de alguma forma agrega áreas que tem realizado investigação de forma independente. Tem existido investigação em turismo, em engenharia alimentar, em tecnologias, na resolução de problemas societais, em diagnósticos de índole diversa, enfim, em vários domínios. Neste caso a abordagem é multidisciplinar, pretende-se colocar várias valências na tentativa de resolver um problema é uma perspetiva de abordagem orientada ao problema.

Publicado por: “Mensageiro de Bragança”

ESACT com aumento recorde de novos alunos

A Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (ESACT) de Mirandela viu serem preenchidas cerca de 55 por cento das vagas colocadas na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior. Um aumento de quase 20 por cento, comparativamente ao que tinha acontecido, em 2016. O curso de solicitadoria continua a ser o mais procurado e, tal como no ano passado, ficou com 100 por cento das vagas preenchidas. No campo oposto, está o curso de informática e comunicações, que não viu preencher qualquer vaga. Na prática, a ESACT de Mirandela assegura, logo na primeira fase, 203 novos alunos, mais 73 que em 2016. Se o ano passado, foram preenchidas 36 por cento das vagas colocadas na primeira fase, este ano a percentagem aumentou para 54,9 por cento. Das 370 vagas colocadas a concurso, para os oito cursos lecionados, a ESACT de Mirandela viu serem preenchidas 203, sobrando 167 para as próximas duas fases. O curso de Solicitadoria foi, de longe, o mais procurado, ficando já sem qualquer vaga para as próximas duas fases. As 54 vagas colocadas a concurso, nesta primeira fase, já foram preenchidas. No outro extremo ficou, com o pior desempenho, o curso de Informática e Comunicações, que, tal como no ano passado, não viu ser preenchida qualquer vaga, sobrando as 30 disponíveis para a próxima fase. Bom desempenho para o curso de marketing, que preencheu 34 das 36 vagas colocadas. Design de jogos digitais, das 60 vagas, preencheu 48, enquanto Turismo ficou pelos 50 por cento, com 25 das 50 vagas preenchidas. Multimédia vai ter 40 vagas sobrantes, já que, das 60, apenas 20 foram preenchidas. Gestão e Administração pública tinha 55 vagas, nesta primeira fase, preencheu apenas 17, sobram 38. Finalmente, tecnologias da comunicação tinha 25 vagas, foram preenchidas apenas cinco. Para já, a ESACT de Mirandela garante, na primeira fase, 203 novos alunos, sobrando para a as restantes duas fases, 167 vagas.
 

Escola Ano percentagem
2017 2016 2015
Escola S. de Saúde 85 103 129 -17%
Escola S. Agrária 20 8 13 +150%
Escola S. de Educação 219 159 175 +38%
Escola S. Tecnologia 184 124 130 +48%
Escola S. ACT 203 129 151 +57%
Total 711 523 598 +36%

A estes números, somam-se as 1270 candidaturas de alunos estrangeiros, 510 deles para mestrados. Mas a dificuldade em conseguir vistos de entrada em Portugal deverá afastar cerca de 60 por cento destes candidatos, um número que deveria preocupar as instâncias diplomáticas portuguesas. Para os cursos CTESP, os cursos técnicos de dois anos, deveram chegar cerca de 600 novos alunos.

Um novo curso

Relações Lusófonas e Língua Portuguesa foi o único curso novo a abrir no IPB e traduz a cada vez maior aposta em estudantes estrangeiros. Mas há outros cursos de sucesso, como Solicitadoria (esgotou as 54 vagas) ou Enfermagem (52 candidatos para 50 vagas) e Gestão (74 candidatos para 72 vagas). No próximo ano poderá abrir um curso de Comunicação.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

ESACT abriu as portas à comunidade

E se pais, avós, vizinhos e a população em geral pudessem espreitar o que se passa nas salas de aulas do novo edifício. Foi este o repto que a Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo de Mirandela lançou à sociedade civil da cidade durante os três dias que decorreu a “Mostra 2017”, que terminou esta quarta-feira. Esta escola desconcentrada do IPB esteve de portas abertas para criar uma relação mais próxima da comunidade académica com os mirandelenses. A iniciativa, que pretende mostrar aquilo que se faz dentro de quatro paredes, já acontece, desde 2008, mas sempre foi realizada fora da escola, “até por uma questão de marketing”, confessa Luís Pires, o diretor da ESACT, tendo em conta que as anteriores instalações não tinham as melhores condições para receber as pessoas, ao contrário do que acontece agora, com o novo campus, inaugurado, em 2016 A iniciativa, denominada “EsACT na intimidade” pretendeu levar as pessoas para dentro da escola e depois dar-lhe a conhecer as múltiplas atividades desenvolvidas em cada um dos cursos, e dessa forma poder receber informação, nas mais diversas áreas, útil para a vida quotidiana. “Exemplo disso é o quiosque do cidadão, onde pode tirar dúvidas sobre a carta por pontos, assinatura digital, fazer o IRS, perceber os riscos de roubo de identidade”.
Numa escola em se privilegia a tecnologia, esteve também ao dispor um programa de segurança para os pais, uma aplicação para desenvolver a atividade física entre os mais velhos. Noutro ponto, houve uma sala de jogos, onde, mais do que jogar, ensinou-se como são concebidos por uma licenciatura inovadora no ensino superior, Design de Jogos Digitais. E para quem gosta das câmaras de TV, esteve ao dispor um moderno estúdio de televisão, através do qual se desvendaram alguns segredos do que se passa atrás da caixa mágica. Para o diretor da ESACT, esta nova estratégia é importante, “pelo desconhecimento que ainda é manifestado pela nova realidade da escola”, conclui.
Começou, ontem, a semana académica da ESACT de Mirandela, que comemora 20 anos de existência, data que a associação de estudantes quis assinalar com uma aposta “mais arrojada no cartaz de espetáculos musicais”, conta Tito Resende. O investimento é de 45 mil euros, que significa um aumento de 15 mil euros. O presidente da associação académica espera que o esforço de trazer nomes apelativos para o público jovem “tenha correspondência numa boa afluência de público a todas as iniciativas até à próxima segunda-feira, no pavilhão da Reginorde”. Ontem, a abertura foi com Mia Rose e nos próximos dias marcam ainda presença outras figuras de destaque como os Hands On Approach (hoje), O DJ Jimmy P (Sexta), Master Jake e Frank Maurel (sábado), e José Malhoa (domingo). A festa termina na segunda-feira com o desfile Académico e a festa da espuma e o DJ Frede.

Publicado em: “Mensageiro”