Careto Air Show espera meia centena de aeronaves no festival aéreo

O Aero Clube de Bragança quer realizar o sonho de voar de idosos e crianças no próximo Careto Air Show 17, que decorre no aeródromo municipal desta cidade entre 4 e 6 de agosto, onde são esperadas perto de 100 aeronaves, portuguesas e estrangeiras.
Se os mais novos vão concretizar o sonho de andar de avião pela primeira vez, e 25 do Patronato de Santo António já estão inscritos, pelo menos um idoso, com 80 anos, da Santa Casa da Misericórdia vai saltar de paraquedas de uma altura de mais de três mil metros, agarrado por a uma armação Tandem a um instrutor.
António Sá acalentava este sonho há muitos anos, mas nunca tinha sido possível concretizá-lo. “É para mostrar ao meu filho, que é paraquedista na Legião Estrangeira, que também posso saltar como ele e, ao mesmo tempo, mostrar às pessoas que não são os anos, nem a idade que nos impede de fazer algo que nunca tenhamos feito”, deu conta o idoso.
O festival aéreo, que contará com a presença de cerca de uma centena de aeronaves, tem como objetivo “fomentar as atividades aeronáuticas em Bragança, através de um evento animado por acrobacias e ao mesmo tempo didático e explicativo sobre esta temática”, explicou Nuno Fernandes, do Aeroclube de Bragança. Além dos batismos de voo e do
espetáculo de acrobacias e paraquedismo habituais haverá ainda subidas estáticas em balão de ar quente, bem como uma exposição de vários tipos de aeronaves, que podem ser visitadas. Nos dias 5 e 6 estão previstos voos de divulgação, tanto em avião como helicóptero. “Quem quiser pode sentir a sensação de ser piloto e experimentar o simulador de voo de um Airbus A320, desenvolvido pelo Instituto Politécnico de Bragança”, referiu Nuno Fernandes. Ainda para as crianças foi criado um espaço próprio de animação e jogos aeronáuticos e insufláveis, uma das medidas inseridas no reforço logístico do festival que, este ano, também conta com quatro parque de estacionamento, zona de bares e sombra. Os cerca de 50 pilotos e 29 aeronaves ligeiras e ultraligeiras que participam no XIV Raid Aéreo do Nordeste Ibérico farão a descolagem do aeródromo municipal de Bragança, passando depois por Viseu, Castelo Branco, Málaga e Toledo, terminando no dia 10 em Leon. No dia 19 de agosto o Aeroclube de Bragança proporciona saltos Tandem, que exigem inscrição.
A Câmara de Bragança, no ano passado, lançou ao aeroclube o desafio de organizar o maior evento do género na região e tudo indica que assim será. “Julgamos que o evento está melhor e julgo que dentro de algum tempo poderemos atingir o objetivo. Se o investimento tiver um retorno superior é sempre excelente”, referiu Hernâni Dias, autarca brigantino. O município apoia com 10 mil euros, mais ajuda logística, mas o evento custa mais de 30 mil euros, “o mais barato do país”, segundo Nuno Fernandes.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

Estágios de verão do IPB tentam cativar alunos do secundário

Cativar alunos e mostrar “que em Bragança também se faz investigação técnico-científica” é o objetivo do projeto “Verão Ciência no IPB 2017” que se realiza até amanhã. Mais de 160 estudantes do ensino secundário de todas as regiões do país estão a frequentar os cerca de 50 estágios gratuitos promovidos pelo Instituto Politécnico de Bragança. “Os alunos escolhem dos cerca de 50 estágios que temos em todas as áreas do instituto e durante uma semana, numa parte do dia, têm trabalho laboratorial onde desenvolvem um trabalho de investigação”, explicou Anabela Martins, Pro-Presidente do IPB. O alojamento e a alimentação são gratuitos e, para além dos estágios científicos, os alunos têm atividades socioculturais, de lazer e entretimento.
“Queremos que eles aproveitem também para conhecer a região e ter algumas atividades que lhes permitam conviver entre eles. Começam com uma visita à cidade, depois nos dias seguintes têm atividades desportivas, de lazer e entretenimento nas piscinas municipais e outras atividades náuticas no Azibo”, esclareceu a docente.
Segundo Anabela Martins, o projeto é realizado há muitos anos e “tem corrido sempre muito bem”. “Os alunos gostam da experiência e alguns deles tornaram-se alunos do IPB, o que significa que um dos nossos objetivos, que é também a captação de alunos, de alguma forma está a ser cumprido e ficamos felizes por isso”, frisou. José Neves, de 15 anos, inscreveu-se porque considera as “atividades interessantes” e porque “gosta de ciência”. Estudar futuramente no IPB seria uma “boa opção” para o aluno de Bragança porque “é o melhor instituto politécnico do país”.
Para Rita Moreira, de 18 anos, já não é uma experiência nova. A aluna de Bragança já participou no ano passado e defende que este projeto é “uma mais valia para o currículo”. Prestes a ir para a universidade, Rita não tem dúvidas: “Venho estudar para o IPB e neste estágio vou decidir se vou para engenharia ou gestão”, salientou.
Sara Silva, de 18 anos, veio de Vila Nova de Famalicão e decidiu inscrever-se porque gosta deste conceito. “Já participei no Minho e gostava de experimentar aqui também por ser longe de casa e para perceber um pouco mais sobre o curso que vou escolher”, referiu a aluna. Uma das novidades deste ano é uma atividade de dança com o Ghost no jardim do museu Abade de Baçal após uma visita à cidade de Bragança num STUB, cedido pela Câmara Municipal.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

IPB com mais 83 vagas

O Instituto Politécnico de Bragança tem mais 83 vagas disponíveis do que no ano passado no concurso nacional de acesso ao ensino superior. Ao todo, são 1908 vagas para 44 cursos. “Temos um curso novo, de Relações Lusófonas e Língua Portuguesa, e um outro que mudou de designação”, explicou ao Mensageiro Sobrinho Teixeira, presidente da instituição. O novo curso é ministrado em inglês e tem 30 vagas. Já engenharia alimentar abre com 25 vagas, e será ministrado em parceria com os politécnicos de Viana e do Porto, numa licenciatura inovadora.
“A nossa perspetiva é crescermos bastante em alunos internacionais”, perspetiva Sobrinho Teixeira. “Quer em número de estudantes da lusofonia, quer em número de estudantes de outros países. É importante porque temos mais alunos, é importante para visibilidade do instituto e para se perceber o esforço e o retorno deste esforço.
Ao nível daquilo que foram as entradas no ano letivo presentes de licenciaturas e mestrados integrados, meteu mais gente o IPB do que todas as instituições do distrito de Lisboa juntas. Pode-se perceber, temos 380 novos alunos estrangeiros e todas as instituições do distrito de Lisboa não chegaram aos 300”, sublinhou. Este ano, por decisão do Governo, as áreas de Física Médica e Informática são aquelas em que houve maior aposta, pois perspetiva-se a falta de profissionais destas áreas no futuro. Por outro lado, o facto de, pela primeira vez, acederem alunos dos cursos TESP, que vieram substituir os CETs, poderá dar ainda maior impulso às matrículas. Este ano, houve ainda alguns cursos que sofreram pequenos ajustes. Por exemplo, enfermagem veterinária tem 60 vagas, mais dez do que no ano passado. Já Engenharia do Ambiente tem 35 vagas, menos uma do que em 2016. Biologia e Biotecnologia tem 33 vagas, mais 30 do que em 2016.
Na ESACT, Gestão e Administração Pública Informática e Comunicações, tem 30 vagas, mais seis do que no ano passado.

Publicado em: “Mensageiro de Bragança”

Novo conselho geral do IPB tomou posse ontem

Continuar o trabalho desenvolvido, até agora, em prol dos resultados e reconhecimento que têm vindo a ser alcançados, a nível nacional e internacional, é o objectivo da nova equipa do conselho geral do Instituto Politécnico de Bragança, que tomou posse ontem à tarde.
Dionísio Gonçalves, ex-presidente do IPB e actual presidente conselho geral, fala de um novo ciclo mas com a continuação de desafios antigos.
“ São desafios permanentes que temos de enfrentar, não é porque mudou a equipa que as coisas vão mudar, temos de continuar o bom trabalho que tem vindo a ser feito e que nos colocou nos rankings de excelência. É com essa bitola que vamos continuar a desenvolver o trabalho mas agora com algum sangue novo que vem ajudar a equipa que ficou”, diz.
Visivelmente emocionado, Sobrinho Teixeira, presidente do IPB, fez um discurso de agradecimento aos membros cessantes do conselho geral fazendo um balanço positivo ,com alguma nostalgia, sobre todo o trabalho desenvolvido e resultados alcançados. O líder da instituição deu as boas-vindas aos novos membros reiterando “que são bem-vindos à equipa que agradece que venham com sugestões ideias e projectos para poderem melhorar ainda mais o que tem vindo a ser feito.”
Adianta ainda “ que a missão nunca está cumprida. Sobretudo, que é uma sensação de felicidade por poder estar, contribuir e poder dar corpo ao que é muito do sentimento das pessoas da instituição, sentimento de orgulho.” Considera-se um “bafejado pela sorte”, por chefiar o Instituto Politécnico de Bragança e trabalhar “lado a lado” com todos os que dele fazem parte.
Na Escola Superior Agrária cessou funções, como director, Albino Bento e tomou posse Miguel Vilas Boas. Na Escola Superior de Saúde cessou Helena Pimentel e tomou posse Adília Fernandes. Na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, José Adriano Pires substitui na direcção Adriano Alves.
Luís Carlos Pires e António Ribeiro Alves mantêm-se na direcção da Escola Superior de Comunicação Administração e Turismo e na Escola Superior de Educação, respectivamente.
Os novos membros enfrentam agora um ciclo de quatro anos nas dianteiras daquele que é considerado, por vários rankings, o melhor instituto politécnico de Portugal e uma das melhores instituições de ensino superior do mundo.

Publicado em: “Brigantia”

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IPB acolhe congresso Ibero-Americano

O IPB é reconhecido em todo o mundo graças à apos­ta forte que tem feito na in­ternacionalização, desde o estabelecimento de protoco­los com instituições de vá­rios países, até ao acolhi­mento de centenas de alunos dos quatro cantos do mundo, que reconhecem o valor da instituição e escolhem Bra­gança para fazer parte do seu currículo académico. Fruto desse reconhecimento, o po­litécnico transmontano, foi palco do 3.º Congresso Ibe­ro-Americano de Empreen­dedorismo, Energia, Am­biente e Tecnologia (CIEE­MAT), que decorreu de 12 a 14 de julho. Foi um ponto de encontro entre investigado­res, professores e estudantes dos países Ibero-America­nos, num fórum que reforça o perfil internacional dos en­volvidos.
Um dos pontos altos do encontro foi o balanço do projeto “Plataforma Inter­nacional de Dupla Diploma­ção”, que decorre há 3 anos e une mais de 30 institui­ções de ensino superior de toda a Europa e Brasil. Con­siste num intercâmbio inter­nacional de alunos, com o de desenvolver projetos de in­vestigação, nas mais diver­sas áreas, que depois de estu­darem e desenvolverem a sua investigação no país de ori­gem e no estrangeiro rece­bem dois diplomas.
Este projeto oferece aos alunos a oportunidade de co­nhecer outro país, outra cul­tura e outra língua. O con­tacto com outros métodos de ensino e a possibilidade de frequentar disciplinas não oferecidas na universidade de origem, assim como ter um duplo diploma no currículo, além de enriquecedoras poderão ser uma vantagem no mercado de trabalho.

Publicado em: “Jornal Nordeste”

Cursos de dois anos atraem 11 mil

O número de alunos quase duplicou no ano letivo que agora finda. E o número de cursos seguiu igual trajetória. Lançados em 2014, os cursos Técnicos Profissionais (TeSP) são hoje uma aposta (quase) ganha. Para isso, foi fundamental o reconhecimento em 2016 dos TeSP enquanto cursos superiores. É este o balanço feito por diversos presidentes de politécnicos ouvidos pelo JN.
Vamos aos números, inexpressivos no arranque: 13 cursos para perto de 400 alunos. Em 2015/2016 foram abertos 249 cursos para 6401 estudantes. E no ano letivo que agora termina contam-se 11013 alunos. 1,8% do total de inscritos no ensino Superior (ES), para um universo de 640 cursos dispersos por 120 instituições (dados recolhidos a 5 de julho). Sublinhe-se que este valor reporta a cursos registados na Direção-Geral do Ensino Superior. Quantos estão a funcionar não se sabe, nem a tutela diz.
Cruzando vários dados conseguimos chegar a um perfil: 64% são frequentados por homens, a maioria com menos de 24 anos. Mais de 90% tinham o ensino secundário, mas, em 2015/2016, chegava a haver 116 licenciados.
As regiões Norte e Centro lideram, com 74% dos alunos divididos irmãmente.
“Todos os anos há perto de 130 mil alunos que ficam fora do sistema, porque só 40 a 45 mil vão entrar no ES. Os TeSP vão ter que ser a grande resposta para estes alunos que não têm acesso a uma qualificação superior, “diz o presidente do Politécnico de Viana do Castelo, Rui Teixeira para quem aqueles cursos “têm sido uma boa experiência.” Não tem dúvidas: “Os TeSP têm uma vocação própria e assertiva face às necessidades do país.”
A questão do abandono
A ideia é consensual entre pares. No P.Porto, que tem 448 alunos naqueles cursos, estão previstas 28 formações para o próximo ano letivo. Dentro de dois anos, explica o pró-presidente Luís Rothes, o objetivo é chegar aos mil alunos, 5 a6% do total. “Acho que é uma aposta conseguida. Esta oferta não era a única solução possível para resolver um problema sério que são as qualificações dos portugueses sintetiza.
No P.Porto, explica, a taxa de abandono ronda o habitual no Superior – 15 a 16% – e a taxa de retenção naqueles cursos é mesmo inferior, cerca de 6%. “A taxa de abandono não quer dizer que tenha deixado o ES, porque pode acontecer que sejam alunos que no ano seguinte tenham conseguido entrar numa licenciatura.”
Sabendo que só após este final de ano letivo será possível apurar quantos alunos seguiram para licenciatura e quantos conseguiram emprego, porque a primeira geração TeSP está agora a acabar de formar-se. Joaquim Mourato fala da “elevada taxa de sucesso” no politécnico que preside, o de Portalegre. Já em Bragança, Sobrinho Teixeira surge bastante cauteloso. “é uma aposta ganha?” Em parte sim. Em parte não.”
E explica, “os Cursos de Especialização Tecnológica (CET) tinham mais procura e mais sucesso escolar”, lembrando que no politécnico que dirige, em Bragança, os TeSP têm uma taxa de abandono de 35%, o dobro dos CET.
“Se um dos objetivos é dar um nível maior de competência para prosseguirem para licenciatura é um modelo com menos sucesso do que os CET. Se se pretende que possam ir para o mercado de trabalho teremos que esperar para ter essa perceção,” conclui.
Os TeSP são uma aposta ganha?
Considero que os TeSP estão a dar passos nesse sentido. A informação de que dispomos indica que há uma recetividade crescente, quer em termos de procura por parte de quem termina o ensino Secundário/Profissional, quer por parte das empresas que acolhem estes estudantes. A alteração legislativa realizada em 2016 e a sua integração no Decreto-Lei que regula os graus e diplomas de ensino superior foi importante no sentido da credibilização e afirmação destes cursos como cursos superiores.
Alguns politécnicos alertam para uma taxa de abandono elevada. Como comenta?
Não conheço as situações em concreto. Temos vindo a constatar que há algumas áreas em que se registam níveis de abandono elevados, estando as instituições a adotar medidas visando a redução dos mesmos. Um exemplo disso é o facto de várias instituições estarem a adotar metedologias de ensino/aprendizagem diferenciadas, como o PBI – Project Based Learning
Alunos admitem que curso motivou-os a continuar
Após concluir o 12.º ano, em regime noturno, Rui Gonçalo, 23 anos, andava indeciso sobre a sua vida e não sabia bem se continuar os estudos seria a melhor opção. Achava a escola “um bocado seca” e também não tinha grandes facilidades para ir para a universidade, pois já trabalhava. De repente, abriu-se uma oportunidade, quando teve conhecimento dos Cursos do Ensino Superior Profissional, virados para um ensino mais prático.
“Decidi experimentar. Como gosto muito de informática comecei a procurar cursos” explica. Residente em Macedo de Cavaleiros. O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) surgiu-lhe como uma excelente hipótese, tanto mais que é perto de casa. “Matriculei-me no curso de Desenvolvimento de Software e Administração de Sistemas. Não me arrependo. Para mim é mais fácil aprender com a prática e este curso ajudou-me muito,” referiu.
Rui está já na reta final, a concluir o estágio em meio profissional no próprio IPB. Agora tem a certeza que quer continuar a estudar. Vai matricular-se numa licenciatura em Engenharia Informática. “Aqui percebi qual é a área que eu quero estudar e trabalhar. O meu interesse é a Cybersegurança”, destacou.
O outro aluno que o acompanha no estágio, Paulo Ferreira, 21 anos, residente em Bragança, também ganhou nova vontade para estudar depois de frequentar a formação na área da informática.
“Quando terminei o 12.º ano não consegui média para entrar na universidade. Nessa altura arrependi-me de não ter estudado mais no Secundário, mas não tinha motivação. Como a minha irmã já tinha feito um curso profissional, disse-me para experimentar. Assim fiz. Estou a gostar”, contou Paulo, que diz que optar por este tipo de formação foi a melhor decisão que tomou.
“Abriu-me imensas oportunidades para descobrir o que quero. Tanto no semestre e meio de aulas, como agora no estágio, onde podemos praticar os conhecimentos. Até as notas subiram. É como se já estivéssemos no mercado de trabalho. Estamos a fazer coisas que se fazem em empresas”, afirmou Paulo, que vai candidatar-se este ano ao ensino superior, também ele na área de informática.
O professor que os orienta no estágio. Tiago Pedrosa, explicou que estão agora preparados para encontrar soluções na área de sistemas de segurança. “Eles contactaram-me para fazer em aqui o estágio. Temos desenvolvido muitos projetos. É muito prático e fê-los ganhar gosto pelo estudo. Quando ingressam nas licenciaturas vão com mais andamento”

Publicado em: “Jornal de Notícias”

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Cursos técnico-profissionais também dão canudo. Quando o ensino superior não é sinónimo de licenciatura

Joel, Nuno, Sérgio, Patrícia e Rúben escolheram uma alternativa à licenciatura. São “cobaias” dos cursos técnicos superiores. Uns já começaram a trabalhar. Todos querem prosseguir estudos superiores.Joel Pinheiro desde pequeno que praticava equitação e os cavalos sempre foram o seu mundo.
Por isso não lhe foi difícil, aos 15 anos, escolher o rumo académico. Saiu de casa dos pais, em direção a Marco de Canaveses, onde iniciaria um curso técnico de gestão equina. Foi o melhor da turma e como uma licenciatura em Medicina Veterinária estava fora do alcance, por não ter bases suficientes para fazer os exames nacionais, a alternativa para continuar a estudar foi tirar um curso técnico superior: Cuidados Veterinários, no Instituto Politécnico de Bragança (IPB), corria o ano de 2015.
“Ao início confesso que não gostava muito porque a minha ideia era animais de grande porte. Sabia que o curso ia ser focado em cães e gatos, e não consegui deixar de ficar desanimado”, conta ao Observador Joel Pinheiro, hoje com 20 anos, logo acrescentando que os professores acabaram por motivá-lo. O maior problema mesmo foi ter ficado na escola de Marco de Canaveses — com a qual o IPB tem um protocolo — ao invés de ter ido para Bragança: “Não tinha muitas aulas práticas porque não havia clínica. Em Bragança havia”.
A parte do estágio, no último semestre, compensou. “O estágio numa clínica veterinária em Paços de Ferreira foi o melhor local que podia ter escolhido.”Foi de tal forma bom que mudou a “perspetiva em relação aos pequenos animais” e percebeu que, afinal, não quer continuar ligado apenas aos cavalos.O próximo passo, afirma, é concorrer, através dos concursos especiais, à licenciatura em Enfermagem Veterinária no mesmo politécnico, mas em Bragança, para depois dar o salto para Medicina Veterinária.

Joel Pinheiro, 20 anos, desde pequeno que pratica equitação

Também antes de entrar no CTeSP de Tecnologia Automóvel, no Politécnico de Leiria, Rúben Pires, agora com 24 anos, passou por um curso tecnológico de Mecatrónica Automóvel promovido pelo centro de emprego. Mas o seu percurso não foi sempre no ensino profissional. Foi lá parar apenas por causa da Física e Química que o impediu de concluir o ensino secundário em ciências e tecnologias.
“Em termos académicos aquele curso era um nojo. Podia ser exigente para os que chegavam de meios alternativos de ensino, mas para uma pessoa, como eu, que ficou presa no secundário por causa da Física e Química e que até Matemática A passou através de exame, foi levado com uma perna às costas”, relembra.Com aptidões para trabalhos manuais, foi ainda no 9.º ano, depois de um dia aberto no Politécnico de Leiria, que percebeu que a área automóvel era a sua praia. Assim, terminado o curso do centro de emprego, decidiu inscrever-se no curso técnico superior profissional. “Tenho a noção que fomos as cobaias porque fomos o primeiro ano. As cadeiras que correram melhor foram as que têm equivalência direta às da licenciatura em Engenharia Automóvel. Algumas das que são específicas do CTeSP correram mal porque havia discrepâncias entre as aulas práticas e as teóricas”, contou. Apesar disso, frisa, “correspondeu à publicidade feita e às minhas expectativas”, destacando como vantagem o “meio termo” nestes cursos, que permite agradar a dois públicos: “Os que chegam e querem tirar antes de seguir para licenciatura e os que querem entrar logo no mercado de trabalho”.
As coisas correram bem a Rúben e, terminado o estágio que fazia parte do CTeSP, ingressou logo num estágio profissional no mesmo sítio: o Centro Porsche de Leiria. “No próximo ano quero focar-me no trabalho, mas não tenho ideias de parar por aqui. Provavelmente o futuro passará por um curso superior em engenharia mecânica pois o Politécnico de Leiria tem essa oferta em regime pós-laboral. Além disso abre portas para toda a parte industrial.”

Rúben Pires, 24 anos, vai focar-se no trabalho neste próximo ano. Depois quer tirar um curso superior

Joel e Rúben são os “alunos-tipo” dos cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP) — formações de dois anos ministradas nos politécnicos e que conferem um diploma de Técnico Superior Profissional. Segundo as instituições, a grande maioria dos alunos que entram para este tipo de formação vêm do ensino profissional. Mas não são os únicos.
Nuno Lopes faz parte da tal fatia mais pequena. Chegou a frequentar, durante dois anos, o mestrado integrado de Engenharia de Computadores e Telemática na Universidade de Aveiro mas, “além de ter percebido que ia ser difícil concluir o curso, estava a tornar-se insustentável estar longe de casa”. Acabou por abandonar a faculdade e foi ajudar o pai num novo negócio. É nesse café-restaurante que ainda hoje trabalha.
Foi a mãe quem lhe falou dos cursos técnicos superiores. Numa primeira abordagem a opção não o agradou pois “pensava que estava a falar dos antigos CET [cursos de especialização tecnológica] e não era bem o que queria porque era abaixo do que eu poderia valer”. Mas a mãe insistiu e o filho acabou por se inscrever no CTeSP de Redes e Sistemas Informáticos em regime pós-laboral.

Sérgio Forte, 31 anos, terminou o curso em Interpretação da Natureza e dos Espaços Rurais e quer começar a trabalhar

“Fomos carne para canhão. Não achei nada fácil. Posso mesmo dizer que aquele curso, ao nível de exigência, está quase ao mesmo nível da licenciatura. A programação que tive no CTeSP era exatamente igual à que tive na licenciatura”, exemplifica Nuno, prestes a fazer 27 anos, acabado de terminar esta formação e um estágio na Câmara de Leiria. “Foi a melhor coisa que fiz, este CTeSP. Pode parecer extraordinário mas já tive duas ofertas de emprego, ainda antes de concluir o curso. O meu objetivo é ingressar num dos empregos e entrar para Engenharia Informática no Politécnico de Leiria, em pós-laboral.”Também Sérgio Forte entrou, há mais de 10 anos, em Engenharia Mecânica, na Universidade de Coimbra, mas perdeu o interesse no curso e o facto de ter começado a trabalhar a tempo parcial e a ganhar independência financeira deu-lhe força e coragem para largar o curso que “não correspondia à minha expectativa”. Passados alguns anos voltou a tentar e inscreveu-se no Politécnico de Coimbra, “mas também não resultou”, e esteve mais dois anos a trabalhar a tempo inteiro.
Em 2015, seguindo a dica de uma amiga, inscreveu-se no curso técnico superior de Interpretação da Natureza e dos Espaços Rurais, no Politécnico de Coimbra, dando oportunidade a uma paixão antiga.
“O curso superou as minhas expectativas. Tem uma forte componente prática e em termos de exigência achei equivalente à licenciatura que já tinha tentado. Tivemos algumas cadeiras iguais às da licenciatura de Ecoturismo. Só se tornou mais fácil porque como éramos uma turma mais pequena, há uma maior proximidade com os professores.”
Iniciou o estágio em fevereiro na Parques Sintra, em Montes da Lua, e regressou agora em julho. “Foi muito bom. Deixaram-nos trabalhar e deram-nos liberdade, a mim e à minha colega. Estivemos a trabalhar na implementação de um futuro percurso pedestre inclusivo numa das tapadas”.
Vontade de continuar a estudar tem, mas com 31 anos, “queria já começar a trabalhar”, sendo que há hipótese de começar a organizar percursos pedestres por conta própria.
Patrícia Rocha tem apenas 19 anos mas também está mais inclinada para trabalhar do que para prosseguir com a formação. Para terminar o CTeSP em Produção Audiovisual, só lhe falta defender o relatório do estágio que fez na produtora Fremantle.
“Sinto que aprendi muitas coisas. O curso é muito prático, que é bom mas que o torna exigente porque implica muito trabalho fora das aulas, muitas horas passadas na faculdade. Os professores são ótimos. Nota-se que são professores com experiência”, descreve a jovem de Setúbal.
Já depois do estágio que fazia parte do curso, Patrícia foi convidada a trabalhar durante um mês para um projeto da mesma produtora, o que “foi muito bom”. A licenciatura em Produção Audiovisual, no Politécnico de Setúbal, será uma meta a atingir mais tarde. “Como estou com a energia toda gostava de continuar a trabalhar na área.”

Patrícia Rocha, 19 anos, tirou o CTeSP de Produção Audiovisual em Setúbal e teve logo um convite para um projeto de um mês

Procura e oferta de cursos técnicos superiores têm crescido

Como Patrícia, muitos outros dos mais de 300 estudantes que iniciaram um CTeSP em Setúbal em 2015/2016, e que estão agora a concluir o curso, vão optar por entrar para o mercado de trabalho sendo que “uma parte significativa já assinou contrato de trabalho com as empresas onde estagiou”, garante ao Observador Pedro Dominguinhos, presidente do Politécnico de Setúbal (IPS), dando como exemplo os alunos do CTeSP de Produção Aeronáutica.
O Politécnico de Setúbal é, de resto, uma das instituições com mais alunos inscritos nestes cursos técnicos superiores profissionais criados há três anos, frisa o responsável, adiantando que, este ano letivo, estavam a frequentar os 18 cursos ali disponíveis perto de 650 estudantes — 12% do total de alunos do politécnico. E Pedro Dominguinhos não tem dúvidas que “nos próximos anos vamos aumentar ainda mais o número de estudantes em CTeSP. Houve aqui uma mudança importante: estes cursos passaram a ser de ensino superior, dão diploma e têm um maior reconhecimento”. Um reconhecimento que também tem sido trabalhado: “temos vários professores de topo de carreira que lecionam estes cursos” e “tem havido preocupação de implementar um conjunto de metodologias mais próximas da realidade profissional”.
Com uma longa tradição em formações mais técnicas de curta duração (com cursos de especialização tecnológica — que não davam diploma — desde 2007/2008), a passagem para os CTeSP foi a “transição natural”, justifica o presidente do instituto, frisando que o objetivo é, por um lado, “ter uma alternativa para os estudantes” e, por outro, “dar resposta ao tecido empresarial”. O IPS tem protocolos assinados com cerca de 300 empresas e outras instituições, sendo que nem todas são de Setúbal. “Temos cursos de automação robótica e controlo industrial em Sines em parceria com a Escola Tecnológica do Litoral Alentejano, temos produção aeronáutica em Ponte de Sor, em parceria com a Câmara Municipal, e em Lisboa, de energia, em parceria com o Cinel. É preciso garantir um lógica de articulação.”
Quem também tem celebrado diversos protocolos com outras instituições é o Instituto Politécnico de Bragança. Desde logo com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e outras escolas profissionais da região, mas não só. “Temos colaboração com escolas profissionais da área de intervenção do Politécnico do Porto, como em Santo Tirso e em Marco de Canaveses, mas estamos lá em áreas complementares (áreas agrárias). Não oferecemos concorrência ao Politécnico do Porto, com quem também celebrámos protocolo, numa lógica de maximização de recursos. Interessa-nos não multiplicar despesas”, detalha Miguel Vilas Boas, subdiretora da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança).
Famalicão deverá ser o próximo local, a pedido da câmara municipal. Naquele concelho, 50% dos alunos vêm do ensino profissional e é preciso dar-lhes resposta para continuarem os estudos. É esse um dos propósitos do Politécnico de Bragança, além de dar resposta às empresas.
Numa área com grande dificuldade de captação de alunos, os mais de 600 alunos a frequentarem CTeSP este ano letivo (alguns a terminarem o segundo ano e outros ainda no primeiro) já correspondem a 15 a 20% do total de estudantes daquela instituição.
Quem já atingiu um “patamar ótimo”, de pouco menos de 10% do total de estudantes da instituição, foi o Politécnico de Leiria que é, aliás, o instituto com um maior número de alunos a frequentar esta oferta formativa superior de curta duração: 750 a 800 por ano. “Esta é uma aposta estratégica do instituto para diversificar a oferta formativa e sobretudo para dar resposta a uma procura da nossa região. Leiria é dinâmica em termos empresariais e a população é muito jovem. Quer a montante, quer a jusante havia uma grande procura para colocar no mercado de forma muito imediata técnicos altamente especializados”, justificou Eduardo Batalha, responsável pelos CTeSP no Instituto Politécnico de Leiria.
As áreas com mais oferta são as técnicas — ciências informáticas, eletrotécnica e eletrónica, metalurgia e metalomecânica — e o turismo, hotelaria e restauração. Esta semana o IPL vai assinar um protocolo com o município de Torres Vedras, mas Eduardo Batalha sublinha que “não é uma estratégia para continuar. Não é um plano de expansão”.
Logo no dia em que a instituição arrancou com estes cursos (que neste momento chegam aos 651 em todo o país e aos 39 em Leiria), já tinha celebrado protocolos com 500 empresas e outras instituições de forma a garantir estágios para todos os alunos. E há até estudantes a fazerem estágios no estrangeiro.
Eduardo Batalha garante que estes alunos “não têm canabalizado as licenciaturas pois são dois tipos de formação e convivem bem”, mas salienta que muitos têm logo emprego garantido. “Os nossos alunos de informática quase na totalidade já estão empregados antes de acabarem o curso. Mas não tiram lugar aos engenheiros informáticos”. Até porque têm competências distintas, explica, e as empresas oferecem salários mais baixos a estes técnicos.
A verdade é que nem todos acedem logo ao mercado de trabalho — o que pode, aliás, ser confirmado pelos testemunhos acima. Muitos farão questão de seguir para licenciatura.
“A nossa expectativa é que muitos destes alunos acabem por ingressar em licenciaturas. Era isso que acontecia com os Cursos de Especialização Tecnológica, o que para nós é interessante”, atesta Paulo Sanches, vice-presidente do Instituto Politécnico de Coimbra, que tem uma oferta de cerca de 40 cursos espalhados por quatro das seis escolas. Só as escolas de Saúde e Educação não têm este tipo de oferta por “recearem concorrência entre diplomados licenciados e CTeSP”.
Já lá vai o tempo em que Eduardo Batalha ficava surpreendido com o caminho trilhado pelos alunos destes cursos de curta duração. “Começámos a observar esse fenómeno com os CET e surpreendemo-nos porque não pensámos que seguiriam para licenciatura e até com desempenhos interessantes. Agora já não nos surpreenderá. Diria que metade tem perfil para prosseguir estudos.”
Em Bragança, “as empresas são as primeiras a querer absorvê-los de imediato. Nós somos quase concorrentes das empresas porque queremos que eles continuem a formação superior”, rematou Miguel Vilas Boas, explicando que o “desenho destes cursos é idênticos ao das licenciaturas” e que há mesmo cursos que são apresentados com licenciaturas de continuidade.

Publicado em: “Observador”